Rebobinando #58 | Sunset Riders

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Recentemente, a galera do “prêisteishon” tem andado em polvorosa com a chegada de dois jogos maneiríssimos, um do Aranha e um de Caubóis! E enquanto o PS4 que eu pedi pro Papai Noel não chega, eu vou matando a saudade jogando alguns clássicos aqui no emulador. Segura o chapéu e corre por cima da boiada que hoje a Rebobinando é sobre Sunset Riders! WOO-HOO!

Cormano é o maior caubói latino do velho oeste! Onde já se viu chegar num saloon e pedir LEITE? Não a toa a palavra preferia dele é “coragem”!

Gente, eu A M A V A jogar Sunset Riders! Durante um bom período da minha vida era o meu jogo preferido para alugar nos sábados de manhã e devolver só na segunda-feira pagando uma diária. Nunca zerei, porque apesar de ter um videogame e curtir jogar, eu nunca fui muito bom em praticamente nenhum jogo. E muito embora durante a minha pesquisa para escrever esta Rebobinando, eu tenha descoberto que a versão de Sunset Riders pro Mega Drive era insanamente mais difícil, isso não ameniza o fato de que eu era bem ruim mesmo com um joystick nas mãos.

Das minhas preferências, eu sempre curtia jogar com o Cormano. O latino de escopeta com um tiro que abrangia mais áera e não precisava de mira. Pensando bem, eu sempre fui meio Team Luigi quando jogava esses jogos co-op para duas pessoas. Com exceção de Streets of Rage, claro, porque o Axel era o mais bem-balanceado dos três. Enfim. O Cormano era irado! Ele tinha um sombrero! E eu não precisava mirar! Era bem isso!

Se não fosse o Cormano, os Sunset Riders teriam todos nomes de personagens de sitcom dos anos 90!

Arcade, Konami e as Tartarugas Ninja

Sunset Riders nasceu como um fliperama no Japão em 1991. Criado pela Konami, a empresa responsável pela maioria dos jogos das Tartarugas Ninja na época, seu case de arcade seguia o mesmo sistema dos quelônios mutantes adolescentes. Desenvolvido para quatro jogadores, você escolhia o personagem de acordo com a posição na máquina e não dentro do sistema do jogo. Os personagens eram Steve, que usava uma pistola, assim como Billy. Bob, que usava um rifle, e Cormano, o latino cor-de-rosa que usava a escopeta!

O jogo seguia uma história simples. Nada de namoradas raptadas ou salvar o mundo. Os jogadores nada mais eram do que caçadores de recompensa e, seguiam por uma série de oito fases indo atrás de bandidos procurados! Cada fase tinha um chefão específico, obviamente, e todos seguiam rigorosamente os clichês dos filmes de faroeste americanos. Tinha o chefão ganancioso, tinha os chefões irmãos gêmeos, assim como tinha os chefes latino e o nativo-americano, ambos tratados de forma levemente racista (levemente?). Após as oito fases, o jogo voltava ao início com uma dificuldade maior.

“Me enterrem com o meu dinheiro.” – GREEDWELL, Simon.

Deixa o Arcade pra lá! E o Mega Drive?

Pois é. Eu nunca cheguei a jogar Sunset Riders para fliperama e pode ser que eu esteja enganado, mas acho que nunca esse jogo veio pro Brasil. O que eu peguei pra jogar mesmo foi a versão para Mega Drive! E cara, que deleite! Lançado em 1992 pro sistema da Sega, essa versão era consideravelmente diferente da versão do arcade. Tão diferente que muitos consideram um jogo inteiramente novo e, consequentemente, pior. Como eu não tinha (nem tenho) essa base de comparação, para mim o jogo funciona perfeitamente bem. Como os sistemas naquela época ainda não permitiam os chamados “party games”, onde quatro pessoas ou mais desfrutam do mesmo jogo ao mesmo tempo (Oi, Nintendo Sixty-FOOOUUR), os personagens originais foram reduzidos de quatro para dois.

Billy e Steve eram bem parecidos, então os desenvolvedores cortaram Steve da jogada! Fizeram o mesmo com Bob que era parecido com o Cormano. As fases do jogo também foram “reduzidas”. De oito para quatro. Digo “reduzidas” entre aspas mesmo porque no fim das contas ainda existem oito fases, porém apenas quatro chefões permaneceram. As fases acabaram sendo divididas em 1) Salve a Donzela, e 2) Mate o Chefão. E dos oito chefões do jogo original, os que permaneceram no Mega Drive foram Simon Greedwell na cidade, Paco Loco no trem, Chief Scalpem nas montanhas e Sir Richard Rose, na mansão. Este último você tinha que matar duas vezes porque ele usava o mesmo macete que Marty McFly copiou de Clint Eastwood em De Volta para o Futuro Parte III.

No Mega Drive você tinha que salvar a donzela antes de ir atrás do bandidão!

Mas eu joguei no SNES

Pois então, o sucesso foi tão grande e o jogo foi tão bem recebido (mesmo o do Mega Drive, a princípio) que no ano seguinte, em 1993, a Konami finalmente lançou Sunset Riders para o Super Nintendo! E mesmo que os gráficos do SNES não superem o do Mega Drive, porque ele tem MAIS DE DEZESSEIS MILHÕES DE CORES, após o lançamento dessa versão, todos acabaram concordando que ela é a melhor. Mas só porque ela é a mais aproximada da versão original.

Porém a versão do SNES acabou vindo mais “politicamente correta”, tirando alguns detalhes como as “meninas do saloon” que dão um bônus quando o personagem entra correndo no estabelecimento. Agora o personagem sai terminando de beber uma garrafa. Trocaram as vaqueiras que usavam a dinamite, e também os nativos-americanos da fase das montanhas, por caubóis. E o Chief Scalpem (um trocadilho com a palavra “escalpelar”)  mudou de nome para Chief Wigwam. Achei bacana terem um pouquinho de bom senso na nova adaptação, em especial com os nativos-americanos, mas teve muita mudança de detalhe que pareceu desnecessária no fim.

Os Chefões do Mega Drive. Quem causasse mais dano aos chefões de fase, levava a pontuação da recompensa.

Tô LendoPontos Fortes
  • A música. Apesar de ser aquele sonzinho midi de videogame, as música são bem bacanas e tem um tom de música de velho oeste mesmo. Não chama a atenção a ponto de te distrair, mas não é ruim também.
  • Os gráficos. Para Mega Drive, pelo menos, eu acho os gráficos muito bons. Os sprites estão bem coloridos e os cenários tem uma porção de detalhes bacanas que te permitem até uma certa interação na hora de matar os capangas.
  • Diversão. Se você for ruim de jogo como eu, são horas de diversão e tiroteio. Se você for bom como uns caras que eu vi no youtube, são pelo menos uns vinte minutos de distração. O jogo ainda dá pra duas pessoas! Não é lá um “nossa, mas que party game do caráleo”, mas quebra um galho.
Tô LendoPontos Meh
  • Culturalmente Insensível. Bom, como muita coisa relacionada ao velho oeste, alguns detalhes envelheceram mal. Não que isso te impeça de curtir o jogo, mas acho que vale a pena mencionar.
  • Três versões. Eu acho meio mala o mesmo jogo ter três versões diferentes. Quem entende um pouco mais de videogame sempre pergunta “qual versão eu devo jogar?” e eu acho que isso é mais um atravanco do que um ponto bacana. Por mim ele poderia ser o mesmo com apenas alguns detalhes trocados, mas pode ser que isso seja só birra minha porque eu só joguei a versão do Mega Drive que aparentemente toda a internet concorda que é a pior de todas.

Não contente em matar vários índios, você derrota o chefe em solo sagrado e a irmã dele ainda tem que implorar por sua vida. Do outro lado, Sunset Riders preparando terreno pra uma das grandes polêmicas de GTA!

Assim como falei do jogo do Homem-Aranha para arcade em preparação para o jogo do PS4, Sunset Riders para mim foi “O” jogo de caubóis da minha geração em preparação para o lançamento de Red Dead Redemption 2. Se eu acho que valeria um remake meio open world com os personagens de Sunset Riders, no mesmo estilo de RDR? COM CERTEZA! Ou pelo menos a Rockstar poderia entrar num acordo com a Konami e lançar umas skins num DLC qualquer da franquia! Imagina jogar com o Cormano num ambiente de velho oeste com os gráficos do PlayStation?

Os Cavaleiros do Sol Poente.

E você? Qual versão do jogo você chegou a jogar? Lembra de mais algum outro jogo de caubói? Conta aí nos comentários!

Sunset Riders vale com certeza cinco rebobinandos, parceiro! YEEE-HAW! ⭐⭐⭐⭐⭐

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-12-06T01:38:34+00:00 12 de novembro de 2018|2 Comentários