Jessica Jones

Não sei nem por onde começar! Todo mundo a essa altura já sabe que eu sou muito fã do Brian Michale Bendis, certo? Aliás, ALIAS (não aliás) talvez tenha sido uma das primeiras revistas a me fazer perceber isso. E a volta e a despedida dos autores ao título que os consagraram merecem a atenção de todos!

Comecemos do princípio: Jéssica Jones surgiu aqui no Brasil dentro da revista de linha MARVEL MAX (uma revista com um mix excelente, com 80 edições, reunindo tudo de “mais adulto” que a Marvel tinha para oferecer na época). A ideia era original era usar a Jéssica Drew (Mulher Aranha), mas a empresa não deixou e assim, Bendis – esse gênio sem esforço – criou a Jéssica Jones, junto com o desenhista Michael Gaydos.

Jéssica era uma detetive particular que acabava se envolvendo em casos super humanos da periferia da Marvel. Todas as histórias eram muito, muito boas. Bendis vinha do quadrinho mais alternativex autoral policial e misturar isso com o universo mainstream da Casa de Ideias era muito divertido. A arte do Michael Gaydos também fugia do lugar comum supereroesco e a protagonista, ao invés de parecer uma atriz soft porn como parte dos desenhistas fazem, tinha traços menos idealizados. Acho até que ele se inspirou na Janis Joplin na caracterização.

A revista acabou e o Bendis logo tratou de inserir ela nos títulos que ele estava escrevendo. Assim, Jéssica passou a co-existir no universo “oficial” da Marvel. Um problema nisso era que ela era retratada pelos desenhistas do título por onde ela estava passando e, adivinha só? Ela logo virou gostosona como todas as outras mulheres desenhadas na revista. Por mais que ela mantivesse sua essência desbocada, isso dava uma descaracterizada conceitual na detetive que conheci em Marvel Max. Bem, pelo menos ela tava lá!

Com o sucesso da série da Netflix (que na época foi um sucesso mesmo), o seu título foi relançado. O primeiro volume teve uma história meio “ok”, interligada (mas pouco) à Guerra Civil II onde, mais uma vez, Jéssica era desenhada como uma modelo dos anos 90. Agora, os últimos dois volumes…. É sobre eles que nós viemos falar aqui! (Desculpe a demora)

Os últimos dois volumes contaram com uma volta sensacional à essência da personagem. Gaydos voltou a desenhar e Bendis arregaçou as mangas para fazer um belíssimo arco de encerramento, resolvendo de uma vez por todas as questões de Jéssica com seu arqui-inimigo, um homem roxo capaz de controlar a mente das pessoas. Aproveitando para traçar um paralelo com a toxicidade e impunidade de diversos comportamentos masculinos em posição de poder, Bendis consegue fazer uma trama realmente emocionante, que divrte e assusta, funcionando dentro e fora do universo da heroína. Gaydos também não marca bobeira e vem com várias soluções visuais muito criativas para a história. Acho que, mesmo sendo o arco final, essa pode servir de porta de entrada para muita gente no mundo de Jéssica Jones.

Nos extras, temos além das capas alternativas e oficiais das edições americanas, um belíssimo texto de despedida do autor, falando sobre toda a trajetória de Jéssica e um pouco da sua saída da Marvel e ida pra DC.

Sei que aqui eu costumo falar de coisas mais obscuras, mas olha…. essa vale a pena! Em minha defesa, mesmo sendo um título da Marvel publicado pela Panini, eu não vi muia gente falando sobre. E convenhamos, a JJ merece!

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Êêê!
  • Pela Panini! Êêê! (Isso significa tiragens razoavelmente altas e oportunidade de eventualmente encontrar numa promoção ou em algum sebo da vida! Êêê de novo!)
  • Capa cartonada!!!!! Mais barato e leve para levar aonde você quiser!
  • Uma boa porta de entrada para o universo dos super heróis! Principalmente para mulheres, pelo protagonismo feminino e as fortes questões levantadas.
  • O jeito que o Bendis escreve os diálogos, pra mim, é primoroso. Parece que você consegue ouvir as pessoas conversando na sua frente, é muito orgânico!
  • Só três volumes, sendo que o primeiro pode ser desconsiderado, então são só dois!
  • Volta do desenhista original à personagem! É um verdadeiro respiro ver alguém com roupas e cara de pessoa “normal” no universo super heróico!
Tô Lendodesvantagens
  • O primeiro volume é mais fraquinho. Pode ser desconsiderado, mas ele é comentado no segundo volume. Então, se você tiver TOC, que nem eu, vai ter que ler mesmo sabendo que é mais fraco. Mas não pode desistir! Tem que chegar na parte boa, delicinha!
  • Apesar de eu ter falado da protagonista feminina forte e as importantes questões levantadas, a revista é escrita por um homem. E quem elogiou fui eu, outro – até onde eu sei – homem. Então não sei quão válida é a minha crítica nesse sentido. Adoraria contar com a opinião das leitoras da Caverna aqui para dizerem se acharam um bom trabalho ou um desserviço completo. A presença feminina aqui nos comentários aliás tem minguado muito… Estarei fazendo algo errado??

É isso! Espero muito encontrar outras pessoas que tenham lido esses volumes para conversar comigo. Terminei com aquela vontade de cutucar a pessoa do lado e falar “que doideira, né? Você viu isso??” Mas não tinha ninguém… 🙁

Tô LendoAlgumas imagens!
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