Oleg é a terceira HQ do suíço Frederik Peeters que chega ao Brasil pela editora Nemo. Lançada este ano, saímos da ficção científica de Aâma e voltamos a realidade de Pílulas Azuis acompanhando a vida de… bem… do Oleg.

Uma das melhores HQs lançadas em 2021, a história me surpreendeu positivamente por diversos motivos que vamos descobrindo durante a leitura e, entre outras boas leituras recentes, furou a fila para estar aqui Nas Prateleiras depois da vitória apertada na enquete que rolou lá no Instagram.

Vinte anos após Pílulas Azuis, um quadrinho autobiográfico do autor, temos aqui uma história de um quadrinista de sucesso, vencedor de prêmios e que está em um período pouco criativo. Que, segundo o próprio Frederik Peeters, não é uma continuação, mesmo vendo que Oleg é um avatar seu de certa forma. Não é uma história mirabolante, cheia de personagens, é “apenas” o dia a dia de uma família, mas a leitura possui alguns níveis de entendimento que torna tudo mais interessante.

Alguns momentos a ficção e a realidade se confundem…

Começamos com esse quadrinista, sua esposa e filha adolescente que possuem um relacionamento muito legal, quase que ideal, vivendo suas vidas em Genebra. Oleg não consegue uma boa história para sua próxima publicação e existe uma pressão após grandes sucessos. O mundo não é mais o mesmo, tudo é muito rápido, a tecnologia está em todo lugar, os prazeres mais simples parecem não serem mais suficientes para todo mundo e isso o afeta. Sua zona de conforto é sua casa, seus entes queridos e é sobre isso que estamos lendo, afinal.

Ao mesmo tempo que essa HQ é uma “simples” carta de amor à sua família, também é uma reflexão sobre o mundo. São dezenas de referências à outras obras, seja nas falas dos personagens ou em quadros totalmente desenhados. Wall-E, Planeta dos Macacos, citação a Magritte e outras muitas que podemos identificar (ou não) no passar das páginas dependendo de nosso conhecimento de mundo… e o mais legal: não precisamos delas para entender toda a história, são como easter eggs pelas páginas.

“Vai fazer 20 anos que Oleg ama essa mulher.”

Uma jornada que vale a pena por todas as 179 páginas que se dividem em capítulos maiores e menores, brincam com a narrativa e nos prende até o último quadro. No fim, queremos continuar acompanhando a vida de Frede… quer dizer… Oleg pelo mundo, mas quem sabe teremos isso daqui à 20 anos em uma próxima “não-continuação”? 😉

Tô Lendovantagens
  • Bela história e bela arte.
  • Muitas referências à filmes, livros e também a outros trabalhos do autor. Me amarro!
  • O tamanho da HQ é ótima, qualidade do produto, preço…
Tô Lendodesvantagens
  • Você não consegue parar de ler depois da primeira metade. É ruim, as vezes você tá com fome e quer parar pra comer, ué?
  • Termina?

“Ficção, autobiografia, a vida real é um jogo de Lego, separamos as peças, colocamos à nossa frente e vamos reconstruir tudo, mas com as mesmas peças de Lego.” – Frederick Peeters

Aproveite o espaço dos comentários para batermos um papo sobre quadrinhos, esse ou outra HQ… uma sugestão pode virar uma pauta pra próxima semana. No mais, tento sempre deixar o texto mais spoiler free possível, mas espero que tenha conseguido sua curiosidade. Até!

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.