Rebobinando #82 | Batman & Drácula: Chuva Rubra

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O Batman é um cara normal que se veste de morcego. E vampiros são pessoas que não são normais que normalmente viram morcegos! Mas o que acontece quando o próprio Batman vira um Vampiro?! Vamos redescobrir na Rebobinando de hoje, com Batman & Drácula: Chuva Rubra!

Drácula já chega causando em Gotham.

Lançada nos EUA em 1991, a graphic novel Batman & Drácula: Chuva Rubra quase não saiu do papel por conta de soar tão absurda! Imagina só, no auge da Batmania dos anos 90, quando o personagem finalmente estava sendo levado a sério graças a Cavaleiro das Trevas, Ano Um, e o filme do Tim Burton, vir um roteirista da DC meter um crossover contra o Conde Drácula? Era no mínimo ridículo considerar uma ideia dessas! Pelo menos foi o que o editor da Bat-Família na época, Dennis O’Neal, achou. Até ele ler o enredo básico proposto por Doug Moench (Batman/Spawn, Batman vs. Predator II)!

Moench já havia escrito o personagem em Detective Comics durante 1983-86, e já estava bem familiarizado com o universo de Gotham. Kelley Jones (Batman, The Sandman), o desenhista, já havia chamado sua atenção bem como a do editor e acabou aceitando a proposta de trabalharem juntos nesta Graphic Novel. Eles acabaram usando um método muito parecido ao “Método Marvel”, onde Moench lhe passava uma descrição básica do que aconteceria em cada página, e após Jones desenhá-las, ele acrescentaria os balões e o texto.

Gotham tá na capa do Batman!

Segundo Moench, ele não queria fazer da história um mero Crossover onde os dois protagonistas (ou antagonistas) se estapeiam por 40 páginas sem motivo. Além disso, ele queria utilizar a ideia original do Conde Drácula como estabelecida no romance de 1897 de Bram Stoker. O resultado final se assemelha a um leve conto de horror onde, quase que por um acaso, o personagem principal é o Batman. Ele mescla elementos antigos e até ideias que posteriormente seriam utilizadas em histórias como… Er… Crepúsculo, como “vampiros do bem” e os “vampiros vegetarianos”. E, sim, eu sei, soa meio idiota, mas acredite, funciona melhor do que qualquer um esperaria.

Além disso, ele ainda usa aquele pessimismo clássico do fim dos anos 80, recheado de medo da poluição, de drogas e das doenças do novo século juntamente com os elementos de horror que fizeram famosas as histórias do maior vampiro da cultura pop! No fim a história funciona tão bem que gerou outras duas continuações, lançadas nos anos seguinte com Batman: Bloodstorm (1994) e Batman: Crimson Mist (1998).

Batman e a trilogia vampírica!

Aqui no Brasil, Chuva Rubra foi lançada em 1992 pela Abril Jovem em três edições quinzenais. As edições seguintes Batman: Tempestade de Sangue e Batman: Bruma Escarlate foram publicadas cada uma em duas edições pela Editora Mythos apenas em 2001!!! Lá nos EUA tudo saiu, claro, pelo selo Elseworlds da DC Comics, onde nada vale pro Canon até que alguém resolva trazer de volta em alguma saga de Multiverso recente (TÔ OLHANDO PRA VOCÊS CAVALEIROS DAS TREVAS: METAL).

Batman de Chuva Rubra e suas aparições mais recentes.

A história

A gente pode resumir tudo em “Drácula chega em Gotham”. É mais do que o suficiente para estabelecer o tamanho da m*rda que vai ser quando o príncipe dos vampiros chega a pior cidade do universo DC. Ainda mais no fim dos anos 90!

Após a misteriosa chegada do príncipe dos sortilégios (Mr. M?) em Gotham, vários moradores de rua e prostitutas começam a aparecer mortos do dia pra noite, com suas gargantas rasgadas. Batman está no encalço deste assassino há três dias, desde que a primeira vítima foi encontrada, sem sucesso. Toda noite, ele acaba encontrando uma nova vítima, mas zero pistas sobre quem anda cometendo estes crimes.

Pro maior detetive do mundo ele é meio lerdo pra perceber que está enfrentando uma vampira!

Em paralelo vemos que a investigação do Comissário Gordon tem levantado suspeitas de que o número de mortos pode ser ainda maior! Muitos moradores de rua têm sido dado como desaparecidos e, como ninguém liga para essas pessoas, aparentemente tudo continua normal. O próprio prefeito da cidade pede a Gordon que investigue os casos, mas sem dar muita visibilidade para não alertar a imprensa, já que é ano eleitoral.

Enquanto a investigação continua, Bruce Wayne começa a ter sonhos quase eróticos, mas super esquisitos com uma mulher que se transforma em bruma e que o visita toda noite. Perturbado, ele sai mais uma noite como Batman para procurar pelo assassino misterioso e encontra uma moradora de rua atacando uma pessoa. Aliviado por ter finalmente encontrado o que parecia ser o seu suspeito, ele tenta enfrentá-la, mas toma uma surra! Atordoado, ele deixa a moradora de rua escapar e volta para casa para pensar no que fazer.

Parece o meu salário todo dia 5!

Em casa, ele mais uma vez recebe a visita da misteriosa mulher-bruma que lhe diz, em sonho, que “vampiros são reais, mas que nem todos são maus”. No dia seguinte, ele vai atrás de uma especialista em vampirismo para tirar suas dúvidas sobre o que são vampiros e, supondo que sejam reais, como derrotá-los. Sua amiga lhe diz, ironicamente, que muita gente acha que “o próprio Batman não é real”, assim como os vampiros.

E assim, noite após noite, Batman vê que sua força começa a aumentar e que algo está acontecendo em suas costas, como se ele tivesse um machucado muito sério. Ele vai deixando isso de lado e, em uma investigação mais profunda ele encontra o covil de Drácula nos subterrâneos de Gotham e junto com ele, mais uma dezena de vampiros. Cercado, o Homem-Morcego é salvo na última hora por um grupo de pessoas armadas com “lança-estacas” e descobre que há uma facção secreta de vampiros liderada por uma mulher chamada Tanya.

Só pra constar: O BATMAN NÃO EXISTE!

De repente o próprio Drácula reaparece e com seus poderes hipnóticos quase derrota Tanya e seus aliados, se não fosse pela intervenção de Batman. Os dois lutam e Batman acaba perdendo bastante sangue, mas consegue afastar o príncipe dos vampiros. Depois, na Batcaverna, Tanya revela ser a mulher-bruma que tem visitado Batman todas as noites nas últimas semanas e que tem aos poucos o transformado num ser capaz de derrotar Drácula. Ela faz uma transfusão de sangue no cavaleiro das Trevas para que ele sobreviva a perda de sangue e juntos bolam um plano para derrotar o vilão.

Assim sendo, Batman consegue atrair para a Batcaverna todos os vampiros criados por Drácula durante sua estadia em Gotham. Chegando lá, ele explode a Mansão Wayne, expondo assim parte da Caverna ao sol e matando todos os vampiros de uma só vez. Infelizmente, para mantê-los lá, Tanya e seu grupo de vampiros do bem acabaram se sacrificando. Revoltado e com seus planos frustrados, Drácula rapta o Comissário Gordon e ameaça matá-lo. O Homem-Morcego então parte no encalço do príncipe das trevas, mostrando finalmente o que a transformação de Tanya fez com ele: Bruce Wayne abre um par de asas “morceguístico” e veste o seu uniforme e parte pra porrada!

Climinha de Horror!

No fim, as últimas páginas acabam parecendo todo e qualquer crossover de super-herói mesmo: porrada pra todo lado, sangue e presas de vampiro voando pra cima e pra baixo! Mas tudo bem, porque até ali a história foi bem bacana! Com Drácula derrotado, Bruce Wayne forja sua própria morte, mas continua agindo como herói no submundo de Gotham. Nascia assim o Batman Vampiro!

Tô LendoPontos Fortes
  • A arte de Kelley Jones é muito bacana e tem um quê daquelas histórias de horror clássicas que cabe muito bem dentro da história.
  • A história de Doug Moench tenta fazer jus ao Drácula estilosão bem na vibe do filme de 1992 de Francis Ford Copolla. Muito embora o filme tenha saído depois da HQ.
  • Por ser Elseworlds, não existe nenhuma pretensão de se prender à dinâmica do Universo DC. Porque se começarmos a pensar muito vamos ficar nos perguntando porque raios o Batman não foi atrás de nenhum dos heróis místicos para ajudá-lo!
Tô LendoPontos Meh
  • Justamente o fato de não se prender demais ao cânone da DC, que é bom por um lado, torna meio difícil engolir que logo o Batman ia aceitar uma existência como Vampiro só para derrotar outro, mesmo que este outro seja o f*cking Drácula!
  • Pós-Multiverso. A saga do Batman de Chuva Rubra como passou a ser conhecido, aparentemente terminou depois do terceiro volume em 1998, mas graças aos saudosistas do multiverso ele foi trazido de volta para alguns dos eventos mais recentes da DC.

Entre tapas & Mordidas!

Pois bem. A relação entre Batman e vampiros realmente não é uma coisa nova. Quem escreveu o prefácio de Chuva Rubra foi Eric V. Lustbader, um romancista americano escritor de thrillers e fantasia (e o cara que continuou com as histórias de Jason Bourne após a morte do autor original). Neste prefácio ele faz uma correlação bem bacana sobre a existência misteriosa tanto do Batman quanto do Drácula, como isso mexe com o nosso imaginário e como eles são bem mais parecidos entre si do que a gente pode achar.

De resto, a gente pode ficar com as palavras finais do próprio Batman na HQ: “Vampiros são reais, mas nem todos eles são maus!”

“Olhe, Selina! Esta é a pele de um PREDADOR!” *brilha brilha brilha*

Batman & Drácula: Chuva Rubra vale quatro Rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-05-20T23:04:22+00:00 20 de maio de 2019|9 Comentários