Rebobinando #28

Estamos de volta, continuando com a nossa missão de ressuscitar os clássicos da cultura pop de uma época que você provavelmente ainda não tinha nascido! (Ou talvez já. Não sei, não sou teu pai). Hoje a Rebobinando vem com a continuação da coluna de número #12, falando de A Queda dos Mutantes! Mas dessa vez, dos acontecimentos nos gibis dos X-men!

Lembra queu comentei que essa saga era de uma época em que “mega sagas” se estendiam apenas por três edições em três revistas distintas? Diferente de hoje quando uma mega saga dura oito meses, com 37 tie-ins diferentes em revistas de heróis que não tem nada a ver com a história? Pois é! A Queda dos Mutantes saiu originalmente nas revistas do X-Factor, X-men e Novos Mutantes nos EUA. Aqui no Brasil, tudo saiu na Superalmanaque Marvel nº 5 (1992) e numa série de três encadernados pela Panini em 2013 (as histórias relacionadas aos X-men saíram no segundo encadernado). Corre lá num sebo, numa comic shop que é facinho de achar.

Capas das edições americanas de X-men da saga A Queda dos Mutantes.

Esta parte da história, desenvolvida por Chris Claremont, o mestre-noveleiro das HQs, coloca os X-men em contato com um adversário poderoso chamado… bem… de O Adversário. Péra, vou começar do começo.

Algumas edições atrás, em X-men #9 (no Brasil, claro), Tempestade havia perdido seus poderes devido a uma arma neutralizadora criada por Forge (o mutante com o P O D E R  M A I S I R A D O dos X-men). Quando ela se encontra com a equipe novamente, ela está determinada a ir atrás do cara para exigir que ele restaurasse seus poderes. Daí ela pede a Wolverine que assuma a liderança enquanto ela está fora e o baixinho relutantemente aceita. Taí, pra muita gente que reclamava que o Wolverine nunca foi “líder”, temos o Claremont estabelecendo essa situação no que acho que foi a primeira vez.

Capa brasileira de X-men #9. Onde Tempestade perde os seus poderes por causa de Forge.

Enquanto isso, o ponto central que amarrava as sagas, a lei de registro de mutantes, corre por fora. Somos apresentados ao governo americano criando a Força Federal, uma equipe formada por Mística, Sina, Blob, Pyro, Avalanche, Espiral, e uns vilões old-school chamdos Comando Escarlate, Muralha e Super Sabre. A missão dessa equipe GIGANTE é simplesmente ir atrás dos X-men e trazê-los à Justiça. Mas o grande lance da história mesmo é quando Tempestade encontra Forge! Graças a ajuda do mestre-xamã Nazé, que está possuído pelo tal do Adversário.

Agora você me pergunta, QUEM RAIOS É esse Adversário?! Bom, o maluco é uma entidade poderosíssima do caos, que vive num embate eterno com Roma, uma espécie de deusa, guardiã do Omniverso (e você aí achando que as histórias atuais dos X-men eram confusas demais, hohohoho). O lance é que durante a Guerra do Vietnã (anos 80, guerra relativamente recente, etc.) Forge se encontra numa situação impossível de sobreviver e realiza um “ritual indígena” para salvar a si mesmo e a seus companheiros de guerra. Só que esse ritual que libera alguns demônios de outra dimensão para massacrar seus inimigos libera também, entre eles, o Adversário.

A antiga Irmandade de Mutantes, liderada por Mística. Com o apoio do governo americano eles viraram a Força Federal.

Vendo a merda que fez, o mutante realiza um outro ritual para prender a entidade. Infelizmente, para que esse ritual outro funcionasse ele precisava das almas dos seus nove companheiros que ele havia salvado antes. E todo o trabalho que ele teve para salvá-los foi por água abaixo. Ou “inferno abaixo”?

Ao mesmo tempo, Wolverine e os outros ficam sabendo da criação da Força Federal e de uma previsão de Sina dizendo que “X-men iriam morrer”. A equipe então deduz que Tempestade é a chave desse mistério e vão em seu encalço. Chegando à Dallas onde fica o Eagle Plaza, o prédio abandonado da empresa de Forge, eles encontram quem? Quem? Raimundo Nonato!

Não, mentira. Eles encontram a própria Força Federal! Enquanto as equipes se comem na porrada, Tempestade e Forge estão dentro do edifício passando por maus bocados na mão do Adversário, que finalmente consegue escapar da outra dimensão! O vilão abre um portal acima da cidade, liberando caos, demônios e fantasmas por toda parte! Tanto a FF quanto os X-men resolvem parar de lutar e unem forças para conter o problema. A equipe do governo fica para ajudar os cidadãos ameaçados enquanto os mutantes entram no prédio, junto de uma incauta equipe de TV.

Roma, a deusa da metalinguagem e do plot device ensina aos X-men como a banda toca!

Numa batalha televisionada envolvendo dinossauros, trolls e fantasmas do Vietnã, os X-men enfrentam, sem sucesso, o Adversário. Quando a entidade do caos parece absolutamente imbatível, Roma surge novamente e sugere a Forge que realize o mesmo feitiço que havia aprisionado o vilão anteriormente. Relutante, ele diz que não quer ser responsável pela morte de mais amigos, quando Wolverine lhe dá uma baita duma lição de moral, dizendo que todo mundo ali se sacrificaria de bom grado. Feito isso, o vilão é preso, mas a um custo altíssimo!

Roma, no entanto, usando os poderes do PLOT DEVICE™, ressuscita os X-men depois que tudo foi resolvido e diz que graças ao seu sacrifício, todos mereceram uma nova chance. Em algum ponto, um deles diz “que bom que não morremos”, ao que ela responde “morreram sim, mas eu trouxe vocês de volta à vida”. Ou seja, a profecia de Sina não estava errada. E ainda rola uma outra vantagem de que como eles estão considerados mortos, nenhum deles poderia ter sua imagem captada por equipamentos eletrônicos. Ou seja, mesmo que alguém os visse em carne e osso andando por aí, uma foto, um vídeo, nada serviria como prova, pois eles estavam “eletronicamente invisíveis”.

O Portal do Destino figurou em várias histórias dos X-men servindo como o grande Deus Ex-Machina do fim dos anos 80.

No fim, aproveitando a deixa, Wolverine diz que é um bom plano deixar que todos achem que os X-men estão de fato mortos. E assim fica decidido, morte, renascimento e uma equipe com um novo status quo!

Pelo menos até a próxima super saga…

Tô LendoPontos Fortes
  • Os desenhos. Vou te dizer que eu era APAIXONADO pelo desenho do Marc Silvestri. Achava as mulheres que ele desenhava super gatas e, inclusive, acho que a passagem da Vampira de uma “semi-vilã de cabelo esquisito” pra “gostosona intocável” se deu por conta dele. Sendo sedimentado na Era do Jim Lee, claro.
  • Novos começos. Essa saga deu origem a um dos plot devices mais usados dos X-men nessa época também, que facilitou uma porrada de reboots meio mal contados que foi a criação do Portal do Destino. Uma geringonça cósmica que concedia uma vida nova a quem passasse por ele. Usaram e re-usaram isso até a exaustão no início dos anos 90.
  • Outras sagas. A ligação com a saga seguinte, Inferno, também já tem suas origens por aqui. Tanto nas histórias do New Mutants e Uncanny X-men, já vemos a ligação de alguns X-men com demônios e dimensões paralelas.
Tô LendoPontos Meh
  • Crossovers. Como sempre, alguns crossovers sem lé nem cré. De novo, tem uma história meio nada a ver com o Hulk cinza com um traço meio iniciante do McFarlane. Mas na edição #2 do encadernado da Panini ainda vem com umas duas histórias do X-Factor pós-Apocalipse se encontrando com o Quarteto Fantástico. Deu soninho, sabe?
  • Mutantes: Los Caminos Del Corazón. Como de praxe, tem aquela trama meio novelesca do Chris Claremont, sabe? Antes era todo o drama do Scott e da Jean, só que dessa vez ele focou no relacionamento entre Forge e Ororo. Aquele tipo de briga de casal que se resolveria se eles antes de qualquer coisa só sentassem pra conversar.

Sou um saudosista extremo dessa fase. Não que as histórias mais atuais, com um pouco de “pé na realidade” com toda a batalha por aceitação dos mutantes, sejam ruins. Mas às vezes dá uma saudadona de quando os X-men eram super-heróis, sabe? Foi uma parada queu curti na fase do Joss whedon, logo depois de Grant Morrison.

“Nós somos super-heróis, é hora de agir como tal! E francamente, todo aquele couro preto estava deixando as pessoas nervosas!”

Nunca concordei tanto com o Ciclope. Haha. Bom, A parte da Queda referente aos X-men foi uma das que eu mais gostei na saga. Mas ainda assim, dou quatro rebobinandos. 📼📼📼📼

Ponham a culpa no draminha entre Forge e Ororo.

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-04-16T11:23:29+00:00 16 de abril de 2018|6 Comentários
  • Thiago Boss

    Sempre quando vejo páginas desta época, vem o cheiro na hora daquelas revistas amareladas.

    • Nuss, nem fala! Quando falei de Homem-Aranha Anual 1, esse foi um dos detalhes que mais me chamou a atenção. Tudo amarelado.

      Infelizmente, não tenho mais esse Superalmanaque Marvel. Agora só os encadernados da Panini.

  • Jean Carlos

    Cara eu tinha esse gibi(Superalmanaque Marvel nº 5), e estou a procura dele novamente pra completar a coleção, essa fase do Marc Silvestri foi das melhores.

    • Eu adorava o desenho desse cara na época. Infelizmente nem sei mais o que ele tem feito recentemente… Eu tb tinha essa edição, mas em meio a muitas mudanças ela acabou se perdendo.

  • Léquinho Maniezo

    Caaaara o Marc Silvetri era muito legal, ele no Wolverine então nem se fale, que fase foda. Eu nunca cheguei a ler essa historia e me deu preguiça de pegar esse encadernado da panini, mas vou ficar de olho no sebo pra ver se aparece essa beleza. X-men, WWE e Malhação sao as 3 novelas eternas da humanidade.

    • Porra, a fase dele em Wolverine foi realmente muito foda. Ainda tenho guardado uma edição que tinha a capa “rasgada” pelas garras, que prometia “revelar” todo o passado dele. Claro que não revelava nada, mas ainda assim, era bem maneira. E pô, recomendo dar uma olhada em Queda dos Mutantes sim. Foi uma saga que redefiniu as revistas mutantes por um bom tempo. As edições do X-men, pra mim, são as melhores, mas só pq eu não curtia muito X-Factor e Novos Mutantes na época, mas ainda assim acho que valem super a pena.

      Não sei onde você mora, mas acho que dá pra encontrar com uma certa facilidade esses encadernados da Panini em algumas comic shops.