A DC Comics apostou em uma nova linha editorial para atrair um novo público jovem para suas revistas. Como nomes de sucesso por trás dessas novas histórias, o projeto tem dado bastante certo, incluindo o prêmio de melhor roteirista do ano para Mariko Tamaki por esta graphic novel.

É óbvia a necessidade mercadológica das empresas em se renovar e não é diferente com as editoras de quadrinhos. Elas precisam de novos leitores e a “fórmula mágica” para isso é montar uma nova equipe criativa que saiba escrever para esse público jovem, recontar histórias de personagens como se fosse a primeira vez e criar novos heróis e vilões que dialoguem com o público.

A Marvel fez (e continua fazendo) isso com Miles Morales, Riri Willians, Kamala Khan, Nova e todos os novos Vingadores, que tenho esperança de ver todos eles juntos nas telas de cinema um dia, enquanto a DC também iniciou um selo Wonder Comics com Brian Michael Bendis revivendo os Super-Gêmeos e trazendo Noami junto com a Liga da Justiça Jovem.

Caverna do Caruso - Arlequina Quebrando Vidracas - Harleen Quinzel

Uma nova Harleen para um novo público.

O “problema” dos casos acima é que todos eles fazendo parte da linha temporal padrão e a liberdade criativa não é tão ampla quanto poderia. Brincar que a Naomi era filha do Superman, é isso, apenas uma brincadeira. A partir daí surge o selo DC Ink logo depois nomeado para DC Graphic Novels for Young Adults (e chamado de DC Teen pela Panini Comics).

Então ficou assim, DC Graphic Novels for Young Adults (vamos chamar de DCFYA para simplificar) veio em contra-ponto ao DC Black Label, que substituiu a Vertigo. Enquanto em uma linha vamos ver graphic novels dedicadas ao público jovem, a outra é para adultos maiores de 18 anos mesmo. Nenhuma delas tem preocupação com a continuidade das revistas mensais e, minha opinião, quase todas são ótimas leituras.

Já tivemos algumas publicações da DCFYA que fizeram e estão fazendo sucesso. Por exemplo, o brasileiro Gabriel Picolo ficou em evidência no mercado internacional pelo seu trabalho na arte de Jovens Titãs: Ravena escrita pela Kami Garcia… mas hoje Nas Prateleiras vai focar em Arlequina: Quebrando Vidraças.

Harley Quinn: Breaking Glass é escrito pela Mariko Tamaki (de Lumberjanes, She-Hulk e Supergirl: Being Super que será relançada no novo selo DCFYA) que se tornou apenas a segunda mulher a ganhar um Eisner Awards de melhor roteirista em quadrinhos fazendo um ótimo trabalho em apresentar essa Harley adolescente para um novo público que acabou de conhecê-la nos cinemas.

Caverna do Caruso - Arlequina Quebrando Vidracas - Gotham

A primeira imagem de Gotham City a gente nunca esquece.

A história nada mais é do que a pequena e rebelde Harleen Quinzel contando como foi sua chegada à Gotham apenas com a roupa de corpo e poucos, ou nenhum, dólares. Lá ela é recebida e acolhida pela drag queen Mama que é dona de um bar local e inicia sua vida escolar ao lado da sua melhor amiga Hera e outros personagens que vão se apresentando ao longo da história, mas familiares aos leitores de Batman. O ritmo é bom e a trama é bem contada com todas a nuances da sessão da tarde, desde aquele início agradável até que um problema surge, cresce e depois meio que é resolvido deixando um rastro de continuação no ar.

Inclusiva e tratando temas que vão de preconceito a ecologia, é uma obra que deve atrair tantos jovens, principalmente as mulheres, quanto adultos que estejam interessados em uma visão diferente de um assunto que já conhecemos, mas, novamente, é voltada para o público mais jovem, então a linha high school predomina.

A arte de Steve Pugh é muito boa e combina bem com todo o resto. O trabalho de cores é excelente. Vale conferir, nem que seja com a desculpa de depois dar de presente e iniciar uma nova leitora no mundo dos quadrinhos.

Tô Lendovantagens
  • História fechada e edição única.
  • Bastante páginas para não parecer curta nem suficiente para ser cansativo.
  • Ótimo material para iniciar um jovem no universo de quadrinhos.
Tô Lendodesvantagens
  • Desculpa tio, mas você não vai gostar. 😉

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Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.