SEXTA-FEIRA 13 #13 – Tokyo Ghost

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Tokyo Ghost - Rick Remender - Sean Murphy - Darkside - Caverna do Caruso - Sexta Feira 13

Qual o destino da humanidade quando a própria conexão é a droga do momento, lícita e incentivada? Venha conhecer o mundo distópico de Tokyo Ghost e se assustar com sua atualidade, mesmo se passando em 2089.

Para comemorar nosso décimo terceiro artigo (cabalístico por sinal) não poderia trazer qualquer coisa, logo, vamos falar de uma distopia.

Distopias sempre me causam sentimentos conflitantes. Ao mesmo tempo que adoro suas narrativas elas acabam sempre me fazendo refletir demais, por dias a fio. Gosto de compará-las a um pimentão, comida que adoro, mas que me dá muita enxaqueca. Mesmo sabendo de suas consequências não deixo de degustar, apenas dando um intervalo de tempo maior entre cada refeição. Com as distopias faço o mesmo.

Sem saber que Tokyo Ghost era uma distopia, recebi o quadrinho da DarkSide e tenho de confessar, não levei fé na leitura. Acreditei que seria apenas mais uma viagem muito doida e entendiante. Para minha completa surpresa o que começou exatamente como imaginei, logo se torna uma reflexão enorme, grandiosa e terrível dos caminhos de nossa sociedade.

Tokyo Ghost - Rick Remender - Sean Murphy - Darkside - Caverna do Caruso - Sexta Feira 13

Tokyo Ghost – Rick Remender – Sean Murphy – Darkside

Numa época onde assuntos como ecologia, mudanças climáticas, escassez de recursos, poluição, explosão populacional, divisão de renda e tantos outros tópicos ganham o noticiário diário e nossas timelines de redes sociais, temos tudo ali em Tokyo Ghost, ampliados em níveis absurdos, servindo de pano de fundo para outras discussões muito importantes como o próprio exagero e o consumo desenfreado de tudo!

Nesse quadrinho distópico, que se passa em 2089, tudo que poderia dar errado já deu. Os oceanos tomaram tudo – tanto que a história se passa nas Ilhas de Los Angeles – e eles são tão poluídos que dissolvem a pele. O simples ato de estar conectado é viciante criando assim os tecnoiados. A conexão sem limites é a nova droga, entorpecendo a humanidade, cegando todos dos reais objetivos de pessoas poderosas que não querem largar suas regalias (alguém imaginou nossa própria época?).

Nesse cenário complexo está Led Dent e Debbie Decay, um casal de delegados unidos por um sentimento muito forte. Ele é o próprio braço da lei, completamente viciado na conexão. Ela é sua contraparte, limpa (zero-tec como chamam), careta e crítica, buscando a todo custo tirá-lo da vida zumbi que leva. Em meio a relação deles todas a críticas emergem trazendo camadas e mais camadas de reflexão. Juntos eles partem para uma missão de derrubar o último país que resiste a essa conexão extrema: os Jardins Verdejantes de Tóquio. Curioso da escolha de Tóquio como o último bastião ecológico? Não se esqueça que ali, práticas xintoístas e sua sabedoria milenar estão unidas ao bushido dos samurais garantindo um equilíbrio que o mundo já perdeu. Tudo isso permeia o cenário o tempo todo. Somado a tudo isso estão inúmeras referências a cultura pop que vão certamente entreter os mais atentos, servindo até como alívio reflexivo. 

Distopias sempre são terríveis para mim exatamente pela capacidade de desnudar nossos absurdos atuais enquanto nos confronta e obriga a reflexão. Talvez sejamos hoje uma realidade distópica na ótica de nossos antepassados. Quem vai realmente saber?

Qual o ponto de equilíbrio ou quebra, hoje, para impedir que futuros distópicos como Tokyo Ghost aconteçam? Até que ponto devemos chegar ou nunca alcançar? Qual é o nosso limite? Será que já iniciamos o processo para nos tornarmos aquilo?

Perguntas assim, sem respostas óbvias, que ficam fermentando em nossas mentes. Devemos sim, provocar reflexões e conversas, sempre. Temos uma obrigação como espécie de entender nosso papel passado, atual e futuro, até porque, como essa história nos mostra, o horror de nossos erros sempre irá nos aterrorizar e atormentar.

Como sempre o trabalho editorial da Darkside se estabelece como um novo padrão a ser perseguido pelo mercado. O volume é lindo e a qualidade soberba. Escrito por Rick Remender, com arte absolutamente incrível de Sean Murphy que foram coloridas por Matt Hollingsworth, Tokyo Ghost é uma história densa e que merece ser lida exatamente pela reflexão absurdamente atual que nos traz.

Não perca tempo e consiga a sua. Tempo é algo que provavelmente não temos tanto antes que estejamos em 2089.

Tô LendoAlgumas imagens!
Tokyo Ghost - Rick Remender - Sean Murphy - Darkside - Caverna do Caruso - Sexta Feira 13
Tokyo Ghost - Rick Remender - Sean Murphy - Darkside - Caverna do Caruso - Sexta Feira 13
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Tokyo Ghost - Rick Remender - Sean Murphy - Darkside - Caverna do Caruso - Sexta Feira 13
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Nos fale aí o que você sente lendo distopias? São tranquilas? São pesadas? Deixe abaixo seu comentário e vamos conversar mais sobre esse tema.

Daniel Braga

Por: Daniel Braga

Pai de uma mulher, nerd, analista de sistemas especializado em infraestrutura, poeta, board game designer e sommelier de cervejas. Adora jogar board games e ouvir jazz anos 30/40, Dead Can Dance e rock and roll. Curte muito o gênero de horror e tudo relacionado, principalmente as boas leituras como Lovecraft, Blackwood, Machen e muitos outros.

2019-10-25T13:59:05+00:00 25 de outubro de 2019|0 Comentários