Não sei que dia é hoje, mas na cronologia na qual eu escrevo, eu terminei ontem a leitura de A Odisséia de Hakim, pela Editora Nemo, e estou bem impactado. Capaz de estar impactado até hoje, seja lá que dia for.

A Odisséia de Hakim é uma coleção em 3 volumes do Fabien Toulmé, de quem eu já falei aqui no maravilhoso Duas Vidas. Nessa obra, o autor resolveu abordar a questão dos imigrantes por um motivo muito bem explicado dentro da própria HQ

A partir daí, o livro segue com um funcionamento muito parecido com o de Maus, onde o autor entrevista um imigrante e reconta a sua história em quadrinhos. Então é uma narrativa bem honesta e bem direta, que muitas vezes expõe um pouco dos seus próprios bastidores.

A história do protagonista é de tirar o fôlego. Jardineiro de certo sucesso, Hakim (nome inventado, por proteção), é obrigado a abandonar a sua terra natal por conta dos conflitos políticos e as explosões destruindo seu bairro. Acompanhamos então cada passo de sua jornada, sendo bem recebido ou mal recebido em outros países, contando com a ajuda de familiares e amigos, na procura de conseguir se estabelecer com o mínimo de dignidade em qualquer outro lugar. Nesse processo ele conhece a sua esposa, com quem tem um filho e é aí que o caldo engrossa. Com a esposa tendo conseguido se estabelecer na França, Hakim tem que fazer toda uma travessia clandestinamente sozinho, com o filho de três anos. Me faltam palavras para descrever o périplo do homem. E a sua história não é tão particular assim, é a de muitas pessoas – centenas de milhares – na mesma situação através das décadas.

Sem dúvida uma leitura muito poderosa que me chamou atenção para algo que até então eu não tinha o menor contato, por ser tão distante de nós. Fabien Toulmé consegue abordar e retratar todos esses pontos importantes com uma narrativa simples e quase leve, sem carregar no drama (afinal, nem precisa) ou apelar para qualquer espécie de sensacionalismo.

Seu traço, bem como em Duas Vidas, é clean, cartunesco, quase infantil. O que também colabora com a absorção da história. É a colher de açucar que ajuda o remédio amargo a descer.

Tudo isso é contado em três volumes, mas que poderiam muito bem ser em um só, porque no momento em que você começa, não querer mais saber de parar.

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Êêê! Pela Editora Nemo, que tem grande entrada nas livrarias e entregam no Brasil todo! Êêê de novo!
  • Só três volumes e todos já publicados
  • Não sei explicar direito, mas a edição da Nemo é muito fofinha. A capa é molinha, a gramatura das páginas é gostosa, parece um brinquedinho de bebê, o livro! Dá vontade de dormir abraçado com ele
  • A história do protagonista e a narrativa do autor são de tirar o fôlego, é uma leitura muito fluida
  • Temática de importância fundamental
  • É bem o tipo de leitura que a minha esposa gosta. Ela não leu ainda, mas posso já garantir o “Selo Mari de Qualidade”
Tô Lendodesvantagens
  • É possível que a folheada te dê a impressão de uma leitura chata, por conta dos quadrinhos pequenos e excesso de texto. Mas é você começar a ler, que você não para mais
  • Não é uma boa leitura interrompida. O final de cada livro deixa um baita gancho para o próximo. Eu tive que esperar eles serem publicados e foi desesperador! Mas você não vai precisar passar por isso, olha só que sorte!
  • É bad, né? Não importa quão fofinho seja o traço do Fabien Toulmé e a edição da Nemo, é uma barra saber que tem muita gente passsando por aquelas situações descritas no livro o tempo todo. E isso é algo que você provavelmente carregará com você depois da leitura pra sempre. Pelo menos a história do Hakim tem um final feliz (SPOILER DO BEM*)

Não posso reforçar o suficiente o quanto eu recomendo essa leitura para qualquer pessoa, seja ela fã de quadrinhos ou não. Então se você já leu, eu vou querer muito saber a sua opinião!

*Na verdade nem é spoiler porque se o livro começa com ele sendo entrevistado na França, a gente já sabe que ele chegou na França

Tô LendoAlgumas imagens!