Rebobinando #81 | Teia do Aranha #4

Início/Destaques, Leia!, Rebobinando/Rebobinando #81 | Teia do Aranha #4

O dias das mães passou e eu espero que todos tenham comemorado bem com suas respectivas progenitoras. Aqui na Rebobinando procuramos abranger todos os tipos de família e, portanto, pensei em falar da Família Parker. Para não entrarmos numa deprê, deixei para falar da Morte da Tia May um outro dia. Hoje vamos rebobinar a primeira aparição dos Pais de Peter Parker, em a Teia do Aranha #4!

As primeiras edições de gibi de super-heróis que eu comprei foram esquisitíssimas!

Em janeiro de 1992 eu comprei meu primeiro gibi do Homem-Aranha. Foi uma Teia do Aranha #28, com o Verme Mental na capa, um vilão esquecido da galeria do Cabeça-de-Teia. A história terminava com o retorno de Gwen Stacy e algumas edições depois emendou na primeira Saga do Clone (ou pelo menos o início do plot principal da famigerada saga dos anos 90). O meu fascínio pelas histórias em quadrinhos de super-herói foi tanto que eu fui em busca de várias edições mais antigas nos sebos espalhados pela cidade, ou mesmo nas bancas de jornal do meu bairro, que sempre tinham uma edição esquecida de meses atrás, escondida e empoeirada num cantinho qualquer.

Seria mentira, no entanto, dizer que eu cheguei a ler essa história sobre a origem dos pais de Peter Parker na mesma época, ou quando a edição foi originalmente publicada no Brasil, em janeiro de 1990. Fiquei sabendo sobre as origens heróicas de Richard e Mary Parker através de flashbacks e dos famosos asteriscos nos cantinhos das páginas. Com uma certa sorte, mais ou menos na época em que eles “retornaram” da morte (Homem-Aranha #149, Nov/1995), pude saber qual edição perdida contou sobre seus passados misteriosos e mais uma parte da vida do meu herói preferido se desvendava diante de meus olhos.

Segredos de Família! “Meu cunhado é um Agente Secreto e largou o meu sobrinho para eu criar!”

Vida Dupla

O Capitão Richard Parker foi um herói da Segunda Guerra Mundial e acabou sendo recrutado pelo próprio Nick Fury para integrar a CIA e logo depois a SHIELD. Durante seu tempo na “Companhia”, Richard conheceu Mary Fitzpatrick, tradutora e analista de dados da agência de inteligência norte-americana. Filha de um famoso agente, Mary também logo mais virou agente de campo e, casada com Richard, passaram a trabalhar como espiões para o governo dos EUA durante a Guerra Fria.

O disfarce de casal era perfeito para as muitas viagens que os dois precisariam fazer como agentes e seus segredos eram tão bem guardados que nem mesmo sua família sabia! Assim como seu filho futuramente iria relutar entre sua própria identidade como Peter Parker e Homem-Aranha, Richard e Mary não podiam revelar para Ben e May Parker que eram espiões. Então, durante uma de suas viagens no “emprego novo”, acontece o famigerado acidente aéreo que tira a vida de ambos! O tio Ben descobre no jornal que seu irmão e cunhada eram “agentes duplos” a serviço da Rússia e, ao contar para May, os dois decidem esconder esta parte do passado do pequeno Peter. Você sabe, para que ele crecesse acreditando que seus pais eram heróis.

Richard e Mary apareceram depois em ação em HA #197 (Nov/1999).

A Teia do Aranha #4

A edição contém duas histórias, a primeira publicada em The Amazing Spider-man #62 (1968), onde o cabeça-de-teia enfrenta a inumana Medusa, e a segunda sendo a história sobre os pais de Peter, publicada em The Amazing Spider-man Annual #5 (1968). Com roteiro do próprio Stan “The Man” Lee e desenhos de Larry Lieber que, além de ser o irmão mais novo do chefão da Marvel Comics, também é o co-criador do Thor, Homem-de-Ferro e do Homem-Formiga! Chega até ser vergonhoso eu falar disso aqui, mas o desenho nesta edição eu achei um bocado… er… esquisito. O traço de Lieber parece uma mescla do Romita pai com Jack Kirby, mas não chega bem a ser nenhum dos dois, sabe? Como a história envolvia o (na verdade, um dos) Caveira Vermelha, e o Homem-Aranha, fica sensação de que ele quis fazer uma homenagem aos principais artistas de ambos, mas não sei bem.

A história começa quente, com o Amigão da Vizinhança perseguindo um grupo de gângsteres pelas ruas da Argélia! O quê? Como? Como foi que um dos principais heróis urbanos de Manhattan chegou em um país do continente Africano? Após a luta, o herói aracnídeo sofre uma queda braba e desmaia, o que nos dá tempo para um flashback para entender o que aconteceu até ali.

Peter se desespera ao descobrir o passado de seus pais. Como todo bom filho.

Durante uma mexida de móveis na casa da tia May, Peter encontra uma série de recortes de jornais sobre o acidente dos seus pais. Ao confrontar sua querida tia, ele descobre a verdade sobre Richard e Mary serem espiões russos e fica completamente arrasado. Determinado a descobrir a verdade e, com sorte, limpar os nomes dos dois, ele vai atrás de mais informações. Com apenas o nome da testemunha que encontrou os destroços do avião, ele pede ajuda a Reed Richards para dar uma… er… carona até a Argélia no Fantasticarro. Como rico é aquele que tem amigos, Reed o leva pessoalmente até a África e o deixa lá para que encontre suas respostas.

Após uma rápida emboscada (que foi a cena de ação que abriu a história) o Homem-Aranha descobre onde está o homem que encontrou os destroços do avião, um dono de um restaurante local. Apavorado, ele diz que se lembra de Richard e Mary Parker e que, por medo ele não pode dizer o nome do chefão por trás de suas mortes, mas pode dizer onde fica a base secreta dele. Que por um acaso fica na mesma cidade. Tipo, na esquina ou algo assim. Na boa, adoro os roteiros do Stan Lee porque são de uma inocência ímpar! Jamais que uma história dessas seria escrita assim hoje em dia, hehehe.

Não se engane, esse é o Caveira Vermelha COMUNISTA (sim, é vdd)! Que é TOTALMENTE DIFERENTE do Caveira Vermelha NAZISTA! LEIAM UM LIVRO DE HISTÓRIA!

Ao chegar na base do vilão, ele descobre uma série de arquivos e encontra provas de que seu pai e sua mãe haviam trabalhado sim, como agentes duplos contra os Estados Unidos. Enquanto ele sofria pela descoberta, ninguém menos do que o Caveira Vermelha chega no local e blábláblá “eu vou te destruir” blábláblá “luta aqui com o meu capanga” etc. O Aranha vence mais uma luta, mas o Caveira escapa. Logo depois ele chama um cara chamado The Finisher (não encontrei referência do nome dele em português, mas seria algo como “O Eliminador”), que é um cara que, bom, elimina os outros. É um assassino muito renomado no submundo. O cara vai atrás de Peter e solta uma série de mísseis em seu encalço. O herói no entanto, avisado pelo seu sentido de aranha, consegue desviar a tempo e acaba direcionando um dos mísseis de volta ao carro do assassino. Antes de morrer, ele revela que foi o responsável direto pelas mortes de Richard e Mary Parker porque o Caveira Vermelha havia descoberto que eles eram agentes duplos sim, mas a favor dos EUA! O plano do vilão consistia não só em eliminar os dois, mas acabar completamente com a reputação de ambos, plantando provas no local do acidente, incriminando-os aos olhos do mundo! Com o ânimo renovado por descobrir toda a verdade, Peter volta com desejo de revanche!

Ao lutar contra o Caveira Vermelha mais uma vez, desta vez mano-a-mano, a base acaba sendo destruída de vez e o Aranha cai desmaiado ao final, depois de uma grande explosão! Ao acordar ele não vê nenhum sinal do vilão e se pergunta se consegue encontrar alguma prova no meio dos escombros. Ao olhar a… hehehe… “carteirinha de agente do caveira vermelha” (é sério) com o nome de seu pai, ele descobre que ela servia como uma espécie de “capinha” para uma outra carteirinha escondida: a carteirinha de “agente secreto dos EUA”! Hahahaha. O Aranha parte feliz dizendo que essa era a “prova que bastava para limpar a reputação de seus pais” e a história acaba!

O Finisher foi “finished”.

Eu tenho que dar os parabéns ao Stan Lee por achar que um agente secreto carregaria consigo uma “carteirinha de agente secreto” e que, sendo um agente duplo, ele não só NÃO faria uma “carteirinha do mal” nova, como usaria ela como “capinha” da “carteirinha do bem”. Maravilhoso.

Ah, e como o Aranha volta para Nova Iorque, já que o Reed Richards largou ele lá e foi embora?

Não sabemos. Mas deve ter sido uma carona e tanto!

Carteirinha de Agente Secreto, Edição Limitada!

Tô LendoPontos Fortes
  • Intrigante. A história tem lá seus momentos mais bobinhos, mas foi um twist bacana no lore do Homem-Aranha. Um cara simples, de uma família simples, que ganha super-poderes, mas que de repente descobre que seus pais na verdade eram espiões ultracondecorados.
  • Stan Lee. Não a toa ele escreveu as histórias do herói por tanto tempo. Ele tem um charme no roteiro, mesmo que hoje em dia pareça a coisa mais boba do universo, e sabe guiar a nossa atenção página a página.
Tô LendoPontos Meh
  • Inspiração. Em diferentes mídias, os pais de Peter Parker tem importâncias diferentes na sua história e, apesar da origem deles no universo Ultimate ser mais bacana, isso gerou um problema enorme no primeiro reboot do herói no cinema, com uma trama convoluta e desnecessária que não deu em lugar algum na franquia O Espetacular Homem-Aranha, com o Andrew Garfield.
  • Os desenhos. Já mencionei antes, nada contra, mas sei lá. Curitira mais essa história se tivesse sido desenhada pelo Romitão.

Me admira o pai do Peter não ter desconfiado de nada com esse Caveira Vermelha todo pimpão na ironia…

Todo super-herói tem mais ou menos alguma questão paterna ou materna para ser resolvida em suas histórias. Isso está lá no Poder do Mito, de Joseph Cambpell (o cara que inspirou Star Wars e George Lucas). Mas entre Marthas e Mays, a gente percebe o quanto essas figuras são importantes no desenvolvimento desses personagens que nós gostamos tanto. O Super-Homem jamais seria tão nobre se não fosse criado por Martha e Jonathan. A tia May é a figura materna mais querida de praticamente todo marvete (ainda mais depois da versão badass de Into the Spider-Verse). O Batman jamais teria uma família tão grande e tão forte, se não fosse a perda de seus pais.

Enfim, seja a sua família do tipo Super-Homem, ou tipo Homem-Aranha, ou tipo Shazam, etc. etc. Qualquer que seja ela, eu espero que você tenha passado um dia das mães bacana esta semana, com qualquer que seja a figura materna que te cuide, proteja e inspire a ser a melhor versão de você mesmo! A gente rebobina, mas a gente também tem coração!

Feliz dia das Mays!

A Teia do Aranha #4 vale três rebobinandos! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-05-13T02:16:28+00:00 13 de maio de 2019|9 Comentários
  • Mr_MiracleMan_Jr

    Na minha cronologia pessoal do Aranha, os pais dele eram pessoas comuns que morreram num acidente comum, a Gwen Stacy nunca teve um caso com o Norman Osborn etc kkkk

    • Deosmedibre essa história aí da Gwen! Uma das mais horríveis que me lembro!

      Mas o lance dos pais dele serem super espiões eu acho bacana, vai? É aquele acréscimo no backstory do Aranha que não acrescenta absolutamente nada, mas gera histórias legais como a prova de que o Wolverine CONHECE TODO MUNDO no universo Marvel.

  • Jean Carlos

    Gostei também dessa edição e inclusive estou quase completando novamente essa coleção da Teia do Aranha, gosto demais de formatinhos, me traz boas recordações e pretendo completar as coleções que eu desfiz na época. Abraço Kadu!!!

    • Opa, projeto audacioso! Avisa aí quando completar!

  • Roberto Hunger Junior

    nossa, eu lembro destas histórias e tive esta revista em minha coleção por tempos.

    “Peter se desespera ao descobrir o passado de seus pais. Como todo bom filho.”, cara, nenhum filho deve fuçar no passado de seus pais, abrir a gaveta de meias e procurar por algo no fundo ou contar quantos meses se passaram entre o casamento deles de seus pais e o nascimento do primeiro filho (se vc for o primeiro filho então…); eu tinha apagado este lance de carterinha de agente secreto da minha memória…kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… Cara, só o Stan Lee para ter uma idéia assim…É tão louca que não faz sentido algum, não consigo pensar em algo pior… Ou não?

    https://uploads.disquscdn.com/images/cabf5a6166d844592b92cb1d026285e763ecfd79744ea666af786c69e5dfcec8.jpg

    • HAHAHAHAHAHAHAHA! Se a Marvel fez algo ruim, COM CERTEZA a DC já fez pior! Hahahahaha!

      • Roberto Hunger Junior

        Dá pra fazer um episódio de podcast inteiro com este tema…”Se a Marvel fez algo ruim, COM CERTEZA a DC já fez pior”…

        • Opa, cadê o Caruso? Vou passar esse pitch pra ele! Heheheh.

          • Roberto Hunger Junior

            Seria uma boa resposta pra ele sempre que alguém dissesse que a Marvel não tem clássicos (e tem PORRAAA!) afinal ele tem sido um marvete muito comedido atualmente. kkk. Kadu, mudando de assunto totalmente, só eu achei os pais do Peter parecidos demais na capa da revista? Eles são primos?