Ele surgiu quando o mundo mais precisava de seu herói. Jovem, impulsivo mas querendo sempre fazer o melhor. Só tinha um problema… ninguém podia chamá-lo de “superboy” porque senão ele perdia as estribeiras! Só que com a volta do filho preferido de Metrópolis, ele ficou meio que relegado ao segundo plano, e aprendeu a conviver com o nome que tanto odiava. Sim, estamos falando dele. De jaquetinha de couro e óculos de John Lennon, o melhor super-garoto da DC! Hoje a Rebobinando é sobre o Superboy dos Anos 90!

Pra início de conversa, já tratei da Morte do Super-Homem outras duas vezes aqui na coluna. Uma quando falei do jogo de videogame lançado pela Blizzard e outra quando falei de Crepúsculo Esmeralda. As duas colunas estão bem bacanas e eu falo bastante sobre a saga lá, se preferir você pode dar uma lida nas duas antes de voltar aqui. 😉

Jaquetinha irada, mermão!

O fato é que a origem do novo Superboy está intimamente ligada ao falecimento do azulão nos anos 90. E não é como se não houvesse outros Superboys espalhados pela editora, ainda mais se considerando os multiversos. Acontece que no período que conhecemos como pré-crise, o Superboy era só uma “prévia” do Super-Homem, na verdade. Clark ainda era adolescente, mas vestia um uniforme e tinha uma identidade secreta e era apaixonado por Lana Lang, sua namoradinha de escola. A dinâmica era a mesma com a da Lois Lane e o Clark adulto e, bom, ao invés de agir em Metrópolis, ele agia somente em Pequenópolis (que depois foi destraduzida para Smallville, o que eu acho péssimo, porque “Pequenópolis” é um nome sensacional)

Nos anos 90, buscando essa remodelação do herói através de sua morte e ressurreição, os editores lançaram quatro Super-Homens diferentes, cada um com uma particularidade. Durante a saga, um se revelou como vilão, outro como um ex-vilão que se sacrificou, deixando outros dois heróis vivos, com um potencial de carregar o próprio gibi: Aço e Superboy.

De boa na lagoa, bróder!

O herói

A sensação que ficou foi a de que a DC Comics estava tentando emplacar o seu próprio Homem-Aranha (coisa que a Marvel também tenta emplacar de 10 em 10 anos – Nova, Speedball, Falcão de Aço, Aranha Ultimate, Miles Morales, etc.). Parecia cópia? Nem tanto. Era divertido? Ô, se era! O bacana era que ele não tinha o menor freio pra falar besteira e uma das primeiras providências que ele tomou ao fugir do ultrassecreto Projeto Cadmus foi bater na janela da Lois Lane e dar uma entrevista dizendo que era um clone do Super-Homem criado pelo ultrassecreto Projeto Cadmus. Fazendo que ele deixasse de ser “ultrassecreto”, óbvio.

A dinâmica das histórias iniciais girava em torno do Cadmus tentando recuperá-lo, e depois só se contentando em fazê-lo calar a boca. Claro que no fundo havia umas suspeitas sobre de quem ele seria clone já que não era possível tirar sangue do Super-Homem, e eu lembro de algumas indicações do escritor inicial Karl Kesel de que ele provavelmente seria um clone do Diretor Westfield, o cabeça do Cadmus.

O personagem era impulsivo e às vezes era meio chato. Ele sempre queria bancar o fodão, mas como ele era um clone com menos de um ano de vida, mas “envelhecido no barril” pra aparentar 16 anos física e mentalmente, isso abria espaço para as inúmeras lições de moral. Ele não teve um tio Ben pra impulsioná-lo à vida heróica, então ele estava sempre metendo os pés pelas mãos.

A cada 5 páginas ele mencionava a maldita telecinésia táctil! Fizeram até piada com isso em algumas edições.

Poderes

Eu gostava do personagem porque apesar de ser um clone do Super, ele tinha poderes diferentes do dele. O mais maneiro e também o mais estúpido foi o que escolheram chamar de Telecinésia Táctil. Porque oras, se telecinese siginifica “mover coisas à distância” e táctil significa “tocar, encostar”, então telecinese tátil deveria ser isso aqui.

Tipo. Todo mundo tem! Se você levanta um copo na mão você tá usando, OOoOoOoOhhh, sua “telecinese tátil”, OooOooOOOoohhh.

Mas deixando de lado minha birra com o nome, o poder se traduzia numa aura que ele possuía ao redor do corpo simulando assim sua superforça, invulnerabilidade e poder de vôo. Só que ele também era capaz de expandir essa aura, o que o permitia explodir coisas com o toque, lançar objetos apenas encostando neles, essas coisas.

Sua invulnerabilidade, porém, tinha um defeito com relação ao fogo e calor. Ele podia até não se ferir ou se queimar, porque bem, a aura de invulnerabilidade o protegia, mas sentia a dor das queimaduras como se fosse real. *ai* Ou seja a aura o protegia do dano, mas não da sensação. Acredito que com as porradas fosse diferente porque a tal da aura absorvia as pancadas, mas aí é a lógica dos quadrinhos funcionando.

O elenco de apoio: A repórter Tana Moon, a filha Roxy Leech, o telepata Dubbilex e o empresário Rex Leech.

Personagens

A galeria de personagens dele tentava ser bem engraçadinha na época, mas bateu uma deprê aqui quando eu fui reler algumas das histórias porque alguns dos personagens eram meio chatos mesmo. Eu to falando de Rex Leech, o “empresário” do Superboy. Por algum motivo, alguém achou que seria maneiro ele ter aquele tipo de empresário que tá mais para um “agente de celebridade”, que só arranja trabalho meio #fuén, sabe? O próprio nome do cara era uma piada com “sangessuga”. Enfim.

Rex tinha uma filha, Roxy Leech, que na verdade não servia muito para história a não ser estabelecer um potencial triângulo amoroso com o herói e sua namorada, Tana Moon, a repórter. O que parecia meio estranho na verdade, se você parar pra pensar. O garoto tinha teoricamente 16 anos, mas Roxy era mais velha e já tinha terminado o segundo grau, então a gente pode chutar que ela tinha, 18? 19 anos? E Tana Moon já era uma repórter e estava buscando o seu primeiro trabalho quando conheceu o herói, o que a colocaria com uns 21? 22 anos talvez? Ora, ora, temos aqui um Xeroque Rolmes e talvez duas donzelas na cadeia. Mas como o mundo é machista ninguém nunca pensou duas vezes sobre nenhum dos casos.

Roxy vs Tana. Já vi hentais começarem do mesmo jeito…

Roxy era meio cabecinha de vento, mas no decorrer das histórias ela se distancia bem do espírito sanguessuga do pai e acaba se tornando uma das melhores amigas do Superboy. Tana Moon, bom, também. Ela se torna uma repórter com um certo renome na sua rede de tv e cobre sempre os casos do herói.

Não podemos também esquecer de Dubbilex! Talvez o personagem mais centrado dessa galera. Ele era um D.N.Alien que é, heh, um clone humano alterado para se parecer com uma forma de vida alienígena e com poderes. Jesus. O que seria de mim sem a wikipedia? Hahah. Criado por Jack Kirby, o nome “Dubbilex” é uma brincadeira com “double helix”, ou “dupla hélice” que forma o D.N.A. Enfim, ele era uma espécie de tutor para o jovem herói e sempre ajudava com os treinos e mantinha um “relatório” para o novo e bonzinho Projeto Cadmus. Posteriormente, quando o Superboy volta a trabalhar para o Projeto, Dubbilex e o Guardião se tornam seus colegas de equipe.

Superboy vs Cobra Venenosa. O herói chegou a usar por um tempo um visor de raio-x e visão de calor.

As histórias.

No final, não lembro de tanta coisa assim. Tive que reler um bocado de coisa empoeirada para saber mais ou menos o que falar aqui. Mas durante um bom tempo o Superboy atuou no Havaí o que era um ponto bacana, vai? Saindo de Metrópolis e Gotham e Bludhaven e todas essas cidades fictícias da DC. Ele acabou ganhando uma galeria de vilões bacanas, muito embora alguns tenham morrido sem mais nem menos e ele passou relativamente incólume por algumas das sagas mais rebooteiras da editora, Zero Hora.

Escritas e desenhadas em sua maioria pelos criadores Karl Kesel e Tom Grummet, as histórias tinham um tom bem pra cima, não se levando a sério mesmo. Além disso, tentaram bombar as edições com inúmeros crossovers, entre eles o Lanterna Verde Kyle Rayner, a Legião dos Super-Heróis, o Aquaman barbudão e com a mão de arpão, os heróis da Milestone Media (Super Choque, Ícone, Rocket, etc) e, claro, o próprio azulão de mullets.

“Passou relativamente incólume por Zero Hora”, ah tá. Tá bom.

Tô LendoPontos Fortes
  • Herói novo e Histórias Simples. Pelo menos a princípio as histórias eram bem humoradas, com ação e o Superboy agindo como um típico adolescente com superpoderes. Nada que precisasse de 30+ anos de cronologia reversa sendo pesquisada para entender alguma coisa (tô te olhando, X-Men).
  • Tom Grummet. Acho o desenho dele muito  bacana. E tá fincado na minha memória como o eterno visual do Superboy. Achei meio nada a ver esse lance dele usar só calça jeans e camiseta depois de um tempo, porque eu curtia bastante o uniforme original. Pena que ele nunca desenhou nada do Aranha na época porque eu acho que ia cair feito uma luva.
Tô LendoPontos Meh
  • Bagunça. Ok, teve até bastantes edições por aqui e a revista foi publicada pela Abril Jovem de 1994 a 1999. Mas era aquele negócio, né? Cortando umas histórias, não publicando outras. Catando aqui pela internet por exemplo, não tenho certeza se a Abril chegou a publicar a mudança de fase que eliminou quase todo o elenco de apoio do início da série.
  • É divertido, mas não é super memorável. Foi o que eu comentei de rolar uma certa decepção de reler algumas dessas histórias. Eu tinha uma memória afetiva muito boa com relação ao personagem e apesar de alguns arcos de história bons, não era nada NOSSA PUXA MAS QUE REVISTA BOA, HEIN? E às vezes é só isso mesmo.

No fim, a parte mais triste mesmo foi quando decidiram se livrar do elenco de apoio no por volta da edição #50 americana. Não lembro se chegou a ser publicada aqui, porque essa foi uma das coisas que eu sempre me perguntei quando revi o Superboy em outras histórias de outros gibis. Acontece que depois de um fiasco com o evento de lançamento de um parque de diversões do Superboy, o herói se afasta e é atingido por um raio numa tempestade em pleno mar a caminho do Havaí. Desaparecido por meses, todo mundo acredita que ele tenha morrido e, numa edição bem triste, Roxy tenta encontrá-lo de todas as maneiras, buscando ajuda de todos os heróis com quem Superboy teve contato.

A “morte” do Superboy…

No final, ela desiste de procurar e vai tocar sua nova vida sozinha, enquanto Tana Moon aceita o emprego dos sonhos em outra cidade, Dubbilex é chamado de volta para o Cadmus e Rex Leech… bem, é bem provável que ele tenha se metido em outra enrascada e morrido. Juro. Ele manda uma carta para o Superboy sem saber que ele tinha sumido e pede ajuda dizendo que se o herói “não aparecer, é bem provável que ele mesmo (o Rex) não esteja mais disponível para ajudá-lo”. Mega deprê.

Ainda assim, acho que essa primeira fase do Superboy vale pelo menos três rebobinadas. 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.