Rebobinando #57

Mais rápido que uma bala! Mais poderoso que uma…? Não péra. É só mais rápido que uma bala mesmo! Antes do seriado em 2014 com um ator magricela e fofinho, o velocista escarlate mais querido do multiverso teve uma versão BEM mais bombada em 1990. É isso aí! A Rebobinando de hoje é sobre The Flash, o seriado de 1990!

Com a chegada de Batman aos cinemas em 1989, iniciava-se nos anos 90 o que poderíamos chamar de “a renascença dos super-heróis”. Até então, havia apenas os filmes do Super-Homem com o Christopher Reeve, que foram caindo em qualidade a cada continuação. Sem falar nas outras bombas da Marvel e DC da mesma época como O Justiceiro (1989) com Dolph Lundgren e Supergirl (1984) com a Helen Slater. O clima sombrio estabelecido pelo diretor Tim Burton trouxe novos ares às histórias de super-heróis que, nos quadrinhos da época, já estavam bem mais sérios do que de costume.

The Flash, o seriado bebeu muito dessa fonte ao chegar nas telinhas de tv norte-americanas em setembro de 1990. Já dava para perceber pela abertura ao som de uma trilha sonora composta por Danny Elfman (não por acaso, o mesmo compositor da trilha de Batman). Além disso, as imagens de Central City em geral à noite carregavam consigo uma vibe muito parecida com uma certa Gotham City. O uniforme, que muita gente lembra por ser mais fiel aos quadrinhos e mais bacana que o do seriado atual também era feito de látex, como o do Batman no cinema. Em suma, tirando a cor e o bom humor, The Flash por pouco não foi um seriado do Batman!

O único super-herói que corria com barulho de carrinho de fricção.

O Homem Relâmpago

Aqui no Brasil o seriado foi exibido na Rede Globo, a partir de 1991, inicialmente às terças-feiras, após a novela das 20h. Aos nove anos de idade e não tendo podido assistir ao filme do Batman no cinema, porque meus pais leram no jornal que era “muito violento”, ver um super-herói na televisão era algo fora do comum! Claro, eu já estava acostumado a ver os super-heróis  japoneses da Manchete, mas nada se equiparava a ver um dos personagens do desenho dos Super Amigos ao vivaço e em cores!

Era meio chato ter que esperar a novela acabar para só então poder curtir as histórias “do The Flash”, mas era um sacrifício que a geração de antes da revolução da informática estava preparada para fazer! A vida sem downloads, sem streaming e sem TV a cabo era dureza pra maioria dos nerds, gente. Quando nós chegamos aqui, tudo isso era mato, sabiam? Posteriormente, o seriado pulou dos horários de terça à noite para o horário da tarde, na saudosa Sessão Aventura, mas aí ele já estava naquele eterno ciclo de reprises que matam qualquer um.

Tina McGee era um mix de Iris e Caitlin Snow e Julio Mendez era uma espécie de Cisco sem poderes.

Mais rápido que luz

O seriado tinha um valor de produção altíssimo e era muito bem feito para a época. O custo do episódio-piloto, que equivalia a um episódio-duplo, ou um filme para a televisão, foi da ordem de 6 milhões de dólares! Com cada episódio seguinte custando por volta de 1,6 milhões. No fim esse acabou sendo um dos motivos do cancelamento da série depois de apenas uma temporada com 22 episódios.

Mesmo tendo durado tão pouco, o seriado ficou na memória da maioria dos fãs. Na época Barry Allen ainda estava morto nos quadrinhos e, trazê-lo “de volta à vida” na TV foi um agrado bacana da Warner Bros. e DC Comics aos fãs. Mesmo que o personagem em si fosse uma mescla entre Barry e Wally West. O uniforme, como mencionei anteriormente, também foi um dos grandes motivos da série ser tão bem lembrada, pois era o mais fiel possível ao do personagem das HQs. Feito de látex, ele era um molde de corpo inteiro do ator John Wesley-Shipp! Ou seja, aqueles “músculos falsos” eram os MÚSCULOS DELE MESMO! 😱 No fim, eles deram um jeito do uniforme de borracha ficar com uma cara de “lycra” (segundo eles dizem, mas eu nunca achei), como se fosse “um tecido que se ajustava perfeitamente ao corpo do ator”.

Mas se você me perguntar, eu vou dizer que parece um uniforme feito de veludo vermelho!

Disseram que eu não podia mostrar os músculos, aí eu fiz uma roupa com os meus músculos!

Tá, mas e o Mark Hammil?

A série em si tinha um elenco de apoio grande e uma dinâmica familiar bem diferente da que vemos hoje em dia no Flash atual. Barry tem sua família intacta, pai e mãe vivos, porém o que o lança à vida de combate ao crime é a morte de seu irmão Jay Allen, um policial adorado por muitos na cidade. Iris West aparece apenas no episódio-piloto e o cargo de interesse romântico + assistente de combate ao crime fica para a Doutora Tina McGee, interpretada pela atriz Amanda Pays. O outro “sidekick” do herói fica com o alívio cômico do seu assistente no laboratório da polícia, Julio Mendez, interpretado por Alex Désert.

E ok, ok. Eu sei que você quer que eu fale do nosso querido Luke Skywalker! A série contou com a presença de alguns dos maiores vilões da galeria do Flash, como o Mestre dos Espelhos, o Capitão Frio e, claro, Mark Hammill como o Trapaceiro. No que viria a ser uma prévia do seu trabalho como Coringa no desenho animado do Batman dois anos depois, Hammil ficou tão bem lembrado pelo personagem que posteriormente a Warner Bros lançou um “filme em VHS” com os dois episódios do Trapaceiro editados juntos!

Daqui nós vamos dar uma corridinha até a Tosche Station pra pegar uns power converters!

Tô LendoPontos Fortes
  • Um seriado de Super-heróis! Pô, foi um dos primeiros? Não o primeiro, exatamente, claro. Houve os seriados do Batman em 66, teve um do Superboy em 88 (mas ninguém lembra), etc. Mas na memória das crianças dos anos 80 e adolescentes dos anos 90 esse foi o primeiro seriado nos moldes atuais de seriados. Meio sério, meio bobo, que não tratava as crianças como completos idiotas e tal. Depois dele veio Lois & Clark que era legalzinho, e Batman: The Animated Series, que era bem foda!
  • Efeitos Especiais. Era bem maneiro ver um seriado com uns efeitos bacanas (pra época). Hoje em dia ver o John Wesley-Shipp correndo em fast foward pela rua não deve ser muito impactante, mas eles tinham um jeito de colocar uns efeitos mais bacanas e uma câmera em primeira pessoa em alta velocidade que também era bem maneiro.
Tô LendoPontos Meh
  • Horário. Na época, ter que esperar a novela acabar era quase um martírio. Depois, no horário da tarde ficou mais fácil, mas mesmo assim, se você fosse uma criança que estudava à tarde, ia acabar perdendo.
  • Fácil de achar. O DVD com a temporada completa existe por aí, se você ainda é o tipo de pessoa que coleciona mídia física. Caso não, dá pra achar no serviço de streaming da DC Universe e no seu local para download de preferência. Mas dublado, creio que só o DVD com o episódio-piloto de duas horas.

John Wesley-Shipp tira o mofo do velho uniforme de veludo para o crossover do Arrowverse de 2018!

Ficar velho é ver os heróis da sua época retornarem à televisão para fazer o papel dos pais dos heróis de hoje em dia. Mas não vou negar, ver o Christopher Reeve em Smallville, John Wesley-Shipp no novo Flash, Helen Slater, Dean Cain e Teri Hatcher em Supergirl foi muitíssimo bacana! Mesmo que eles façam personagens diferentes e não estejam mais em forma como antes. O bacana dessas séries novas do CW é que com a introdução do multiverso eles podem brincar com quase tudo e ainda saírem incólumes. Vide o nosso herói dos anos 90 fazendo ao mesmo tempo o papel de Henry Allen, Jay Garrick e muito provavelmente o Barry Allen mais velho de uma Terra Paralela no novo crossover do Arrowsverse!

Por essas e outras, The Flash, o seriado de 1990 vale cinco rebobinadas! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-11-05T15:50:05+00:00 5 de novembro de 2018|2 Comentários
  • Jean Carlos

    Vou da umas 4 rebobinadas pelo uniforme rsrsrs mais na época eu curti também, hoje nem o atual The Flash eu aguento assistir.

    • Eu parei depois do crossover da temporada passada pq desanimei um pouco. Mas agora que saiu na Netflix talvez eu termine o resto.