H. P. Lovecraft escreveu sobre o indizível e aterrador horror cósmico. Esteban Maroto resolveu fazer o impossível e desenhar o indizível.

H. P. Lovecraft escreveu sobre o indizível e aterrador horror cósmico. Falar deste tipo de horror é uma tarefa por si só árdua e por isso recriá-lo visualmente é ainda mais difícil de ser feito. Várias tentativas já foram feitas como imagens, filmes e mesmo em quadrinhos mas ainda existe um enorme caminho a ser percorrido e cada vez mais esta barreira vem sendo quebrada. Com certeza, Esteban Maroto ajudou muito neste sentido como podemos ver no encadernado Os Mitos de Cthulhu, publicado pela Pipoca & Nanquim.

Meu primeiro contato com Esteban Maroto se deu pela publicação Espadas & Bruxas da Pipoca & Nanquim. Seu traço é inconfundível e de uma força enorme além de um impacto visual tremendo. Sem dúvida alguma é um dos mestres da arte sequencial conseguindo levar o leitor pela história só com seu desenho e deixando o texto como um bônus. Com certeza é uma experiência realmente incrível experimentar o quadrinho dele.

Confesso que Espadas e Bruxas não me cativou tanto pelo argumento como foi pelo traço lindo mas isso se deu mais por eu não ser um apaixonado pelo gênero de fantasia do que por qualquer outro motivo. Entretanto já é possível ver neste volume uma influência clara de Lovecraft na obra de Maroto chegando ele ao ponto de incluir no roteiro a frase Ia Cthulhu fhta’gn em referência a conhecimentos místicos obscuros conforme a imagem abaixo:

Porém o abalo na força começou quando vi o anúncio da Pipoca & Nanquim sobre Os Mitos de Cthulhu. Para um fã do horror como eu saber que você terá uma adaptação do material de Lovecraft é sim a realização de um sonho. Se este desenho vem com a assinatura de Maroto ele fica com certeza melhor. Isso é indiscutível pelo pouco que vi!

Não errei em meu palpite. O traço preto e branco dele é perfeito na adaptação dos contos de Lovecraft. Não sentimos falta alguma das cores, tamanha é a maestria do desenhista com a criação de cada página, de cada quadro, de cada linha. Neste encadernado percebemos que o texto torna-se um acessório pois a desenvoltura de Maroto na narrativa visual é perfeita e estonteante.

O livro nos traz três contos os quais foram traduzidos por Denise Schittine. São os contos A cidade sem nome (1921), O Cerimonial (1923) e o incontestável e grandioso O Chamado de Cthulhu (1926 e aqui adaptado como Os Mitos de Cthulhu). Ao final você se pergunta porque ele não faz logo a adaptação de todos os contos! Ahrrrrrrrrr!!!!

Além das histórias que são primorosas o volume nos traz excelentes bastidores históricos não só da vida do autor assim como da idealização das próprias adaptações e os percalços que foram enfrentados para que elas chegassem para nós.

Vale muito a pena ler este quadrinho pois é um trabalho de primeira grandeza. Parabéns a Pipoca & Nanquim pelo excelente trabalho executado. Sou muito feliz de ter minha cópia a qual só faltava mesmo o autógrafo de Maroto! Mas não posso reclamar, com certeza que não!

Depois desta obra prima é difícil não deixar um elogio! Não deixa de colocar seu comentário que vamos batendo papo e trocando ideias!

Tô LendoAlgumas imagens!
Daniel Braga

Por: Daniel Braga

Pai de uma mulher, nerd, analista de sistemas especializado em infraestrutura, poeta, board game designer e sommelier de cervejas. Adora jogar board games e ouvir jazz anos 30/40, Dead Can Dance e rock and roll. Curte muito o gênero de horror e tudo relacionado, principalmente as boas leituras como Lovecraft, Blackwood, Machen e muitos outros.