SUPER GIRO #66

Sentido Aranha
Essa semana foi de lançamento de filme nerd. Não só isso. Foi semana de lançamento de filme nerd da Marvel Cinematic Universe, o já famoso MCU. Não só isso. Foi semana de lançamento de filme nerd da MCU com o herói mais nerd da história. Sim, estamos falando de Homem-Aranha: Longe de Casa! E não sei por que estou falando assim, como se fosse uma revelação, quando você sabe que o texto só podia ser sobre isso, por já ter visto a foto e o título.

A coluna não virá com spoilers claros, e nem será uma daquelas críticas que esmiúçam o filme e ainda explicam a história. Vai ter um pouco de opinião, sim. E a opinião é que o filme é excelente. Empolgante, divertido, redondinho e com direito a cena pós-créditos que mexe com a vida do Aranha, aproximando ainda mais essa nova versão cinematográfica, com o ótimo Tom Holland, daquela sofredora dos quadrinhos. Beleza. Filme imperdível não só para os fãs do herói quanto para fãs de filmes pop.

Mas o ponto que quero abordar nesta coluna é outro, que vai além de opiniões em si. É sobre como os leitores de quadrinhos estão começando a se dar mal em relação ao público leigo quando vão ver um filme do MCU. Aconteceu primeiro com Capitã Marvel. Aconteceu de novo agora com o segundo filme do Homem-Aranha. Estou falando sobre conhecimento estragando surpresas do roteiro.


No filme da Capitã, a história ficou mais saborosa para quem não conhecia a personagem dos gibis. A proposta do roteiro era mostrar ao público uma guerreira alienígena chamada Vers que, lá para o meio da trama, descobre que na verdade ela veio da Terra, e se chamava Carol DenVERS. Quem fez essa descoberta junto com a personagem teve mais recompensa do que quem já sabia da sua origem. Na verdade, no grupo dos que já sabiam da trama, estão não só os leitores de gibi, mas também quem viu o trailer, que dava já várias cenas sobre a vida dela no nosso planetinha azul. Mas agora no filme do Aranha foi diferente.

Eu me comprometi a não dar spoilers claros neste texto. Não vou falar sobre o que acontece no filme. Mas quem conhece os personagens apresentados nos materiais de divulgação pode desconfiar da trama mostrada no trailer e nas sinopses. Se você não conhece os personagens, nunca leu gibi do Aranha, não procure saber nada mais. Senão, vai antecipar um ponto da história que muito fã do gibi já imaginou que ia rolar antes de botar os pés no cinema. É claro que mesmo esse leitor ainda vai se divertir pra caramba e vai até mesmo ter muitas surpresas na história. Ainda mais na primeira cena pós-créditos, uma das melhores que já vi no MCU, que leva o filme para outro nível, não só mudando a vida do personagem, mas dando mais uma camada de crítica à realidade que vivemos.

Sim, claro, adorei o filme, fiquei felizão e tal. Mas sei que seria muito mais legal se eu me surpreendesse com o plot twist, que é tão bom que foi evitado no trailer. Da mesma forma que não me surpreendi com outro filme do Aranha, fora do MCU, que mostra Gwen Stacy morrendo. Poxa, eu já conhecia o destino de Gwen nos gibis, e ainda vestiram Emma Stone para essa cena com roupas parecidas com as que a personagem trajava na situação original. Perdi parte do impacto, claro. Tudo bem. Faz parte. Mas temo que faça cada vez mais parte, com os produtores tentando surpresas que só funcionam para leigos. É quase um fan-service às avessas. OK, não se pode ganhar todas. Que o diga Peter Parker.

Ulisses Mattos

Por: Ulisses Mattos

Ulisses Mattos é roteirista de humor na TV, um dos criadores do Alta Cúpula, do @na_Kombi e da websérie Épica das Galáxias. É membro do trio nerd Três Elementos e faz stand-up comedy. Escreveu sobre cinema no Jornal do Brasil e nos sites da Veja e Abacaxi Voador

2019-07-06T12:55:56+00:00 5 de julho de 2019|0 Comentários