Quem me conhece minimamente, sabe que eu sou devoto de Brian Michael Bendis. Já professei meu amor mais de uma vez nas colunas sobre POWERS, Jessica Jones, Scarlet e Sam & Twitch. Chegou a hora de resgatar um trabalho anterior a esses todos!

Torso conta a história de um dos primeiros assassinos seriais dos Estados Unidos, numa época quando ainda não havia nem nome para isso. A série se chama “Torso” porque era isso o que sobrava das vítimas, sem impressões digitais ou arcada dentária, dificultando muito a identificação, em especial numa era pré exame de DNA. Talvez um dos elementos mais impressionantes da trama seja se tratar de uma história real. Um dos detetives do caso é ninguém menos que o famoso homem da lei Eliot Ness, também conhecido como Kevin Costner, o pai do Super Homem.

Bendis se debruçou nos arquivos originais do caso pra criar essa graphic novel junto com Marc Andreiko e foi o próprio Bendis que DESENHOU tudo, numa época em que ele ainda pensava em se estabelecer como desenhista no mercado. Apesar dele se dizer um péssimo desenhista, eu ainda fico impressionado com como ele desenha bem! Bendis tem um traço meio fotográfico, que, pruma HQ como essa, vem bem a calhar! Isso somado aos diálogos realistas e orgânicos que são sua marca registrada (aqui até um pouco menos, já que estamos na década de 30), gera uma verdadeira imersão no ambiente noir dessa busca policial. Eu gostei bastante.

Ela foi lançada originalmente em 6 edições e encadernada pela Image Comics, para depois passar pra Marvel e acho que agora pela Dark Horse. Por fazer parte dos primeiros trabalhos do Bendis, onde ele escrevia e desenhava, às vezes se confunde como parte da trilogia Fire – Jinx – Goldfish, talvez pela semelhança do projeto gráfico, mas é uma obra completamente à parte e auto contida. Dada às devidas proporções é uma espécie de Do Inferno do Bendis. MAS DADA ÀS DEVIDAS PROPORÇÕES, GENTE, PELO AMOR DE DEUS.

Tô Lendovantagens
  • Volume único
  • Trama e temática muito interessante. Além de acompanhar o procedimento da polícia na época, temos um vislumbres de uma Cleveland nos anos 30, tendo que lidar com problemas urbanos, como o crescente número de favelas nas áreas pobres da cidade.
  • Eu acho a arte do Bendis muito boa. Lembra até um pouco um Mike Deodato, mais simplificado.
  • As edições da Image Comics não são nenhuma raridade.
Tô Lendodesvantagens
  • Só na gringa. E o dólar tá um milhão de reais.
  • Preto e branco. Apesar de gostar bastante da arte realista do Bendis, a arte em PB, junto com corpos desfigurados, às vezes pode dificultar um pouquinho da compreensão dos quadros.
  • Como de costume, é bastante palavroso. Eu gosto muito da maneira como ele escreve os diálogos, mas se você é um desses infelizes que odeia o Bendis, bem, obviamente essa aí não deve ser pra você… (Apesar de achar que talvez, não sei…)
  • O tamanho assusta um pouco, mas a leitura desce bem rápido. É mais uma daquelas coisas de gramatura da página, do que uma leitura maçante.
  • Temática um pouco indigesta para os estômagos mais sensíveis
  • A folheada também não é muito convidativa.

Ok, essa aqui eu vou ficar BEM surpreso se aparecer alguém na área de comentários que já tenha lido! Caso eu tenha aguçado a sua curiosidade, você pode adquirir essa pérola através desse link e nos ajudar a manter o site no ar por mais tempo (também tem a versão kindle) ! No mais, aparece aí embaixo e diz o que você achou!

Tô LendoAlgumas imagens!