SEXTA-FEIRA 13 #07 – Alena

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Até onde o bulling pode levar sua vítima realmente? Venha conosco descobrir esta resposta com Alena!

Alena nos traz uma poesia cruel. A obra de Kim W. Andersson e publicada pela AVEC Editora nos mostra a realidade dura e terrível do bullying na vida de uma menina. O enredo usa o terror para nos guiar através da solidão, culpa, fragilidade, imaturidade e inocência, criando um fardo que pode ser pesado demais de ser carregado ou mesmo encarado, não só pela protagonista, como por nós leitores.

Não é uma história fácil. Mexe com nossa empatia em todos os níveis. O autor nos coloca na realidade de Alena, uma menina sem dinheiro e confusa dentro de sua adolescência conturbada, como a de tantos de nós. Ela vai estudar em um colégio de pessoas ricas gerando um atrito social inevitável e intenso. Adicione a esse caldo o descobrimento do amor e da sexualidade e teremos uma mistura explosiva.

Difícil seguir a leitura sem que vários sentimentos conflitantes em nós mesmos não nos façam criticar a protagonista. Todos nós em algum grau já estivemos na pele de Alena. Ninguém é perfeito e ela não é diferente de ninguém apesar de todos na escola tentarem fazê-la pensar que é. O bullying é uma situação perigosa e todos temos limites. A leitura nos mostra exatamente o que acontece quando ultrapassamos esta linha.

Em meio a esta situação temos Josefin, a melhor amiga de Alena, que não quer deixar a menina sofrer e passar por tudo que tem passado. Ela luta como pode para ajudá-la mas o problema é que Josefin está morta faz um ano. A relação das duas pelo texto cria uma situação no mínimo diferente para não falar muito desconfortável.

O traço de Anderson consegue mostrar a intensidade exata da situação. É um traço forte e bem executado. Isso é fantástico realmente pois somos guiados por seus desenhos e argumentos a um final surpreendente e absolutamente terrível.

Não deixo de pensar em cordas tensionadas além do limite.
Limite.
Qual o seu limite?
Qual o limite do outro?
Por que devemos deixar estas cordas serem retesadas desta maneira?

São reflexões assim que esta história coloca em nossas mãos. Cabe a você lidar com elas da melhor forma. Como falei é uma poesia cruel mas devo completar: é também trágica. Terminei a leitura completamente sem ar e como li antes de dormir, pegar no sono não foi fácil pois a cabeça ficou a mil por hora!

Parabéns a AVEC Editora pela publicação deste quadrinho. O trabalho está lindo e de uma qualidade muito boa. A escolha não poderia ser melhor e que venham mais quadrinhos neste nível de argumento.

Alena foi premiada com o prêmio Adamson, maior premiação sueca para quadrinhos.

Espero que tenha curtido, assim como eu, descobrir um pouco mais deste quadrinho que é uma obra de arte! Faça seu comentário, dê uma curtida e vamos trocar uma ideia sobre ele! Nos vemos na próxima!

Tô LendoAlgumas imagens!
Daniel Braga

Por: Daniel Braga

Pai de uma mulher, nerd, analista de sistemas especializado em infraestrutura, poeta, board game designer e sommelier de cervejas. Adora jogar board games e ouvir jazz anos 30/40, Dead Can Dance e rock and roll. Curte muito o gênero de horror e tudo relacionado, principalmente as boas leituras como Lovecraft, Blackwood, Machen e muitos outros.

2019-08-09T10:47:58+00:00 9 de agosto de 2019|0 Comentários