Eles Nos Chamavam de Inimigos

Muita gente me pergunta, “acabei de ler Maus, você tem um indicação que siga a mesma linha?”. Pois a Devir lançou um título  que vai pro topo dessa lista de indicação!

Eles Nos Chamavam de Inimigos é um quadrinho biográfico do George Taeki, um dos integrantes originais da famosa série Star Trek dos anos 60. Mesmo tendo nascido nos EUA e sendo filho de japoneses naturalizados no país, Takei viveu uma experiência muito bizarra durante a sua infância, que ele decidiu compartilhar com todo mundo através da arte sequencial. Depois do bombardeio dos japoneses a Pearl Harbor, o presidente americano na época fez uma declaração em rede nacional de que todos os japoneses, sem exceção, deveriam ser considerados inimigos do país e espiões em potencial. A partir daí, a hostilidade contra a população nipônica já estabelecida nas cidades começou a escalar até o ponto de serem todos mandados para campos de concentração dentro da própria “terra de liberdade”. Confesso que eu não tinha nenhum conhecimento desse aspecto sombrio da história estadunidense e fiquei chocado com cada virada de página.

Mesmo para o absurdo da citação, a narração de Takei é calma e quase didática. Você parece ficar mais desesperado do que os próprios personagens. Não sei qual foi o intuito dos autores (ele tem aqui auxílio de uma brilhante desenhista), se foi proposital ou não, mas ajudou muito a absorver a dimensão do acontecido e ter uma leitura agradável, apesar da desagradabilidade do tema. Aliás, cabe aqui também os parabéns à artista, que faz tudo em um estilo que remete aos mangás mais clássicos, mas mantendo a leitura ocidental e fazendo deste um excelente convite para quem nunca leu um mangá na vida. Mesmo com traços pouco detalhados, as caracterizações, expressões e a diferenciação dos personagens é incrível, te deixando com a sensação de conhecer pessoalmente aqueles indivíduos com quem você conviveu tantos anos durante a leitura.

Eu fiquei realmente maravilhado. Não só tive uma leitura incrível, como aprendi muita coisa! Vamos ver se eu consigo te convencer através das vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil, pela Devir. Não há nada mais fácil de achar do que a Devir. Eles têm site, instagram, estão presentes em tudo quanto é livraria… Quem quer, encontra!
  • Volume único.
  • Leitura extremamente fluída
  • Leveza para tratar de um assunto pesado. Coloco isso na coluna das vantagens porque nem sempre eu sobrevivo às leituras mais pesadas. Sou mais dado ao escapismo.
  • Arte muito bonitinha.
  • História interessantíssima!
Tô Lendodesvantagens
  • Preto e branco. Não chega a ser uma desvantagem, porque não atrapalha em nada na arte e na sua apreciação, mas, sei lá, sempre acho bom avisar.
  • O assunto, obviamente, é triste. Te deixa um tempo olhando para a parede, pensando na situação daquelas pessoas e como seria se fosse comigo. Mas acho que isso é bom também. Só que é estranho colocar uma coisa dessas na coluna de “vantagens”, né?
  • Não consigo pensar em mais nada, mas achei duas desvantagens pouco.

E aí? Já leu? Não leu? Conversa comigo!

Tô LendoAlgumas imagens!
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