Rebobinando #52

UM ANO DE REBOBINANDO!!!! 🎉🎉🎉 FÓÓÓÓÓ! 🎉🎉🎉 ÊÊÊÊÊÊÊ! Ahem. O Homem-aranha tem uma galeria muito variada de vilões, mas lá pelos anos 90, teve um em específico que teimava em aparecer a cada seis meses com seus planos de vingança e reviravoltas! Mas hoje a Rebobinando vai falar da primeira incursão do cara na vida heróica, em São Francisco! Isso mesmo, hoje é dia de rebobinar Venom: Protetor Letal!

A origem de Venom recontada mais uma vez…

Antes de mais nada, deixa só eu agradecer aqui por um ano escrevendo essa coluna que faz vocês (e eu) relembrarem os grandes clássicos da nossa infância, adolescência e, porque não, da jovem vida adulta! É muito bacana conversar com vocês pelos comentários ou pelo twitter (mesmo que em menor grau) e lembrar juntos dessas pérolas há muito esquecidas! E que venha mais um ano da coluna por aqui!

Bom, não vou argumentar de novo aqui o quanto eu sou fã do Aranha de longa data. Já o fiz aqui e aqui e aqui, comentando diversas sagas do Cabeça-de-Teia. O fato é que eu, como todo leitor jovem, curtia um bocado o Venom! Sem conhecer muito do histórico do Aranha na época, eu não tinha muito idéia do peso que era ver o uniforme alienígena de novo, ainda mais se unindo a um cara musculoso sedento por vingança. Mas graças aos famosos asteriscos de rodapé de página, eu pude ir atrás de edições antigas que foram me situando bem no que eu havia perdido.

Ah, esse sorriso lindo, esses olhos penetrantes das capas americanas de “Lethal Protector”.

Pra mim, inicialmente o Venom era só um “Homem-Aranha com boca”. Lembro nitidamente de um grupo de amigos comentando isso sobre a primeira aparição do personagem em Homem-Aranha #104 de 1992. Sendo descrito pelo próprio herói como um cara com todos os mesmos poderes que ele e mais músculos, ele parecia uma ameaça perigosíssima. Não só por isso, mas porque também ele conhecia a identidade secreta do aracnídeo e não ativava o seu sentido de aranha! Criado por David Michelinie e Todd McFarlane (o “tio Todd”), ele e sua bocarra chegaram rasgando os quadrinhos na época e fazendo a cabeça de muitos leitores.

Eu sempre tive pra mim que o Venom também é um produto de sua época. Sendo criado e lançado em meados de 1988 nos EUA, ele durante muito tempo teve uma pinta de Arnold Schwarzenegger envolvido em piche? Era o auge dos filmes de brucutus e o Schwarza tinha acabado de sair de Comando Para Matar e Predador, sabe? E muito embora nem o tio Todd, nem o Michelinie tenham afirmado isso com todas as letras, eu acho que só não vê quem não quer! Anos e anos depois é que foram reduzindo os músculos do personagem conforme aumentavam sua língua, e ainda trocaram o simbionte de mãos umas 78 vezes até ir parar com o Brock de novo.

PARADO! POLÍCIA DA MODA! Os anos 90 ligaram e pediram essa camisetinha baby-look de volta, Brock!

Ok, mas e o Protetor Letal?

Foi uma história escrita pelo próprio Michelinie e desenhada pelo desenhista mais pau-pra-toda-obra da Marvel, Mark Bagley. O ano era 1993 e o personagem já tinha cinco anos de criado e não havia muito bem o que fazer com ele nas histórias do Aranha. Muito por conta de que esse lance de “vingança” não tava colando mais e estava ficando difícil arranjar um jeito de fazer o personagem perder as lutas e ir preso para a Gruta. Só pra escapar de novo, etc. etc. Era uma dinâmica que perigava muito de ir para as linhas de “porque o Batman não mata o Coringa, blábláblá”…?

Então em uma história do Aranha que prometia ser “a batalha final” entre os dois, o próprio Venom acaba causando um acidente que quase tira a vida de sua ex-esposa, Ann Weying. Somente com a ajuda do Homem-Aranha a vida dela foi salva e, finalmente, o vilão compreendeu que o nosso querido herói aracnídeo também salvava vidas inocentes! Eles acabaram fazendo um pacto onde o Aranha se comprometia a não caçar Eddie e o Simbionte, e os dois se comprometiam a não matar mais inocentes em busca de vingança. Fífiti-fífiti, win-win, todo mundo ganha!

Só que como alguém bem disse uma vez: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder!” Então mandaram o Venom de volta para o seu antigo lar, São Francisco, e todo mundo perdeu, porque a história é beeeem mais ou menos!

Quem é que não conversa consigo mesmo enquanto dá um rolê pela cidade…?

A história

Lançada como uma minissérie que depois deu origem a uma revista mensal, ela começa como qualquer outra boa história de um anti-herói dos anos 90. Um punk qualquer tenta roubar uma bolsa em um beco da cidade, ameaça abusar da vítima até que o herói aparece. Ele mata o bandido sem a menor cerimônia e deixa a mulher lá, sã, salva e catatônica por presenciar um assassinato e um monstro horroroso salvando a vida dela.

Eddie Brock passa boa parte do tempo da primeira história tendo conversas expositivas com o simbionte, só para situar o leitor mais novo. E nisso ele tenta levar uma vida mais ou menos correta, tentando não chamar muita atenção. E se você precisava de mais uma prova de que ele é um anti-herói, além de matar um bandido, Venom acaba sendo perseguido pela polícia enquanto dava entrada em um hotel. Pff, nosso “querido herói” não tem um descanso, não é mesmo?

Sempre me perguntei COMO É que ele nunca mordeu a lingua por acidente. Se volta e meia eu faço isso, imagina ele!

Depois de escapar, ele perambula pela cidade sem saber o que fazer e acaba testemunhando um grupo de caras bem vestidos ameaçando um bando de sem-tetos. Ele se mete na história para salvá-los e acaba sendo levado para uns túneis subterrâneos, localizados abaixo de um dos parques da cidade. Lá, esses sem-teto agradecem a ajuda dele e pretendem levá-lo até onde eles moram, quando são atacados por armaduras-escavadeiras gigantes. Durante a batalha o chão cede e Venom descobre toda uma cidade de 1800-e-guaraná-de-rolha escondida embaixo da terra.

Acontece que há muito tempo atrás, durante um terremoto, uma parte de São Francisco foi soterrada e esquecida. Um sem-teto a encontrou por acaso e acabaram formando uma comunidade inteira embaixo da terra. Comunidade inteira mesmo, tipo um condomínio da Barra da Tijuca, mas com pessoas em situação de rua. Tem um conselho, moradores, um reverendo maluco, e tudo o mais! Pensa naquela galera de Matrix Reloaded, era bem parecido. Venom se sente acolhido e resolve ficar, porém, a maioria do conselho o rejeita. Conversando com uma das pessoas que ele salvou, ele descobre que foi rejeitado porque a comunidade não lida bem com forasteiros, ainda mais depois que um magnata local, chamado Roland Treece, resolveu expulsá-los da área. Sabendo disso, ele resolve ir até o edifício do tal magnata para fazer com que ele desista de fazer uma mega-obra nesta área do parque onde fica a cidade subterrânea, esperando que talvez ele seja aceito e tenha um lugar para ficar.

Baba, baby! – Na boa, esse é um dos desenhos mais maneiros que eu já vi do personagem. Queria um quadro dessa cena!

Claro que nada sai como o planejado e o vilão acaba sofrendo uma emboscada de um grupo chamado O Júri. Ironicamente, esses caras vem em busca de vingança. Eles são formados pelo pai e por um grupo de amigos de um guarda que foi morto durante a primeira fuga de Venom da Gruta em HA #114. Após muitas lutas e até uma interferência do próprio Homem-Aranha (que pegou um vôo de Nova Iorque depois que soube onde Venom estava), Eddie e o Simbionte acabam capturados pelo ricaço. Acontece que esse cara também faz parte da Fundação Vida, e entrou em contato com o chefe da Fundação, Carlton Drake, para levá-los para uma instalação fora da cidade. Lá, os cientistas conseguem separar os dois e usam pedaços do simbionte para criar novos seres. Algo muito parecido com o que aconteceu com o vilão Carnificina.

O Cabeça-de-Teia descobre onde Venom está e resolve ajudá-lo! Chegando no local, os dois precisam enfrentar os cinco simbiontes ao mesmo tempo. Mas graças a uma tenicalidade, eles acabam derrotando todos (pelo menos aparentemente) utilizando o “raio maturador”, um dispositivo que fez com que os simbiontes se desenvolvessem tão depressa. Ao utilizar o equipamento, o crescimento dos bichos foi tão acelerado que eles viraram pó quase que instantaneamente, mas deixando os hospedeiros humanos apenas incapacitados.

No retorno à São Francisco, Venom resolve tirar uma satisfação com Roland Treece e numa batalha nos subterrâneos ele acaba descobrindo a motivação do cara. Havia uma remessa enorme de ouro que havia sido roubada em 1800-e-amarrando-cachorro-com-linguíça que foi soterrada junto com aquela parte da cidade. O magnata resolveu bancar uma obra no local com a desculpa de revitalizar o parque e assim procurar pelo tesouro escondido. Venom descobre tudo e, enquanto o Aranha se lutava contra as armaduras-escavadeiras, prende o ricaço.

Em sentido horário: Grito, Tumulto, Agonia, Fago e Flagelo. Os cinco simbiontes da Fundação Vida!

Tô LendoPontos Fortes
  • A história. Não é de todo ruim, mas acontece muita coisa no espaço de seis edições apenas. Aqui no Brasil a saga foi mutilada pela Abril Jovem para caber em uma edição só. Entretanto, temos alguns vislumbres do que era a vida de Eddie Brock antes do Aranha e do Simbionte e ficamos sabendo um pouco mais do passado do personagem.
  • A arte. Eu curto muito o Mark Bagley. Ainda mais dessa época. Acho o traço limpo e uma ação bacana. Me irritou um pouco o traço dele depois dos anos 2000 porque ele me pareceu meio preguiçoso enquanto desenhava boa parte de Ultimate Spider-Man. Mas nos anos 90, um dos melhores Venoms era o desenhado por ele.
Tô LendoPontos Meh
  • A história. É, eu sei. Assim como ela tem pontos legais, eu acho que ela poderia ter sido mais curta e com menos coisas. Acontece coisa demais e você não sente muito perigo em nenhuma delas. Mendigos contra Magnata, O Júri, Fundação Vida e os Simbiontes. Dava pra ter feito, fácil, umas três sagas distintas com cada um dos plots utilizados nessa aqui aprofundando melhor os personagens e trazendo uma sensação de ameaça maior ao herói.
  • A arte. É, eu sei. A arte da mini não é toda do Bagley e no meio da história ela muda para as mãos do Ron Lim. Que, ok, também é competente. Mas eu prefiro o Bagley e acho que ele faria uns simbiontes mais maneiros do que os que o Lim desenhou. Até hoje eu acho o design original do Carnificina uma das coisas mais legais dessa época, embora o personagem seja meio qualquer coisa também.

Tá pra sair o filme do Venom e mesmo achando que não vai ser lá essas coisas, o meu eu interno de 13 anos está gritando de alegria! Segundo o diretor, o filme foi levemente baseado nessa história, Protetor Letal e em outra chamada O Planeta dos Simbiontes. Imagino que seja apenas a parte da Fundação Vida e que deixem de fora o “ricaço que tenta espantar um grupo de sem-teto de uma cidade subterrânea usando uma obra para ir atrás de ouro”.

Venom foi um personagem bacana no início dos anos 90 e sofreu um bocado até mais recentemente quando ele foi levemente renovado. E muito embora eu sinta aquela necessidade quase infantil de que o personagem esteja minimamente ligado ao Aranha, não acho que o maior demérito do filme seja não ter o aracnídeo no elenco. E você? Qual a sua melhor (ou pior) lembrança do personagem? Qual arco de histórias dele você mais curtiu? Conta aí nos comentários e quem sabe eu consigo falar sobre ele em mais um ano de Rebobinando!

Venom: Protetor Letal vale três rebobinadas-aranha! 🕷️🕷️🕷️

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-10-01T11:14:43+00:00 1 de outubro de 2018|6 Comentários
  • Jean Carlos

    Parabens Kadu por 1ano de rebobinadas e nós que agradecemos por vc nos remeter a nossa infância e mostrar pra galera mais nova o que a gente curtia na nossa epóca espero que dure muitos anos nossas Rebobinadas.
    E Venom é uns dos meus vilões favoritos e não é a toa que vai sair um filme solo do cara, e essa história é classica e merece com certeza 3 rebobinadas-aranha.Parabens Kadu!!!!

    • Opa, valeu! 👍🏻

      Eu acho que ele tem histórias mais bacanas, mas essa aí é bem clássica mesmo!

  • Bruno Messias

    Caramba, um ano passado rápido! Que venham muitos outros!

    Meu primeiro contato com o Venom foi no arcade do Aranha (que tinha a Gata Negra, Namor e Gavião Arqueiro… Que time! Podiam ser o Homem de Gelo e a Flama). No jogo ele ficava gigante, até hoje não sei porque… só bem depois li Homem Aranha 104, que tenho até hoje.

    • Eu lembro desse jogo, tô com ele engatilhado pra sair numa Rebobinando próxima aliás. Era bem bacana.

  • Ricardo Varotto