Rebobinando #70 | Toejam & Earl

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Nos anos 90, dois alienígenas caíram na Terra e tiveram que enfrentar os mais diversos e perigosos seres humanos para recuperar sua nave e retornar ao seu planeta. Tudo isso ao som de funk e com muito suingue! Vamos rebobinar um dos jogos mais subestimados do Mega Drive! Vem comigo relembrar Toejam & Earl!

Quase um Fresh Prince…

Como alguns de vocês devem saber, e como eu já falei aqui, eu fui uma criança seguista. O Mega Drive foi um dos meus primeiros videogames famosões! Eu tive um Dynavision 2 antes dele, que eu geralmente não conto, pq só tinha dois jogos e olhe lá. Meu primeiro jogo do Mega Drive foi, claro, Altered Beast. Logo depois eu fui tendo outros como Sonic, Golden Axe, Streets of Rage, etc. Mas Toejam & Earl estava lá logo no início também.

Ele tinha um visual meio esquisito que me deixou meio bolado quando eu o liguei da primeira vez. Achei um tanto confuso e, a princípio, não gostei muito. Mas lá em casa eu costumava jogar muito jogo em modo cooperativo junto com a minha irmã e, em pouco tempo, ele começou a ganhar um espaço nos nossos corações. Trabalhando em conjunto nós passamos muitas tardes de sábado jogando este jogo por loooooongas horas tentando terminá-lo. Por fim conseguimos zerar algumas vezes, mas só depois de muito esforço, dedicação e tensão.

Você nunca vai entender a tensão que é andar na beiradinha da tela com um Boogie-Boogie passeando do teu lado.

Boogie boogie boogie!

O jogo

Lançado em 1991, o jogo foi recebido com críticas bacanas, mas não teve um alcance muito grande. Ele acabou ganhando um status de cult conforme o tempo foi passando e agradando todo mundo no esquema do boca-a-boca. Diferente da maioria dos jogos 2D da época, ele tinha o que foi apelidado depois de “mecanismo tipo-Rogue”. Rogue era um jogo dos anos 80 onde o jogador tinha que percorrer uma dungeon com uma série de salas que eram geradas aleatoriamente a cada jogo. Em busca de um artefato mágico, era preciso enfrentar monstros em cada sala e obter itens que poderiam te ajudar de maneira ofensiva ou defensiva. O jogo continha também um sistema de morte permanente, que incentivava o jogador a fazer as melhores escolhas possíveis. Caso morresse, ele deveria montar um novo personagem e começar do zero de novo.

O jogo tinha uma tela de cooperativo que era muito boa!

Toejam & Earl seguia mais ou menos a mesma linha. A história do jogo consistia em recuperar os pedaços da sua nave após uma queda no planeta Terra. Eram dez pedaços de nave e, como cada fase (ou andar) era gerada aleatoriamente, você nunca sabia onde poderia encontrar um dos pedaços e terminar o jogo. Lembro de estar jogando com a minha irmã e já ter chegado até a fase 36, ou algo parecido, e ter recolhido apenas 6, ou 7 pedaços da nave. O mecanismo do jogo funcionava como esse jogo antigo, Rogue, nesse sentido, porém o esquema de “morte permanente” já era mais leve. Era possível ganhar vidas extras no jogo, que permitiam sua sobrevivência a longo prazo, mas depois disso era ba-bau. Fim de jogo sem Continue.

Os itens que poderiam te ajudar, vinham na forma de presentes largados pelo chão. Ainda no esquema aleatório, você só era capaz de identificar os presentes ao abrí-los, ou com a ajuda de outros personagens (como o Homem-Cenoura) (hein?). Alguns eram muito bacanas e te ajudavam a escapar ou eliminar outros inimigos, mas alguns eram imprevisíveis e podiam ser a pior opção dependendo do momento (oi, skate foguete!)

A música

Um dos grandes destaques do jogo era a música. Como tanto Toejam quanto o Earl eram alienígenas do planeta Funkotron, e se vestiam como ícones da cultura urbana do fim dos anos 80 e início dos anos 90, o funk era o seu estilo musical favorito. Mas não o funkão clássico carioca dos anos 90, infelizmente (ou felizmente, vai que você não gosta?). Era aquele funkão americano cheio de suingue, típico dos artistas dos anos 70 como Marvin Gaye e Herbie Hancock. Este último, inclusive, foi a inspiração direta para a soundtrack do jogo, segundo o compositor John Baker. É só comparar o vídeo acima com o de baixo para você perceber que é notória!

Os personagens

  • Toejam: Era um dos dois personagens do jogo. Em geral o player 1. Era pequeno, com uma barra de vida menor, porém era mais rápido.
  • Earl: Era o player 2 do jogo. Em comparação ao Toejam, ele era maior e mais pesado, portanto mais lento. No entanto sua barra de vida era maior.

Além dos dois, claro, haviam os inimigos terráqueos que eram dos mais variados e incluíam figurinhas como:

  • Diabinho: Aleatórios, são os inimigos mais básicos e estão em todo o lugar.
  • Garota Hula: Uma das mais perigosas, vestida de havaiana, ela dança hula e pode hipnotizar os personagens (o que pode ser particularmente mais perigoso se estiver próximo de outros).
  • Abelhas Raivosas: Persistentes, são difíceis de despistar.
  • Cupido Estúpido: Suas flechas deixam os players apaixonados e trocam os sentidos do controle. Pra cima vira pra esquerda, Pra direita vira pra cima, etc. etc.
  • Monstro da Caixa de Correio: Auto-explicativo. Um dos itens do jogo é uma caixa de correios onde você pode adquirir presentes, porém às vezes ela pode ser um monstro em segredo. Cuidado.
  • Hamster na Bola: Grande, meio lento, mas pode te achatar.
  • Boogieman: Que eu chamava de “boogie-boogie”. Ele era invisível, mas enquanto andava você poderia ver sua sombra. Te assustava até a 5ª geração gritando BOOGIE BOOGIE BOOGIE!
  • Toupeira: Vinha por baixo da terra e podia te surpreender, roubando os seus presentes.
  • Moça do Carrinho de Compras: Andando aleatoriamente, sem prestar atenção, com um bebê chorando no carrinho.
  • Dentista Maluco: Sádico, ele era mais rápido que os outros terráqueos, porém ao acertar um dos jogadores ele parava para dar uma risada insana, que é o tempo necessário para escapar.
  • Homem do Cortador de Grama: Igual a moça do carrinho de compras, meio aleatório, fácil de fugir, mas imprevisível.
  • Os Nerds: Andando em grupos, podiam te achatar, igual ao hamster na bola.
  • Exército de Galinhas: Um grupo de galinhas militares com um morteiro que lançava tomates. Eram ruins porque podiam te atacar à distância.
  • Caminhão de Sorvete Fantasma: Parecido com o Boogieman, o caminhão de sorvete podia se teletransportar e te pegar de surpresa. Mesmo com a buzina anunciando quando ele ia aparecer.
  • Tornado: Um dos piores inimigos do jogo, ele parecia ser um tornado inteligente, que te seguia e te largava nos piores lugares possíveis. Seja no meio dos lagos repletos de tubarões, ou no meio do espaço sideral.
  • Tubarões: auto-explicativo. Mas é só ficar fora da água.

Alienígenas, Presentes e Elevadores! Nada faz sentido, mas é tudo muito bem-humorado!

Tô LendoPontos Fortes
  • Jogaço. Divertido, engraçado e um ótimo passatempo. Poucos jogos eram carregados com esse bom humor todo.
  • Ótima Música. Com ótimas influências, a música era tão maneira que você nem sentia durante o jogo. E, se você quiser, pode até procurar na internet para ouvir no dia a dia de tão boa que é.
  • Segredos. Além da aleatoriedade toda, o jogo continha uma série de segredos que faziam dele uma surpresa a cada jogada. Tipo a Fase 0, ou mesmo como assustar o Papai Noel.
Tô LendoPontos Meh
  • Tempo. Pode se estender demais. Os jogos de antigamente tinham a tendência de serem mais difíceis e durarem um longo tempo (ainda mais dependendo da capacidade dos jogadores). Mas pelo fato de ser gerado aleatoriamente a cada jogada, isso poderia fazê-lo demorar mais do que sua paciência pudesse aguentar. Lembro uma vez que joguei por horas a fio com a minha irmã e estávamos quase perto de completar, quando pausamos para fazer um lanche, esticar as pernas. Ao voltarmos para o quarto para continuar, encontramos o meu pai jogando Fifa 96. Quase chorei nesse dia!

A “Fase Zero” repleta de limonada com vidas extras e hula-hulas que recuperam vida!

O jogo ainda teve duas continuações, das quais eu só joguei uma, que foi Toejam & Earl: Panic in Funkotron, lançado pro Mega Drive, que eu achei bem ruim. O terceiro jogo foi lançado só para o XBOX em 2002, chamado Toejam & Earl: Mission to Earth. Além de ser em 3D (meio capenga) o jogo apresentava também uma personagem feminina, Latisha. As críticas em geral não foram maravilhosas, mas me parece que o jogo não foi tão ruim não.

EDIT: Um amigo meu me contou no Twitter sobre o lançamento de mais uma continuação do jogo, chamada Toejam & Earl: Back in the Groove! Segundo me consta, de alguma forma o criador do jogo conseguiu os direitos dos personagens de volta (nem imagino o que deve ter acontecido, coitado) e montou um projeto no KickStarter para lança-lo! E é DAQUI A POUCO, no dia 01/Março de 2019! Resta saber se é bom e se mantém o mesmo espírito do jogo original!

O melhor jeito de ganhar vários presentes era assustar o Papai Noel!

Tenho ótimas memórias desse jogo. Acho que vale super a pena catar numa PlayStation Store, ou num emulador pra jogar, caso você nunca tenha jogado. Se você é dos meus, Seguista dos anos 90, vale a pena relembrar o jogo com carinho.

Toejam & Earl vale, com certeza, quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-03-11T09:23:40+00:00 25 de fevereiro de 2019|6 Comentários