Eles são as duas equipes mais famosas dos anos 90! Bom, talvez nem tanto, mas pelo menos uma delas teve uma fama mais duradora desde sua explosão de popularidade na “década de cromo” dos gibis. Mas depois do surgimento da Image Comics, todo mundo queria ver um crossover entre os maiores heróis de seus respectivos artistas. E como nunca tivemos um Spawn vs Aranha, tivemos que nos contentar mesmo com X-men/WildC.A.T.s. Vem comigo rebobinar!

Coluna publicada originalmente em 27 de novembro de 2017.


Estamos de volta com mais uma Rebobinando, a coluna que passa pelo passado, presente e futuro daqueles gibis nostálgicos que não existem mais. Esta semana vamos rever o passadíssimo, o passado, o quase presente e o não tão distante futuro de duas equipes que ficaram famosas nas mãos de Jim Lee! Estou falando do crossover de 1998, WildC.A.T.s/X-men.

Ao falar desses dois times, não dá pra deixar de falar do coreano tampinha mais queridos dos quadrinhos. Todos sabem que em 1992, após alavancar as vendas da Marvel, Jim Lee, Todd McFarlane, Rob Liefeld (*cospe no chão para espantar o mal*) e cia. resolveram fundar a Image Comics. Era como um paraíso pros criadores independentes, onde eles podiam colocar à prova seus próprios gibis. Nada mais de obedecer ordens dos gigantes DC e Marvel, de seguir cânones de eras atrás. O céu era o limite! Pena que perto dos anos 2000 os sinais do tempo foram começando a surgir. Não que a editora estivesse indo à falência, claro, mas ela teve os seus tropeços durante esta era. O mais importante, no entanto, é que ela está aí até hoje, firme e forte, com uma linha de quadrinhos maravilhosa, que o diga Invincible, The Walking Dead, e até mesmo Savage Dragon e Spawn.

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

As equipes se ajudam.

Em 1998, Jim Lee vendeu o seu estúdio, a Wildstorm Productions, para a DC. Sacumé, né? Esse lance de editor toma muito tempo, e ele acabava atrasando demais suas entregas de páginas (e provavelmente estava afim de voltar a desenhar mais). Mas um pouco antes disso, seu estúdio já estava em negociações com as grandes editoras de heróis dos EUA. Ali por volta de 1996 ele voltou pra Marvel junto com Liefeld para o projeto Heróis Renascem e logo em seguida entrou na DC Comics para trabalhar nos gibis do Batman, do Superman, até ser anunciado como Co-Editor da editora juntamente com Dan Didio, estando à frente do projeto Novos 52 (*cospe no chão de novo, cinquenta e duas vezes*). O que isso quer dizer pros WildCATs, sua mais famosa criação? Bom, quer dizer que desde a primeira fase da equipe, Jim Lee já não estava mais tanto no comando dela. Mas aí em 1997 aconteceu o que todos esperavam.

Não, não foi o crossover entre o Homem-aranha e o Spawn (QUE NUNCA OCORREU E EU JAMAIS VOU TE PERDOAR POR ISSO, MCFARLANE)!

O Bandoleiro é tão dispensável que até sumiu da cronologia dos X-men no fim da minissérie.

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

– Mas se o Jim Lee tava ocupado editando, quem botou essa mini pra jogo, tio Kadu?

Chegando aqui no Brasil em 1998, WildCats/X-men foi lançada como uma minissérie em quatro edições, focada em tempos diferentes. Para quem tinha a esperança de ver quatro edições fabulosamente desenhadas exclusivamente pelo Jim Lee, foi uma certa decepção. Mas olha só, devidamente separadas entre as Eras de Ouro, Prata, Moderna e das Trevas, a mini compensava esse ponto com um grupo de desenhistas fodíssimo. Atenção pro line-up: Travis Charest, Jim Lee (o homem), Adam Hughes (a lenda, o mito) e Matt Broome (o #FUÉN).

Sério, além dos desenhos, o time de roteiristas não fica atrás e, apesar de apresentarem o esquema básico dos crossovers (encontro, briga, aliança, porrada no vilão em comum), as histórias giram em torno de um tema central que é o encontro das duas equipes através dos tempos. Aliás, esse é o tipo de crossover que parte do princípio que as duas equipes coexistem no mesmo universo, o que estabelece uma relação interessante. Ainda mais quando Wolverine e Devota se encontram na edição #1 durante a Segunda Guerra e depois se reconhecem na edição #3, durante a briga com o Clube do Inferno. Outra coisa legal foi estabelecer que o grande problema da mini é a invasão daemonita. Os caras estão na Terra à milênios e a cada edição eles tinham uma aliança diferente com algum vilão dos X-men.

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

Wolverine vs Nazistas.

As edições #1 e #2 são escritas pelo parceiro de sempre de Lee, Scott Lobdell. A edição #3 conta com os roteiros de James Robinson, que escreveu a aclamada Starman que o Caruso A-M-A. Já o último número é escrito por ninguém menos que Warren Ellis, mas que infelizmente conta com os desenhos mais escrotos de todos. Pura falta de talento na quadrinização, todo mundo com a mesma cara, enfim… nem sei como deixaram passar aquilo.

– E a história, tio Kadu? Vale a pena tirar a naftalina do meu baú e reler issaê?

Bom, tudo começa com Wolvie e Devota indo atrás de um pergaminho dos infernos (heh) durante a Segunda Guerra. Ao tirá-lo das mãos de um daemonita nazista, eles reencontram o vilão Kenyan que quer usá-lo para acordar uma Lady Daemonita fodona. Devota consegue evitar que ela acorde e tudo fica bem no fim. Na segunda edição, encontramos o Bandoleiro fazendo parceria com Jean Grey. Após ser liberado de uma prisão nos cafundós do Judas, Bandoleiro cai num trabalho pra SHIELD, acabada frustrando os planos de uma aliança de daemonitas com a Ninhada e o Sr. Sinistro.

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

Abre o olho, Ciclope!

Na edição #3, os X-men estão investigando o desaparecimento de uma criança mutante perto de uma propriedade do Clube do Inferno na Inglaterra. Ao descobrir que os daemonitas se infiltraram no Clube para (novamente) acordar um deus lovecraftiano as duas equipes se unem para impedir que isso aconteça. Já no último número o longínquo futuro é logo ali, em 2019! Os daemonitas utilizaram a tecnologia dos Sentinelas para se fundir e acabaram criando uma nova raça que dominou o mundo inteiro no melhor estilo A Era de Apocalipse. Num plano desesperado que envolve viagem no tempo, eles conseguem impedir a chegada da nave que trouxe os daemonitas pra Terra, milênios atrás. Reescrever a realidade é sempre a saída mais simples!

Tô Lendovantagens
  • Participações especiais. Tem pra todo mundo. As garras do Wolvie, Gambit, Sr. Sinistro e Nick Fury pela Marvel; e Lanceiro (aquele Deadpool de segunda, sabe?), Savant e Majestic pela Image. Pra todo lado que você olhar tem algum easter egg
  • Equipes Criativas. Os times envolvidos nessa mini são espetaculares. Apesar de ser “só mais um crossover” e das histórias passarem bem rápido, elas são bem empolgantes. Em especial a #1 e a #3.
  • Barra, versus, ou ‘e’ comercial. E, pô, ao contrário de muitos outros crossovers por aí, este grande encontro não foi um “versus” (OU SÓ UM “V”, VIU, BATMAN V. SUPERMAN?). Só que a barrinha inclinada não significa que eles não troquem uns sopapos entre si, claro.
Tô Lendodesvantagens
  • Matt Broome. Parece queu tô batendo na mesma tecla, mas pelamordasminhasminiaturas! Os desenhos da última edição são horrorosos. Não lembro de ter visto esse Matt Broome desenhando pra outro gibi, mas nos “agradecimentos especiais” da edição tem um nome que reconheço. Brett Booth, de Backlash. Não acompanho o cara, mas desde aquela época já achava o traço dele meio esquisito. Aparentemente ele desenhou algumas páginas dessa edição e… bem, não ajudou muito.

As capas brasileiras da mini.

Bom, tirando a arte do Broome, todas as edições são um espetáculo visual. A história nem tanto assim, mas é um crossover que cumpre o básico, sacumé? Batalhas, grupos diferentes, momentos de ação interessantes e ótimas piadas. Eu, particularmente adoro uma em que o Bandoleiro e Jean Grey estão invadindo a base inimiga quando são atacados e ela grita algo como: “Cuidado, uma biorrajada!” e o Bandoleiro responde: “Uau, você identifica rajadas? Essa sua escola é boa mesmo!” Para mim, os destaques ficam mesmo para a arte do Travis Charest e do Adam Hughes, que são dois caras excelentes!

E você? Curtiu essa minissérie? Qual outro crossover com personagens da Image Comics você gosta? Existe algum que você queria que acontecesse, mas que nunca saiu do papel? Conta aí nos comentários!


WildC.A.T.s/X-men vale três rebobinandos! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.