SUPER GIRO #45

Envenenando Universos?

Depois da Comic Con San Diego, o mundo nerd deu uma sossegada. Não tivemos grandes novidades esta semana. O grande destaque acabou sendo mesmo o lançamento de mais um trailer de Venon, que revela mais da trama e até mostra melhor o vilão que vai combater o “herói”: Riot.

O filme, como se sabe, não faz parte do acordo da Marvel Studios com a Sony, que detém os direitos do “universo Aranha” no cinema. Ou seja, não veremos personagens do MCU dando as caras ao lado de Venom. Em todo caso, ainda se fala que o Peter Parker de Tom Holand pode aparecer. Se isso acontecer, vai ser bem estranho. Ora, se o jovem Homem-Aranha é amigo do Tony Stark, e se Parker respira o mesmo ar que a galera que tá envolvida com os simbiontes, logo Venom está no mesmo universo de Os Vingadores. Assim, não faz o menor sentido que os personagens desse filme não mencionem nenhuma vez os superseres do MCU diante de uma criatura como Venom.

Mas a tentação da Sony deve ser grande. Eles têm todo o direito, legalmente falando, de meter o Homem-Aranha e o Venom num mesmo filme. Mas se fizer isso sem ligações com o universo da Marvel nos cinemas é meio que uma trapaça. Quase um jeito de “contaminar” o MCU, que, por sua vez, já tem dificuldades de reconhecer outros corpos estranhos em seu corpo. Sim, me refiro às séries de TV que falam claramente sobre os super-heróis do cinema, mas sem nunca serem nem mencionados na tela grande. Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro poderiam ser pelo menos citados no meio de uma fala do Doutor Estranho. Ou um personagem secundário de uma dessas séries da Netflix poderia ser mostrado desaparecendo no fim de Guerra Infinita (quem dera fosse a mala da Trish Walker, amiga da JJ). Até a turma de Agentes da Shield, que já foi visitada por Nick Fury e Lady Sif, é solenemente ignorada até pelo Máquina de Combate.

Algo semelhante rola atualmente na Fox, que é outra “ilha de realidade” de personagens da Marvel. Nos cinemas, X-Men e Deadpool dialogam. Mas na TV, as séries com outros heróis mutantes citam os superseres do cinema sem nunca ganharem retribuição. Em The Gifted, boa série sobre mutantes do segundo (ou terceiro) escalão da Marvel, os personagens falam de boa sobre a existência dos X-Men. Se bem que isso é um pouco confuso, pois temos ali a presença de Blink, que também está nos cinemas em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que se passa no futuro. Pois é.

Até na sensacionalmente incrível e imperdível Legion, esse universo compartilhado é meio esquisito. Nos quadrinhos, David Haller é filho do Professor Xavier, fundador dos X-Men. Na sensacionalmente incrível e imperdível série, David também é filho de um telepata poderoso, que até aparece como sendo careca em um desenho que fazem em um dos episódios. Mas em momento nenhum chamam o genitor do conturbado rapaz de Charles, ou Xavier, ou Professor X. Nem falam dos X-Men. E aí, do nada, um personagem cita a raça Shiar e sai correndo sem entrar em detalhes. Cacete. Então é o mesmo universo! Então explica aí onde estão os mutantes uniformizados! Fala do Deadpool! Mostra um pedacinho de Adamantium! Então põe os heróis do cinema fazendo pelo menos uma citação a essa sensacionalmente incrível e imperdível série!

Mas a gente já até perdoa, porque aparentemente, o maior poder dos mutantes da Fox é ignorar a coerência de seu próprio universo. Deixa pra lá. Mas por favor, Sony. Não faça o MCU virar essa bagunça. Ei, Marvel Studios. Dá o toque lá na Sony dizendo para não se meterem nessa. Argumentem, conversem… Façam ameaças! Aliás, tenho até uma dica de ameaça supermaneira: “se vocês usarem o Peter Parker nesses filminhos de vocês, a gente faz todo mundo voltar vivo na segunda parte de Guerra Infinita, menos o Homem-Aranha. Aí o Tony fica triste e cria um clone do Peter. Na cabeça do público, é esse clone que vocês estarão usando nos seus filmes. E vocês sabem o que os fãs acham da saga do clone do Aranha, né? Ah, não sabem? Tá certo. Vocês são a Sony, não a Marvel. Aguardem então… (risada maquiavélica)”.

Ulisses Mattos

Por: Ulisses Mattos

Ulisses Mattos é roteirista de humor na TV, um dos criadores do Alta Cúpula, do @na_Kombi e da websérie Épica das Galáxias. É membro do trio nerd Três Elementos e faz stand-up comedy. Escreveu sobre cinema no Jornal do Brasil e nos sites da Veja e Abacaxi Voador

2018-08-04T13:09:52+00:00 4 de agosto de 2018|6 Comentários
  • Paulo Cesar Amorin

    Concordo com você, também acho a Trish Walker uma mala.

  • Ricardo Varotto

    Cara… Não costumo ser mega-chato com essas coisas, mas esse filme do Venom tem tantos “senões” que fica difícil ser otimista. Além do que você citou, acho bem caída essa coisa do super vilão que vai virar protagonista, então tem meio de ser herói, anti-herói, ou o que quer que seja. Não sou fanboy que acha que não pode mudar nem o corte de cabelo que o cara tinha nos quadrinhos, mas fazer mudanças tão agressivas em características tão básicas acaba transformando em outro personagem. E apesar de entender que é perigoso comentar vendo cenas isoladas e fora de contexto, não posso deixar de comentar: que ceninha mais merda essa do fechamento do trailer, hein? O que foi esse “we are Venom” mostrando a cara do Brock…

    • Eu não levo muita fé, não. Acho bem arriscado desvincular Venom do Homem-Aranha. Ele é um vilão interessantíssimo. Como protagonista, tenho minhas dúvidas. Mas pra galera que não lê gibi, pode ser interessante topar com essa coisa de simbionte. Então pode acabar sendo um filme bem recebido nas bilheterias, com várias sequências. Esse finalzinho foi meio estranho mesmo. Sou mais “We are Groot”.

      • Ricardo Varotto

        Esse final me cheirou a “Tadinho do público, vai ficar sem entender nada. Vamos criar uma cena para explicar o porquê do ‘we’ nas falas dele” (tratando o público como chimpanzés lobotomizados mode: ON).

  • Cara, ainda acho que o filme do Venom vai ser uma trolha bem grande, mas putz. Deu arrepiozinho ouvir ele falando “eyes, lungs, pancreas, so many snacks, so little time”… ah, se deu.

    Só faltava ter o Aranha no filme!