Rebobinando #33 | Thundercats

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Esta semana o mundo nerd entrou em polvorosa com o anúncio de que o Cartoon Network vai lançar uma nova série dos ThunderCats, meio que, muito aparentemente, acredito eu que seja, nos moldes de uma de suas séries animadas de maior sucesso atualmente, Os Jovens Titãs em Ação! E como aqui na Rebobinando o assunto é sempre “memória afetiva” e “no meu tempo era melhor”, tomei como questão de honra responder a essa pergunta: era mesmo?

Antes de começarmos, dá o play aqui!

Ahhhh, que saudade! Lembro de curtir muito as manhãs na televisão (ou pelo menos a parte das manhãs que eu conseguia pegar) e pirava nesse desenho. Ele foi primordial na minha vida durante os anos de 1986 e 1990, em que eu tinha de 4 a 8 anos. Inclusive, uma festa de aniversário minha foi de Thundercats, nessa época. Infelizmente, lá pros idos de 1990 eles foram sumariamente substituídos pelas Tartarugas Ninja, mas isso fica pra outra Rebobinando.

Quem nunca teve aquela festa de sete anos com bolo embalado, e o seu pai tinha que segurar o isqueiro pra você soprar na falta de vela?

O desenho

Para quem não conhece muito bem, Thundercats puxava influências de outro desenho de grande sucesso da mesma época, He-Man. Como eu comentei na Rebobinando #15, o esquema de Mestres do Universo era mais ou menos um “vai que cola?”. Não, não o programa do Multishow, deosmedibre, mas é que o desenho atirava pra todos os lados na hora de inventar histórias e vender bonecos. Por conta disso, elementos de fantasia medieval se juntavam a elementos sci-fi, que se juntavam a elementos de magia, etc. etc.

Thundercats não queria ficar para trás no quesito merchandising e também vieram com tudo. Era uma mistura de sci-fi fantástico com mundo pós-apocalíptico sobrenatural e robôs e mutantes e múmias e etc. Isso permitia uma gama enorme de personagens que poderiam funcionar ou não, mas que com certeza não seriam desperdiçados se virassem brinquedos. Lembro que eu tinha uma mini Toca dos Gatos e uma mini Cripta do Mumm-Ra. Esses tinham sido feitos para uma coleção de miniaturas dos personagens e eu achava bem legal. A Toca tinha no peitoral um símbolo dos Thundercats que dava pra projetar na parede com uma lanterna, e a cripta tinha um botãozinho que você girava pra “transformar” o Mumm-Ra mirradinho no Mumm-Ra Saindo Monstro da Jaula™.

Eu já tinha o Castelo de Greyskull, então não consegui convencer meus pais a me darem a Toca dos Gatos grandona!

O desenho sofria do mesmo mal da maioria das outras produções da época. Produzidos em sua grande parte no Japão, ele tinha uma abertura animal que nem de perto se comparava aos episódios. O que era meio frustrante, uma vez que você visse a abertura completa. Lembro que quando passava no Xou da Xuxa, a Globo sempre cortava as aberturas, mas nos anúncios a animação fodona sempre estava lá pra nos encher os olhos. Acho que só quando ele foi parar no SBT lá pelos idos de 2001 que eu fui notar o quanto aquela abertura era maravilhosa! Muito embora, claro, o SBT exibisse a “série-irmã”, Silverhawks diariamente com abertura e tudo.

Outra série que eu comentei na Rebobinando #27, Galaxy Rangers, também tinha uma abertura muito melhor, mas pelo menos o estúdio responsável guardava uma graninha prumas cenas de ação mais bacanudas nos episódios.

Seguindo uma ordem de exibição de episódios basicamente nula, diz a wikipédia que durante os quatro anos em que a série foi exibida inicialmente, a Globo passou 100 dos 130 episódios  existentes (o que dá até mais ou menos a metade da terceira temporada). Mas eu vou ser honesto aqui e dizer que eu juro que não lembro! Assim, eu lembro de alguns episódios soltos, lembro vagamente da chegada dos novos ThunderCats, que ao que tudo consta foi lá pela metade da segunda temporada, e só. Era uma época mais fácil, eu tinha menos de 8 anos, eu não acompanhava “plot”. Eu também acreditava que Cavalo de Fogo tinha uns trezentos episódios, ao invés de onze! Então eu não sou parâmetro pra nada, vai?

Nem sei porque você tá lendo isso aqui.

Thundercats are NUS! ( ͡° ͜ʖ ͡°)

A história.

A história gira em torno de uma raça de humanos-gatos (não que eles fossem especialmente mais bonitos que os outros, era só a condição da raça deles mesmo) chamados, bom, Thundercats! Numa dessas viradas do destino que só acontecem em Krypton, o planeta deles, Thundera, explodiu. Como os únicos sobreviventes da raça Lion, Cheetara, Panthro, Tygra, Wilikit, Wilikat, Snarf e Jaga seguem em sua nave para um destino específico. Porém, eles são perseguidos pelos seus inimigos mortais, os Mutantes de Plun-Darr, que exterminam o restante da frota e danificam seriamente a nave de fuga dos Gatos Trovão.

Sem possibilidade de chegar aonde queriam, os heróis se vêem forçados a pousar em um planeta que fica no caminho, o qual chamam de Terceiro Mundo. Os mutantes vêem no seu encalço em busca da Espada Justiceira, que contém o Olho de Thundera, a fonte de poder dos Thundercats.

O Olho do McGuffin que tudo faz e tudo resolve!

Um parêntese aqui, queu quando descobri que o nome original da espada era “Sword of Omens”, traduzido livremente como “Espada dos Presságios”, eu achei um nome bem mais maneiro. Mas convenhamos que soa mega esquisito em português. Não acho que “justiceira” traduza bem o nome da espada, mas pelo menos soava mais legal.

No terceiro mundo, Mutantes e Thundercats chamam a atenção de uma força maléfica que domina o planeta na figura do tenebroso Mumm-Ra. O cara era uma espécie de feiticeiro-múmia de milhares de anos com uma ligação sinistra com “antigos espíritos do mal”.

E na boa? Tudo isso soa maneiraço, vai?!

Ele já era bem medonho, e a dublagem brasileira do Silvio Navas era tipo a cerejinha do bolo da “sinistragem” do personagem!

Era bom?

Olha, eu tenho que dar o braço a torcer e dizer que: mais ou menos. Como eu disse no início da coluna, a gente aqui brinca e corre banhados na memória afetiva e com os óculos cor-de-rosa da nostalgia. A gente associa o desenho a uma parte da nossa vida que era imensamente mais simples. Sem boletos, sem chefe pau-no-cu, sem engarrafamento. Nesse ponto, até mesmo as lições de moral no fim de cada episódio parecem  ser bacanas. Nos desenhos de hoje, muitas dessas lições de moral ficam por vezes “escondidas” no meio da narrativa e a gente (ou a criançada de hoje em dia) tem que se dar ao trabalho de pensar sobre o assunto! Olha que labuta?

Tipo, na nossa época, a gente tinha que ver um episódio inteiro do Tygra fazendo merda, traindo os Thundercats e basicamente jogando sua vida fora por causa de uma fruta. No episódio chamado Jardim das Delícias, olha só, o cara tava que nem cracudo na mão do Mumm-Ra pra depois no final ele vir dar um aviso sobre drogas, sabe? Muito tatibitate.

Winners don’t do drugs, kids! Hahahahahaha! *FIM*

Pode ser até que a trama de alguns episódios fossem bem amarradas e, pelo que consta, a primeira temporada era bem coesa. Mas garanto que se a gente sentar pra ver todos os episódios um a um, vai rolar uma decepção. Confesso que ainda não me atrevi a ver os de Thundercats justamente porque fiz isso com He-Man e preferiria não ter feito.

Tô LendoPontos Fortes
  • A trama. Parece que eu estou deliberadamente fazendo pouco do desenho, mas nem é. Eu acho que ele tem muito mais pontos fortes do que ruins. Um dele é a trama. O bem vs o mal num planeta isolado, um vilão assustador, a extinção de uma raça, as forças místicas do além-vida (ou vamos esquecer o Jaga dando uma de Obi Wan Kenobi sempre que dava, pra ajudar o Luke… err… o Lion?).
  • A música. Catando alguns episódios soltos pelo Youtube, a memória musical da série veio a toda! As músicas incidentais de ação, de momentos calmos eram bem maneiras.
  • A Animação. Pelo menos nos primeiros episódios e em algumas cenas de ação espaçadas. A impressão que eu tenho é que a qualidade caiu um bocado da primeira já pra segunda temporada.
  • Os personagens. Mesmo com aquela impressão de terem sido criados no susto, eles são construídos em arquétipos bem conhecidos. Fazendo deles personagens clássicos logo a primeira vista! Como em muitos outros desenhos até hoje, temos bem estabelecidos quem é o líder, o certinho, o inventor, a corajosa, os arteiros, o covarde e o sábio. Isso facilitava até as brincadeiras porque mesmo que muitos quisessem ser o Lion, sempre tinha aquele que curtia mais ser o Tygra ou o Panthro (eu!).
Tô LendoPontos Fuén
  • O final. Fui ler sobre o final da série, que eu nunca vi. E ela termina com um maldito final aberto! A falta de comprometimento da falta de comprometimento! Um abuso essa série durar tanto tempo pra acabar sem final. E a gente ainda reclama de Caverna do Dragão!
  • A qualidade da animação. O desenho passou por vários estúdios desde a sua concepção. Terminou nas mãos da Warner Brothers que desde então vem tentando emplacar algo com a série. Como a primeira temporada teve 65 episódios, todas as outras ficaram na casa dos 20-e-poucos e eu imagino que eles devem ter economizado um bocado. Lembro em específico do desenho ter ficado bem pior na época dos Lunatacs. E por falar nisso…
  • Os Lunatacs. Eu odiava os Lunatacs. Depois do Mumm-Ra não tinha como ter um vilão mais fodão, né?

Em 2011 o próprio Cartoon Network tentou um reboot que começou meio morno, mas que eu achava que tinha tudo pra dar certo. Ele tinha um traço meio Avatar – A Lenda de Aang, deram uma repaginada na história dos personagens, mas infelizmente não vendeu brinquedo o suficiente e foi pro saco! Lembro também de algumas edições de quadrinhos foram lançadas em 2002 pela Wildstorm/DC Comics, com desenhos de Ed Benes e Ed McGuinnes.

Não sei… eu tô me sentindo meio… sujo… de colocar isso aqui.

Sabe do que mais? Eu acho que apesar das liçõezinhas de moral e do conflito sem “escalas de cinza” o desenho até sustenta bem! Como eu mencionei, a primeira temporada é enorme e bem coesa e se você quiser curtir de novo, foi relançado várias vezes em DVD lá fora. Por aqui mesmo, pra matar a saudade com as vozes do Newton da Matta, Silvio Navas e do Francisco Barbosa (ele mesmo, o locutor de rádio que minha mãe ouvia de tarde na Rádio Globo AM) só no Youtube mesmo. Naqueles vídeos horrorosos, espelhados e pequenininhos, pra não pagar direito autoral.

Ainda assim, não me vejo surpreendido pelo tal novo desenho do Cartoon Network. Acho que a gente pode curtir as coisas da nossa época, mas não dá pra exigir que a molecada curta as mesmas coisas. Até porque, eles vão ter inspirações diferentes, referências diferentes, para que eles mesmo, no futuro, possam criar suas próprias versões das coisas que assistem hoje. Conheço vários pais que curtem ver Jovens Titãs em Ação junto com seus pequenos. Eu curto ver Transformers: Robots in Disguise com o meu sobrinho, e me mata um pouco por dentro o Bumblebee ser um Camaro e não um Fusquinha! Mas quer saber? Ele curte. E eu curto curtir o desenho com ele.

HOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Inclusive, esse mesmo sobrinho de 5 anos veio pra mim outro dia e me perguntou: “Tio Kadu, você conhece os Thundercats?” Cara, meu olho brilhou e eu respondi: “Guri, tu não faz ideia!” E fomos pro Youtube! Ele se amarrou! *chuif*

Então, deixa o desenho novo pra lá. Você tem todo o direito de não curtir (ou curtir, quem sabe?). Mas fica a lembrança de que sua infância não está sendo destruída ou apagada! O desenho antigo ainda tá lá, os reboots, os gibis e se bobear os seus bonecos também! Não tem nada mal em curtir de novo, então vamos deixar os desenhos novos pra nova geração, não é mesmo? E vai que o Thundercats Roar é engraçadíssimo tipo Teen Titans GO! e todo mundo morde a língua? Esperemos…

Em homenagem a falta de comprometimento do desenho, vou deixar essa Rebobinada em aberto! Quantas Rebobinadas você acha que Thundercats merece? De verdade?

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-25T21:54:45+00:00 21 de maio de 2018|12 Comentários