Rebobinando #38

Já houve vários quartetos fantásticos na Marvel. Em geral porque, convenhamos, semana sim, semana não, alguém acaba saindo do grupo. Já teve Quarteto Fantástico com a Mulher-Hulk. Quarteto Fantástico com o Homem-aranha. Com o Dr. Destino. Já teve Quarteto Fantástico de cinco pessoas. De seis pessoas. Já teve Quarteto Fantástico com o Reed vilão. Com o Johnny Storm afro-descendente. Com a Sue Storm seminua. E já teve até a melhor versão do Quarteto Fantástico nos cinemas, e eles foram INCRÍVEIS (hein, hein? *pisca, pisca*)! Mas hoje a Rebobinando vai mesmo é falar do Novo Quarteto Fantástico, o quarteto mais anos 90 que os anos 90 poderiam produzir!

Todo mundo já saiu do Quarteto Fantástico uma vez.

Atualmente, a Primeira Família da Marvel anda sumida pelos mais diversos motivos, apesar de estar para voltar em breve.  Nos idos dos anos 90, entretanto, ela seguia firme e forte. Tanto que durante as muitas idas e vindas de seus membros, num determinado momento em 1990, Walter Simonson e Arthur Adams resolveram “matar” (ênfase nas aspas, por favor) todos os membros e substituí-los por um novíssimo Quarteto Fantástico.

Lançada aqui em Grandes Heróis Marvel #45 em 1994, a história saiu entre Dezembro e Fevereiro de 1990-1991 nos EUA, nas edições #347, #348 e #349 de Fantastic Four. Foi um arco fechado de história, provavelmente pra encher um pouco de linguiça até a edição #350, que trazia o retorno de Ben Grimm como o Coisa. Nessa época, o grupo era um quarteto de cinco pessoas: Reed, Sue, Johnny, Ben e Sharon Ventura. Johnny estava casado com Alícia Masters, mas andava balançado pela Nebula (ou “Nebulosa”, no Brasil). Caso você esteja se perguntando, sim, é a mesma personagem que no MCU é uma das “filhas” de Thanos. Ben e Sharon estavam namorando, mas ela estava como Coisa enquanto Ben tinha revertido à forma humana.

Aranha nem fazia idéia do que estava por vir. #editado

A história

Como de praxe, começamos com uma alienígena em fuga caindo na Terra. Podemos perceber que ela pertence à raça skrull, mas não muito mais do que isso. Ao mesmo tempo, no QG do Quarteto, vemos todos concentrados em atividades bucólicas como exercícios e brincadeiras, quando uma estranha invade o edifício. Aos poucos vemos cada membro do Quarteto ser eliminado por pessoas nas quais eles confiam. Tipo, Namor apaga Susan Richards. Johnny é derrotado por Nebula. Ben por Alícia e assim vai. Até mesmo Reed se distrai e é derrubado após uma certa luta. Com o Quarteto Fantástico completamente derrotado em segundos, a tal alienígena se revela como De’Lila, uma fugitiva do Império Skrull que está atrás de algo muito importante na Terra. Logo em seguida, vemos que o próprio Império mandou um grupo de resgate skrull atrás da tal coisa importante, que é algum tipo de arma suprema. E a parada está localizada, claro, no mais inóspito dos lugares: A Ilha Monstro, lar do Toupeira.

De’Lila. A alienígena com o nome mais bíblico de todos os tempos.

Parentêse. Adoro como em quadrinhos os caras jogam umas apóstrofes no meio dos nomes mais comuns do mundo só pra dizer que “ai, ui, é alienígena”. O nome da tal skrull é basicamente “Dalila”, mas com uma apóstrofe na primeira sílaba. Fecha parêntese.

Geralmente os grupos substitutos de uma equipe famosa se formam ao acaso, para combater algo mais maligno que um só não possa dar conta sozinho. Ou até mesmo com a presença de um dos membros originais. Mas não neste caso. A nova equipe é acionada pela própria De’Lila com base numa pesquisa de poderes do banco de dados de Reed Richards. SPOILER: Mais à frente, saberemos que cada um dos poderes dos novos membros é necessário para a ativação da tal arma suprema que ela está procurando. Assim sendo, o Homem-aranha, Wolverine, Hulk Cinza e Motoqueiro Fantasma se encontram no Four Freedoms Plaza e são hipnotizados pela skrull disfarçada de Susan Richards. Ela os manda à Ilha Monstro esperando que tragam de volta a arma e que, se possível, se encarreguem dos skrulls que estão por lá.

De todos os membros, o Aranha é o menos cabeça quente. Ao contrário do Motoqueiro Fantasma. Heh.

O resto da edição é um festival de ação e piadas que brincam muito com o novo status de personagens que (até a época) não foram feitos para agir em grupo, agindo em grupo. E sério, isso é muito divertido de se ver. Wolverine e Hulk Cinza trocando farpas o tempo inteirinho. O Motoqueiro se achando mais fodão que os outros e meio que cagando pra tudo. E o Aranha tentando liderar aquela galera de alguma forma porque ele é o único que não tem cabeça quente. Os clichês do gênero também se mantém, porque não há razão para que a tal De’Lila simplesmente não mate o Quarteto de fato. Ao invés disso ela os amarra (??) em um sistema de nós (??) que, se puxados do jeito errado enforcam todos os outros (???). Sério, De’Lila? Já ouviu falar de tiro na cabeça?

A conclusão na Ilha Monstro também não é menos hilária, quando de repente todos se encontram perto do final. Tá todo mundo em busca da mesma coisa, skrulls, De’Lila, o velho quarteto e o novo quarteto: a tal da arma suprema, que na verdade é tipo um “ovo” do qual sai um robô-guardião semi-indestrutível. No fim, o “ovo” choca e o robô dá um imprint com um dos monstros do Toupeira. E aí, cabou. Ninguém fica com o bicho no final. Todo mundo volta pra casa e os skrulls vão embora, levando a prisioneira que ficou catatônica por causa do Olhar da Penitência do Motoqueiro Fantasma.

Compre Baton… compre Baton…

Tudo se encerra com a melhor piada. O Toupeira tenta colocar banca dizendo que vai aproveitar a chance de exterminar todo mundo, ao que o Aranha diz: “Amigo, olha só. Aqui a gente tem gente do calibre do Hulk, Wolverine e Motoqueiro Fantasma, mais o Quarteto Fantástico, mais eu. Assim, acho que não ia dar muito certo pra você não”. O Toupeira reflete e diz que vai levar todos eles à superfície em segurança.

Tô LendoPontos Fortes
  • Arthur Adams, né? O cara é um baita desenhista e não tem uma página que não seja incrivelmente detalhada no traço desse cara. A história seria uma beleza nem que fosse só pelo desenho.
  • Walter Simonson. Mas não é só o desenho também. No fim a história não dá em nada? Ok. Mas, fala sério, ele é divertida pra caramba! É o tipo de história que você nem precisa conhecer a fundo cada um dos personagens pra se divertir vale bem a pena.
  • Diversão despretensiosa. Parece que tudo ultimamente tem que ser super sério, ou uma super saga, ou remexer nos baús de segredos dos personagens, etc, etc. Essa história é um exemplo clássico de que nem tudo precisa ser absolutamente grandioso para ser divertido. E no fim das contas, às vezes o que nós queremos ao ler gibi é pelo menos uns 20 minutos de diversão.
Tô LendoPontos Meh
  • De’Lila. Ela obviamente foi uma vilã feita só pra essa história, já que nunca apareceu de novo em qualquer outro gibi da Marvel. Honestamente? É uma vilã meio bunda, mas serve.
  • Não teve revival. Nessa onda de reboots e revivals da Marvel, é uma pena que não tenham aproveitado justamente essa formação do quarteto para relançarem um título durante aquela bagunça de multiverso que foram as novas guerras secretas. Como eu queria ver mais algumas histórias mais bobas e divertidas com esses caras na mesma equipe de novo. Fica a dica.

A capa da edição brasileira de Grandes Heróis Marvel e das edições americanas de Fantastic Four contendo as histórias.

Veredicto.

Na boa? Sempre morro de rir cada vez que releio essa história. Se você ainda tem esse gibi guardado no baú, pode tirar o pó e reler com gosto. Caso, não tenha, acho mais difícil de achar nos sebos por aí. Talvez nos sites de classificados é bem capaz de estar baratinho já que não se trata de uma edição super especial. Ou você pode achar em outros sites de perna-de-pau e tapa-olho por aí. Vale bem a pena porque O Novo Quarteto Fantástico vale todas as cinco rebobinadas! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-06-25T14:15:14+00:00 25 de junho de 2018|6 Comentários
  • Jean Carlos

    Esse eu tenho, eu lembro que eu comprei de um cara pela OLX, muito bom eu me amarro em formatinhos, só por essa capa já vale varias rebobinadas.

    • A capa é bem bacana mesmo. Acho engraçado como as coisas caíam aqui no Brasil e pareciam ser umas edições especiais e tal, mas era “só mais uma história mensal” nos EUA.

  • Ricardo Varotto

    Pena que nessa época eu já havia parado de comprar quadrinhos, ou teria esse até hoje aqui na minha coleção guardada. Parece legal.

    • Ela é bem bacana. Vc não precisa ir tão longe, acho que é razoavelmente fácil achá-la pela Internet afora.

  • Bruno Messias

    Eu tinha essa!!! É muito ruim! Mas daquele tipo que fica bom, de tão ruim.
    Concordo que às vezes é bom ler algo que seja simplesmente divertido. Dia desses comprei um encadernado dos Novos Guerreiros, com histórias que eu li quando era garoto.
    Isso. Novos Guerreiros. Tão ruim que dá DUAS VOLTAS e termina ruim, mesmo. Mas me bateu um sentimento bom de voltar aos meus 15 anos!

    • HAHAHAHAHA. Eu acho que ainda tenho esse encadernado dos Novos Guerreiros guardado, mas não sei se vou me dar ao trabalho de procurar.

      Mas é verdade, as vezes é bom ler umas histórias mais despretensiosas.