Em Ondas, da Editora Nemo, foi uma experiência única de leitura. Tanto “dentro” quanto “fora” do gibi, de um jeito que eu nunca senti antes. Vou tentar explicar. (Torça por mim)

Com temática autobiográfica, a trama aborda a vida da esposa do autor (e consequentemente do próprio) do momento em que eles se conhecem até seus últimos dias, após uma cansativa batalha contra o câncer. Como a relação deles é permeada pela paixão de ambos pelo surfe, o autor também intercala momentos da sua vida e da sua esposa, que são contados fora de ordem cronológica, com a história do surfe em si, seu surgimento, a criação das primeiras pranchas, os primeiros campeonatos, etc.

É aí que entra um subterfúgio muito interessante: as memórias do autor são todas contadas com tons azulados e a parte “documental” sobre o surfe sempre com tons sépia. A leitura vai e vem de um ponto ao outro como ondas do mar (em azul) cobrindo a areia (em tons sépia), retrocessedendo e repetindo ad infinitum. Isso acaba gerando no leitor a sensação física do vai e vem do mar durante e após a leitura. Quer dizer, pelo menos aconteceu comigo. Até falei sobre no podcast MdM, num dos “MdMoments”. Se essa intenção foi proposital como eu estou pressupondo, esse cara é um gênio!

Além do roteiro instigante – em ambas as frentes, tanto a biográfica quanto a documental – a arte de Aj Dungo é muito bonita, clean e minimalista, bem condizente com o olhar sensível de um profissional do design (que é o caso aqui).

Apesar da temática triste, a história é muito bonita e a leitura muito agradável. Como uma onda no mar. Tan dan dan dan, como uma onda no mar.

Recomendo!

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Pela Editora Nemo, que entrega no Brasil todo e tem excelente entrada nas livrarias.
  • Volume único.
  • Leitura fluida, daquelas difíceis de largar depois que você começa
  • Além da história interessante, você tem a oportunidade de aprender várias coisa que você não sabia sobre surge – a não ser que você seja o Gabriel Medina.
  • Arte lindíssima.
Tô Lendodesvantagens
  • A capa parece livro de poesia. É bonita, mas eu não gosto muito. Não parece capa de livro em quadrinhos, o que pode fazer com que ele passe despercebido por você nas livrarias.
  • Temática um pouco triste, né? Nem é pra baixo nem nada, já que a visão do autor e a sua conclusão sobre o acontecido são lindíssimas, fazendo tudo valer muito a pena. Acalenta e faz gente aprender através dele. Mas, enfim, acho bom avisar… Não é Garota Esquilo.

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