Somos bombardeados por tanta merda no nosso dia a dia, que acabamos acostumando. Corrupção transformada em heroísmo, “cidadão de bens” agindo como verdadeiros vilões da sociedade moderna, um verdadeiro status quo opressor cotidiano. Mas eis que surge a Kriança Índia para nos salvar!

Eu nem sabia o quanto eu precisava da Kriança Índia até ser “salvo” por ela. Ironicamente, me remeteu a um paralelo imperialista, com o catártico soco do Capitão América no Hitler em plena Segunda Guerra Mundial. Visto hoje como uma leitura inocente e simplista, na época foi uma comoção. Finalmente alguém não apenas identificava o vilão como vilão (até então muita gente era adepta do “veja bem”, “tem que ver também que blá blá blá…”) e ainda dava um soco no meio da sua fuça na CAPA DA REVISTA. Aquilo foi um ponto de virada para muitos, que puderam tomar coragem pra botar a indignação pra fora, sabendo que não estava sozinho e que, talvez, até fosse maioria!

Kriança Índia teve esse efeito para mim. Em suas aventuras curtas, essa habilidosa criança letal combate todos os nossos vilões velados pelo mercado financeiro, algozes da nossa saúde mental. Bolsonaro é retratado como merece, seu 02 (ou 01, não sei, pouco me importa, pra mim todo mundo deveria ser número dois, SE É QUE VOCÊ ME ENTENDE, wink wink) aparece vestido de Pato Donald, fazendo alusão ao desejo de ocupar a embaixada americana sem credencial pra tanto, o desmatador do meio ambiente faz seu discurso vilanesco sem papas na língua e, o mais importante: todo mundo morre. Mais de uma vez até. É libertador.

Porém, indo além do escapismo, o que nós temos aqui é um universo bem construído, com diversos personagens interessantes, diálogos engraçados e mordazes, com muita cena de ação. Kriança Índia consegue a mescla perfeita entre o nosso folclore nacional e a ação block buster dos gibis americanos, esse junk food que tanto adoramos. Dá vontade de ter bonequinho de todo mundo! Uma curiosidade muito divertida é a participação de uma paródia do ex-herói “(a)fundador” do Universo Guará, tomando uma coça federal da nossa diminuta personagem heróica. Mais de uma vez. Podemos dizer que ele foi… doutrinado? Bem, eu adorei. Mas será que você também vai gostar?

Tô Lendovantagens
  • Um livro só, leitura descompromissada e ágil, que vai sair rapidamente da sua pilha de leitura.
  • Histórias divertidas e sanguinolentas. Lembra muito os quadrinhos que a gente fazia em sala de aula, quando o professor não estava vendo
  • Universo muito bem criado
  • Personagens nacionalíssimos
  • Tramas inteligentes
  • Histórias bem curtas, o que gera uma ótima leitura interrompida. Embora seja meio que nem pistache, difícil parar depois que começa…
  • UM GRITO CALADO DE LIBERDADE FINALMENTE PROJETADO
Tô Lendodesvantagens
  • Temos dois desenhistas, o criador e o desenhista convidado. O traço do criador não me agrada tanto, embora não interfira na apreciação da história. Ele me lembra muito o traço do Bob The Angry Flower, com uma pegada mais cômica. É outra proposta, tem que embarcar. Mas o outro desenhista, meu amigo… É bom demais! Então essa comparação pode ser meio injusta e atrapalhar a fluidez da leitura
  • Só tem capa dura, acho que uma capa cartão cairia bem
  • Não existem os bonequinhos todos que eu queria que existissem
  • Eu queria mais Kriança Índia e só tem esse livro
  • A capa não é muito convidativa e a arte em PB pode te afastar da leitura ma hora da folheada

Eu terminei esse gibi completamente adepto da Kriança Índia e passarei a vida catequisando outras pessoas. Caso a curiosidade tenha te mordido, você pode adquirir o seu próprio exemplar através desse link e ajudar a manter o nosso site no ar! No mais, vou adorar ouvir a sua opinião aqui embaixo nos comentários.

Tô LendoAlgumas imagens!