Visões de 2020

No finalzinho dos anos 90, década tenebrosa para a indústria dos quadrinhos, foi possível vislumbrar um pequeno lampejo de qualidade na variedade dos títulos que foram publicados aqui no Brasil pela falecida editora Abril. Um desses títulos dignos de nota foi Visões de 2020 – Tesão de Viver.

Publicado pelo selo Vertigo, Visões de 2020 era uma maxi-série de 12 edições idealizada por Jamie Delano, com vários desenhistas diferentes. Mas o melhor arco, em minha humilde opinião, é o primeiro. É dele que vamos falar na Caverna de hoje, até porque, eu não li os outros!

A revista aborda um futuro distópico (em 2020, olha que coincidência!) em que o maior problema é uma doença que fazem as pessoas querem transar adoidado, até morrer. (Humm, talvez a gente esteja vivendo esse futuro distópico… Já passou o carnaval em Diamantina?) Acompanhamos a trajetória de um velhote, ex-pornógrafo, que é acometido pela doença e tenta escapar da sua quarentena. Apesar de ser uma temática bem pra baixo, a história não te deixa deprimido, em boa parte pelo cinismo do nosso herói coroa, cujo os passos acompanhamos até o final. É um ótimo protagonista!

Mas protagonista-protagonista mesmo é a arte do Frank Quitley. Esse foi o primeiro trabalho que eu li dele e, rapaz, que desbunde! Uma precisão com detalhes, caracterização de personagens, expressões, tudo! Uma maravilha. Isso tudo bem antes de X-Men, Authority, Flex ‘Débil’ Mentallo, etc.  Parece que ele estava realmente querendo mostrar serviço e se firmar no mercado. Ele é a pessoa ideal pra representar um futuro distópico.

Outro fator digno da atenção do nerd mais “ligado” é a qualidade da publicação da Abril (que Deus a tenha)! Mesmo número de páginas que a edição americana e uma qualidade de papel impressionante, que ressaltava ainda mais a arte do Quitley. Fui dar uma fuxicada na minha edição e ela permanece em perfeito estado até hoje, graças a essa publicação em papel vibranium que a Abril fez. Então meus duplos parabéns ao editor, pela escolha do material e pela qualidade escolhida para representá-lo. Clap, clap! 

Não falarei sobre os outros arcos, pois, como eu já disse, eu não li. Mas sei que eles não são importantes para a compreensão desse primeiro, inclusive não têm nenhuma correlação. O segundo arco foi publicado aqui também, mas não sei sobre os outros, nem tão pouco me importo (você também não deveria). O que importa mesmo, é esse primeiro.

Visões de 2020, durante muito tempo, foi meu cartão de visitas para leitores (e principalmente leitoras) não familiarizados com o universo dos quadrinhos.

Vamos a algumas vantagens e desvantagens!

Tô Lendovantagens
  • Publicado aqui no Brasil! Êêêê!
  • Como foi publicado numa época mais de “vacas gordas”, tem muito encalhe por aí. Ou seja, é fácil de ser achado em sebos por aí afora.
  • Dada essa impressionante qualidade que a Abril decidiu publicar, você tem grandes chances de encontrá-la em per-fei-to estado!
  • Mini série curtinha, só 3 edições (estou desconsiderando os outros arcos, ok?)
  • Arte incrivelmente espetacular e magnífica do Frank Quitley, no seu auge! Parece quadrinho Europeu!
  • Leitura muito rápida, bastante fluida.
Tô Lendodesvantagens
  • Na arte do Frank Quitley, as pessoas não são bonitinhas. Eu não acho isso uma desvantagem, mas eu imagino que algumas pessoas podem pegar e “achar feio”. Só digo uma coisa: TOMA TENÊNCIA
  • Esse é um daqueles quase novo-clássicos que bem merecia um encadernado bonitinho. Bem mais do que Flex Mentallo, por exemplo, que eu achei uma bosta. Pero no hay.
  • Pode ser considerada um pouco desagradável para os mais frescos. Desagradável no sentido “velinhos com tesão se comendo”. Mas, ei! Frescura…

Quem já leu essa aí? Essa é uma daquelas com grande chances de já ter passado por você e você nem ter dado bola! Mas tai, agora não tem desculpa! É uma boa leitura, ao alcance da mão! Se você já conhecia, me conte o que achou! Bora falar de quadrinhos!!

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!