Rebobinando #63 | Invasão!

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Se você curte o Arrowverse, com certeza você curte os crossovers anuais que unem as séries do universo televisivo da DC Comics. Em geral esses crossovers são baseados não só em histórias antigas como em “linhas editoriais” antigas. Tipo o Elseworlds de 2018, ou então a minissérie que inspirou o crossover de 2016! Se você não sabe do que eu estou falando, tira essa camiseta do bazinga e vai num sebo catar a minissérie Invasão!

As capas das edições brasileiras!

Invasão! foi uma saga publicada pela DC em 1988-89 que reunia vários heróis da editora contra uma aliança de alienígenas que, bem, invadiram a Terra (d’oh). Aqui no Brasil as três edições saíram entre 1990-91 pela Editora Abril. A história teve seu argumento produzido pelo recém-chegado Bill Mantlo, roteirista de inúmeras histórias do Homem-aranha, Micronautas, ROM Spaceknight e co-criador do Rocket Raccon, olha só. O roteiro ficou nas mãos de Keith Giffen, mais conhecido pela “fase comédia” da Liga da Justiça. A mini também contou com três desenhistas diferentes, Bart Sears, o próprio Giffen em algumas edições e um novato no mundo dos quadrinhos, um tal de Todd McFarlane (popularmente conhecido por aqui com o “tio Todd”).

O roteiro conseguiu juntar ainda vários grupos que estavam nas mãos de Giffen na época. A já mencionada Liga da Justiça Internacional, mas também a Legião de Super-heróis e os Omega Men (uma espécie de “Guardiões da Galáxia” da DC #marvete). A diferença para as outras várias histórias de invasão alienígena, é que não é só uma raça que quer dominar o planeta, mas várias. A primeira edição da mini vem com um “A Aliança Alienígena” estampado logo na capa.

Como de praxe, uma edição especial imitando o jornal Planeta Diário foi lançada antes da minissérie, nos EUA.

Tudo parte de uma raça chamada Domínions. Uns carinhas que tem bem a cara dos monstros que o McFarlane A-DO-RA desenhar. Dedos longos e bocas cheias de dentes que te fazem perguntar “como diabos esses bichos conseguem pronunciar tão bem as palavras?”. Como diz o nome, eles são uma raça que curte viajar pelo universo dominando outras raças. Acontece que com o crescente número de meta-humanos na Terra, eles começam a se preocupar se isso de alguma forma vai interferir em seus planos de dominação universal. Eles convocam uma aliança entre outras diversas raças, entre elas: os Khundíos e os Durlanianos (inimigos da Legião), os Thanagarianos e os Daxamitas (conhecidos dos fãs do Super-homem). E os outros, meio buchas são tais de Gil’Dishpans, Psions, Cidadelanos e Okaaranos.

Cada uma dessas raças trazia um elemento à mesa da invasão. Uns eram a força de batalha, outros eram os fornecedores de armas, ou cientistas genéticos, ou apenas observadores, etc. Cada um com uma função na invasão, seja ela de ir à luta ou de estudar a espécie humana e tentar entender o que fazia dela tão mutável. Mas mesmo com toda essa força, chega a ser engraçado ver todo mundo com medo do Darkseid num determinado ponto da primeira edição. O líder de Apokolips aparece para deixar uma mensagem que dizia basicamente: “façam o que quiserem com a Terra, só não a destruam ou sentirão a minha ira”. E todo mundo põe o rabinho entre as pernas e responde “não, não, beleza, tá ok, tá de boas”. Porque a última coisa que você quer no universo é criar caso com o Darkseid.

Os heróis da Terra comandam diferentes frentes de batalha!

Três contra um em Vladivostok

Como todo bom tabuleiro de War, a invasão começa na Austrália. Provando que a fama de “lugar mais assassino do mundo” é só mais uma piada, a terra do Outback se rende facilmente. Primeiro porque as forças da aliança não contavam com os Daxamitas ganhando poderes do nível do Super-homem assim que botassem os pés na Terra. Segundo porque o único herói da Austrália é um espécie de Batman de quinta categoria chamado Demônio da Tasmânia.

Na edição seguinte, abrimos com o mundo todo sendo atacado em lugares como Rússia, Inglaterra, o Círculo Ártico e Cuba (sim, eles foram pra Cuba). Tudo obviamente amarrado com uma porção de tie-ins espalhados nas revistas de linha. Enfim, o plano dos alienígenas parecia bem sólido, mas eles não contavam com a investida em massa de todos os heróis da Terra. Destaque para a sempre fodona Amanda Waller dando um jeito de enfiar sua Força-Tarefa X no meio do bolo, aumentando ainda mais o poder de fogo dos super-heróis. Além disso, no espaço, heróis como Adam Strange entram infiltrados em um campo de concentração de humanos e aliens em uma das naves começam a levantar um motim.

As capas americanas da minissérie!

A aliança alienígena toma uma bela duma porrada quando os Daxamitas mudam de lado graças ao Super-homem e tudo parece terminar na maior paz logo na edição #2. Mas no início da edição #3, um dos Domínions restantes, detona uma Bomba Genética no planeta. Os efeitos dessa bomba são sentidos por vários heróis ao redor do mundo, deixando-os sem o controle de seus próprios poderes. Alguns poucos não são afetados por serem humanos, ou terem a origem de seus poderes fora do campo genético. No fim, Maxwell Lord deduz que um antídoto deve existir apenas no planeta natal dos Domínions e envia uma equipe para lá. Assim sendo, um time encabeçado por Hal Jordan e Guy Gardner levam Starman, Homem-Robô, Soviete Supremo e o Caçador de Marte ao mundo inimigo. No caminho, encontram os Omega Men e o Super-homem e todos partem nessa missão quase suicida.

Num elaborado plano que envolve muitas idas e vindas através do espaço e muita porrada, os heróis conseguem a receita do antídoto e sintetizá-lo à caminho da Terra. Justamente quando os maiores médicos do planeta se juntam para dizer que falharam em conseguir a cura, o Super-homem, do espaço, lança o antídoto na atmosfera, salvando todos.

As reações adversas à Invasão, no entanto, se fizeram sentidas por muito tempo depois. Afetando as storylines do Flash e Super-homem, por exemplo. Na morte de integrantes da Patrulha do Destino, abrindo caminho para a reformulação de Grant Morrison. E até em algumas histórias do próprio Morrison também para o Homem-animal. Além de alterar os poderes da Fogo (nossa brasileira) e de dar poderes de controle da mente para Maxwell Lord.

Um dos Domínions se vangloria de criar a Bomba Genética, que afeta apenas os meta-humanos da DC.

Tô LendoPontos Fortes
  • Roteiro. Tirando a extrema politicagem que toma conta da primeira edição, a minissérie tem um ritmo bacana e explora uma idéia já meio cansada de uma perspectiva um pouco diferente. Pelo menos a princípio. Tem bastante ação e bastante aparições especiais pra agradar todo mundo.
  • Efeitos. Muitas consequências dessa minissérie foram sentidas por um tempo no universo DC, interferindo na vida de diversos heróis. Em especial toda a problemática em torno do Maxwell Lord e sua “virada para o mal” em Crise Infinita.
Tô LendoPontos Meh
  • Tio Todd. Eu gosto muito do Todd McFarlane mas como todo artista iniciante, o traço dele ainda tava meio tosquinho. Em 1988 ele estava trabalhando há uns três ou quatro anos. Dá pra ver que seu traço estava “assentando” para o que conhecemos e com umas splash pages até bacanas, mas seria só a partir de 1990 mesmo que ele definiria o seu traço super-detalhista em Spider-man.
  • A primeira edição. Ao reler a história, senti que o início é bem focado na política da Aliança Alienígena. Tudo fica com aquele gosto meio chué, tipo Star Wars: Episódio I. Quando tudo o que você quer ver é Jedi dando porrada, mas o George Lucas entope metade do filme com bloqueios comerciais e apostas em corridas. Mas passando daí é só diversão!

Invasão! acabou transformada num mega-evento de crossover das séries do arrowverse em 2016 e ficou bem bacana! Unindo as séries do Flash, Arrow, Supergirl e Legends of Tomorrow, adaptando bem a história geral da minissérie. Com menos aliens e mais novela, claro, mas é o que tem pra hoje. Nos anos seguintes eles viriam com uma história original , Crisis on Earth -X, e com uma adaptação não de uma história em si, mas de um selo de histórias da DC de um certo sucesso no passado, o Elseworlds.

Trailer de Invasion!

O Elseworlds surgiu nos anos 60 com o nome de Imaginary Stories e se tratavam justamente disso, “histórias imaginárias” onde os roteiristas podiam escrever os maiores absurdos sem se preocupar com algum tipo de cronologia. Ainda naquela época não havia taaaaanta preocupação com isso, é bem verdade, mas ainda assim foi daí que saíram pérolas que foram adaptadas pros próprios quadrinhos da DC décadas depois, como Superman Azul e Superman Vermelho, ou Clark Kent revelando seu segredo à Lois Lane para depois pedí-la em casamento. Depois outras histórias foram publicadas e mesmo depois da descontinuação do selo, histórias passadas “em outras Terras” foram sendo consideradas elseworlds mesmo assim.

E você? Tem alguma outra saga antiga da DC Comics que você gosta mais? Qual outra saga você acha que seria mais maneira de adaptar aos seriados ou ao universo cinematográfico da editora?

Invasão! é uma saga boa, mas nem tanto, então vale três rebobinandos! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-12-22T02:16:32+00:00 17 de dezembro de 2018|1 Comentário