Rebobinando #93 | Batman: Veneno

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Já dizia um grande clássico dos videogames no passado que “Vencedores não usam drogas”. Mas às vezes eles se deprimem mais que o habitual e vão atrás de soluções fáceis para seus problemas diários. Que o diga Tony Stark, Ricardito e até mesmo o Batman! Hoje a Rebobinando traz de volta um clássico pré Queda do Morcego! Batman: Veneno!

Capa brasileira de 1992, Capa americana da edição #16 de Legends of the Dark Knight, e a capa brasileira da nova edição da história.

Antes de mais nada, essa é uma daquelas “falsas Rebobinandos”, porque esta não foi uma história que eu li naquela época, mas bem mais recentemente, na verdade. Mas pode ser que você tenha lido em 1992 e, puxa, acho que ainda assim vale a pena falar dela aqui. Meu primeiro contato com a droga Veneno no Batverso foi justamente durante A Queda do Morcego, saga que terminaria com um Batman aleijado, com as costas quebradas pelo novo vilão Bane. Isso saiu por aqui em meados dos anos 90 na extinta Liga da Justiça & Batman que contava com as histórias da Liga de J.M. DeMatteis e Keith Giffen, além das histórias do Morcegão. 

O novo vilão era demonstrado como um oponente de alta inteligência e qualidade técnica, capaz de bolar estratégias para enfrentar o próprio Batman de igual para igual. Além disso, ele possuía uma musculatura fora do comum! Hummm. Alguém com os “mesmos poderes que o herói, e MAIS músculos”? Onde eu já vi isso antes?

AH, MAS SE FOSSE O AQUAMAN…!

Não a toa o nome da droga que o vilão Bane utilizava como “aperfeiçoadora de performance” se chamava “Veneno”, ou “Venom”, em inglês. 😱 Mas enfim, antes disso tudo a primeira aparição da droga foi em uma minissérie de mesmo nome publicada aqui no Brasil em 1992. Ela fazia parte da linha Um Conto de Batman que trazia histórias fechadas, diferentes das publicadas mensalmente, em geral fora da cronologia do herói (ou pelo menos não tão ligadas assim, a princípio). Lá nos EUA, esses contos do Batman eram uma revista mensal por si só, chamada Legends of the Dark Knight e funcionava igual. O arco Venom foi publicado por lá entre as edições #16-20, publicadas um ano antes, em 1991.

Legends… havia sido criada na rabeira do sucesso do filme do Tim Burton e pretendia trazer um Batman mais sombrio do que a memória popular se lembrava e trouxe muita coisa interessante para o mythos do herói. Além disso, as aventuras se propunham a ser uma espécie de extensão do “Ano Um” de Batman, quase sempre mostrando uma certa inexperiência diante de certos aspectos, uma coisa que fica muito evidente, aliás, na história de Veneno. Pois o Batman que conhecemos hoje jamais se deixaria dominar por uma droga ilegal como esta. Mas convenhamos, boa parte do charme de como ela é contada está nas mãos do mestre Dennis O’Neil

Só um remedinho, sem mal nenhum. Agora só preciso do seu número de cartão de crédito.

A autoria

Escrita por ninguém menos do que o próprio editor das Bat-revistas durante quase todo os anos 90, e o responsável pelos aclamados arcos de Lanterna Verde & Arqueiro Verde, além do Demônio na Garrafa do Homem-de-Ferro, não é de se admirar que Veneno dê tão certo. Denny O’Neil é uma daquelas poucas pessoas cujo o conhecimento sobre um personagem é tanto que fazem a presença delas nas histórias verdadeiros marcos. Seu trabalho com Neal Adams nos anos 70 é tido como a versão definitiva do Batman para muita gente e, reza a lenda, que é a fonte de inspiração direta para Batman de The Animated Series (que é tido como a “versão definitiva” por outros tantos fãs). 

Durante sua vida, no entanto, Dennis sofreu seriamente com o alcoolismo, coisa que eu não sabia e fiquei um tanto chocado. Mas sabendo desta luta diária dele contra um vício que só trouxe desastres para sua vida pessoal é que percebemos a importância e de onde vêm algumas de suas histórias mais marcantes. O escritor já conversou abertamente sobre o seu problema em algumas entrevistas, e já superou há algum tempo, ainda bem. Quer dizer, é uma luta diária, né? Mas que bom que ele está bem. 

Um pouco da história de Dennis O’Neil.

 

Batman X Veneno

A história já começa sombria. Batman carrega uma grande culpa porque falhou em salvar uma garotinha que acabou morrendo afogada. Nós já sentimos um estranhamento na hora em que o herói vai dar a notícia ao pai da menina, um cientista que trabalha criando drogas experimentais. O cara aparentemente não dá a mínima para a morte da filha e parece mais interessado em dar umas pílulas para o Batman, do que qualquer outra coisa. 

Mesmo exausto física e mentalmente, o Homem-morcego não desiste de levar os sequestradores da garotinha à justiça e, ao acabar encontrando os dois ele incrivelmente leva uma surra, cai de uma janela e se estropia todo. Culpado e percebendo que sua força “apenas” humana não é capaz de lidar com suas responsabilidades de herói, Batman retorna à casa do cientista e se rende à milagrosa pílula. 

As edições seguintes são um tanto incomuns para os bat-fãs. Vemos um Batman mais violento, mais sarcástico e até mesmo sádico. Ele sorri muito enquanto cobre os bandidos de porrada, e vira uma espécie de justiceiro. Tudo o que ele abomina. Mas acompanhamos também o avanço da droga em seu organismo, enquanto ele precisa tomar uma dose cada vez maior para manter o efeito, ficando mais e mais dependente. 

O ponto mais baixo é quando ele percebe que o cientista, aliado a um coronel aposentado do exército, o estão usando como cobaia para esta nova droga, e ele deixa os dois escaparem só porque precisava de mais uma dose e perdeu seu tempo procurando um pacote de pílulas jogado no meio do mato. Batman percebe que está dependente e pede ajuda à única pessoa possível. Alfred. Ele resolve fazer um tratamento de choque, cortando abruptamente o uso da droga e se tranca na Batcaverna por um mês! 

De lá ele sai mais magro, mais fraco, mas curado. O bom da história também é que ela não trata essa espécie de tratamento apenas como “força de vontade”, precisamos lembrar que estamos falando do Batman aqui, afinal de contas ele tem um treinamento todo especial. E AINDA ASSIM ele leva uns seis meses até se recuperar por completo e voltar a agir como herói. 

Os dois vilões fogem para, adivinha? A Ilha de Santa Prisca, local conhecido também como a base de operações do futuro vilão Bane. Enfim. A história segue bacana com algumas reviravoltas bem empolgantes que eu não pretendo estragar agora se você ainda não chegou a ler. Só digo que vale bem a pena. 

Tô LendoPontos Fortes
  • Dennis O’Neil. Roteirão à moda antiga, bem clássico. As coisas acontecem mais lentamente, mas não chega a ser chato como algumas coisas da época.
  • Russell Braun. Ou só Russ Braun hoje em dia. O cara tem uma pá de trabalhos para a Marvel e para a DC e, embora o traço dele pareça bem antigo nesta mini, o cara tem uma visão bem cinematográfica dos quadrinhos. Os enquadramentos e a quadrinização dele são muito bons. 
  • Ascenção, apogeu e queda. Pelo próprio histórico do roteirista, a história tem um peso muito real do processo de detox pelo qual o Batman passa. 
Tô LendoPontos Meh
  • Nenhum. Honestamente? Não tenho nenhuma reclamação desta mini. Talvez só que foi uma pena eu não tê-la lido antes. Gostei bastante da história, do desenho, de tudo em geral. E descobrir o histórico por trás da história so me fez gostar bem mais dela. Talvez os leitores mais novos achem que ela se desenvolve lenta demais, mas na boa? Duvido. 😉
  • Brega. Pode ser que a relação entre o pai general e seu filho bundão que vira cobaia em Santa Prisca tenha um “quê” de brega. Mas não compromete de jeito nenhum a história.

Batman: Veneno está nas bancas atualmente, lançado novamente pela Panini Comics. O que faz desta edição da Rebobinando quase um Nas Prateleiras do Tibério, hehe. Então é bem fácil de você conferir seja da primeira vez ou não uma das histórias mais marcantes do morcegão. Aproveita a facilidade e vai na fé, que vale bem a pena. 

Batman Veneno vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-08-20T22:03:52+00:00 19 de agosto de 2019|0 Comentários