Uma trama zumbi
Esta semana ficamos sabendo, através de um tweet da produtora de games Naughty Dog, que o já lendário The Last of Us vai virar uma série. E não será uma série de um canal qualquer, mas da HBO, conhecida por exibir obras bem caprichadas. E pra quem teme que a adaptação possa ficar meio caída, o criador e diretor do jogo, Neil Druckmann, será um dos produtores e roteiristas da série, ao lado de Craig Mazin, que simplesmente criou Chernobyl, vencedora do Emmy de melhor série do ano passado, além dos prêmios de melhor direção e roteiro de drama. Como disse um colega meu de redação, #chupawalkingdead.

Tá, talvez seja exagero insultar The Walking Dead, uma série que tanta alegria me deu ao mostrar dramas humanos em meio a ataques zumbis (até que Rick saiu da série). Até porque é preciso pensar duas vezes se a trama do jogo, assim como ela veio ao mundo, sustenta uma série. Com certeza daria um filme redondinho e seria o melhor longa baseado em quadrinhos de todos os tempos. Aliás, outro dia, num vídeo dos Três Elementos, eu reclamei que os produtores sempre inventam uma história maluca pra poder levar um game para o cinema, sem tanta ligação com o jogo em si. Dei um exemplo infeliz com a trama doida de Detetive Pikachu, sem saber que era bem fiel a um jogo pouco conhecido da série Pokemon. Apanhei dos assinantes do canal, como se pode ver no campo de comentários do vídeo:

A verdade é que The Last of Us tem uma história muito envolvente. Para se ter uma ideia, quando comecei a jogar em casa, minha esposa viu uma parte da cinemática e parou em frente à TV. Depois venho meu filho. Então pediram pra eu só jogar quando eles pudessem acompanhar a trama. Por semanas eu tive que jogar a parte da ação sozinho, mas chamar a família pra vir correndo quando entravam as cutscenes. Nunca aconteceu antes e nem depois de The Last of Us. Nem mesmo com o Horizont Zero Dawn, que eu e meu filho estamos jogando atualmente, com uma ótima trama para embalar a ação.

Outro elemento que chancela a qualidade da história é que o roteiro já foi encenado como uma peça de teatro, para o lançamento do jogo para PS4, com os dubladores atuando em algumas passagens da trama. Teve até uma cena extra, indicando que Ellie e Joel tomam rumos diferentes depois de sua aventura.

Ainda assim, será que esse roteiro rende uma boa série de TV, com várias temporadas? OK, sabemos que The Last of Us – Parte 2 está chegando daqui a algumas semanas nas lojas, com Ellie como protagonista, possibilitando ainda mais temporadas. E também temos a expansão Left Behind, que podem gerar bons flashbacks. Mas eu ainda acho que a adaptação para TV, com todas as peculiaridades do formato, talvez tenha que inventar mais subtramas para garantir uma série de qualidade dramatúrgica. Aposto que mais personagens e cenas dos Vagalumes surgirão, para a criação de mais subtramas. É claro que a simples transposição exata do jogo para a TV já me levaria a acompanhar a série, mesmo com a expectativa de críticas negativas sobre a falta de riqueza da trama para a plataforma. Mas se houver novos elementos, como as tais subtramas e quem sabe até informações escabrosas sobre a origem da infecção, aí sim poderemos ter uma série à altura do game. E só então poderei mandar um #ChupaWalkingDead, que nunca soube o ponto de dar game over.

Ulisses Mattos

Por: Ulisses Mattos

Ulisses Mattos é roteirista de humor na TV, um dos criadores do Alta Cúpula, do @na_Kombi e da websérie Épica das Galáxias. É membro do trio nerd Três Elementos e faz stand-up comedy. Escreveu sobre cinema no Jornal do Brasil e nos sites da Veja e Abacaxi Voador