Rebobinando #43 | Homem-Aranha e Wolverine: Percepções

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Dizem que há uma regra na Marvel que dita que se você quer aumentar as vendas de um gibi basta colocar o Wolverine ou o Homem-Aranha na capa. Um crossover com um destes heróis é praticamente garantido que vai vender que nem água em engarrafamento no verão. O fato é que os dois já se encontraram várias vezes ao longo dos anos e é um encontro sempre bacana de se ver. Porém, hoje falaremos somente da mini em duas edições Homem-Aranha & Wolverine: Percepções!

Já falei da fase do Aranha pelas mãos do tio Todd McFarlane algumas vezes. Mais especificamente na Rebobinando #5 (Tormento) e na Rebobinando #25 (O Rapto de Mary Jane). Vocês acharam que eu só ia falar de novo dele na Rebobinando #45, mas é que eu fiquei sem ideias, desculpa. O fato é que eu sou um grande fã do Aranha e muito em específico desta fase, porque foi justamente nela em que eu comecei essa peleja que é a vida de nerd de quadrinhos. E porque o tio Todd é um gênio, dá licença!

Lançada aqui no Brasil em Junho e Julho de 1993, a minissérie, se é que podemos chamá-la assim, é uma compilação de cinco edições da revista americana Spider-Man. A história foi publicada nos EUA em 1991 entre os números #8-12 e conta, obviamente, com a participação do baixinho cabreiro Wolverine e do monstro mitológico canadense Wendigo.

Tio Todd desenha muito e põe os heróis cara a cara! Mas pra explicar o plot ele enche tudo de balão!

O tio Todd.

Já comentei nas outras colunas (vai lá ler) muita coisa sobre o Todd McFarlane da época, e em como era muito bacana ver uns prenúncios do Spawn nessas edições da revista que a Marvel deu de presente para ele escrever e desenhar. Então só um pequeno adendo aqui de como essa história parece um “prólogo” do vilão que seria apresentado em Spawn #5, o sorveteiro do inferno chamado Billy Kincaid. A história é bem tenebrosa, digna de um episódio de Law & Order: SVU, e parece um tanto distante do clima ameno e colorido do amigão da vizinhança ao qual estamos acostumados. Mas como anteriormente McFarlane já tinha nos apresentado ao tema de vodu e invocação dos mortos em Tormento, não foi um choque por completo.

Novamente, ele aproveita o espaço que a editora deu pra ele e faz um desbunde nas páginas! Apesar dele aproveitar até demais as sombras e os espaços escuros que a história pede, ele consegue fazer uma dezena de splash pages dignas de se pendurar na parede. O problema é que às vezes ele parece lembrar que precisa contar uma história e envia 327 balões num quadrinho só e fica por isso mesmo. Ainda assim, essa trama é um avanço com relação às histórias anteriores da revista.

Wolverine mostra que faz muito calor nas florestas do Canadá.

A história

Tudo começa com o monstro que ronda as florestas canadenses, o mitológico Wendigo. Reza a lenda que ele era um homem comum que foi amaldiçoado por uma divindade indígena por cometer canibalismo. De acordo com a história da Marvel Comics, toda vez que alguém comete algum ato canibalístico naquela região de florestas, esta pessoa se torna o novo Wendigo, “curando” assim quem foi amaldiçoado anteriormente. O curioso é que para esta história do Aranha e do Wolvie este Wendigo não é canibal. Hum. Parece que ALGUÉM não pesquisou direito antes de escrever, né Todd?

Pois bem, o monstro encontra os restos mortais de um garoto enterrado no meio da floresta. Apieadado, ele o desenterra e o carrega no colo até a próxima cidade, onde é atropelado por uma jornalista. Ela tem apenas um vislumbre do monstro fugindo e, ao ver o corpo do garoto, liga para as autoridades locais. Mais do que imediatamente, um circo é armado nesta pequena cidade da Columbia Britânica. Mais e mais repórteres chegam à cidade em busca do “Pé-Grande comedor de criancinhas”, e até um repórter fotojornalístico de Nova Iorque é enviado para o local: Peter Parker. Juntamente com um colega mané chamado Melvin Gooner, os dois começam a investigar o caso.

Duas cenas não-relacionadas. Wendigo, o monstro canibal que não come carne humana encontra o primeiro menino desaparecido. E lancha um cervo no meio da floresta canadense.

O problema é que a polícia local não tem experiência em casos deste tipo e, além de informações vazadas e atrasos burocráticos, eles acabam promovendo uma caçada ao “Pé-Grande”, que atrai diversos caçadores de todos os lugares do mundo. Quem acaba sofrendo com isso é a fauna local, claro, já que os caçadores atiram em praticamente tudo o que se move no meio do mato sem pensar duas vezes. Essa matança sem sentido acaba atraindo a atenção de organizações como o Greenpeace e, claro, um baixinho nervoso que ninguém gostaria de encontrar numa rua escura: O Wolverine.

Em meio a tudo isso, um segundo corpo de garoto foi encontrado deixando todo mundo com os nervos à flor da pele. Wolvie faz o possível para “desencorajar” os caçadores e o Aranha se sente meio deprê e perdido com este caso todo. Somente quando o X-man começa a investigar os locais onde os garotos foram encontrados que ele se toca que precisa de ajuda na cidade, pois é lá que o assassino de verdade se encontra. Ao encontrar o Aranha, Wolvie pede “encarecidamente” (heh) sua ajuda e os dois vão tentar resolver o caso sozinhos.

Logan cansou de ler jornal!

Desta vez a história é um pouco mais bem contada e McFarlane tenta fazer uma crítica ao pior lado do jornalismo que valoriza mais uma história sensacionalista do que a verdade em si. Quando os heróis descobrem quem é o verdadeiro assassino (sem spoiler), por exemplo, a história sai das primeiras páginas dos jornais e vai para uma notinha de rodapé na página seis. E um lance legal da quadrinização são os recortes de jornais com os títulos sensacionalistas espalhados pelas edições.

Tô LendoPontos Fortes
  • Aranha e Wolverine. Dois powerhouses da editora, juntos numa história sombria. Pra quem é fã e pra quem não é, essa dinâmica do good cop, bad cop funciona perfeitamente aqui. Não é o primeiro encontro deles, e certamente não foi o último. Mas é um dos clássicos, pra quem está começando a ler gibis agora, é uma boa história pra apresentar os diferentes modus operandi dos dois heróis.
  • Tio Todd. Como sempre, a arte é um desbunde. Se algum de vocês achar uma página dessas edições em altíssima resolução, por favor me manda que eu vou fazer um pôster.
  • Trama sinistra. Quase uma prévia do Spawn, como sempre. Bem legal de perceber os detalhes.
Tô LendoPontos Meh
  • História. Apesar de ser melhor que a maioria que o McFarlane escrevia na época, ainda é meio qualquer coisa. Alguns furos aqui e ali e, se você se importa com esse tipo de coisa, pode ser meio chato. Ainda mais essa mania dele querer escrever tudo com “narração meio noir, meio Frank Miller” que também dá um pouco no saco.
  • Antigona. Essa é uma das poucas minis que eu consegui guardar desde a minha época de leitor. Então não sei se é fácil de achar ou não, ou mesmo se estão cobrando os olhos da cara ou não. Provavelmente não, mas nunca se sabe.

🎵🎵 Entre Garras e Teias / é ódio é desejo / é sonho, é ternuuura 🎵🎵

Adoro reler os gibis desta época. Em geral eles sempre parecem mais bobos do que o que eu achava, mas ainda assim me divirto horrores relembrando partes e pedaços que me marcaram. Inclusive, uma das minhas “assinaturas” que eu uso sempre nas redes sociais vem desta história. Quando os heróis se encontram pela primeira vez no gibi, o Wolverine pergunta se o Aranha nunca pára de fazer piadas, ao que ele responde: “É meu bom humor que me mantém jovem”. Pra você ver como isso me marcou muito mais do que eu esperava, hahaha.

Homem-Aranha & Wolverine: Percepções vale fácil, fácil, cinco rebobinadas! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-12-06T01:43:06+00:00 30 de julho de 2018|5 Comentários
  • Jean Carlos

    Caraca Kadu estou atras desse gibi faz tempo, adorava esse crossover na época tenho guardado alguns até hoje eu comecei a colecionar gibis por causa desses encontros e esse foi foda traço impecável do Tio Todd. Vale muitas rebobinadas!!!!! https://uploads.disquscdn.com/images/f3736b3ed31133c0c4da2f2f0844e6cbc376eae9247ca0888214d1282d525f5f.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/1a86f24649dbdb20d8d316b224b01f59fab3babca36ce3575ac20e89f387c220.jpg
    Meus favoritos também.

    • Sensacional essa chamada do Hulk vs Coisa. “A terra vai tremer!” Hahah. Maneiro também essa edição de “O que Aconteceria se…?”, eu me amarrava nessas histórias.

      • Jean Carlos

        Meu primo tem essa coleção completa do Incrível Hulk, eu pretendo um dia completar a minha, da Panini eu tenho completo, acho que deveriam retornar as mensais do Hulk.

  • Mandou muito bem de novo, Kadu! Vou reler só por causa da sua resenha. Aliás, às vezes me dá vontade de largar tudo e só reler as coisas dessa época! A arte do Todd tem o mesmo efeito em mim que a guitarrinha dos Changeman!

  • Roberto Hunger Junior

    Eu me lembro desta revista, na época me divertiu demais. A cena das garras na cara do homem aranha foi hilária: “dois e meio”m e também quando peter fica de babá do wendigo por algumas horas. Será que envelheceu bem? Lembro que nesta época anos 90 extrema, o McFarlane fazia o homem aranha um personagem que questionava caras violentos, e se questionava ou admitia medo de se transformar neles. Isto eu lembro bem… E era um diferencial pra época.