Rebobinando #53

O Homem-Aranha é um personagem conhecido mundialmente, com diversas versões diferentes nas mais diferentes mídias que você possa imaginar: desenhos animados, filmes, séries de tv e videogames. Enquanto algumas dessas encarnações são lembradas com carinho outras seguem esquecidas para sempre! Com o lançamento recente de um jogo do Cabeça-de-Teia para o PlayStation 4, achei que poderíamos rebobinar uma de suas primeiras incursões no mundo dos games! Te prepara que hoje a Rebobinando é sobre Spider-Man: The Video Game!

Lembro de, molequinho, me perguntar “porque o Aquaman tá só de cueca?”

Quando moleque eu curtia muito ir nos arcades. Como moleque da Zona Sul do RJ a minha opção de fliperamas para ir às vezes era muito limitada ou reservada aos locais mais careiros (embora bem mais impressionantes) nos shoppings da cidade. Era sempre aquela eterna briga e reclamação com os meus pais quando íamos ao shopping comprar alguma coisa (presentes, roupas, etc.) e eu preferia ficar no fliperama me divertindo a ter que andar por hoooras a fio respondendo a perguntas do tipo “Será que sua tia ia gostar desse aqui? E esse?”.

Claro, diferentemente dos arcades americanos, os fliperamas daqui não funcionavam com moedas (os famosos “quarters”, ou 25 centavos). Dependendo do local você tinha que encher o bolso de fichas, ou comprar um daqueles cartõezinhos eletromagnéticos que você “carregava” com uma quantidade específica de dinheiro e ia gastando sem pensar até que na hora em que você mais necessitava de outra vida, o leitor da máquina dizia “você está sem créditos”. ARGH. Quisera eu jogar com moedinhas de 25 centavos, eu ia perder a vida dentro desses lugares.

X-men e Tartarugas, ambos da Konami e ambos me deixaram muito mais pobre!

Diversos jogos da época chamavam a minha atenção, claro. Mas os side-scrollers beat’em up (queu chamo mesmo de “joguinho de porrada”) sempre tiveram um lugar especial no meu coração. Oi, jogo das Tartarugas Ninja! Oi, jogo dos X-Men! Saudades de vocês, seus sumidos! Nunca fui muito fã dos jogos de luta, como a maioria dos meus amigos. Era muito mais provável você me achar jogando alguns dos jogos mencionados acima do que Street Fighter ou Mortal Kombat.

Olhando bem, os créditos não era tão bons assim. Zero, praticamente! #FÓN

O Jogo

Criado pela Sega em 1991 somente para arcades, o jogo era uma coletânea de alguns dos maiores vilões do Aranha! Para um fã de quadrinhos, a quantidade de “rostos conhecidos” no jogo era imensa e apesar de ter opções de personagens um tanto… questionáveis para se jogar, ele levava muito em consideração o apelo para quem curtia mesmo os gibis. Os gráficos eram bem bacanas para a época em que foi lançado e parecia que o jogo tinha saltado direto das páginas de uma HQ para você controlar. Os criadores ainda colocaram uns efeitos de onomatopéia no jogo e balões de diálogo dando ainda mais essa sensação.

O som, por outro lado, não era o forte do jogo. Acho que abafado pelo barulho eterno de um fliperama comum, não devia ser muito enjoado. Mas pegando pra jogar em casa, ou ver o detonado no youtube, acaba ficando meio chato mesmo. A música é um jazzinho tipo de elevador e os capangas morrem fazendo um “yeeeee”, ou “yuuuuu” que dá vontade de matar um depois de quinze minutos jogando.

O Doutor Octopus era um dos vilões mais difíceis do jogo. Você tinha que sacrificar umas duas vidas só pra derrotá-lo rápido.

A novidade ficava por conta do carater “múltiplo” do jogo. Sim, porque ele começava como um beat’em up clássico no estilo Streets of Rage. Mas no decorrer do jogo ele dava uma espécie de “zoom out” e de repente virava um plataformazinho tipo Megaman. Você precisava pular de um lado pro outro, subir paredes, escalar outdoors e trocava os murros e pontapés por bolas de teia atirados à distância.

O jogo acabou muito bem cotado para a época e diversas revistas de videogame tanto dos EUA como aqui lembram dele com um certo apego. Eu, no entando, achava que ele era um “papa-ficha” dos inferno porque ERA DIFÍCIL PRA CARALEO! Ok, que o fato de eu não ser lá um dos melhores jogadores de videogame possa ter contribuído para isso, mas bem que podia rolar um “select mode” no início do jogo, pelo menos.

O bom é que você terminava o jogo igualzinho o Homem-Aranha: SEM GRANA!

A história

Não tem muito mistério (que aliás, não tem mesmo, ele não aparece no jogo). O Rei do Crime está de posse de um bagulho chamado “Sorcerer’s Stone” que dá uns poderes esquisitos aos seus usuários. Podemos traduzir como a tal “Pedra Filosofal” do Harry Potter, mas o fato é que é um artefato místico nas mãos de um vilão. É por causa dessa pedra que o Venom fica gigante logo na primeira fase do jogo! Com certeza essa deve ser a única parte dele que você lembra, porque como o jogo ERA DIFÍCIL PRA CARALEO provavelmente até aqui você já deveria ter gastado umas 37 fichas e seus pais já estavam te chamando para ir embora.

O lance é que durante as quatro longuíssimas fases do jogo, chamadas de “Atos”, você enfrenta quase toda a galeria de famosos vilões do Aranha, passando como Venom, Electro, Escorpião, Lagarto, Rei do Crime, entre outros.

Os Inimigos Mortais do Homem-Aranha! E um do Quarteto Fantástico! E aqueles carinhas do Clube do Inferno? Hein?

Depois de enfrentar todo mundo e tirar a pedra das mãos de Wilson Fisk, os heróis são surpreendidos pelo verdadeiro vilão da parada e vão até a Latvéria dar uma lição no Doutor Destino! O último ato se dá no castelo de Victor Von Doom e você tem que, mais uma vez, encher seus vilões de porrada (e alguns Doombots, claro) até encontrar o verdadeiro Doutor Destino para o confronto final e salvar o dia!

Os heróis.

Vocês sabiam que o sobrenome do Namor é MCKENZIE? Eu sempre achei que ele fosse tipo a Madonna.

Taí uma coisa que eu nunca entendi nesse jogo. Ok, que a Gata Negra parece ser uma opção bacana de se ter num jogo do Aranha. Mas Gavião Arqueiro? Namor? Imagino que tenham rolado alguns team-ups entre eles em algum ponto na Marvel, sim, mas… porque não usar o Tocha Humana, ou mesmo o Homem-de-Gelo ou a Flama, já que eram personagens conhecidos do desenho animado? De tantos personagens secundários que já apareceram nas histórias para escolher…

Cada jogador tinha um ataque especial que tirava um tantinho da barra de vida, então era melhor usar em momentos de última necessidade! O Aranha soltava sua teia com o característico THWIIIIP. A Gata Negra usava sua garra retrátil, o Gavião Arqueiro, bom, atirava flechas e o Namor soltava raios! Não lembro de ver o Namor com poderes elétricos nenhuma vez nos gibi, mas como ninguém liga pro Namor acho que isso nunca veio ao caso! Tirando isso eles eram basicamente os mesmos em matéria de força, velocidade, etc.

Onomatopéias, balões e cores fortes! Do gibi pras telinhas com MAIS DE DEZESSEIS MILHÕES DE CORES!

Tô LendoPontos Fortes
  • Jogaço. Super divertido de jogar, embora um pouco frustrante. De novo, imagino que num fliperama, com os amigos do lado ele fique bem mais divertido do que jogar num emulador na tela do seu laptop.
  • Gráficos. Do gibi pra tela, cara! Os sprites eram muito bem desenhados também e bem coloridos. Se o fato de ser um jogo do Aranha já não te chamasse a atenção, com certeza os gráficos fariam isso.
  • Galeria de personagens. Sério, tem muito personagem e muitos vilões do aracnídeo, todos com a mesma pinta do gibi. Sei que não deve ser um fator muito grande já que a maioria dos jogos do Cabeça-de-Teia incluem diversos vilões, mas eu curto ainda assim.
Tô LendoPontos Meh
  • A música. Nada muito sensacional. O som geral por outro lado também perturba um pouquinho, mas pode ser, PODE SER que eu esteja velho e ache esse barulho todo um pé no saco naturalmente hoje em dia e EI, CAIAM FORA DO MEU QUINTAL SEUS PIVETES!
  • Sem revival. A maioria dos jogos do Homem-Aranha da época ganharam alguns revivals em outros consoles. Mesmo aquele clássico do Aranha vs Rei do Crime (da bomba em NY e do resgate da MJ), saiu pra Mega Drive, Master System, Sega CD e Game Gear. Mais tarde o jogo foi lançado dentro dos pacotes de jogos da Sega para o sistema PlayStation, mas esse aí foi esquecido pra sempre. Se rolasse um reboot, seria bacana!

Eu não era um rato de fliperama, mas aproveitava bem cada vez que eu conseguia ir em um. Esse foi um dos jogos que mais ficou na minha memória e mesmo revendo pelo youtube hoje em dia, foi  bacana pra relembrar o ódio que eu sentia PORQUE ERA DIFÍCIL PRA CARALEO!

Por isso Spider-Man: The Video Game vale quatro rebobinandos e olhe lá! 📼📼📼📼

E você? Gastou quantas fichas nesse monstro? Curtia outros jogos quando ia no fliperama? Conta aí nos comentários! Quem sabe eu não faço uma coluna sobre algum desses outros jogos?

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-10-08T19:14:45+00:00 8 de outubro de 2018|4 Comentários
  • Bruno Messias

    Aêhhh! Promessa cumprida!
    Uma dificuldade a mais que esse jogo tinha: a barra de life (que na verdade era um contador numérico) diminuía automaticamente, sozinha, mesmo sem apanhar! Se não pegasse os corações pra recuperar energia, morria só pelo passar do tempo mesmo! Muito apelativo. E é uma loucura gastar energia por atirar flechas ou soltar teia (se fossem orgânicas vá lá…).
    Como meu primeiro contato com o Venom foi no jogo, quando vi ele nos quadrinhos estranhei que não ficasse gigante.

    • Cara, não lembrava disso dela diminuir sozinha, não. Então era mais difícil ainda do que eu me lembrava!

  • Ricardo Varotto

    Muito bonito, mas achei um absurdo você escolher esse jogo em vez da explosão de visual e sentidos que foi o jogo do Homem-Aranha para Atari, de 1982. Que vergonha…

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    P.S.: Aquela manchinha vermelha e azul abaixo do traço preto é o Aranha.

    • HAHAHAHAHAHAHA!

      (te dizer que na busca por informação pra essa coluna acabei topando com esse jogo do Atari e pensei “nossa, ainda bem queu não joguei isso” Hahah).