Rebobinando #80 | Capitão América #156

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Existem diversos momentos icônicos nos quadrinhos que a gente se lembra bem. Se a história for um clássico, mais ainda, claro. Acontece que na Marvel, vira e mexe isso pode acontecer a qualquer hora numa  revista de linha e, sem a devida atenção, passa até batido! É por isso que a Rebobinando de hoje vai lembrar de Capitão América #156, uma edição perdida na memória de muitos!

As capas americanas de Thor, que compunham o mix de Capitão América no Brasil.

A revista do Capitão América começou a ser publicada pela Abril Jovem em 1979. Ela continuou sendo publicada até meados de 1997 quando foi publicado o seu último número na edição #214. Como de praxe na editora, e muita gente deve lembrar, toda revista da linha de heróis era uma revista de mix. Por exemplo, em Homem-Aranha você encontrava histórias do Quarteto, Novos Guerreiros e afins, em X-men, você encontrava as histórias dos outros grupos mutantes e, em Capitão América ficava o mix “Capitão, Vingadores, Thor, Homem-de-Ferro, etc”. Com algumas variações, claro. Às vezes alguma edição de Superalmanaque Marvel publicava arcos inteiros de alguns desses heróis para agilizar um pouco a diferença de publicação, que podia chegar até 4 anos!

A edição de Capitão América #156, publicada aqui em maio de 1992, tem um certo destaque para falarmos hoje, por causa da relevância de um certo evento acontecido em um certo filme de heróis lançado recentemente o qual eu me reservo a avisar que existem SPOILERS nessa coluna de hoje. Portanto, se você AINDA não viu Vingadores: Ultimato, vai ao cinema e volta aqui depois. Teje avisado!

– Pois bem. O que acontecia na época da publicação dessa revista, tio Kadu?

Então, muita coisa. Recentemente os Vingadores estavam com uma nova formação, sendo liderados pela Capitã Marvel Monica Rambeau. Eles viviam em uma ilha artificial chamada Hidrobase, e os membros eram uns heróis meio de segundo escalão da editora (que me desculpem os fãs), como Cavaleiro Negro, Doutor Druida, Arraia, Marrina e Mulher-Hulk. Além de Namor e o Capitão, com seu uniforme negro.

– Ué? Uniforme negro, Kadu? Mas quem tem uniforme negro, não é o Aranha?

Sim, meu querido nerd que é jovem! Acontece que recentemente, o Capitão América teve um problema com o governo dos Estados Unidos, que resolveu então passar o título de “Capitão América” a um novo soldado, um pouco mais violento e disposto a seguir ordens sem questionamentos, chamado John Walker. A Steve Rogers restou apenas se recolher a sua “insignificância” de super-herói e forjar um novo traje, negro, mas que ainda carregava as cores de sua bandeira. Como não podia mais representar a América, manteve apenas o título de Capitão e é nesta fase da vida que o encontramos, um expatriado que não liderava os Vingadores.

A roupa não faz o homem. Nem a armadura, ou a barba, ou o escudo…

As histórias do mix dessa edição contavam na verdade com apena uma história do Capitão, e três histórias do Thor! As duas primeiras foram um amarrado de 37 páginas de duas edições de The Mighty Thor, #388-389. Contava sobre uma épica batalha do Deus do trovão contra dois Celestiais que condenaram um planeta chamado Pangoria. Thor tenta, em vão salvar o planeta que, apesar de ter sido julgado impuro pelos Celestiais, passa por um processo que elimina seus habitantes mais malignos e dá aos sobreviventes uma nova chance de vida em meio a um paraíso. Thor é então enviado de volta à Terra para não interferir na nova chance de evolução daquele Planeta.

Antes disso ele havia enfrentado Hela e se livrado de uma maldição que fazia com que seus ossos ficassem fracos como o vidro. Durante a batalha em Pangora, no entanto, sua armadura fodona é esmigalhada e os Celestiais, antes de enviarem o herói à Terra, o agraciaram com o seu antigo uniforme bem como um novo Mjolnir, que havia sido destruído durante esta batalha. Seu próximo passo é voltar aos Vingadores, sem saber que Asgard estava à beira de um ataque…

CLARO que pra derrotar o Comandante Cobra dos Deuses, o Thor ia precisar da ajuda de um, ahem, G.I. Joe!

Thor #390 x Capitão América #156

– Que esquisito, Kadu. O gibi é do Capitão, mas nesse mix as três primeiras histórias serem do Thor.

Pois é. Coisas da Abril Jovem. No entanto, essa terceira história é bem bacana e o Capitão faz tão parte dela quanto o Thor. Acontece que, pouco depois do Deus do Trovão chegar na Hidrobase dos Vingadores, Asgard é atacada pelas forças de Seth, o Deus egípcio da morte! Em busca de vingança contra aquele que cortou sua mão direita, Seth mantém um cerco sobre Asgard e descobre que a Terra dos Deuses nórdicos está incomunicável com o resto do universo, já que a Bifrost, a ponte arco-íris, está destruída. O vilão descobre que Thor está na Terra e, esperando que ele estivesse sozinho e sem ajuda, manda um exército em seu encalço!

Na Hidrobase, Thor é recebido no susto pelo resto dos Vingadores e após alguns bate-papos e apresentações, cada um dos heróis vai resolver suas questões. Doutor Druida, Mulher-Hulk e Capitã Marvel voltam a Nova Iorque, enquanto Namor, Marrina e Arraia vão fazer algum tipo de estudo ocêanico, ou qualquer coisa parecida. O Cavaleiro Negro vai bancar o cientista no laboratório da base, deixando Thor e o Capitão para trocarem figurinhas. Como muita coisa se passou desde que eles se viram pela última vez, Thor conta sobre suas aventuras mais recentes e o Capitão conta o que aconteceu com o seu “sobrenome América” e sua mudança de uniforme.

Apenas solteiros que curtem um passeio na praia, piñas coladas e tomar banho de chuva…

É nesse momento que a base é atacada pelas forças de Seth. Capitão e Thor se viram como podem e, sendo pegos de surpresa, tomam um baque bem forte. O Cavaleiro Negro, na boa, não fede nem cheira nessa história. Mas é nesse momento da luta em que Thor, ainda atordoado, solta o Mjolnir e não consegue recuperá-lo. Um dos generais tenta levantar o martelo, sem sucesso, quando é impedido pelo Capitão que, em menor número percebe que a única chance de vencerem esta batalha é devolver a arma de seu amigo. Soterrado num montinho de soldados, o Sentinela da Liberdade empunha o Mjolnir jogando todos para longe e, num arremesso certeiro, o devolve para as mãos do Deus do Trovão!

É um momento rápido, mas para quem já estava acostumado a ler quadrinhos há muito tempo é certamente chocante ver essa cena. O traço de Ron Frenz estava muito bom nessa época (como sempre, aliás) e emulava bastante o estilo de Jack Kirby para as histórias do Thor. A cena, de página inteira, mostrando o Capitão levantando o martelo e jogando todo mundo longe é muito bacana e cheia de ação!

CAFLITO!

Depois de um momento tão marcante, a batalha segue fácil e os heróis varrem o chão da Hidrobase sozinhos sem precisar de mais ajuda! No fim, o Capitão e Thor tem um momento de reconhecimento, onde um percebe o valor do outro e fortalecem ainda mais a sua amizade. Logo em seguida, o Capitão leva os bandidos todos para a Gruta, enquanto Thor fica na base para se estabelecer melhor.

Tô LendoPontos Fortes
  • Histórias. Eu gosto muito dessas histórias mais antigas. Elas são bem mais simples, mas com um “quê” épico que eu acho difícil ver numa história de linha hoje em dia. Normalmente fica tudo guardado para um “crossover anual”, ou um “evento importante” e meh.
  • Roteiro. Curto muito as histórias do Tom DeFalco! Acho que a coisa que eu mais li dele por muito tempo foram as histórias do Aranha e as da Garota-Aranha. O cara sabe te levar por uma história simples e te prender a cada edição e não fica cansativo.
  • Desenhos. Outro traço que eu amo é o do Ron Frenz. Lembro bem dele na fase do Capitão América do fim dos anos 90 e as do Homem-Aranha na época de Guerra Civil, pré-One More Day. É bem diferente do traço que eu reencontrei neste gibi. O jeitão kirbyesco que ele usou em Thor é quase mágico. Tô impressionado!
Tô LendoPontos Meh
  • Capitão. Por incrível que pareça, a própria história do Capitão nesta edição era meio qualquer coisa. Uma trama meio fué contra a Madame Víbora e o plano dela de juntar todos os vilões com temática de cobra numa só equipe. O único ponto alto é a substituição do escudo do Capitão, por um feito apenas de vibranium, fornecido pelo Pantera Negra.
  • Mix. Dependendo da organização das histórias, isso não me incomodava sempre. Mas era meio chato porque vira e mexe o mix das revistas vinham com mais histórias de um personagem que não o do título do gibi. Este foi um caso quase que atípico, porque graças a Odin as histórias do Thor compondo a revista eram bem boas, e uma delas tinha o Capitão como coadjuvante. Ruim mesmo era quando eu comprava uma revista do Aranha com uma história curta dele e três histórias do Speedball.

Capitão! Pegas-te no meu martelo e giras!

Claro que além dessas, o Capitão já levantou o martelo de Thor algumas outras vezes. Em específico durante a saga A Essência do Medo (Fear Itself, 2012) e na polêmica fase do Capitão Hydra, durante a saga Império Secreto (Secret Empire, 2017). E, claro, não podemos deixar de mencionar o momento mais icônico de Vingadores: Ultimato, onde Steve Rogers empunha o Mjolnir na luta contra Thanos, o inevitável! Sinto arrepios até hoje, só de lembrar!

Hail, Avengers! Hydra, Assemble!

E você? Lembra de outros momentos icônicos como este? Gostaria de vê-los aqui? Me avisa, me lembra! Eu me esforço, mas também esqueço de muita coisa irada que aconteceu nesses meus 30-e-muitos anos de vida lendo quadrinhos!

Capitão América #156 vale quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-05-06T02:45:21+00:00 6 de maio de 2019|12 Comentários