Na última coluna falei que não gostava de indicar quadrinhos que não tivessem chegado ao final e uma vez mais eu vou ter que quebrar a minha promessa. Mas é por uma boa causa!

Li’l Depressed Boy é uma história em quadrinhos maravilhosa, que conta a história de um menino e suas desliusões amorosas. Ao contrário do que sugere o título, ela não é nada deprê. Talvez só um pouquinho. Hum, então pode ser que o título esteja certo no fim das contas…

Eu conheci essa revista na San Diego Comicon, direto da mão do autor e logo fiquei apaixonado. Tratei de catar todos os outros volumes (são cinco ao todo) e a história fluiu que nem água! Cada encadernado reúne 4 edições da publicação original, todas elas sempre terminando com um pequeno gancho que te fazem correr para o capítulo seguinte. Apesar da trama absolutamente realista, a charmosa exceção é o protagonista, retratado como um tristonho boneco de pano – uma metáfora perfeita de como às vezes a gente se sente, especialmente após uma rejeição. A trama segue o modelo básico das comédias românticas pouco inspiradas, de menino que conhece a menina, acha que está rolando um clima e descobre que ela só quer “ser amigos”. No entanto, o entorno é rico o suficiente pra te fazer esquecer dos zilhões de filmes e séries que você já viu com temática parecida. Por exemplo: todas as bandas que aparecem na história são reais. Eu conheci o Childish Gambino, persona Rapper do Donald Glover, nessa revista, muito antes dele estourar com o clipe This is America. Assim como ele, acabei indo atrás de várias bandas para ouvir a melodia das letras retratadas em algumas das páginas, o que gerou uma experiência multimídia ímpar.

A figura do boneco de pano também gera um efeito interessante, de identificação. Scott Mcloud no seu livro Por Dentro dos Quadrinhos teoriza que personagens mais “cartunescos” e com menos traços característicos são mais capazes de gerar identificação com o leitor justamente por não se parecerem com ninguém. A gente se projeta neles. E isso não é diferente em Li’l Depressed Boy.

Uma pena que o autor interrompeu a série no quinto volume – e não se trata de um final conclusivo. Ele chegou a montar uma campanha de financiamento no patreon que ainda está lá de pé, mas nem sinal de um prazo, embora a última postagem seja de dezembro de 2020. E se mesmo assim eu estou aqui indicando essa leitura, é porque ela vale a pena! Duvida? Dá uma olhada nas vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Leitura ágil e gostosa
  • Tramas de vida real, ótimo para dar um descanso nas Crises das Infinitas Guerras Secretas de vez em quando
  • Arta muito bacaninha do Sina Grace, que muitos anos depois viria a trabalhar nas grandes editoras de super heróis
  • A Mariana adorou (não deve nem lembrar, mas) esse tem o cobiçado Selo Mari de Qualidade
  • Uma ótima oportunidade para conhecer “novas” bandas alternativinhas, ainda mais agora com a facilidade dos spotfy da vida. Quando eu li isso a primeira vez em 2011 não era tão molezinha assim…
Tô Lendodesvantagens
  • Não saiu no Brasil! Então vai ter que exercitar esse seu inglêszinho aí…
  • Publicação interrompida
  • Como os encadernados reunem só 4 capítulos por cada volume, a leitura pode ser rápida demais (especialmente com o dólar a 17 reais….). Mas, se quiser dar uma olhada, segue aqui o link da Amazon que ajuda a manter o nosso canal do youtube.

Bem que a Pipoca & Nanquim podia investir nessa aí, hein? Eles ainda poderiam tentar convencer o autor a concluir a série… Ah, se eu fosse dono da Pipoca & Nanquim! Eles iam perder tanto dinheiro…

Tô LendoAlgumas imagens!