CDC #114 - A História de Joe Shuster

A Editora Aleph é a responsável pelos títulos literários de Star Wars no Brasil. É, por isso também, responsável pelo meu enorme desconforto toda vez que passo numa livraria, pois eu tenho vontade de ler todos eles (e Jurassic Park e os Asimov e os Philip K. Dick), mas não consigo arranjar tempo nenhum para fazê-lo (eu sou um leitor muuuuito mais lerdo do que eu gostaria). Por isso você não pode imaginar a minha felicidade quando descobri que eles também estavam lançando quadrinhos!

E começaram muito bem, com o começo de tudo, lançando a biografia de Joe Shuster, criador do Superman. Eu, como voraz consumidor de histórias em quadrinhos e histórias sobre histórias em quadrinhos, achei que já conheceria os babados presentes no livro. Me surpreendi.

O texto do Julian Vovoj é bem direto e às vezes quase institucional, mas é instigante e muito eficaz. Os relatos te prendem do início ao fim. Não espere aqui uma trama, no sentido de drama, reviravoltas, antagonistas, etc. São apenas os fatos, apresentados de uma maneira extremamente agradável, apesar de muitas vezes serem bem desagradáveis as coisas que acontecem com os autores.

Eu já sabia de todo o embroglio com a Warner sobre os direitos autorais (os autores só receberam o devido reconhecimento por sua criação – financeiro inclusive – muito tarde em vida, quando já estavam bem mal de saúde) e isso eu acho que todo nerd de calibre também sabe. O que me surpreendeu foi poder acompanhar “de perto” a importância que o Superman teve para a indústria como um todo, sendo basilar para o surgimento de vários outros personagens e do próprio formato de gibi como conhecemos hoje.

Esse mergulho na época é feito magistralmente com a arte de Thomas Campi, toda pintada, que começa o relato no “presente” de 1970 e volta ao passado com pinceladas sem o nanquim marcando a arte final, gerando um leve efeito desfocado, super a ver com a ideia de lembranças antigas. As páginas dão gosto de admirar e muitas delas dão vontade de emoldurar e pendurar na sala.

Ao final, temos dezenas de páginas de extras, embasando algumas das passagens da obra e também trazendo um material adicional, com muitas curiosidades que não chegaram a entrar na história. Só senti falta de algumas fotos dos personagens principais que carregam a trama. Porém nada que prejudique a leitura. Bem, já que eu entrei nessa, vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! (Óbvio, comecei falando disso, né? Mas ainda assim, fico feliz. Volta e meia sou xingado por falar de quadrinhos gringos inacessíveis, NOT TODAY SATAN)
  • Lindamente colorido
  • Formato livro fofinho. Aliás o acabamento gráfico é bem bacanudo, o material das páginas é de primeira linha, não parece que vai amarelar tão cedo.
  • História muito, muito, muito interessante. Acho que eu não me aprofundei muito aqui, mas vai por mim, vai gerar munição pra vários papos nos bares da vida.
  • Arte fenomental
  • Extras caprichados
  • Ótimo pra não leitores de quadrinhos também (acredito eu)
Tô Lendodesvantagens
  • O formato livro pode dar uma impressão de não se tratar de uma história em quadrinhos, então pode passar despercebido pelo turista de livraria
  • A arte ficaria ainda mais bonita num formato maior, eu acho
  • Às vezes o texto pode ficar detalhista demais, apresentando muitos nomes num mesmo recordatório, o que pode gerar um cansaçozinho na leitura, MAS É MUITO DE VEZ EM QUANDO, JURO
  • Como é mais calcado nos autores do que no personagem do Superman, não espere aqui trívias sobre os vários tipos de Kriptonita, as capas de revistas mais inusitadas, etc. O intuito da obra é nos dar um insight sobre os bastidores do mundo corporativo e o universo dos direitos autorais. O foco é esse. (Isso é mais um alerta do que uma desvantagem)
  • A história, apesar de contada de uma maneira leve, é bem tristinha. Te deixa com uma certa mágoa desse mundo injusto que a gente vive. Mas num bom sentido.

Essa é uma daquelas que vale ter na mesinha de centro na sala e volta e meia ler novamente. Então por isso eu não cheguei a comentar de preço, porque eu acredito valer o investimento. Assim como eu espero valer o investimento escrever essa coluna ganhando o feedback de você que leu: o que achou? Já conhecia? Gerou curiosidade? Conversa comigo, não me deixa aqui sozinho. Para o alto e avante!

Tô LendoAlgumas imagens!