Rebobinando #124: Star Wars Mangá

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May the 4th Be With You! Nesse dia de Star Wars a Rebobinando relembra a grande saga cinematográfica da nossa geração, mas em um novo formato, sob um olhar diferente. Hoje vamos relembrar o Mangá de Star Wars!

“… um americano se apropriou da cultura japonesa pra fazer sucesso!”

Como já comentei na Rebobinando sobre Star Wars, eu fui meio que um fã tardio da saga. Lembrava vagamente de ter visto (talvez) o Retorno de Jedi em algum canal da TV aberta, conhecia a figura do Darth Vader, mas era meio que só. Só quando o Episódio I foi anunciado e estava prestes a estrear é que eu fui saber do que se tratava, por conta de um amigo meu que era bem mais fã. Ele me emprestou a coleção nova dele em VHS lá por 1999 pimba! Fui conquistado.

Aos poucos fui me interando daquele novo universo e entendendo os pormenores dos filmes e em como A Ameaça Fantasma supostamente seria impactante. Apesar de Jar-Jar Binks e Jake Lloyd o filme foi bacana e a Lucasfilm na época queria criar um buzz cada vez maior para a estreia. Em meio a diversos outros produtos e merchandising, na época, nos EUA foi lançada uma série de mangá que adaptava a série clássica.

Você até poderia pensar, “poxa, mas eu já vi tudo isso, pra quê vou ler a mesma história de novo? E ainda por cima com cara de desenho japonês?” Ao que eu te respondo: “Você é MESMO um fã de Star Wars?”

Ou em português “Veja Andacéus”.

O MANGÁ

Em 1997, depois que a Edição Especial de Star Wars foi lançada, um grupo de mangakás que trabalhavam sob o selo MediaWorks resolveram fazer uma nova adaptação da história para o público japonês. O cargo da edição americana ficou para a editora Dark Horse, conhecida por publicar os gibis de um bocado de universos cinematográficos. Cada filme foi dividido em uma série de quatro volumes, escrito e desenhado por um artista diferente. Uma Nova Esperança ficou com o artista Hisao Tamaki (Dirty Pair, Trans Venus) e foi lançado em 1998 nos EUA. 

Aqui no Brasil, a Editora JBC lançou o mangá aqui pela primeira vez em 2002, pouco depois da estreia de Episódio II: O Ataque dos Clones, tentando ir no embalo da Star Wars Mania daquele ano. O título seria republicado de novo pela Editora Abril em 2016. As capas brasileiras são as mesmas da versão americana, desenhada pelo mangaká americano mais querido de todos, Adam Warren (Gen 13: O Filme, Empowered, Dirty Pair).

Capa de Adam Warren e HAN ATIROU PRIMEIRO!

Uma coisa curiosa é que os mangás foram produzidos a partir dos roteiros originais dos filmes clássicos. No caso específico de Uma Nova Esperança, é o roteiro originalzão do tio George com cenas que não foram incluídas nas versões do cinema, ou mesmo as da edição especial. Então são detalhes bacanas que complementam um pouco mais o roteiro, com personagens que desapareceram na sala de edição, como Biggs, o colega que Luke iria incontrar em Tosche Station. Outro exemplo é o início da história que mostra o jovem Skywalker observando com um binóculo a batalha espacial que acontece em órbita de Tatooine. 

O desenhista Hisao Tamaki tem um estilo classicão de mangá mesmo, que mesmo quem não conhece sabe identificar. Ele tem um traço bem detalhista em relação às naves e locais, no entanto, criando umas splash pages lindíssimas com a Millenium Falcon em ação, ou da Estrela da Morte passeando pela galáxia. Como muita gente diz que o estilo japonês de quadrinhos é muito cinematográfico, é interessante rever uma história a qual estamos acostumados sob uma ótica mais dinâmica, até. Inclusive, se levarmos em consideração que o primeiro filme da saga é meio paradão, vê-lo como um mangá de ação é surpreendente!

Todo remake da cena 38 fica melhor que a original.

Tô LendoPontos Fortes
  • Arte. Os desenhos são excelentes. A expressividade do mangá, unida ao detalhismo das espaçonaves e a uma história épica. É win-win-win para todo mundo.
  • Detalhes. Como o autor usou o roteiro original de Lucas, ver alguns pontos que passaram batidos, ou foram cortados do filme dá um ar de novidade a uma história a qual já estamos super acostumados.
Tô LendoPontos Meh
  • Disponibilidade. Tirando a reedição de 2016 da Abril, achei meio perrengue encontrar o mangá na internet. A maioria mesmo só no Mercado Livre e olhe lá.
  • Descontinuado. Além dos episódios da trilogia clássica, a coleção parou no Episódio I. Eu adoraria ver as versões em mangá de Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. Ou ainda até as versões em mangá da trilogia nova. Cadê, dona Disney?

IMAGINA ISSO no cinema!

Enfim. Na época em que vi as edições na banca, fiquei com a impressão de ser apenas mais um lançamento caça-níquel (muito embora eu tivesse plena confiança no selo da JBC para mangás). Ainda bem que eu estava errado, pois as edições foram todas feitas com bastante carinho e por artistas bons de verdade. 

E você? Leu essas versões? Conhece alguma outra versão em mangá de um gibi que você curte? Ficou maneiro? Conta aí nos comentários.


Star Wars em Mangá vale quatro rebobinandos. 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-05-04T20:29:21+00:00 4 de maio de 2020|0 Comentários