Rebobinando #159: TVA, Autoridade de Variações Temporais

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Muito bem. Hoje a Rebobinando é mais uma daquelas falsas Rebobinandos que vira e mexe aparece por aqui. O que é a Autoridade de Variações Temporais? O que é o multiverso, a sagrada linha do tempo? KADU, ME AJUDA! Calma. Hoje a Rebobinando vai rever todos esses conceitos, com dicas de leitura. Vem comigo!

A primeira aparição dos misteriosos Guardiões do Tempo…

O multiverso é uma coisa complicada. Existem muitas sagas pelas grandes editoras de quadrinhos que tentam justamente arrumar a bagunça criada por diversas cronologias que se interconectam e interferem umas nas outras. Uma das maiores certamente é Crise nas Infinitas Terras, de 1985, publicada pela DC Comics. Mas a Marvel não é tão inocente assim de mexer e bagunçar com suas próprias linhas do tempo.

O lance é que a história de “viagem no tempo” é sempre um aspecto interessante das revistas de super-herói, e normalmente vários roteiristas utilizam esse tropo para gerar tramas interessantes ou concluir tramas interessantes. Por exemplo, só os X-men já tem seus inúmeros problemas com infinitos futuros com a presença de personagens como Bishop, Cable, Conflyto e Layla, entre outros. Os Vingadores já enfrentaram ameaças como o viajante do tempo Kang e sua contraparte, Imortus, além do próprio nexo da realidade em pessoa, a poderosa Feiticeira Escarlate! Putz! ATÉ O HOMEM-ARANHA já enfrentou seu quinhão de viajantes do tempo como o Homem-de-Ferro 2020, ou o Homem-Aranha 2099.

Até mesmo a Capitã Marvel também já teve suas aventuras no multiverso!

Ou seja, todo mundo tem lá seus futuros alternativos e linhas temporais distintas e, conforme nós mesmos avançamos no tempo e vamos ficando mais velhos, algumas histórias de viagem no tempo vão ficando para trás e caem num “limbo” de acontecimentos que podem ser facilmente explicados através de “realidades paralelas” e “futuros alternativos”. Isso aconteceu em filmes como o reboot de Star Trek e com nossos queridos clássicos De Volta Para o Futuro e O Exterminador do Futuro, cujos futuros de 2015 e 1997 chegaram e foram embora sem entregar o que prometeram (no caso, os skates voadores e a guerra nuclear entre humanos e máquinas, infelizmente) (bom, aí você decide qual você preferiria que tivesse acontecido).

Dito isso, o multiverso da Marvel já é bem estabelecido, no mínimo, desde a criação de O Que Aconteceria Se…? (What If…?, 1977). O formato das histórias tinham uma vibe muito próxima do seriado dos anos 60, Além da Imaginação, e aproveitavam o personagem do Vigia. Ele era um ser cósmico que, er, vigiava não só o universo Marvel tradicional, ou seja, as revistas que acompanhávamos, como também realidades alternativas onde as coisas não aconteceram da mesma forma por causa de um mero detalhe. A primeira edição do gibi trazia uma aventura que ponderava o que aconteceria se… o Homem-Aranha tivesse entrado para o Quarteto Fantástico! E continuava com perguntas às vezes absurdas, gerando resultados ainda mais improváveis! Coisas como E se o Quarteto Fantástico tivesse poderes diferentes? ou ainda Se Jonh Jameson se tornasse o Homem-Aranha? acabavam sendo até engraçadas, mas outras como E se o Hulk tivesse o cérebro de Bruce Banner? acabaram sendo aproveitadas em histórias do próprio gibi do herói anos depois.

Basicamente, todo mundo morre nessas histórias.

E isso é uma coisa com a qual a Marvel lida de uma maneira bacana, mesmo com os eventuais retcons, a editora em geral cria um poço de ideias “fora” da cronologia oficial dos heróis onde eles podem testar alguns conceitos absurdos e ver o que cola, para tentar trazer para suas revistas de linha! Nos últimos anos, além de O Que Aconteceria Se…?, talvez os grandes destaques desses poços de ideias tenham sido o Universo 2099 e o Universo Ultimate, em que cada um tinha uma versão diferente dos heróis que nós conhecemos, com origens similares e histórias quase parecidas, mas bacanas o suficiente para serem adaptadas ao público mais novo. Alguns conceitos como um Capitão América mais “soldado” e com um uniforme mais modernizado, foram muito bem adaptados. Enquanto outros como o incesto entre a Feiticeira Escarlate e Mercúrio, GRAZADEOS, foram esquecidos! Isso sem contar com a criação de dois heróis relacionados ao Aranha que ainda fazem muito sucesso: Miles Morales e Miguel O’Hara (o Homem-Aranha 2099).

Bons universo que tiveram tristes fins, infelizmente…

O NASCIMENTO DO MULTIVERSO MARVEL

Apesar da revista O Que Aconteceria Se…? ter sido lançada em 1977 nos EUA, o termo “multiverso” nunca havia sido adotado pela editora. A ideia do gibi era sempre ver um “futuro alternativo” que “nunca viria a acontecer” porque as coisas já aconteceram daquela determinada forma (e como a maioria das histórias sempre terminava em tragédia, isso era uma coisa boa).  O termo foi cunhado em 1983 por ninguém menos do que ele, o mago barbudo, o senhor dos vigilantes, o v das vinganças, o pesaroso pai do darknighterismo que assolou os anos 90! Sim, ele mesmo, Alan Moore! E NA MARVEL, AINDA POR CIMA!

O caso é que na década de 80, a Marvel bancava a produção de histórias de super-heróis no Reino Unido. Ao mesmo tempo em que licenciava seus próprios heróis, ela também permitia que autores locais criassem seus personagens e os utilizassem em algumas revistas. Esses gibis, em contrapartida, eram muito parecidos com os nossos aqui no Brasil, com um mix de heróis diferentes, em vez de edições únicas sobre um único personagem. Em 1981 um dos responsáveis pelas histórias do Capitão Britânia na revista mensal Marvel Superheroes era um cara chamado Dave Thorpe

Britânico adora uma porra-louquice em preto e branco, impressionante!

Ele escrevia as histórias do Capitão Britânia e incluiu nela um bocado de coisas estranhas de cunho político, alegórico e até mesmo satírico, como todos os britânicos adoram fazer. As histórias não chamavam muita atenção e depois de um ano ele foi substituído por Moore, que aproveitou muitos dos conceitos e personagens que Thorpe criou e continuou com as histórias do Capitão Britânia pelo mesmo caminho! Um desses era o da existência de um Omniverso (antes de ser um multiverso). Em uma história específica de Moore, publicada na revista Daredevils #6-8, uma personagem chamada Saturnyne é levada a julgamento pela Corte de Desenvolvimento Dimensional por conta de um problema em uma das Terras, onde tudo deu errado e o mundo foi consumido em um deserto atômico por causa de um vilão.

A tal Corte de Desenvolvimento Dimensional era tipo uma agência que coordenava o desenvolvimento de múltiplas realidades ao mesmo tempo, tendo a Terra como um ponto focal. Então cada realidade era determinada pelo nome “Terra-” seguido por uma porrada de números aleatórios. Na história, Saturnyne explica ao Capitão Britânia que a Terra em questão, Terra-238 era um lugar super atrasado onde os humanos não se desenvolveram e precisavam de um estímulo, caso contrário, o atraso dessa Terra impediria o desenvolvimento de todas as outras. Com o ataque de um supervilão essa Terra é completamente devastada e Saturnyne leva a culpa, fazendo com que a Corte elimine essa realidade da existência! Durante a história, Moore revela que o Capitão Britânia vinha da Terra-616 e aí, o resto entrou para a História!

Quem diria que uma menção tão simples teria tanto impacto?

O mago barbudo explicou depois que achou interessante o uso de vários números para determinar a “Terra Principal” da editora, para mostrar que ela não tinha nada de “especial”. Ao contrário do que a Distinta Concorrência fazia, enumerando todas as outras Terras a partir da própria, como Terra-1, Terra-2, etc. O lance é que aparentemente, o conceito em si não foi criado por Moore do nada… antes de sair Dave Thorpe já havia passado algumas das ideias adiante para a continuação das histórias e até mesmo o número das Terras, só que elas eram invertidas! Sim, Thorpe queria que a tal “Terra atrasada” fosse a 616 porque era um número próximo ao 666. Ele explica em uma entrevista ao site BleedingCool:

A Terra-616 era a pior das Terras paralelas, que impedia o avanço das outras para o próximo salto evolucionário. Foi por isso que Saturnyne veio para administrar o fluxo da evolução de sua população. 666 é o número da Besta, e seria um número muito óbvio de se usar. Escolhi 616 porque era 666 – 50. E por que 50? Sei lá, era um número redondo, além disso as escolas na cidade mais fria da Sibéria fecham as portas quando a temperatura chega em -61.6 graus Fahrenheit (-360º C). É um ponto de virada extremo. Ao longo dos anos, eu recebi muitas perguntas querendo saber o porquê do 616 e, sinceramente, cada hora eu contava uma história diferente, sabe? Mas o básico mesmo é o número 666. 666 menos 50, igual a 616.

Bom, eu duvido MUITO dessa história da Sibéria, mas acho engraçadíssimo que o nome Terra-616 tanto utilizado pela Marvel em diversas histórias, desde os gibis até os filmes e séries tenha surgido de uma subtração aleatória do número da besta que depois foi trocada (de propósito ou não) por ninguém menos do que Alan Moore! Se você quiser ir atrás dessas histórias, as edições da revista britânica Daredevils foram publicadas aqui no Brasil por diferentes editoras:

  • Arquivos X-Men: Capitão Bretanha #1 e #2 (Pandora Books, 2003)
  • Capitão Britânia (Panini, 2015)
  • Capitão Britânia, O Mundo Distorcido: Coleção Graphic Novels Marvel #3 (Salvat, 2015)

As capas dos encadernados brasileiros com a fase do Moore e Alan Davis.

A AUTORIDADE DE VARIAÇÕES DO TEMPO

– Ah, bacana saber disso tudo de multiverso, omniverso, sei lá… mas tio Kadu, eu só vim aqui por causa de Loki, você não vai falar da TVA?

Calma, adorável jovem nerd™. Muitos dizem (er, a wikipedia diz) que a base da criação da TVA se deu nessas páginas de Capitão Britânia com a Corte de Desenvolvimento Dimensional. E, de fato, foi a primeira apresentação de uma instituição de autoridade que existia fora do próprio tempo em si, com o intuito de cuidar, proteger e ajudar a manter uma consistência mínima entre as realidades paralelas e linhas do tempo alternativas. No entanto, a própria TVA surgiria apenas alguns anos depois, em 1986, nas páginas de Thor #372, pelas mãos de Walt Simonson e Sal Buscema. O que é bem legal, vai? A gente conhecer a TVA nos quadrinhos do Thor, mas na televisão ela aparecer no seriado do Loki!

O problema para o público brasileiro é que, de acordo com o guia dos quadrinhos, a Autoridade de Variações Temporais apareceu em pouquíssimas revistas publicadas ao longo dos anos por aqui. Mais abaixo eu vou tentar fazer uma relação de algumas das histórias principais com a agência temporal (tem algumas bem legais), porém a quase inexistência delas por aqui me deixou um pouco aliviado quando eu percebi que nunca tinha ouvido falar dela antes! Pois é, estamos aprendendo juntos, olha que legal!

Thor pensando numa ideia digna de Bill & Ted pra resolver seus problemas!

Walt Simonson ficou muito tempo em Thor, e ele tinha um conhecimento bem amplo do personagem, ainda bem. Ao criar a TVA, ele foi em busca de um conceito que havia sido apresentado lá em Thor #282! Que contava uma história do Deus do Trovão contra o vilão Imortus. Essa história é a primeira menção aos Guardiões do Tempo, três seres que foram criados no fim dos tempos, cuja função é tomar conta da linha do tempo para garantir que eles continuem sendo criados ao final dela! Confuso, né? Mas você não sabe da missa a metade! Como viagens no tempo são um clichê literário muito usado, os tais guardiões precisam de muita ajuda para garantir que nenhum viajante xexelento interfira em pontos focais da linha do tempo, causando uma variação tão grande que os faça deixar de existir! Com isso, ao longo dos anos eles vão tentando garantir essa ordem com a ajuda de quem for possível. Isso envolve por exemplo os vilões Imortus e Kang nas histórias dos Vingadores e do Thor.

Os Guardiões do Tempo não interferem na existência de realidades paralelas, no entanto. Eles possuem Cronomonitores (seres sem face que ficam em frente a monitores de computador) que observam as diferentes realidades procurando algum distúrbio no tempo. Eles não ligam muito para saltos dimensionais (até porque se ligassem, talvez fosse preciso abrir uma OUTRA agência, já que isso por si só é outro clichê literário super usado). Então o lance dos caras está no nome mesmo, é o TEMPO. Aqui no Brasil essa história de Thor #282 não saiu em lugar nenhum, mas tudo bem. Ela não é super necessária, além de ser a primeira vez que os caras aparecem, num quadro só. 

Os agentes da TVA tem uma pinta de juiz-dredd-ultra-americano com esse uniforme…

No entanto, a outra história, aí já com a primeira menção à TVA, foi publicada por aqui em Superaventuras Marvel #107. É uma história fechada, sem muito destaque também, em que Thor enfrenta um agente da TVA chamado Paz Justiça. O cara veio de um futuro distante, atrás de um assassino chamado Zaniac que matou uma pessoa super importante, deflagrando a 17ª Guerra Mundial! Os dois se enfrentam brevemente, o que faz com que não cheguem a tempo de impedir que o assassino mate Jane Foster… Thor utiliza as energias de seu martelo para dar um gás na Tempocileta do agente Paz e eles conseguem voltar ainda mais no tempo, umas duas horas, conseguindo assim derrotar o vilão antes que o pior aconteça. Não vou nem entrar no mérito dos paradoxos que essa história cria, porque senão a gente fica aqui até amanhã. Além de Superaventuras Marvel #107, essas histórias do Thor saiu aqui em:

  • Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor #4 (Panini, 2011)
  • Marvel Edição Limitada: Thor #3 (Salvat, 2018)

A capa americana e as capas das edições brasileiras com a mesma história.

Ok, essa é a história mais bobinha. Mas uma história boa mesmo com a TVA no fim das contas, não tem nada a ver com o Thor, ou Loki ou Walt Simonson… Foi uma história comemorativa da Mulher-Hulk da fase em que ela foi escrita por Dan Slott. Por causa de uma transgressão temporal em que ela tentou avisar o Gavião Arqueiro dos eventos de Vingadores: A Queda, Jennifer Walter foi levada a julgamento pela TVA. Como toda boa edição comemorativa, ela estava repleta de artistas e personagens convidados e fazia um apanhado geral das histórias dela ao longo dos anos, na forma de depoimentos das pessoas. O julgamento em si é bastante divertido e ficamos percebendo como, com exceção dos agentes de campo (que possuem o sobrenome de Justiça, cada um deles) e dos cronomonitores (que não possuem rosto), todos os outros funcionários do lugar tem a mesma cara! 

O que aconteceu foi que Walt Simonson e Sal Buscema acharam divertido colocar o rosto do editor Mark Gruenwald em todos os funcionários da TVA justamente porque a função dele, de forma bem resumida, era basicamente a mesma da agência! Revisar a cronologia dos gibis e garantir que tudo estivesse saindo nos conformes. Desta maneira, os três juízes têm a cara do Mark Gruenwald, assim como o Gerente Mobius M. Mobius e mais uma pá de gente. Aliás, outra coisa divertida da edição é a punição da Mulher-Hulk! Após muitas idas e vindas, ela acaba sendo condenada a ser apagada da existência e para isso, eles resolvem utilizar a arma suprema da agência, o Canhão Retroativo, que em inglês se chama Retroactive Cannon, ou para encurtar, Ret-Can! Uma piada óbvia com o famigerado retcon, a “continuidade retroativa” que muitos autores usam para explicar histórias antigas de um jeito novo, digamos assim.

Mobius M. Mobius conversando com a Mulher-hulk, o tribunal de Gruenwalds e o Ret-Can!

A história é muito boa e cheia de sacadas legais, como só o Dan Slott consegue fazer. Ela saiu lá nos EUA em She-Hulk #3, mas aqui no Brasil ela saiu só em Avante Vingadores #3, de 2007.

OS GUARDIÕES DO TEMPO

Finalmente, os Guardiões do Tempo! Como eu expliquei mais acima, eles são três seres do fim do universo que querem garantir que a linha do tempo de todas as realidades continuem como são, para que continuem existindo. E apesar de terem surgido nas histórias do Thor, toda a explicação de quem eles são e o que querem saiu numa história dos Vingadores da Costa Oeste, por incrível que pareça!

Houve um arco de histórias no gibi West Coast Avengers, nos EUA em 1985, que durou três edições e colocou os heróis para enfrentar, sim, ele, o vilão Imortus, mais uma vez. Uma explicação rápida: Imortus é uma contraparte temporal do vilão Kang, um viajante do tempo. Nunca fica muito claro se ele vai se tornar o Kang num futuro próximo, ou vice-versa, mas tecnicamente os dois são a mesma pessoa. Ei, quadrinhos, né? Enfim, lá na terra do Tio Sam a história foi publicada entre as edições #60 e #62 de West Coast Avengers, levando o grupo de heróis a um limbo, um local fora do tempo, para resgatar a Feiticeira Escarlate.

Que papo mais sem nexo, cara!

Conforme nós descobrimos há algum tempo, Wanda Maximoff é um nexo vivo! E o que é isso? Bom, ela é uma constante entre todas as realidades existentes, sempre a mesma, sempre com os mesmos poderes, personalidades, etc. Além do seu poder mutante de controlar probabilidades e de seu poder mágico ligado à magia do caos, ela ainda carrega esse estigma de ser um ponto de ligação entre múltiplas realidades. Sabendo disso, Imortus, à serviço dos Guardiões do Tempo, foi aos poucos imbuindo Wanda de “energias temporais” para transformá-la numa espécie de artefato que daria a ele mesmo um enorme poder sobre o controle do próprio tempo, não só na nossa realidade como em várias outras.

Obviamente os Vingadores não iriam aceitar isso, até porque, Wanda ficaria eternamente em estado catatônico enquanto serviria como uma espécie de “bateria de energias cronais” para o vilão. Ao enfrentá-lo, todos eles tomam um cacete federal e só conseguem se safar eventualmente com a ajuda de Agatha Harkness. Ao fim da história, na edição #62, os Guardiões do Tempo finalmente dão as caras para colocar o vilão contra a parede. Os heróis todos ficam meio que perdidos no meio da discussão, mas aos poucos vão compreendendo que Imortus trabalhava para os Guardiões, monitorando um período de tempo de 7 mil anos (justamente incluindo a nossa época e a dos heróis da Marvel), a fim de evitar quaisquer distúrbios. Só que em paralelo a isso, ele colocou seus próprios planos em prática, dominando a Feiticeira Escarlate aos poucos e acumulando um imenso poder que, bom, já era em si uma ameaça aos Guardiões do Tempo.

Desculpa incomodar, mas vocês por acaso têm hora…?

E nenhum chefe atura um subordinado querendo mandar mais do que ele, né? Claro que dá tudo errado para Imortus e que os Vingadores da Costa Oeste voltam para casa sãos e salvos. Mas o arco de três edições é bem bacana mesmo, e para quem não tem nenhum conhecimento desses personagens cósmicos, vale a pena ler justamente porque eles explicam bem quem eles são, o que querem, etc. etc. E pode até dar umas pistas de onde o seriado do Loki pode ir… Será? Aqui no Brasil, essas histórias saíram no mix de Capitão América:

  • Capitão América #179, #180 e #181 (Abril, 1994)

Passa num sebo, cata essas três e vai ser feliz!

Tô LendoPontos Fortes
  • Várias Edições. Apesar do histórico da TVA e do multiverso Marvel estarem espalhados por inúmeras revistas, isso facilita você escolher o que você quer. Muitas dessas histórias tiveram reedições recentes, o que também já ajuda.
  • Velhas Novidades. Se você, assim como eu, não chegou a ler muita coisa dessa época envolvendo esses conceitos, é sempre um agrado pegar uma história bacana do passado feita por gente que já não escreve mais (TÔ TE OLHANDO MOORE). Sempre tem uma coisa que a gente não viu, ou não leu, e eu gosto bastante disso.
Tô LendoPontos Meh
  • Inexistência. É uma pena que a TVA nunca tenha tido tanto destaque assim nas histórias da Marvel. A agência tem um conceito legal, muito embora seja meio difícil de ser trabalhado bem. Alguns gibis como os Exilados brincaram com isso e, bom, o potencial para comédia é sempre ótimo, pelo menos. Ainda mais envolvendo essa metalinguagem de retcons e coisas do tipo.
  • Várias Edições. Ao mesmo tempo que algumas coisas tiveram reedições recentes, outras você só acha mesmo em sebo, ou no mercado livre, ou em comic shops… Aí é um trabalhinho meio corno de pesquisa. O bom é que pelo menos deve ser mais barato.

A TVA dando uma de Minority Report…

E esse é um pequeno histórico do multiverso da Marvel Comics e da Autoridade de Variações Temporais, pelo menos das histórias que foram publicadas no Brasil. Há sempre a possibilidade de correr atrás das edições americanas em alguns buracos da internet, se você quiser, mas acredito que o básico do básico está aqui mesmo. Você pode até pular as histórias do Capitão Britânia, aliás, mas eu não recomendo porque, bom, é Alan Moore, né? E eu sou puxa saco desse cara até o fim do universo (ali do lado do Restaurante e dos Guardiões do Tempo).

Infelizmente, Tom Brevoort e Joe Quesada, que odeiam a felicidade dos fãs acima de qualquer coisa, decidiram acabar com a noção de “terras” com números e extinguir a denominação 616 para o universo Marvel tradicional. Então por volta de 2015 eles deram uma última chance para os escritores da editora de colocarem no papel suas histórias com o multiverso a fim de dar um fim definitivo ao termo Terra-616. Daí tivemos eventos como Aranhaverso, entre outros, e culminando nas novas Guerras Secretas, que reescreveu a Terra-616 como Terra Primordial (blergh). Só que não dá para abandonar um negócio desses assim do nada e, francamente, o termo continua sendo usado e não só nos quadrinhos! Nos últimos anos tivemos menções à denominação em filmes como Homem-Aranha no Aranhaverso e Homem-Aranha: Longe de Casa. E duvido muito que isso vá parar, ainda mais com novas produções “multiversais” chegando por aí…

E o Canhão Retroativo em ação! Vai RETCAN!

Mas enfim, se você está aqui só pelo seriado do Loki no Disney Plus (e eu sei que você está aqui só por isso), esse caminho dessas histórias é bem legal para ter uma noção da ambientação da série e até mesmo formular suas próprias teorias e esperar o Mefisto aparecer em algum ponto! Quem sabe até mesmo o Mark Gruenwald? 🤔💭 

Agora me conta, você conhece mais alguma agência dimensional-temporal? Tem uma preferida? Prefere algum multiverso em específico? Conta aí nos comentários!


TVA e Multiverso Marvel valem quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2021-06-14T18:53:36+00:00 14 de junho de 2021|0 Comentários