No universo Marvel, há diversos vilões de renome como Galactus, Doutor Destino e o titã Thanos. Porém um adversário de peso, mas que não é tão conhecido (ou reconhecido) é o conquistador de mundos, Kang. Pega sua plataforma temporal, sua máscara azul e vem comigo rebobinar A Dinastia Kang!

A “dinastia” consiste basicamente desses dois caras e suas 357 milhões de versões diferentes.

A San Diego Comic Con passou e trouxe uma enxurrada de novidades que deixou o mundo nerd em polvorosa! São diversos filmes novos a caminho, desde a Distinta Concorrência com a família Shazam, até o lançamento de um filme BOM de Dungeons & Dragons. Mas claro, que os holofotes ficaram com a Marvel Studios e seu planejamento de filmes a longo prazo e a revelação dos títulos de suas novas empreitadas: Vingadores: Dinastia Kang e Vingadores: Guerras Secretas. Apesar do último título não ser necessariamente uma surpresa (qualquer fã da Casa das Ideias com metade do cérebro já tinha descoberto que esse seria o, heh, endgame do estúdio ao final da fase 6), o título “Dinastia Kang” chamou um pouco a atenção. Isso porque, essa não é uma saga super notória dos Vingadores (de cabeça eu posso nomear outras três antes dessa) e que muita gente deixou passar batido na época em que saiu. Então, do que ela se trata?

Escrita por ninguém menos do que Kurt Busiek e desenhada por diversos artistas ao longo de suas DEZESSEIS EDIÇÕES, esse mega-arco conta a história de uma invasão comandada por Kang, o Conquistador, que chega a vencer os Vingadores e dominar a Terra inteira, antes de ser sumariamente derrotado. Ela foi lançada entre junho de 2001 e agosto de 2002 nos EUA e, se você reparar bem, tem um mega evento de escala mundial que aconteceu dentro desse período que pode ter contribuído para a falta de destaque dela. Infelizmente, me refiro ao 11 de setembro, o dia em que as torres do World Trade Center em NY foram derrubadas por dois aviões em um ataque terrorista.

Até o Aranha teve uma edição especial retratando o ocorrido.

Nessa época, a “virada temática” dos quadrinhos ainda não havia ocorrido. Então ainda estávamos naquele período pós-crise do mercado nos anos 1990 em que os super-heróis ainda não tinham mudado muito. A nova fase dos Vingadores, em específico, era o seu retorno depois do famigerado evento Heróis Renascem e a equipe ainda era bem ampla e, além dos figurões clássicos (Capitão, Tony, Thor, Hank Pym e Vespa) contava também com diversos personagens “lado B”, como Fóton, Valete de Copas, Arraia, Garra PrateadaAsa de Fogo e Triatlo. Poucos meses depois dessa história, inclusive, viriam as sagas mais revolucionárias da época como Vingadores: A Queda, Dinastia M e a reinvenção total da equipe através do Universo Ultimate com Os Supremos. Dá para traçar uma linha bem clara entre o estilo dos quadrinhos pré e pós 11 de Setembro.

Aqui no Brasil, a saga saiu em 2003 e 2004, durante toda a publicação da revista Marvel 2003 (iniciando em janeiro e encerrando em dezembro do mesmo ano), além de uma edição especial de Marvel 2004 e finalmente com sua conclusão na revista Os Poderosos Vingadores #2-4, todas pela editora Panini.

As capas das edições brasileiras com histórias da Dinastia Kang

Mas tio Kadu, tem alguma republicação dessa história para eu não ter que ir catar num sebo? Algum encadernado?

Ainda não. Mas nos EUA (e na internet) há um omnibus compilando essa história toda e duas edições da coleção oficial de graphic novels da Marvel, que MUITO PROVAVELMENTE alguma das editoras daqui do Brasil vão publicar muito em breve (eu chuto Salvat, mas nunca se sabe).

QUEM É KANG?

Você também pode estar se perguntando, quem diabos é esse Kang? Grandes chances de, se você é fã recente da Marvel e acompanhou a maioria das histórias com base no filme, de não saber quem é esse grande vilão (mesmo com trocentos sites e vídeos por aí explicando quem é ele). E mesmo que você já seja fã de longa data, nunca é demais rever alguns detalhes. Pelo menos você pode bater suas informações e vir aqui nos comentários me dizer que eu estou errado porque “na edição X do ano Y” o personagem sofreu algum retcon do qual eu não soube e etc. etc. etc. 

Enfim, quadrinhos.

Mas da forma mais básica possível, Kang é um viajante do tempo. Só isso já é o suficiente para te preparar para a MAIS PURA BAGUNÇA CRONOLÓGICA da história dos gibis (quer dizer, ainda existe a vida do Cable dos X-men, que é um páreo duríssimo, mas ok). Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1964, ele apareceu pela primeira vez em Avengers #8. Essa história saiu aqui em 1976 em Vingadores # 4 da editora Bloch, mas foi republicada muito recentemente na Coleção Clássica Marvel #15: Os Vingadores.

Adoro que o Kang tá sempre de boas, num pufe flutuante…

O porém é que, por ser um viajante do tempo, Kang tem várias versões dele espalhadas pela linha do tempo. Inicialmente, Kirby e Lee propuseram que ele teria vindo de um futuro bem distante, mas deixaram dúvidas quanto a sua identidade: a princípio ele seria ou um descendente distante do Doutor Destino, ou até seria o próprio vilão que teria ficado preso no futuro e perdido a memória. O fato é que, nesse futuro, ele encontra a tecnologia de plataformas temporais de Von Doom e retorna ao nosso tempo presente, a fim de conquistar o planeta.

Com o passar dos anos, seu histórico foi ficando mais confuso depois de vários roteiristas se meterem a reescrever o passado. Os retcons fizeram com que um vilão do Quarteto Fantástico chamado Rama-Tut, um faraó do antigo Egito, fosse uma versão anterior dele. Além disso, ele deixou de ser um descendente distante de Von Doom para ser um descendente distante do pai de Reed Richards, o líder do Quarteto Fantástico! Como ele pode ser um descendente do PAI DO SR. FANTÁSTICO e não ser um descendente do PRÓPRIO SR. FANTÁSTICO, você me pergunta?

Kang mais camaleônico que a Lady Gaga

Quadrinhos, eu respondo.

O fato é que agora ele tem um nome e se chama Nathaniel Richards. E basicamente (E ATÉ O PRESENTE MOMENTO) sua linha do tempo é mais ou menos assim:

  • Nathaniel vive no séc. XXXI (trinta e um, para quem não sabe ler números romanos) e encontra a tecnologia de plataformas temporais do Doutor Destino;
  • Ele monta uma nave em forma de esfinge (???) e volta até o Egito antigo para virar um faraó chamado Rama-Tut;
  • Numa viagem pelo tempo, o Quarteto Fantástico derrota Rama-Tut, que viaja para o séc. XX onde encontra Victor Von Doom e, depois de montar uma armadura parecida com a do vilão, ele assume o nome de Centurião Escarlate e vai enfrentar os Vingadores;
  • Ele perde e tenta voltar para o séc. XXXI, mas erra o alvo e vai parar em um futuro ainda mais distante, onde a Terra evoluiu demais as suas armas, mas sem seus heróis era muito mais fácil de ser dominada.
  • Porém, a essa altura o universo já está morrendo e, tendo em vista o fim de tudo, ele junta tudo o que tem e volta ao séc. XX mais uma vez para dominá-la. Desta vez, ele deixa todos os seus nomes para trás e adota a alcunha de Kang, o Conquistador.

E é nesse ponto que o encontramos, em geral. Ainda há outras versões do Kang espalhadas pela linha do tempo, desde uma versão ainda mais velha, chamada Immortus (e na qual o personagem do seriado Loki chamado “Aquele Que Restou” se baseou), até uma versão adolescente sua, mais heróica, chamada Rapaz-de-Ferro, que fez parte da equipe Os Jovens Vingadores. Confuso? Então você ainda não leu quadrinhos o suficiente? Rá!

Alá o pufe flutuante de novo!

A DINASTIA DE KANG

Como eu disse antes, a história é longuíssima. Não porque a trama seja super complexa, mas provavelmente porque o autor Kurt Busiek queria fechar o máximo de pontas soltas dos Vingadores para as próximas fases. Vamos lembrar que depois dessa saga, ainda levariam uns dois anos até a equipe ser dizimada por Brian Michael Bendis em Avengers Disassembled. Uma das pontas soltas que ele aproveita para fechar é a história de uma seita maligna chamada Compreensão Triúnica, que também era ligada ao herói Triatlo.

Além disso, a trama se estende bastante porque o plano de Kang é bem calculado e divide os Vingadores e os governos de todo o mundo em diversas frentes de batalha. Tem um pensamento tipicamente americano aí de que o mundo gira militarmente em torno dos EUA e da Europa quando Kang explica o plano dele, mas até aí, o autor é americano, né? Por mais bem intencionado que ele seja, ainda vai passar uma ideologiazinha básica. Enfim.

“Eu tenho uma proposta irrecusável…”

O mundo segue normalmente, quando os Vingadores recebem uma chamada de emergência na Sibéria. Uma super equipe russa e alguns cientistas sumiram de repente e os heróis foram investigar. Enquanto isso, a sede das Nações Unidas em NY é atacada pelo Centurião Escarlate, o que leva uma outra equipe dos Vingadores a agir. Após uma breve batalha, Kang surge e avisa que veio para tentar defender o mundo de uma ameaça enorme que havia acabado de surgir, com o potencial de destruir o mundo inteiro. Porém, ele só defenderia a Terra após conquistá-la! Os Vingadores se recusam a aceitar isso e, numa demonstração de força, o vilão destrói o edifício da ONU com uma rajada de sua nave, a Damocles, que está em órbita. Ao mesmo tempo, em sinal de boa vontade, ele mostra que protegeu a vida de todos no prédio com um campo de força e avisa que, ao menor sinal de hostilidade, ele está pronto para atacar de novo.

Enquanto isso na Sibéria, a equipe formada pelo Capitão América, Thor, Cavaleiro Negro, Mercúrio e Asa de Fogo enfrentam um outro antigo vilão russo chamado Presença (heheheh, que o Allan Sieber não veja isso). O cara desenvolveu um novo poder de transformar pessoas em uma espécie de “fantasmas radioativos” e pretendia dominar a Rússia inteira com ele. Porém, através da força de Thor e da heroína Asa de Fogo, que são capazes de absorver as energias radioativas do vilão, ele acaba perdendo e é preso pelas autoridades russas.

UH! UH! VAMO INVADI! UH! UH! VAMO INVADI!

Nas edições seguintes, Kang dá um ultimato ao planeta inteiro e avisa que, qualquer facção da Terra que não queira ser obliterada, pode se unir a ele e fazer parte de sua nova ordem contanto que ajude com exércitos em seu plano de dominação global! Com isso, há ataques espalhados pelo mundo inteiro… Um exército atlante rebelde comandado pelo vilão Attuma ataca a costa leste dos EUA, os deviantes saem do solo em Wuhei na China, enquanto o exército de Kang ataca a Europa. Segundo o próprio, se atacasse sozinho, as forças militares e os heróis do planeta inteiro se uniriam contra ele, mas com vários ataques individuais em diversos pontos, cada país seria obrigado a se defender sozinho antes de se unir a outros, o que enfraqueceria a todos.

Com isso, os Vingadores precisam se dividir ainda mais e se espalham pelo globo, apenas “apagando incêndios” sem um plano real de ataque. O governo dos EUA, “amarrado” pela ameaça de violência de Kang, planeja em segredo um ataque envolvendo um esquadrão de Sentinelas, os robôs gigantes caça-mutantes. Após a neutralização dos vários ataques diferentes, os militares americanos mostram ao Capitão América e à Vespa (que era a líder da equipe na época) seus planos e, bom, todos concordam que é uma ideia idiota. O próprio Capitão diz “quando esses robôs foram ligados pela primeira vez, se voltaram contra seu criador. Mais recentemente, eles foram ligados de novo como forma de defesa e atacaram Nova Iorque! O que o faz pensar que seria diferente agora?”

Mais uma ideia de merda na história das ideias de merda dos quadrinhos…

O governo então diz que vai seguir em frente com o plano e dão 98 horas aos heróis para bolarem um plano de ataque próprio que impeça Kang antes do ataque de Sentinelas. O tempo é curto, mas eles vão em frente!

SÓ QUE ENQUANTO ISSO…!

Todas as principais cidades do mundo começam a ser cercadas por imensos muros tecnológicos. Enquanto todo mundo tenta se ambientar e entender o que está acontecendo, um terceiro agente nessa zona toda se apresenta: um maluco chamado Mestre do Mundo. Esse cara é uma espécie de “Vandal Savage” da Marvel Comics, um homem das cavernas que encontrou uma nave alienígena caída e que ganhou superpoderes e uma suposta imortalidade. Pois bem, assim como Kang, o tal Mestre planeja usar a invasão do conquistador de mundos para “reduzir a população mundial” em alguns bilhões de pessoas e assim, dominar o planeta mais facilmente depois de chutar a bunda do Kang. Ou pelo menos tentar. Com isso, uma nova equipe dos Vingadores é destacada para invadir a base do novo vilão e desativar os muros porque, mesmo sendo barreiras altamente armadas e tecnológicas, elas impedem uma eventual desocupação em caso de necessidade. Ninguém entra, ninguém sai.

É muito CEO pra pouca empresa nessa história, bicho. Cada hora tem um cara diferente querendo dominar o mundo…

A equipe consiste em Warbird (que é a nossa querida Carol Danvers com o uniforme preto de Ms. Marvel, mas uma identidade nova, distante da família Marvel), além de Jaqueta Amarela, Mercúrio e Garra Prateada. Na base do Mestre do Mundo, Carol encontra o Centurião Escarlate e descobre que ele é Marcus, filho de Kang. O problema em questão é que Carol tem uma história um tanto horrível e confusa com este personagem (QUEM DIRIA, Né?). Ela foi abusada por uma versão do Marcus, que era filho de Immortus e, ahem, engravidou! Alguns poucos meses depois, a criança nasceu e, bom, era o próprio Marcus! Que se desenvolveu aceleradamente até a vida adulta! Enfim. Como qualquer pessoa que passasse por uma situação dessas, ela tem uns traumas para sanar… Os dois lutam, mas o Centurião diz que não é a mesma pessoa que fez isso com ela e que, bem possivelmente, se tratava de uma outra versão dele, de outra realidade, ou de outra linha do tempo.

O Centurião então ajuda Carol a invadir o centro da base e encontrar o tal Mestre do Mundo. A luta entre os dois é selvagem, e a futura Capitã Marvel diz ao vilão que ele espera uma luta honrosa, típica de super-heróis… só que o momento é de  guerra! Portanto, ela não pode se dar ao luxo de agir com escrúpulos e EMPALA o cara com um pedaço de metal da nave. Com o Mestre do Mundo derrotado, os Vingadores assumem o comando de sua tecnologia e partem para cima de Kang!

Toma essa, Mestre! Falha crítica!

SÓ QUE ENQUANTO ISSO…²

Lembra da trama da seita da Compreensão Triúnica? Pois é. A trama da dominação mundial de Kang entra num hiato porque de repente, o super-herói Quasar encontra uma presença entrando no nosso sistema solar, uma força maligna ancestral criada por seres imemoriais do início dos tempos. Enfim. Esse era um “grande mal” que estava se aproximando do planeta e que a tal seita queria impedir… bom, pelo menos o líder da tal seita, Jonathan Tremont. E cara, essa história se estende muito além do que a gente espera e vai lá na Era de Prata atrás de um super-herói chamado Homem Tridimensional (ou “Homem 3-D”). Resumindo bastante, a tal fonte de todo mal, na verdade era uma pirâmide cósmica e cheia de poder. Dentro dessa pirâmide havia a terceira parte de uma força cósmica ligada ao poder do Homem 3-D! Porrada vai, porrada vem e de repente o Triatlo absorve essa terceira parte do poder e se torna o novo Homem 3-D, capaz de controlar a pirâmide e sua tecnologia. Ele leva a equipe de Vingadores formada pelo Capitão América, Visão, Quasar, Fóton e Relâmpago-Vivo de volta à Terra só para descobrir que Kang havia vencido a guerra!

Mais do que isso, ele havia DESTRUÍDO WASHINGTON INTEIRA nesse processo, matando milhares de pessoas. Nessa época, a Marvel teve um evento especial chamado ’Nuff Said, baseado na famosa frase do Stan Lee (algo como “e tenho dito”). As edições eram todas mudas, sem nenhum balão de fala e contam a história de como Kang descobriu que tentaram e quase conseguiram invadir sua nave espacial em órbita. Então ele redefine a programação dos Sentinelas (OLHAÊ) e ataca Washington. Além disso, por causa das muralhas do Mestre do Mundo, a população não consegue fugir do ataque (OLHAÊ) e todos morrem depois de uma rajada vinda do espaço. Após o fracasso, os Vingadores e o mundo inteiro se entregam à Kang e assinam um tratado de rendição.

Sei lá, ele podia ter usado isso desde o princípio, né?

O que salva o mundo, no fim das contas, são os Vingadores restantes que voltam à Terra e o Triatlo com super-poderes comandando uma pirâmide cósmica repleta de energia 3-D (seja lá o que isso signifique). A porrada come feia e o destaque fica para uma das maiores armas de Kang: um holograma sólido dele mesmo, em tamanho gigante, que ele usa para dar porrada nos outros direto do espaço. Para enfrentá-lo, Triatlo usa a tecnologia da pirâmide para gerar um holograma sólido e gigante do Capitão América, que chega de supetão no vilão mandando um: “Agora a cobra vai fumar seu proto-hitlerzinho de merda!” (isso é uma licença poética minha).

Derrotado, Kang se entrega após mais uma sova do Capitão. Dessa vez ao vivo e em cores na superfície do planeta, mais especificamente em Maryland, após a queda de sua nave. Ele diz que é uma honra perder para o Capitão América, que fica putaço e faz mais um discurso sobre o que é nobreza de verdade. Kang vai preso e Marcus, seu filho acaba fugindo.

Na boa, esse é o melhor momento do arco. Eu TINHA que botar as duas páginas aqui.

Enquanto o mundo inteiro lida com as repercussões dessa guerra gigantesca cheia de reviravoltas, os Vingadores precisam lidar com a chegada de novos membros, a partida de outros (em especial Triatlo) e com o julgamento de Carol Danvers. Ela exige ser levada à corte marcial pelo assassinato do Mestre do Mundo, mas quase ninguém leva isso a sério e ela é inocentada quase que imediatamente. Tony Stark lida com a morte de um colega que era o agente de contato entre o governo dos EUA e os Vingadores, enquanto o Capitão América, Thor e a Vespa prestam o seu respeito a um memorial por todas as vidas perdidas em Washington durante o ataque de Kang.

Depois de uma tragédia real e uma fictícia, esse momento vale por dois.

O vilão, no entanto, acaba sendo resgatado da prisão por seu filho e também fica putaço! Tudo porque ele queria que Marcus seguisse com sua “dinastia” e fosse um conquistador igual a ele, partindo para dominar outros mundos pelo universo. Kang estava contente em ter “perdido” e ter o seu fim desta forma. Porém, ele sabia que Marcus o havia traído ao ajudar Carol Danvers durante a invasão à base do Mestre do Mundo… E já que estava livre novamente, Kang não tolera traidores! 

O conquistador assassina o próprio filho, enquanto revela a ele a verdade sobre sua identidade: Kang já teve diversas versões de Marcus, todas elas “defeituosas” segundo ele mesmo. A versão atual, porém, havia sido a mais promissora… até traí-lo. Sua nave pergunta então se deve dar início ao projeto “Marcus número 24” e Kang responde que não. Pelo menos por enquanto.

Vamos precisar de um outro Timmy, ops. Quero dizer, Marcus.

Tô LendoPontos Fortes
  • Reviravoltas. São muitas. Se você gosta de surpresas, bom, só lamento. Porque eu contei tudo aqui, desculpa.
  • Personagens. São vários. E esse é um ponto bacana dos Vingadores, até mesmo antes da reformulação. Sempre houve uma equipe principal e uma de “reservas”, mas nesse caso, quase todos os reservas viraram Vingadores oficiais. Uma prévia do que a equipe viria a se tornar no futuro.
  • Desenhos. São vários artistas que desenham as edições, mas a maioria deles é bem boa. Além de Alan Davis e Kieron Dwyer (que desenham várias edições) temos também Manuel Garcia (que é ok), além de uma edição por ninguém menos que Ivan Reis!
Tô LendoPontos Meh
  • Longa demais. Nossa, eu diria que é até desnecessariamente longa. São dezesseis edições (quinze da revista mensal e uma edição da anual americanas) que, apesar de costurar legal os eventos e colocar os Vingadores numa situação dificílima, acabam ficando um pouco cansativas. Dava para reduzir umas três edições PELO MENOS e fazer a história durar um arco de um ano, no máximo. Para melhorar ainda mais, só se tivesse sido escrita em dez números.

Algumas das capas americanas, porque bicho, não cabem dezesseis aqui não!

São tantos eventos desse arco enorme que até fica difícil tentar prever o que o universo cinematográfico pretende adaptar, se é que pretende adaptar qualquer coisa e não só usar um “nome legal” para uma história completamente nova (vide A Era de Ultron). Porém, eu gosto bastante do destaque que a Carol Danvers tem nessa história, apesar do histórico bizarro de ter um romance com uma versão alternativa de um cara que abusou dela. Gosto também da situação impossível de lidar, e da destruição de Washington como forma de demonstração de força de Kang, que força o mundo inteiro a se render. Além disso, há a presença de atlantes e deviantes atacando o mundo… o que é algo para se prestar atenção também. Qualquer que seja a adaptação, é bem provável que o filme seja um grande evento cinematográfico e, daqui a alguns anos eu pretendo re-rebobinar esta coluna, só para fazermos uma comparação.

Acho curioso que essa história tenha sido escrita antes do 11 de Setembro, mas que a Marvel decidiu não alterar os eventos dela, mesmo depois dos ataques. O mundo provavelmente ainda estava se recuperando do choque quando de repente, no gibi dos Vingadores a capital dos Estados Unidos é completamente obliterada num ataque invasor! O final, pelo menos, acaba tendo uma segunda interpretação, ao vermos alguns dos Maiores Heróis da Terra lamentando as perdas em frente a um memorial cheio de fotos. 

Já consigo até ouvir o TAAAN TANTAN TARAN TAN TAN TAAAAN épico…

Ao fim da batalha, vemos os Vingadores sendo recebidos com festa pela população, celebrando a vitória e é um sentimento tão americano que eu acho que pelo menos a última edição que mostra as repercussões da batalha deve ter sido alterada para se mostrar mais otimista.

Mal sabíamos nós o que ainda estava por vir.

E você? Curtiu a Dinastia Kang? Prefere alguma outra dinastia dos quadrinhos? Qual saga longuíssima você prefere? Só não vale a do Clone! Conta aí nos comentários.


Vingadores: Dinastia Kang vale três rebobinandos. 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.