SUPER GIRO #28

Papelão

Essa semana, a atriz Juliana Harkavy, que vive a Canário Negro na pequena série Arrow, declarou que o fato de interpretar há tanto tempo uma personagem da DC não a impede de pensar em assumir o papel de uma heroína da Marvel. Isso porque ela adora Wolverine e os X-Men, e acha que seria ótimo se tornar a X-23 no cinema. Vai sonhando, Juliana.

E espero que esse sonho nunca se concretize. Calma, galera. Não sou um cara do mal desejando que alguém nunca seja feliz profissionalmente. Falo por pura implicância com essa coisa de ator viver um herói e depois pular pra outro personagem no mesmo estilo. Eu comecei estranhando muito esses cenários, mas fui me acostumando. Mas recentemente esse quase TOC voltou.

Tudo começou, acho, lá em 2004, quando Halle Berry aceitou fazer a Mulher-Gato nos cinemas. Poxa, ela era a nossa Tempestade dos X-Men! Por que foi se meter com outra personagem de HQ de superseres? Mas relaxei. Afinal, uma era Marvel; a outra, DC. Além disso, uma era heroína; a outra, meio vilãzinha. Para minha satisfação, o filme da Mulher-Gato foi extremamente azarado e não conseguiu cair de pé. Mandei um “bem-feito” mental e um “que isso não se repita, malditos” e segui em paz.

Mas aí tive que me irritar de novo em 2011, pela ocasião da escalação de Chris Evans para o papel de Steve Rogers em Capitão América: O Primeiro Vingador. Fiquei meio aborrecido pelo fato de ele ter feito já o Tocha Humana em Quarteto Fantástico. Mas esfriei a cabeça e não saí por aí arremessando reclamações sobre essa besteirinha. Afinal, aquela franquia do Quarteto já tinha se perdido na Zona Negativa.

Depois, ainda vi Ryan Reynolds pegando o Deadpool depois do Lanterna Verde, e assisti ao Ben Affleck saindo do herói cego para viver o homem que homenageia um animal quase cego. Mas, de novo, como os filmes anteriores não eram de heróis da mesma editora e também foram fracassos, me segurei.

(Você deve estar gritando aí que antes do Lanterna, Reynolds fez um Deadpool. Mas aquele de X-Men Origens: Wolverine pra mim nem era o Deadpool. Aliás, acho que esse filme nem existiu)

Em outras vezes, nem liguei mesmo para esses atores pulando de um lado pro outro. Como quando Nicolas Cage decidiu ser o Motoqueiro Fantasma e o Big Daddy. Talvez porque eu não lia Kick Ass e não ligava para o personagem. O mesmo rolou quando o próprio Kick Ass virou o Mercúrio em Vingadores 2, no corpo crescido de Aaron Taylor-Johson. Também fiquei de boa quando Michael Keaton, o primeiro Batman que vi nas telas, virou o Abutre de Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Já tinha passado muito tempo e, além do mais, um era DC e o outro Marvel.

E eu até ri tranquilo dessa piadinha aí quando o Michael B. Jordan foi fazer o Killmonger depois de ter sido um Tocha Humana superapagado:

Achei que eu estava realmente bem maduro. Mas não. Sou bobo. Tudo ficou mais complicado agora. Tá difícil não reclamar. Então… vou confessar que muito muito muito me incomoda o Josh Brolin interpretar o Thanos E o Cable! Caraca! Os dois são Marvel! Cacete! Os dois filmes estão rolando na mesma época! Tá, eu sei que um é da Marvel Studios e o outro é da Fox. Mas pô, tem tanto ator bom por aí! Pra que isso, gente? A Marvel não podia ter feito uma cláusula de exclusividade no contrato do Brolin? Pô, Brolin! Eu sei que você lê essa coluna aqui. Então, cara, pra que isso? Tô aqui pra falar que você não foi legal. Você quis mais que seis joias do infinito. Você quis mais que ser paquerado pelo Deadpool. Você foi mais que ambicioso.

“Shhhhhh” é o cacete, Brolin! Não faz “shhhhhhh” pra mim. Não me interessa se você é o Thanos E o Cable. Eu não me intimido. E exijo que peça desculpas aqui nos comentários.

Passar bem.

Ulisses Mattos

Por: Ulisses Mattos

Ulisses Mattos é roteirista de humor na TV, um dos criadores do Alta Cúpula, do @na_Kombi e da websérie Épica das Galáxias. É membro do trio nerd Três Elementos e faz stand-up comedy. Escreveu sobre cinema no Jornal do Brasil e nos sites da Veja e Abacaxi Voador

2018-04-09T12:06:55+00:00 6 de abril de 2018|10 Comentários