SUPER GIRO #65

De Volta às Cinzas
Filme baseado em quadrinhos estreando. Logo, X-Men: Fênix Negra é o acontecimento mais importante da semana no mundo nerd. E é claro que a coluna já foi conferir. Ainda mais em se tratando de um filme da Marvel. Perdão, um filme da “Marvel”. Pois é, está cada vez mais difícil considerar filmes que não fazem parte do MCU como sendo da Marvel. Cheguei a fazer careta quando vi a abertura de Fênix Negra usando as páginas de quadrinhos sendo folheadas, como se não fosse certo aquilo. E por que o sentimento estranho? Porque, ao contrário da Disney, quase sempre a Fox não agrada tanto quando leva personagens da Marvel para o cinema, tirando é claro os dois longas de Deadpool e o excelente Logan, que são não só pontos fora da curva, mas até pontos fora da própria timeline mutante foxiana.

Na verdade, nem dá mais para falar sobre timeline mutante na Fox. A cronologia dos mutantes na produtora sempre foi estranha, cheia de emendas. Sempre achei meio perigoso jogar o ótimo First Class no mesmo universo da trilogia original. Isso criou algumas inconsistências menores, como termos uma Emma Frost adulta nos anos 60 e outra jovenzinha naquele filme tosco e fraco com a origem de Wolverine. Claro que depois os executivos vieram dizer que não são a mesma personagem. Tá bom, a gente engole. The show must go on.

O fato é que a timeline dos mutantes na Fox foi rebootada quando o Wolverine do futuro voltou a 1973, em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, para mudar a história do mundo. Com isso, tudo que rolou na trilogia inicial foi apagado. Tanto que, depois daquele filme, Noturno entrou em contato com os X-Men na década de 80, como mostrado em X-Men: Apocalipse, e não mais nos anos 2000, como vimos em X-Men 2. Isso permite que personagens deste X-Men: Fênix Negra possam morrer já nos anos 90, que é quando se passa este filme. Esse era o único ponto de expectativa para mim quando fui ver o filme, até para alimentar uma possível conexão futura com o MCU.

Será que o destino de Jean Grey seria o mesmo das histórias em quadrinhos? Será que a Fox aproveitaria o poder da Fênix para acabar com o universo onde vivem esses personagens, já que vão devolver os personagens para a Marvel, agora que foi comprada pela Disney? Já imaginaram a Fênix destruindo tudo e uma mensagem final aparecendo na tela com os dizeres “Os mutantes voltarão… em um novo universo”. Improvável, mas pelo menos era um motivo para ir ver o filme. E, infelizmente, um motivo para eu aguentar na cadeira até o fim.

Pois é. X-Men: Fênix Negra é um desses filmes que a gente mais aguenta do que aproveita. É chato e com diálogos cheios de clichês. A história é pobre também. Se a primeira saga da Fênix Negra nos quadrinhos mostrava um poderoso império alienígena, o Shiar, capturando Jean Grey e seus amigos, devido ao perigo que Fênix representa para o universo, nesta adaptação temos como segunda trama apenas uns ETs genéricos e mal apresentados fazendo o que quase todos os ETs genéricos de cinema desejam: destruir ou dominar a Terra. O tempo todo sentimos que sabemos como será o fim da história.

O filme só não é um fracasso total por contar com personagens que já são velhos conhecidos do público. Mesmo que eles estejam mais uma vez reclamando por não serem totalmente compreendidos pelos humanos e temendo serem atacados por aqueles que juraram defender. E para aliviar, temos também boas cenas de ação. Sempre é legal ver Magneto demonstrando seu poder. Ainda mais sendo o Magneto de Michael Metalbender. Ops, quis dizer Michael Fassbender. Sim, foi um trocadilho. Acontece.

Bom, aconteceu o que eu já previa no vídeo da semana dos Três Elementos. Caso não tenha visto, taí:

Então a dica da coluna é ver para cumprir tabela, para completar o álbum, para gritar bingo. Mas se tiver outras prioridade na vida, ou mesmo na sua já tão atribulada agenda nerd, deixe para ver X-Men: Fênix Negra quando lançado em DVD e Blu-Ray, ou quando for parar em alguma plataforma de streaming. Ou mesmo quando for pra TV por assinatura. Mas deixar pra ver na TV aberta também já é implicância demais. Os X-Men merecem mais. E espero que a Disney saiba tratá-los melhor que a Fox.

Ulisses Mattos

Por: Ulisses Mattos

Ulisses Mattos é roteirista de humor na TV, um dos criadores do Alta Cúpula, do @na_Kombi e da websérie Épica das Galáxias. É membro do trio nerd Três Elementos e faz stand-up comedy. Escreveu sobre cinema no Jornal do Brasil e nos sites da Veja e Abacaxi Voador

2019-06-07T16:43:10+00:00 7 de junho de 2019|1 Comentário