Rebobinando #69 | Alita Battle Angel OVAs

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Os anos 90 viram uma espécie de renascença do anime no Brasil. Graças a chegada de Cavaleiros do Zodíaco na Rede Manchete vimos a partir de 1994 mais e mais animes sendo exibidos na tevê. Além, claro, da primeira proliferação de eventos de anime, onde eram exibidos antigos clássicos da animação japonesa bem como desenhos recém chegados, tipo GUNNM: Alita Battle Angel.

Alita se prepara “prAluta”!

Todo mundo sabe que no Japão a maioria dos desenhos animados que assistimos surgem primeiro como quadrinhos. Claro, em outros casos eles fazem ou o caminho inverso, ou vêm de outras obras como videogames, ou mesmo uma linha de brinquedos. Mas ainda assim, no geral eles faziam sucesso primeiramente como mangás para só então virarem animes. Com Alita, não foi diferente, claro. Mas infelizmente não foi criada uma série animada que durasse o sequer metade do que durou DragonBall Z, ou Naruto, ou One Piece (essas séries praticamente intermináveis). O mangá criado por Yukito Kishiro, acabou virando uma pequena “série” de OVAs, ou “Original Video Animation”.

Os OVAs são, como o próprio nome já diz, animações criadas diretamente para vídeo. Um mercado que tinha bastante saída nos idos dos anos 80-90, quando os videocassetes caseiros e as locadoras ainda existiam (nenhuma sdds blockbuster). Aqui no Brasil, se você não fosse de São Paulo e pudesse alugar filmes na Everest Video, dificilmente você teria algum acesso a essas obras da Terra do Sol Nascente. Ou então se você não fosse um frequentador assíduo dos eventos de anime dessa época. Como eu.

Alita grita “Alalto”!

Mas ei, Kadu? Como você vai falar de Alita, então?

Calma, gafanhoto. Realmente, o mangá chegou às bancas japonesas em 1990. Aqui no Brasil ela só chegou mesmo em 2002 pela Opera Graphica. Foi essa que eu li. Depois a história foi relançada pela Editora JBC em 2003, e mais recentemente, em 2017 e 2018, aproveitando o lançamento do filme de James Cameron e Robert Rodriguez. O Tibério falou dela aqui Nas Prateleiras! Os OVAs foram lançados originalmente em 1993, no Japão. Aqui no Brasil eu não me recordo se, de fato, os dois episódios foram exibidos em algum canal da tevê aberta, ou à cabo.

Porém, me lembro que em meados dos anos 90 já tinha visto algumas notinhas sobre o mangá naquelas revistas sobre mangás e animes que enchiam as bancas da nossa adolescência, tipo a Revista Herói e a Revista Animax. Nessas notas, aliás, já surgia o papo de que James Cameron queria adaptar a história para um filme Hollywoodiano. Recém-saído de Titanic e depois de ter ouvido por anos a fio que ele iria adaptar um filme do Homem-Aranha com o Leonardo DiCaprio como Peter Parker, eu confesso que nunca acreditei. Achei que jamais veria Alita Battle Angel em formato de blockbuster americano! Ah, se eu soubesse!

Acabei assistindo, o primeiro OVA, se não me engano, em algum evento de anime perdido pelo Rio de Janeiro em meados de 2000. Em uma salinha apertada, com nerds suados e um vídeo feito por fansubbers, cheio de erros de português e aquelas notinhas do tipo “SENPAI: pronome de tratamento etc. etc. alunos japoneses etc. etc.”. Foi um evento bacana, afinal eu já tinha ouvido falar da série anos antes e sempre tive uma curiosidade de assistir. Mas metade do impacto acabou se esvaindo já que o meu pique adolescente de acompanhar animes começava a diminuir após eu ter entrado na faculdade e tals. A minha paciência para animes de longa duração já não era a mesma depois de 317 reprises de DBZ e CDZ.

Alita “FofaOlete”!

A história.

Os dois OVAs tem em torno de 30 minutos cada um. Parece mesmo uma espécie de “episódio-piloto” para uma série de anime que não foi levada adiante. O primeiro se chama Rusty Angel (“Anjo Enferrujado”, em português) e o segundo se chama Tears Sign (algo como “Sinal de Lágrimas”, japoneses não são muito conhecidos por fazerem traduções boas de inglês pro seu idioma, vai?).

Alita foi achada n’Alata de lixo!

Rusty Angel cobre a origem de Alita, ou Gally, como ela é chamada no original. O doutor-engenheiro em cibernética Ido, encontra os restos de uma ciborgue no lixão da Cidade da Sucata. Essa comunidade é uma espécie de favelão onde caem diariamente os restos de uma cidade flutuante chamada Zalem. Gally não tem nenhuma memória de quem é ou como foi parar no lixão, então, com uma vida praticamente reescrita do zero, ela passa a conviver com Ido e seus companheiros Gonzu e Yugo. Há algumas diferenças entre o anime e o mangá, claro, para efeitos de agilidade no roteiro, mas nada muito gritante, não.

Gally descobre que Ido trabalha secretamente como um “Hunter Warrior”, caçando criminosos em troca de recompensas, já que não existe polícia onde eles vivem. Como ela salva a vida de seu mentor durante uma luta contra o criminoso Grewcica, os dois passam a trabalhar juntos como caçadores de recompensas.

A história conclui em uma luta final entre Gally e Grewcica que havia sido reconstruido por uma rival de Ido, a doutora Chiren. Enquanto isso, correm boatos de que um bandido anda roubando espinhas dorsais de pessoas pela cidade para vender no mercado clandestino.

Yugo tinha o simples sonho de ir contra o sistema “yugoverno” e viver para contar a história, tadinho.

Tears Sign é uma continuação direta do episódio anterior e nele ficamos descobrindo que o jovem Yugo, por quem Gally acaba desenvolvendo um crush é o tal bandido que rouba espinhas dorsais. Ele tem o sonho de ir até a cidade alta de Zalem, como forma de homenagear o seu irmão. Para tanto ele se associa com um chefão do crime local que diz a ele que é preciso uma quantidade quase impossível de créditos para levá-lo até Zalem.

Yugo acredita no papo furado e começa a roubar espinhas dorsais porque elas têm um alto valor no mercado clandestino. Já que apesar de toda a evolução tecnológica, as espinhas humanas ainda são difíceis de recriar sinteticamente. Quando está prestes a juntar toda a grana, Yugo acaba sendo surpreendido por um outro caçador de recompensas que o reconhece e coloca sua cabeça a prêmio.

Mal foi e já tinha Ido com seu porrete-foguete! “Porguete”? “Forrete”?

Gally passa a procurá-lo, sem acreditar que ele seja mesmo o ladrão de espinhas. Ao encontrá-lo, no entanto, ele confirma tudo e conta sua história triste de como seu irmão infringiu a lei e montou um balão para ir até Zalem e foi morto por um caçador de recompensas dentro de casa, diante de seus próprios olhos. Gally decide então ajudá-lo.

Os dois acabam sendo surpreendidos pelo mesmo caçador que matou o irmão de Yugo e o pau come. O rapaz acaba sendo ferido mortalmente, mas Gally consegue levá-lo até Ido para que ele lhe salve a vida. Chocado por ter sido transformando num Ciborgue por inteiro, Yugo faz uma última tentativa desesperada de alcançar a Cidade Alta através de seus cabos de sustentação. Gally tenta impedi-lo e salvá-lo mais uma vez, sem sucesso.

Yugo acaba sendo dilacerado pelos sistemas de segurança antes que Gally o impeça, e seus restos caem no lixão abaixo.

Grewcica, o vilão sinistrão comedor de cérebros (e difícil de fazer trocadilhos)

Tô LendoPontos Fortes
  • Boa Animação. Anime classicão. Antigo. Com um traço que não é muito parecido com os animes mais novos, mas com cenas de ação muito bacanas.
  • Curto. Sem muita enrolação ou churrumelas. Vai direto ao ponto, até porque não tem muito tempo a perder.
  • Disponibilidade. Fácil de achar. Revi agora há pouco, antes de escrever essa coluna, no YouTube mesmo. Tem legendado pra todos os gostos e até uma dublagem (ruizinha) feita por fãs.
Tô Lendodesvantagens
  • Diferente do Mangá. Se é que você liga muito pra isso. Como o anime vai direto ao ponto, muitos detalhes, que ajudam o mangá a ser até mais complexo, passam batido. Tipo a origem do “corpo de lutadora” da Gally/Alita.
  • Curto. Agora no mal sentido. Não que eu quisesse 300 episódios esticando a trama e lutas de cinco minutos que duram 17 semanas, mas bem que podiam fechar a série com uns 8 ou 10 episódios ao invés de 2.

Quando eu comecei a andar com uma galera que curtia animes na época da faculdade, acabei conhecendo esse mundo dos OVAs e lembro de ter visto bastante coisa bacana. Lembro também quando a Manchete resolveu fazer um programa chamado U.S. Mangá (ÁÁÁÁÁ-ÁÁ) que passava umas séries curtas e uns originais para vídeo mega-violentos e super maneiros. Mas a rebobinada desse programa fica para outro dia. Heh.

Se você estiver interessado no filme novo de Alita, acho bacana dar uma olhada nos OVAs disponíveis na internet, ou mesmo uma lida rápida no mangá. Com certeza vai dar um novo ar para curtir a nova história, mesmo com a heroína banhada no Uncanny Valley.

Gunnm: Hyper Future Vision / Alita Battle Angel vale umas três rebobinadas direto pra vídeo! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-11T23:44:47+00:00 11 de fevereiro de 2019|11 Comentários