Era a virada do século, o mundo dos quadrinhos já havia deixado de lado a violência exxxtrema dos anos 1990 e estava entrando numa nova onda, mais pé-no-chão, mais cínica, mais “couro preto”… E nesse meio surgia uma nova nova equipe: A X-Force de Peter Milligan e Mike Allred!

Couro preto e pinta de banda de rock estavam no auge em 2001!

Os gibis da X-Force são um troço complicado. Nascida no auge da onda “violenta e selvagem” dos anos 1990 pelas mãos de Rob Liefeld, a equipe mutante é a epítome de tudo o que deu errado naquela década no mercado de quadrinhos. O curioso era que, em seu conceito original, a X-Force deveria ter sido uma mudança, algo diferente do que os quadrinhos daquela época representavam. Enquanto os X-men eram um grupo mais tradicional de super-heróis, digamos assim, os jovens mutantes liderados pelo soldado Cable formavam uma equipe mais “contracorrente”, mais violenta e mais séria. Só que Liefeld era muito melhor desenhista do que roteirista (o que já diz muito sobre um gibi criado inteiramente por ele), e as histórias do novo time de mutantes ficou muito aquém da proposta inicial, virando uma espécie de paródia de si mesmo… e anos depois se tornando o principal exemplo de como um gibi que é só imagem sem conteúdo pode ser bem difícil de consumir.

Apesar disso, a X-force foi um grande sucesso. Pelo menos enquanto Rob Liefeld era responsável pelo grupo, até sair com outros artistas da Marvel para criarem a Image Comics em 1992. Ainda assim, o gibi perdurou pelo restante da década, com outras equipes criativas responsáveis que elevaram a qualidade dele, pero no mucho. Por exemplo, lembro especificamente da chegada de um desenhista muito fodão no título chamado Greg Capullo durante o arco “A Canção do Carrasco”. A arte dele deu uma grande valorizada na equipe, apesar dela continuar com aquela vibe meio militarista-mutante-miliciana que resolve tudo com trabucos gigantes apesar de todo mundo ali ter superpoderes maneiros.

A diferença é gritante!

Mas aí em 2001 a Marvel passou por sua revolution. Saindo da beira de um processo de falência e aproveitando o sucesso de X-men: O Filme, vários títulos da Casa das Ideias passaram por um processo de mudança. Foi nessa época que o desenhista Joe Quesada virou editor-chefe e trouxe consigo o relançamento dos heróis da editora com uma nova pegada, mais século XXI, mais focada no público infanto-juvenil que não tinha mais nenhuma ligação com os brutamontes sarados das décadas passadas, mas sim com um novo tipo de herói, uma coisa mais cool, meio Matrix. Foi assim que as equipes criativas mudaram, trazendo grandes nomes como o celebrado Brian Michael Bendis estabelecendo o ultiverso com o Aranha Ultimate e o premiado J. Michael Straczynski revendo os conceitos do Homem-Aranha no universo tradicional. Na editoria dos gibis-X não foi diferente e houve grandes contratações que viraram o universo mutante de ponta-cabeça, com o cultuadíssimo Grant Morrison colocando os X-men em couro preto e, claro, o tema da Rebobinando dessa semana: Peter Milligan reconceituando a X-Force por completo!

A fama não perdoa.

CULTURA POP MUTANTE

Assim como Morrison, Peter Milligan era um roteirista conceituado, mas que em sua carreira não tinha trabalhado com personagens tão grandes e populares assim. Nascido em Londres, na Inglaterra, ele foi mais um dos roteiristas britânicos que, no fim dos anos 1980 e início dos 1990, ingressou no mercado americano de quadrinhos, criando assim a chamada “Invasão Britânica” (que contou com nomes como Neil Gaiman, Alan Moore, Dave Gibbons, Steve Dillon, Warren Ellis, Garth Ennis, etc. etc.). Tanto que na época do anúncio de que ele tomaria as rédeas do “braço militarizado” dos X-men, muitos fãs ficaram verdadeiramente assustados! Reza a lenda que até o próprio roteirista teria rido quando Quesada veio com essa proposta. Afinal de contas, ele havia trabalhado por muito tempo em editoras menores, com personagens não muito conhecidos, além de escrever para o selo Vertigo da DC Comics, que era o exato oposto do que a X-force representava. Para não dizer que ele não estava acostumado com personagens grandes, também já tinha trabalhado com Batman e foi um dos responsáveis pela criação do Azrael lá por volta de 1991.

Além de Milligan, outro nome causou furor entre os fãs que estavam tão acostumados com músculos veiudos, hachuras, ombreiras de envergaduras gigantes e pochetes de coxa, foi o desenhista Mike Allred. Conhecido basicamente por seu traço semelhante aos quadrinhos dos anos 50 e 60, influenciado pela Pop Art e por Andy Warhol, e seus quadrinhos indies lançados pela Dark Horse, Allred era um artista completamente diferente de Rob Liefeld. Responsável por heróis loucos como, er, Madman e Red Rocket 7, seu estilo de quadrinização e design de personagens causou um certo choque a quem estava acostumado a acompanhar os gibis da equipe desde o princípio. Eu, particularmente, acho que foi um grande avanço, mas a seção de cartas da revista recebeu uma avalanche de cartinhas indignadas com a mudança.

Tem madmen pra tudo, né?

O Maluco, Foguete Vermelho e Força X.

SEXO, MUTANTES E VIDEOTAPE

Revendo o conceito da nova X-force, no entanto, encontrei uma certa dose de ironia que não havia percebido antes. Mas vamos por partes.

Milligan e Morrison trouxeram para os gibis mutantes um conceito muito interessante de ser aplicado especialmente na virada do século: os mutantes são populares. Como já não estávamos mais na década de 1960 da luta por direitos civis, nem nos anos 1980 da epidemia atribuída a um grupo social em específico, a ideia era que a comunidade mutante, que foi reprimida por tanto tempo, finalmente teria um certo apogeu cultural. Isso foi muito bem trabalhado na fase de Morrison e seus Novos X-men, mas na X-force, isso se refletiu no status de celebridades que os membros da equipe possuíam.

E convenhamos, super-heróis celebridades não era um conceito exatamente novo, afinal já tínhamos o Quarteto Fantástico aí desde 1963… E mais recentemente, em 1992, o próprio Rob Liefeld tinha trabalhado com uma equipe de super-heróis famosos que apareciam regularmente na TV e eram encarados como celebridades que vendiam bonequinhos, gibis e outros tipos de merchandising: o YoungBlood. Mas sendo ele quem é, obviamente a ideia foi tratada de forma meio rasa, caindo naquela coisa de “todos os outros heróis da Image odeiam o YoungBlood porque eles são famosinhos” e não saindo mais disso. A ironia fica justamente pela nova equipe criativa pegar um grupo de heróis criado por Liefeld, aplicar um conceito desenvolvido por Liefeld de uma maneira INCRIVELMENTE MELHOR do que o próprio Liefeld.

“Eu só quero dizer que, apesar de estarmos todos atrás de uma mesa, nossos pés estão super bem desenhados…”

Em 2001, as edições de New X-men #114 e X-force #116, que marcaram o início dessa nova fase, foram lançadas no mesmo dia nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, no entanto, ambas chegaram em 2002, com alguns meses de diferença entre elas, em X-men #9 e X-men Extra #7, ambas pela Panini Comics. Não me lembro exatamente da revista ter causado muita controvérsia na época, até porque ela saiu em meio a um mix bem balanceado de histórias dos X-men, dos Exilados e de X-treme X-men. Mas lembro bem de estar curioso com relação à arte de Mike Allred, porque eu sempre tive muita vontade de ler Madman, mas até hoje não tive a oportunidade.

No fim, a revista foi muito influenciada pelo zeitgeist da época (viu o que eu fiz aqui?). Na virada do século, a cultura popular em geral estava girando muito em torno de bandas e cantoras pré-fabricadas que eram resquícios dos anos 1990, dos primeiros reality shows e suas sub-celebridades, e também da presença ostensiva da internet na geração de “não-notícias”, de coisas absolutamente banais como “Caetano estaciona carro no Leblon”. O “culto à celebridade” como foi chamado, incentivava a perseguição de paparazzi e a criação de pessoas que eram famosas apenas por serem… famosas. O conceito de fama pela fama foi o ponto de partida para o desenvolvimento da nova X-force, que trouxe uma série de personagens novos que não apenas tinham orgulho de serem mutantes, mas eram mutantes conhecidos, idolatrados e pré-fabricados por uma multinacional.

E olha que vanguarda, hein? Isso foi ANTES do Facebook sequer pensar em existir!

FAMA SEM X-FORÇO

Vamos à história de fato. Reli toda a primeira fase dessa nova X-force, que corresponde às edições de #116 à #129 da revista original americana. Aqui no Brasil o arco inteiro foi publicado em X-men Extra #7 a 21. Admito que lembrava de muito pouca coisa, mas que fiquei embasbacado em como ela é divertida, meta-crítica, ousada e controversa, tudo ao mesmo tempo! E olha que tem muita gente por aí achando que The Boys algo super original quando Milligan e Allred fizeram uma coisa EXTREMAMENTE MELHOR uns cinco anos antes (e bem menos apelativo, vamos combinar, né?)!

O bom da trama é que Milligan usa toda a ideia da equipe não ser bancada por um idealista em busca da igualdade entre mutantes e humanos, mas sim por um trilionário do vale do silício com 34 anos de idade que só quer ganhar mais dinheiro em cima de publicidade e merchandising com o seu próprio grupo de super-heróis. Na história, isso acaba sendo tratado de uma maneira que espelha a relação da própria editora Marvel com seus personagens, fazendo comentários metalinguísticos sobre como uma equipe é montada de acordo com “grupos de teste” em que eles avaliam quais personagens possuem mais apelo entre um público de uma faixa etária específica. 

Até a antiga X-Force (na época tinham virado X-Corps) veio para tomar satisfação…!

E como a equipe se lança em missões perigosas, mas seus membros são altamente disfuncionais e não sabem muito bem trabalhar em equipe, a taxa de mortalidade acaba sendo incrivelmente alta e, numa jogada sensacional, o roteirista gasta boa parte da primeira edição apresentando todos os personagens e seus problemas, nos fazendo crer que vamos acompanhá-los por um longo tempo, só para matá-los quase todos na última página! Assim, ficamos conhecendo gente como Zeitgeist, Aríete, Sluk, Plazma, Gim Gênia, La Nuit, Dup, Vai Nessa e o novato Anarquista. Desses todos, apenas três últimos sobrevivem ao massacre da primeira edição e integram a nova nova nova X-force formada no número #2.

O gibi ainda brinca muito mais com esse conceito metalinguístico (que eu adoro), apresentando ainda mais personagens que não chegam a sobreviver por duas edições direto, enquanto vai nos deixando conhecer e nos afeiçoar com outros aos poucos, desenvolvendo seus backgrounds e fazendo a gente perceber que, ok, eles não são tão perfeitos assim, mas quem é, né? Aqui, o ditado que diz “de perto ninguém é normal” se aplica ainda mais! No fim das contas, de todos os personagens novos, apenas três acabam ganhando um status de principais e que carregam boa parte das tramas. São eles:

Basicamente, o Guy Smith se chama “Cara da Silva”.

  • Vai Nessa. No inglês original o nome dela é um trocadilho bacana também, U-Go Girl. Seu poder é o de se teleportar a grandes distâncias, mas com o porém de causar um cansaço extremo nela, criando uma espécie de narcolepsia sempre que ela o utiliza por várias vezes seguidas. A primeira vez que a vemos, ela está dormindo em pleno campo de batalha! Com o nome civil de Edie Sawyer, ela é uma moça jovem e muito determinada e ambiciosa, seu maior desejo é se tornar a líder da X-Force, mas antes disso ela precisa se livrar da dependência química dos estimulantes que consome para se manter acordada sempre que usa o seu poder.
  • Anarquista. Na primeira edição do arco, ele é o novato “problemático” da equipe. Tike Alicar é um jovem negro que aparenta ser da periferia e briguento, quase um estereótipo mesmo, mas que se auto-intitula com orgulho como o “integrante de cota” da equipe. E por conta disso mesmo, ele morre de medo de ser substituído por outro integrante negro e acabar morrendo. O personagem dele brinca com essa questão das cotas das equipes de super-heróis tradicionais que têm apenas uma mulher e um cara negro em meio a vários homens brancos. E apesar dele botar banca de problemático e brigão, Tike foi adotado e criado por pais brancos em uma cidadezinha do Canadá, e carrega dentro de si uma espécie de racismo internalizado que se reflete em sua relação com outros personagens negros do grupo conforme vão aparecendo. Seu poder é meio confuso. Ele possui um suor ácido que cria uma espécie de reação bioquímica em sua pele e permite que ele emita rajadas energéticas super destrutivas.
  • Órfão (anteriormente Sr. Sensível). É o líder da equipe, depois da segunda edição. Seu poder é o de ser sensível a absolutamente tudo! Sua pele pode sentir a vibração de uma mosca voando pelo ar do outro lado de um cômodo. Ele é capaz de sentir os batimentos cardíacos de uma pessoa a metros de distância. De sentir a vibração de um fio de cobre de uma bomba na hora de cortar o fio certo para desarmá-la, etc. etc. Mas sua capacidade de sentir não se limita aos seus cinco sentidos físicos e ele possui um nível de empatia gigantesco que, durante o arco de histórias, lhe ajuda a resolver casos, mas que também geram enormes problemas. Ao ser apresentado ao público como “Sr. Sensível”, Guy Smith resolve mudar sua alcunha e se renomeia como “O Órfão”, já que ele cresceu acreditando que era um, depois de um incêndio que matou seus pais quando ele era bebê. Além da hipersensibilidade e empatia extrema, Guy treinou com monges tibetanos por anos e possui uma grande habilidade de luta, além de poder flutuar. Seu poder só pode ser contido por conta de um traje especial desenvolvido pelo Professor Xavier, que lhe permite viver uma vida relativamente normal.

A equipe pronta para ir pro espaço. Literal e metaforicamente.

Ainda há outros membros da equipe que permanecem até o fim da X-Force, como Vivisector, Adiposo, Falecida e Spike. Cada um deles tem um momento sob os holofotes da equipe e ajudam a tratar de temas que até aquele ponto, nos gibis, não eram muito falados. Como as histórias giram muito em torno do funcionamento da equipe e da função de cada um dentro dela, há várias discussões interessantes sobre como a Edie é a única mulher, ou como Tike tem medo de morrer e ser substituído por outra “cota”. Mas ao mesmo tempo, os personagens acabam sendo tão bem desenvolvidos que a característica que os classificaria como “cota” acaba nem sendo aquela que os define mais.

Peter Milligan não teve medo de lidar com os mais variados temas, mas nenhum deles parece ter sido usado de maneira gratuita ou sem função direta na trama. Seja racismo, homossexualidade, sexualização das personagens femininas, arquétipos masculinos… até mesmo a violência, que parece ser super gráfica em certos pontos, também não é usada de maneira gratuita. É algo que eu gostaria muito que o Garth Ennis ou mesmo o Mark Millar soubessem fazer em suas obras. Dá para ser polêmico e controverso, mas de uma maneira mais inteligente. A arte de Mike Allred também ajuda bastante.

Sangue, tripas e caveirinhas de Justin Timberlake no cantinho da página!

Ainda assim, a nova X-force ainda quebrou mais uma barreira no mercado, sendo o primeiro gibi da Marvel desde 1971 a não ser publicado como o selo do Comics Code Authority, fazendo a editora finalmente perceber que não precisava mais ir atrás da aprovação da CCA para lançar seus gibis. O fato é que a nova equipe foi um sopro de ar novo muito bem vindo ao mercado de HQs do início do século e ajudou a própria Marvel a rever uma série de conceitos sobre seus heróis, expandindo ainda mais seu universo. 

No fim, a revista acabou sendo cancelada em 2004, na edição #129, porque Rob Liefeld e Fabian Nicieza retornaram à Casa das Ideias para “re-recriar” sua X-force trabuqueira. A revista, no entanto, durou apenas seis meses e o grupo de Milligan e Allred mudou de nome e ganhou um novo gibi, chamado X-Statix. Um nome bem mais bacana e com um trocadilho que eu adoro porque soa como um nome de equipe militaresco (X-tactics), mas que também soa como “ecstatic” que significa “expressar um sentimento arrebatador de felicidade”.

VEM Aí! X-THEEND!

Tô LendoPontos Fortes
  • Personagens. Todos são maravilhosos. Até os que morrem cedo. Milligan e Allred possuem uma criatividade incrível não só para inventar poderes novos, chamativos e estranhos, mas também para criar designs inovadores, modernos e limpos. Nada de máscara de boxe, pochete de coxa ou espadas de lâminas duplas.
  • Tramas. Com apenas 13 edições, o gibi navega por vários tipos de histórias com um bocado de personagens diferentes. Mas essa meta-análise permeia boa parte do arco. Há uma eterna disputa sobre quem deve ser o líder, inveja dos personagens secundários diante dos principais, o mentor maligno que manipula a equipe… além dos problemas básicos de “hoje não posso ir lutar porque tenho uma entrevista na TV” ou coisas do tipo.
  • Polêmica. Além da busca pela fama e do quanto isso pode ser nocivo, o gibi não deixa de falar de temas espinhosos como racismo ou homofobia. Ainda há também a questão do abuso de substâncias, como a Vai Nessa, que precisa de estimulantes para continuar funcional, ou de uma personagem cujo poder depende de estar bêbada. O próprio Órfão acaba sendo um contraponto à masculinidade tóxica das figuras hipermusculosas a qual estamos acostumados e se mostra um líder muito melhor do que a maioria, mesmo chorando enquanto toma suas decisões difíceis.
Tô LendoPontos Meh
  • Mortes. Eu sei que eu disse que era um ponto maneiro e irônico da revista. Mas fica aqui o aviso, NÃO SE APEGUE DEMAIS A NINGUÉM. A NINGUÉM. Tudo é possível nessa história. É quase como se ela tivesse sido escrita pelo cara de Game of Thrones!
  • Duração. Com 13 edições, acho ela muito curta. Ainda assim tem bastante coisa acontecendo, é verdade. Eu, particularmente, adoro os cliffhangers de todas as edições, mas a trama inteira termina em um cliffhanger TÃO grande, que me deixou meio puto ter que correr para ler X-statix logo depois. O novo gibi durou pouco mais de dois anos, com 26 edições, mas apesar de continuar maneirinho, não senti o mesmo impacto do que o primeiro arco.
  • Polêmica. Vou deixar claro aqui. Eu, como homem branco hétero, achei a abordagem de Milligan quanto aos assuntos mais espinhosos uma coisa interessante. Muita gente reclama de “militância” ou “lacração” nesses assuntos pela forma como são tratados, mas eu gostei por ver que o escritor buscou pelo menos colocar dois personagens similares com pontos de vista distintos batendo de frente. Li resenhas por aí de gente que não curtiu e até entendo o porquê. Porém, achei que foi uma maneira válida de lidar com esses assuntos. Portanto, fica o aviso para navegar com cuidado.

A capa de X-men Extra #7 com a estreia no Brasil. Wolverine dando uma forcinha nas vendas. A primeira edição do X-statix e a nova revista X-cellent.

Infelizmente, nenhum dos arcos, tanto da nova X-force quanto do X-statix foi relançado em encadernados aqui no Brasil. Se você quiser ler em português vai ter que ir atrás das edições de X-men Extra da Panini nos sebos, ou nas Comic Shops online. Ou dar seu jeito e importar, né? É uma pena porque as histórias são bem bacanas e muito divertidas.

Bem recentemente, em 2022, a Marvel trouxe de volta a mesma equipe criativa para continuar com as histórias do X-statix em uma nova revista chamada X-cellent. O novo nome se refere a uma equipe rival comandada pelo ressuscitado Zeitgeist, que utiliza as redes sociais para espalhar mentiras sobre o novo X-statix que, como sempre, passou por mais uma reformulação. Ufa! Muita coisa para processar aqui, né? Mas até o momento não tem muita coisa publicada e, provavelmente, deve levar mais um tempinho até sair aqui no Brasil.

Mais um encontro com a morte!

Resta apenas a esperança da Panini aproveitar o retorno de Peter Milligan e Mike Allred às revistas mutantes para relançar essas histórias em algum encadernado. Talvez no mesmo estilo da coletânea da Patrulha do Destino de Grant Morrison, ou da Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis. Fica a dica.


X-force (2001) vale cinco rebobinandos. 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.