Rebobinando #154: Superboy e os Super Seven

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Em tempos de snydercut e de futuros sombrios, a Rebobinando de hoje vem com uma história de um futuro distópico assolado por uma invasão alienígena. Vamos rebobinar o elseworlds dos Super Seven publicado na revista do Superboy!

Não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos dos Malazza-Rem

Convenhamos que futuros sombrios não são exatamente assim uma “novidade” no mundo dos quadrinhos. Vira e mexe temos histórias de heróis com suas morais sendo reviradas, gente boa virando má e vice-versa, ou ainda histórias com gente vindo do futuro para impedi-lo de acontecer, etc. etc. Acredito que um dos futuros distópicos mais memoráveis das HQs tenha sido O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, mas certamente a DC Comics tem outros elseworlds que chamaram bastante a atenção. 

Para quem não sabe, o Elseworlds (ou “outros mundos” em tradução literal) foi um selo da DC usado para marcar determinadas histórias colocando-as como fora da continuidade da editora. Isso era particularmente útil no período pré-crise, quando muitos autores faziam o que bem entendiam com seus arcos de histórias, mas aos poucos o selo foi virando uma espécie de caldeirão de ideias e se tornou uma publicação muito popular dentro da Distinta Concorrência.

As capas das edições brasileiras e americanas

A história nesse caso saiu em duas edições nos EUA, primeiro em Adventures of Superman Annual #6 e depois em Superboy Annual #1, ambas em 1994. Aqui no Brasil as duas histórias foram publicadas nas edições #5 e #6 de Superboy. Pelas mãos do competente Karl Kesel, co-criador do próprio Superboy, a trama ainda conta com os desenhos de dois ilustres desconhecidos, Brock L. Hor na primeira edição e Greg Luzniak na segunda. Esse Luzniak ainda foi para a Marvel logo depois e desenhou um dos runs da revista do Venom. Ele até tinha um traço bacaninha, mas em geral era meio esquisito mesmo.

A clássica “boquinha com baba” dos heróis raivosos dos anos 90…

SETE HERÓIS E UM DESTINO

Como eu já falei, é um futuro distópico. A história começa com uma invasão alienígena de uma raça chamada Malazza-Rem, mas que na Terra ganhou o apelido de “Horda” (um nome clássico, né?). Obviamente, eles encontraram uma certa resistência na forma dos inúmeros super-heróis que existem no planeta, o único porém é que nenhum deles contava com o tamanho do exército alienígena, que fez a guerra inicial durar muito tempo. Tempo esse que serviu para o próprio líder da Horda emitir um ultimato ao planeta Terra: “mil civis seriam abatidos cada vez que um meta humano fosse visto, e mais cinco mil a cada vez que um meta humano se atrevesse a lutar”. Com isso, a própria população do planeta se voltou contra seus próprios heróis, matando, mutilando, aleijando e até mesmo expulsando-os do planeta. Vários heróis simplesmente desistiram de lutar e muitos desapareceram durante 10 anos, permitindo que a Terra fosse comandada pela Horda com mão de ferro nesse meio tempo.

Claro que ainda houve tentativas de insurreição nesse período, liderados pelo “diretor de assuntos humanos”, Lex Luthor. A pequena revolução, no entanto, não durou muito e os rebeldes foram logo derrotados e o corpo de Luthor largado nas ruas de Metrópolis para servir de exemplo a quaisquer outros insurgentes. 

Isso não é uma rebelião? Então eu me rebelo!

Dada a introdução deste novo universo, a trama começa acompanhando um Jimmy Olsen caolho e mendigo sendo cooptado por um alienígena para servir de “acompanhante” da nova diretora de assuntos humanos, Lana Lang. O esquema é que Lana também faz parte da nova resistência e vem até Olsen para avisá-lo que finalmente conseguiu encontrar o Superman. Os dois vão a uma das prisões da Horda para encontrar o prisioneiro “Clark Small” e Jimmy acaba descobrindo que seu amigo Clark e o Superman são a mesma pessoa. A grande revelação veio depois que Lana mostra uma mensagem secreta de Lois Lane revelando que está viva e ainda prisioneira dos alienígenas, como uma “moeda de barganha” caso o escoteiro azulão resolva reaparecer.

Clark e Jimmy fogem da prisão e vão em busca de mais heróis para lutar contra a Horda. Entre eles, os dois encontram primeiro a Mulher-Maravilha e o Batman. Ela aparece meio que “do nada” e se junta à luta como se tudo estivesse como antes, mas o morcego está extremamente emputecido porque ele é o único que não desistiu de lutar. Ele vem agindo nas sombras há dez anos, sabotando diversas ações dos alienígenas, cada vez mais violento e, logo de cara, ele manda todo mundo ir pastar. 

Mulher-maravilha com calcinha de estrela E bike shorts, e o cosplay de Ciclope do Batman!

Em seguida Clark, Diana e Jimmy vão procurar pelo Lanterna Verde. Como de praxe desde a morte do Superman, a cidade de Coast City é quem leva a pior durante a invasão. Hal Jordan se transformou no “super coveiro” e tomou para si a missão de enterrar todos os habitantes da cidade. Em meio a uma luta entre uma tropa de soldados, o Batman reaparece e, logo em seguida vemos o surgimento do Superboy. Ele aparece no melhor estilo punk-rock-mad-max, mas com uma camisetinha estampando o “S” no peito. Os heróis dão uma esnobada no pobre adolescente e partem em busca do último herói da equipe: Wally West, o Flash.

Quando Wally é encontrado, ficamos sabendo que ele foi aleijado pelas pessoas da própria cidade durante o ataque inicial aos heróis. Com as pernas substituídas por próteses metálicas, ele está incapacitado de correr, mas ainda é o “homem mais rápido do mundo”. Depois de mais uma luta, o Superboy acaba sendo finalmente aceito na equipe, mas não sem antes sermos apresentados ao último membro dos Super Seven: o andróide Metallex, uma fusão do corpo do vilão Metallo com o cérebro do vilão Lex Luthor.

Metallex é melhor que o Cable porque ele tem um braço mecânico QUE É UMA METRANCA GIGANTE!

A edição seguinte continua com o treinamento da nova super equipe e com o ataque final à sede dos alienígenas. Primeiro o Batman age sozinho e leva o Superboy até a torre do líder da Horda com o intuito de sabotar o lugar. O plano dá errado e ele precisa se sacrificar para salvar a vida do “jovem superman” que corre para avisar ao resto do Super Seven do que está acontecendo. A porrada estanca, mas estanca séria mesmo. Os heróis parecem estar em risco à cada página (mesmo que os desenhos não sejam exatamente lááááá essas coisas) vários deles acabam morrendo de maneiras esdrúxulas como a própria Mulher-Maravilha e o Flash (numa vibe bem “I bet you didn’t see that coming” do Mercúrio em A Era de Ultron). 

No fim, Lana Lang se mostra uma agente dupla (tripla?), bom, uma agente a favor dos alienígenas, e tudo porque ela ainda era afim do Superman e meio que queria vingança porque ele sumiu depois que a Lois morreu, enquanto ela ainda estava lá. É um motivo idiota, claro mas a traição dela pega muitos dos heróis com as calças nas mãos. A batalha final é que foi um dos pontos interessantes da trama, no fim das contas. Na sala do trono do grande líder da Horda, o alienígena Kryll’n rouba a kryptonita do corpo de Metallex que havia sido derrotado anteriormente, e a utiliza para envenenar o Superman. O porém é que ela não afeta o Superboy e ele parte para cima do vilão, que tenta utilizar várias outras formas matar os mais diferentes heróis da Terra.

Mas é o Superboy, ou é o Coringa?

É nesse ponto que o Superboy percebe que ele é um “coringa” nesse jogo, porque o líder da Horda não o conhece, não o estudou e não sabe como derrotá-lo. E ele usa isso como vantagem na hora de lutar, apesar de ainda apanhar um bocado. De repente, Metallex se ergue mais uma vez e atravessa o peito de Kryll’n com uma lâmina gigante, derrotando o vilão definitivamente. Lex recupera sua kryptonita e a guarda em seu corpo de metal, mas já é tarde demais, pois o Superman já havia morrido. Lana Lang havia sido ferida mortalmente no início da batalha e, em seu último suspiro, ela diz que há uma forma de reviver o Homem de Aço.

Em seguida, vemos uma figura humana muito parecida com o Superman, segurando o corpo sem vida de Kryll’n sobre sua cabeça e arremessando em direção ao campo de batalha gritando: “SEU LÍDER ESTÁ MORTO!” Isso dá um novo fôlego à revolução e aos habitantes da Terra que se voltam contra a Horda e conseguem mandar todos os alienígenas de volta para casa.

Tem alguém visionário o suficiente aí pra trazer isso pro cinema?

Pouco tempo depois, o Lanterna Verde, Metallex e o novo Superman se reúnem para discutir o futuro do mundo. Hal diz que vai viajar pelo espaço em busca dos heróis exilados e de novos heróis que possam voltar a proteger a Terra e, quem sabe, formar uma nova Liga da Justiça. Lex e o Superboy se estranham um pouco, mas estão determinados em reconstruir a humanidade, com uma nova esperança no ar.

Vai procurar por heróis na escuridão do espaço? Não esquece de levar… UMA LANTERNA!

Tô LendoPontos Fortes
  • História. Quer dizer, alguns pontos da história são bem bacanas, apesar dela ter um ritmo meio acelerado. Talvez se ela fosse uma minissérie ela pudesse saborear um pouco mais a realidade de cada herói nesse futuro sombrio.
  • Versões. Essas novas versões dos heróis tem umas ideias bem bacanas. O Lanterna Coveiro, o Flash sem pernas tendo que compensar a velocidade no tiro, o Lex Luthor com corpo do Metallo e o Superboy fingindo ser o Superman são ideias bem bacanas da história.
Tô LendoPontos Meh
  • Desenhos. Os desenhos são meio qualquer coisa, o que é uma pena. A capa da primeira edição é desenhada por ninguém menos do que Mike Mignola! E isso dá uma baita duma enganada no leitor achando que vai ser uma arte fodona e encontrar um desenhista qualquer. O traço do primeiro cara é meio esquisito, mas tem seus momentos. O segundo também não é lá essas coisas, mas pelo menos em Venom ele dá uma melhorada.

Os Super Sete? Pelos looks tá mais pra Os Sete Sinixxxxtros, bróder!

Esse foi um elseworlds que eu achei muito bacana na época em que li, lá nos idos de 1995. Eu ainda era super fã do Superboy e estava colecionando a “revista de aço” logo após a morte do Super. Karl Kesel é um bom roteirista e é uma pena que essa história tenha sido resumida em duas revistas apenas, ele carregou o título do Superboy por quase todo o primeiro run do personagem, que foi bem bacana, aliás. Falei do personagem na Rebobinando #47, então se você quiser saber mais é só clicar.

E você? É fã de algum elseworlds em específico? Comenta aí, pede pra eu falar dele em alguma próxima Rebobinando.


Superboy e os Super Seven vale três rebobinandos. 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2021-05-04T01:04:38+00:00 3 de maio de 2021|0 Comentários