Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora

Com a morte de Cavalo Manco, guia e mentor de Mágico Vento, eventos trágicos  e sobrenaturais começam a acontecer. Será que o xamã estará preparado para o que vai encontrar? Uma história em dois volumes!

Uma história em duas partes

Aos que acompanham minhas leituras de Mágico Vento, os números 6 e 7 fecham uma única história em duas partes com o encontro com o Deus Serpente Uncegila. Intituladas Faca Comprida e O Filho da Serpente respectivamente, elas trazem uma mistura religiosa interessante dentro do Velho Oeste.

Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora

Magico Vento 6

Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora

Magico Vento 7

O enredo de Manfredi se une à arte cheia de expressão de Barbati e Ramella. A tradução é de Júlio Schneider e ambas são publicadas pela Mythos Editora

A vingança imortalizada

Tudo começou com a morte de Cavalo Manco, guia, mentor e podemos dizer a figura paterna de Mágico Vento. Mas sua decapitação é seguida de horripilantes eventos. Um dos mais estranhos é que sua cabeça sumiu, por isso, seu espírito não está em paz. 

Apesar do estranho estopim, Mágico Vento e Poe estavam na cidade fantasma de Blizzard (que aparece com mais propriedade no encadernado Mágico Vento Deluxe n°8 – Blizzard!). Eles acabam levados pelo estranho índio Mata-a-si-próprio e descobrem o terrível acontecimento com Cavalo Manco

Acometido por uma visão, Mágico Vento busca aconselhamento enquanto Poe faz investigações mais palpáveis. Ambos acabam por encontrar pistas que os levam à uma triste história de campos de concentração da Guerra de Secessão e uma velha vingança. Você não leu errado não! Existiram campos de concentração tão malditos e inumanos durante esta época da história americana. 

Um caldeirão de culturas e vidas 

Entretanto, quando você acha que a história não poderia ganhar nuances mais estranhas, seu enredo escala o bizarro e vai além. Percebemos como o Velho Oeste foi palco não apenas de dor e violência, mas também de uma mistura étnica, religiosa e cultural que vai além da dualidade pele branca e pele vermelha. 

O mundo espiritual e místico de Mágico Vento se depara com outras realidades religiosas, engrossando o caldo. O mais legal é ver isso ocorrer com muita naturalidade, dando a entender que na visão indígena estas outras religiões e espíritos existem sim e não devem ser ignorados, mas sim respeitados. 

O quadrinho de forma alguma é panfletário, pois tudo é posto da melhor forma possível. Paralelos são feitos entre as visões das divindades e quem ganha é o leitor, com uma história cheia de segredos. Realmente não poderia ser contada inteira em um único volume. 

No grande plano, as maquinações se perpetuam. Poe e Mágico Vento ainda lutam para provar os absurdos perpetrados por homens como Howard Hogan e Eddy Fender, senhores ricos e poderosos que mantém todos sobre seu julgo. Hogan é o grande vilão desde o primeiro volume, se mantendo neste plot maior que vai sendo explicado a cada número de Mágico Vento

Considerações finais 

Em suma, dois números incríveis que deixaram os apaixonados por um excelente weird western mais do que agraciados. A mistura social é um fator que adensa a narrativa, saindo da dualidade entre índios e colonos. 

O personagem e sua história me cativaram demais, sendo hoje uma das melhores leituras que faço continuamente. A história principal está longe de acabar e mesmo sabendo disso, quero que venham mais volumes. 

Me conta o que achou nos comentários. Se você não leu ainda Mágico Vento, deixo minha indicação mais forte para que o faça o quanto antes! 

Tô LendoAlgumas imagens!
Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora
Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora
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Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora
Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora
Magico Vento 6 e 7 - Mythos Editora

Esta história eu curti muito! Uma das melhores do personagem, sem sombra de dúvida. Você já leu? Me conta aí nos comentários…

Daniel Braga

Por: Daniel Braga

Pai de uma mulher, nerd, analista de sistemas especializado em infraestrutura, poeta, board game designer e sommelier de cervejas. Adora jogar board games e ouvir jazz anos 30/40, Dead Can Dance e rock and roll. Curte muito o gênero de horror e tudo relacionado, principalmente as boas leituras como Lovecraft, Blackwood, Machen e muitos outros.