Quadros foi uma excelente descoberta e me deixa muito feliz falar sobre ela aqui na Caverna! Essa é uma daquelas que eu espero que todo mundo tenha a oportunidade de colocar as mãos, e andar com ela em riste pelas ruas, anunciando um Brasil melhor.

Sou fãzaço do Mike Deodato, desde sei lá quando. Pra mim, quando ele desenha os Vingadores, é como se ele escalasse o melhor elenco e a melhor direção pra fazer o melhor de todos os filmes. O Homem Aranha dele me fez voltar a ser garoto e mergulhar nas histórias. Virei mundos e fundos pra completar a sua fase no Hulk (foi beeem difícil encontrar todos os encadernados, esgotados no exterior em boa parte por causa da sua arte). Adoro os seus Vingadores Sombrios, com o Norman Osborn igual ao Tommy Lee Jones. Até a Mulher Maravilha nas mãos dele fica mais maravilhosa. Esse, no entanto, foi o seu primeiro trabalho escrevendo suas próprias histórias, o que acaba por levantar uma importante questão: por que ele demorou tanto???

Sendo muito sincero, confesso que deu um certo medinho. Como sou muito fã de Brian Michael Bendis (esse gênio careca, deus máximo dos quadrinhos de super heróis e diálogos engraçados) achei que a comparação seria inevitável, já que os últimos trabalho do Deodato foram com ele. Olha… me surpreendi muito! Dormi na cama do Deodato sem pensar no Brian Michael Bendis uma só vez, que ele não me ouça.

Ao todo são 14 histórias curtinhas (algumas de uma página até), mas todas muito, muito, muito legais. Cada uma delas possui uma diagramação bem particular, um design específico e um storytelling fenomenal. A arte do Deodato, conhecidamente esplendorosa, toma personalidades diferentes a cada história, me lembrando um pouco a vibe do espanhol Miguelanxo Prado, que se reinventava a cada capítulo do seu Quotidiano Delirante. A diferença é que o Mike Deodato consegue deixar seu traço ainda mais diferente em determinadas ocasiões. Algumas histórias são hilárias (me fizeram literalmente rir em voz alta), outras bastantes emotivas, mas todas são surpreendentes. Mostrava algumas pra minha mulher e me divertia com a cara de susto dela a cada final.

O acabamento gráfico da Mino também é algo digno de nota. Nunca vi um cuidado desses, ainda mais com quadrinho nacional. O álbum vem com uma capa protetora de transparente super resistente e maleável, feita de adamantiun. O troço deve ter um nome científico, mas podemos chamar de adamantiun. As cores, lindíssimas, gritam e saltam a cada página. Aliás, que papel é impressionane. A única conclusão plausível é que a Mino deve estar lavando dinheiro para financiar o tráfico de metanfetamina. Duas histórias têm um formato pôster, uma na horizontal e outra na vertical. É um verdadeiro Parque de Diversões, essa leitura. Cada história vem com um textinho do Deodato explicando o porquê delas. Textos bem diretos, sem firula, sem ser técnico, super sinceros. Parece que o próprio Deodato te mandou por whatsapp e você tá ali, lendo na hora. Ele até se abre bastante em alguns, fala da sua vida, tudo pra te deixar ainda mais fã do cabra. Deodato pra presidente!

Essa é uma verdadeira obra prima que todo amante dos quadrinhos merece se dar de presente. É pra ser lido e relido várias vezes, e, se por um acaso você encontrar alguém da Editora Mino pela rua, é pra ajoelhar e agradecer repetidamente o carinho dado ao nosso público, nossos artistas e nosso mercado. E dar cem reais de presente pra eles, porque eles devem estar quebrados, não é possível. Apesar da edição ser mais luxuosa que a casa do Luciano Huck, ela não está cara, para o que é. R$58 reais, eu acho. Na boa, você nem entra na casa do Luciano Huck com 58 reais no bolso.

Vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  •  São histórias lindíssimas
  •  Todas elas bem curtas, o que garante uma leitura rápida e muito prazerosa. E ainda permite que você leia a revista toda várias e várias vezes, fazendo valer o seu dinheiro.
  •  A edição é provavelmente a edição mais linda já editada na história das edições. Eu não tenho todos os dados pra afirmar categoricamente, mas eu acho que é. Opa, acabei de olhar os dados aqui, é sim.
  •  Quadrinho nacional sendo valorizado como arte.
  •  Ideal pra quem não é fã de quadrinhos. As histórias falam de coisas que tocam a todos.
  •  Ideal pra quem é fã de quadrinhos. Quando Deodato cita as suas influências, deixa transparecer seu lado fanboy e você lê a história com outros olhos. Muito legal.
  •  Ah, sim, sendo uma editora brasileira, publicando um autor brasileiro, vale dizer que SAIU NO BRASIL!!! Aliás, SÓ no Brasil!!! Deodato é nosso, a-há, u-hú!
  •  Pro acabamento e a qualidade que a revista tem, eu não achei caro. Mas pode ser que eu seja rico, não sei.
  •  Vai ficar lynda na sua mesa de centro, pra receber visita. Mas eu compraria outra pra deixar na estante, sã e salva, porque eu não conheço as suas visitas.
Tô Lendodesvantagens
  •  Uma das “histórias posters” – a vertical – é de difícil manuseio. É muito difícil abrir ela sem danificar a página. O que dá um dó terrível e um desgosto profundo, quando se trata de um álbum tão bonito.
  •  Se você for um leitor mais voraz, você pode acabar devorando tudo em 15 minutos. Acho que é uma boa ler com parcimônia, pra ela durar mais. E depois ler tudo de novo.
  •  Algumas histórias são curtas e faz com que você queira ler mais 24 páginas sobre elas.
  •  Parece que ele não tem muito tempo pra criar mais histórias e fazer outro volume. O que é uma pena.

Taí. Eu imagino que essa seja uma daquelas relativamente fáceis de encontrar. Pior das hipóteses, entra em contato com a Mino, na sua loja on-line https://www.facebook.com/editoramino/app_305990076116431 nem que seja só pra dar um dinheiro pra eles sem comprar a revista, pra mantê-los no mercado. Não sei se deu pra reparar, mas eu fiquei muito impressionado com esse trabalho. Acho que todo mundo que lê essa coluna deveria conhecer! Se você já conhece, me diga o que achou! Se ainda estiver com dúvidas, tire-as! Estamos aqui pra falar de quadrinhos!

 Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!