Rebobinando #36 | Motoqueiro Fantasma 2099

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Ele não é o Johnny Blaze. Também não é o Danny Ketch, muito menos o Robbie Reyes. Quisera eu que ele fosse o Nicolas Cage, porque né? Ele é demais (ironia pfvr)! Mas fica aqui a pergunta: Você sabe quem foi Kenshiro “Zero” Cochrane? Então se liga aqui porque eu vou te contar tudo sobre o Motoqueiro Fantasma 2099!

Só pra constar Zero Cochrane não é filho do Almirante que dá nome àquela rua na Tijuca, no Rio de Janeiro, ok?

Em 1992, o universo 2099 foi lançado pela Marvel nos EUA com quatro revistas: Homem-Aranha, Destino, Justiceiro e Ravage. Aqui no Brasil a linha chegou em 1993. Foi um sucesso, claro. Tanto que os fãs pediram mais e mais personagens da editora ambientados nesse futuro tenebroso. Daí para as versões 2099 de Hulk, X-men e do Motoqueiro Fantasma foram um pulo!

Em 1994 o Motoqueiro Fantasma 2099 foi lançado pelas mãos de Len Kaminski e Chris Bachalo. Kaminski já havia escrito vários trabalhos para Marvel, incluindo aí Motoqueiro do presente e Homem-de-Ferro, mas nada de muito destaque. Já o Bachalo eu acho que dispensa apresentações, né? Sou super fã do estilo dele, ainda mais quando ele deixa o desenho com aquela cara meio “suja”. Com o Motoqueiro 2099 o estilo caiu como uma luva de motosserra! Pena que não durou muito. Logo ele foi substituído por Kyle Hotz, que ok, não era ruim. O cara manteve o nível dos desenhos, mas eu bem queria que o Bachalo tivesse continuado por mais edições.

Você acha o Wolverine legal? Então VOCÊ VAI ADORAR O MOTOQUEIRO 2099!

O legal das primeiras histórias do personagem é que elas fazem parte de um universo cyberpunk que a Marvel ainda não tinha explorado muito bem na nova linha. Beleza, o Aranha lutava contra corporações, mas muitas vezes tinha um “quê” religioso por trás, com o lance de ser o “precursor” de Thor e tals. Os X-men andavam na mesma linha de sempre e o Justiceiro era um tipo “noir + futurista”. Faltava alguém que levasse esse universo para o cyberpunk que a gente tinha visto em Akira, sabe? Ou até mesmo Johnny Mnemonic, ou Passageiro do Futuro! E essas são só as influências mais óbvias para o gibi (que só faltam te dar na cara de tão óbvias, pra ser sincero)! Mas funcionam tão bem que nem vou reclamar, juro.

A história.

Tudo começa na Cidade Transversal, uma mega cidade-rodovia de vários andares que ocupa basicamente todo o espaço onde antes ficavam as cidades de Chicago e Detroit, nos EUA. Pra você ter uma idéia, é como se as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo se expandissem ao ponto de serem uma cidade só. Nesse caos urbano, quem manda é uma corporação (claro) chamada D/Monix. Aliás, adoro esses nomes! Pra ser mais óbvio, só se ela se chamasse, tipo, “Corporação Diabão do Mal”, hehe.

Zero Cochrane faz parte de uma das muitas cyberganges que infestam o local, os Hotwire Martyrs. Os caras pegaram por um acaso uma informação super-secreta no ciberespaço e pouco antes de conseguirem destravar o tal arquivo, eles são emboscados por uma gangue rival conhecida como os Artificial Kidz. Na fuga, todos os membros da gangue de Zero são mortos mas ele consegue escapar até encontrar uma cabine telefônica. (OI, MATRIX) Cercado e à beira da morte, Zero se joga no ciberespaço com tudo, fritando o seu cérebro no mundo real devido ao enorme fluxo de informação. Com sua consciência vagando livremente no mundo virtual, ele é cooptado por uma série de seres estranhos que se auto-intitulam a Oficina Fantasma.

A Oficina Fantasma cheia de LSD cibernético e as consciências digitais lutando por sobrevivência.

A Oficina Fantasma explica que eles são um punhado de inteligências artificiais formadas nos confins do ciberespaço e que como sua existência depende da manutenção deste universo pela mão dos humanos, eles vêem o crescimento desenfreado de consumo, ganância e estupidez (palavras deles) como um vírus. Um mal destinado a acabar com a raça humana. Eles escolhem Zero para ser seu agente no “mundo real” devido ao seu caráter rebelde e questionador. Ele retorna ao mundo em um corpo robótico no melhor estilo Exterminador do Futuro, com uma motoca iradaça (ironia, por favor), como o Motoqueiro Fantasma!

A parte bacana dessa encarnação do Motoqueiro foi justamente tirar o lado sobrenatural da história. Mas aí você pode reclamar “ah, qualé Kadu? O fato de ser sobrenatural é exatamente o cerne do Motoqueiro Fantasma!” e eu vou até concordar. Mas prestenção! O lado sobrenatural ainda está lá, ele só não é “literalmente” sobrenatural como entendemos. Dêmonios, Céu, Inferno, etc. O ciberespaço, como apresentando em inúmeras obras cyberpunk é um plano misterioso, desconhecido pela raça humana e, geralmente, quando alguém se mete com ele dá merda. É igualzinho ao Inferno, só que sem o Mefisto.

O Motorqueiro-Exterminador-do-Futuro não está para brincadeira! E olha só que motóca IRADÍSSIMA!

Tô LendoPontos Fortes
  • O desenho. Já babei o ovo do Chris Bachalo o suficiente, qualquer coisa com ele desenhando já ganha pontos comigo. Mas de verdade, o Kyle Hotz também manda muito bem. Lembro até de vê-lo desenhando histórias do Venom e do Aranha na época da Saga do Clone. A anual do Aranha #7, com o “Planeta dos Simbiontes” também é desenhada por ele, cata lá que é bem bacana.
  • A cultura. É maneiro ver esse desenvolvimento da cultura cyberpunk nas revistas uns cinco anos antes das Wachowski ressuscitarem o tema com Matrix. É inegável que todos eles beberam da mesma fonte na hora de bolar suas histórias. Hoje em dia eu fico pensando se seria possível a Marvel Studios bancar um MCU 2099. Um filme do Motoqueiro tinha tudo pra ser bem fodão!
  • As gírias. Nunca posso deixar de falar das gírias. Lembro de amigos meus na época reclamarem que as gírias tinham toda a pinta de gíria paulista (sou do Rio de Janeiro, daí a reclamação), mas nunca vi problema. Hoje em dia, como professor de inglês, acho que o trabalho de tradução/localização dos gibis antigos era bem melhor.
Tô LendoPontos Meh
  • Histórias Fracas e falta de continuidade. Como nem tudo são flores, algumas histórias do “miolo” do personagem acabam sendo meio fraquinhas. Elas dão um revamp durante o período em que Destino se torna o presidente dos EUA e o Motoqueiro vira o “Xerife” da Cidade Transversal, mas como a própria linha 2099 decai um pouco depois de dois anos, a maioria dos gibis acaba sendo cancelada. É uma pena que um personagem tão maneiro acabe terminando uma história com um final tão em aberto. Mas assim como a série Firefly, vale pelo que tem, sabe?

A capa da edição de estreia do personagem em X-men 2099 no Brasil. E algumas das capas americanas.

Vale a pena pegar as suas edições de X-men 2099 brasileiras e reler o que foi publicado dele aqui. Infelizmente não foi tudo e se você quiser chegar até o final, só se aventurando pelo nosso ciberespaço (a.k.a. internet), ou encomendar de comic shops americanas, torcendo pra que ainda exista alguma coisa dele. Vai lá, seu sugapus que é muito pau!

Veredicto

Acho que só pela ideia do personagem, é muito bacana revisitar as histórias. Pelo menos os primeiros arcos que tem muita conspiração e um drama novelão bem maneiro com questão da identidade do Zero e sua vida antiga e nova batendo de frente. O fim é meio frustrante, muito por conta do descaso da Marvel com o universo 2099, algo muito parecido com o mesmo descaso que a editora teria com o universo ultimate anos depois. Ainda assim, Motoqueiro Fantasma 2099 vale três rebobinadas! 📼📼📼

Zero é transformado no “Download da Vingança”.

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-25T21:53:55+00:00 11 de junho de 2018|19 Comentários