Rebobinando #13 | Caravana da Coragem

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Nave Estelar. Caiu! Só aqui na Rebobinando você pode ler algo sobre Star Wars sem o menor perigo de spoilers! Nada sobre qualquer segredo ainda não revelado sobre o “universo skywalker”, ou seriados ou filmes! Hoje só falaremos sobre um dos clássicos spin-offs da série: A Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok!

Um filme com os bichinhos fofos que todos os fãs detestaram em o Retorno de Jedi? Como isso poderia dar errado?

Com os personagens apresentados no (até então) último filme de Star Wars, os Ewoks não foram lá muito bem recebidos. Pelo menos até a aparição de Jar Jar Binks, era muito provável se você perguntasse a dez fãs qual era o personagem mais odiado, uns nove diriam “ewoks”. O décimo provavelmente tiraria a chupeta e chamaria a mãe pra espantar um barbado esquisito fazendo perguntas idiotas sobre um filme de 1983.

Reza a lenda que George Lucas queria fazer com que a Batalha de Endor fosse realmente em Kashyyyk, o planeta dos Wookies. Mas com o orçamento apertado pelo já abusivo uso de efeitos práticos e especiais do filme, ele teve que… ahem… reduzir o custo das roupas dos enormes wookies para os diminutos ewoks. Literalmente. Assim sendo, os ursinhos carinhosos do espaço surgiram e foram eles que causaram uma das mais vergonhosas derrotas já sofridas pelo Império. No melhor estilo Guerra do Vietnã, se ela tivesse sido lutada por criaturinhas fofinhas e de olhar vazio.

Como resistir a esse olhar fofinho?

A ideia surgiu de um plano do George Lucas de fazer um especial dos Ewoks para a tv. Com o tempo inicial de meia hora, nenhuma emissora se interessou em produzir ou sequer transmitir o filme. Só a ABC concordou, contanto que a história fosse esticada para umas duas horas, e o resto é história. Lucas já havia feito uma grana com o famigerado Especial de Natal de Star Wars, mas como ele teve zero controle sobre essa história, ficou um bad feeling no final. Olhando em restrospecto, essa foi uma das maiores vergonhas do diretor (e nossa também, pelo menos pra quem já viu). Tem no youtube, e não tem como eu avisar de forma mais veemente, assista por sua própria conta e risco!

– Ok, tio Kadu. Já saquei que não deve ser lá grandes coisa, mas qual é a da história, então?

Bom, realmente não é lá grandes coisa. A história se passa, por algum motivo, entre os Episódios V e VI da saga. E começa de forma super dramática, com duas pessoas perto de uma nave estelar que caiu (heh), discutindo de maneira muito expositiva sobre como eles caíram ali e sobre como mandaram as crianças ficarem perto da nave e em sobre como as crianças sumiram porque não ficaram perto da nave e… ok, você entendeu. De repente um monstro enorme, que mais tarde descobriremos se tratar de um Gorax, os captura. Depois do prólogo e do clássico “uma distribuição Fox Film do Brasil, Versão Brasileira Herbert Richards” escutamos um narrador ao melhor estilo Discovery Channel meets BBC Earth, narrando a vida e os costumes ewoks enquanto somos apresentados aos protagonistas da aventura: Deej e Wicket.

Os dois acaba encontrando Cindel e Mace, os filhos do casal do prólogo e logo acabam fazendo amizade. Temos o clássico diálogo da “nave estelar caiu” com a voz de menina fofinha da dubladora brasileira (porque É CLARO que um filme desses da Sessão da Tarde eu vou falar da versão brasileira)! Encheção de linguiça vai, encheção de linguiça vem, os dois acabam descobrindo um velho ewok chamado Logray que tem o poder de achar pais perdidos, segundo o narrador (afe, quantos pais perdidos existem na lua de Endor?). Na cabana desse ewok curandeiro eles descobrem que seus pais foram capturados pelo terrível Gorax e que para salvá-los precisam ir até o covil do monstro, do qual nenhum ewok jamais voltou vivo.

Então eles organizam uma Caravana da Coragem (sic) e partem em busca dos pais das crianças. Num dos finais mais manjados dos filmes para crianças, todos eles enfrentam o Gorax em uma batalha sem muitos riscos, exceto pela morte de um ewok que ninguém se importava mesmo, na qual os pais são libertos e o monstro “morre caindo”. Clássica morte de vilão, fala sério, né? Se ainda assim, você não tiver nada melhor pra fazer, mesmo que seja assistir The Last Jedi duas ou três vezes mais, você pode curtir a Caravana da Coragem no YouTube!

Tô LendoPontos Fortes
  • É uma “história de Star Wars”, imagino? Pra quem na época queria mais coisa do universo de Star Wars podia ler os livros do universo expandido, ou simplesmente curtir um filme voltado claramente para um público infantil.
Tô LendoPontos Fracos
  • Nossa, por onde começar? Tem o narrador onisciente que aparece sempre que algum tipo de exposição precisa ser mencionada em voz alta, mesmo que não haja a menor necessidade.
  • A atuação das crianças é fraquinha. Muito embora a versão brasileira dê um empurrãozinho, tipo quando o Schwarzenegger atua melhor em português do que em inglês.
  • Os ewoks em si são muito cospobre, sabe? Acho que até em RotJ dá pra notar a dificuldade que os atores anões tem em se movimentar nas tarefas mais básicas dentro das roupas de ewoks. Essa dificuldade de movimento acaba acrescentando num personagem tipo o C3PO, mas não em ursinhos da floresta super ágeis que se balançam em cipós.
  • O Roteiro. Mesmo sabendo que a história foi esticada além do planejado, não dá pra aliviar pra cima do roteiro. Bem rasinho, que nem piscina de ewok.

Eu tenho uma birra com alguns filmes de criança. Em geral eles tem um plot meio burro, e eu sou da escola do “não é só porque é pra criança que precisa ser idiota”. Sei também que a maioria das coisas que eu curtia aos nove anos de idade não se sustentam com o passar do tempo. Só que dá pra, no mínimo, fazer um troço empolgante mesmo com um roteiro furreca, tão aí Goonies e Hook, A Volta do Capitão Gancho que não me deixam mentir. Se a gente deveria ter aprendido algo com a “direção” do George Lucas, era que depois desse filme, não deveria ser uma surpresa a Trilogia Prequel ser tão fraca.

Veredicto: Apesar das boas memórias da dublagem, esse filme merece uma rebobinada só e tá bom, viu? 📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2021-04-19T15:43:32+00:00 18 de dezembro de 2017|7 Comentários