Rebobinando #27 | Galaxy Rangers

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O espaço é a fronteira final. O velho oeste é a nova fronteira. Um velho oeste no espaço é a nova fronteira final? Provavelmente. Mas são dois gêneros tão distintos que existe até uma entrada no TV Tropes tratando do assunto! Vem comigo que a Rebobinando de hoje vai falar de um dos desenhos esquecidos mais maneiros da década de 80! Os Galaxy Rangers!!!

Antes de iniciarmos, faça um favor a si mesmo e dê play no vídeo abaixo. A coluna de hoje é pra ler ouvindo esse clássico!

“Em 2086 dois pacíficos alienígenas comunicaram-se conosco pedindo nossa ajuda. Em troca deram-nos o projeto para o nosso primeiro hiper propulsor, permitindo que a humanidade abrisse as portas para os astros! Foi convocada uma equipe de raros indivíduos para nos protegerem e nossos aliados. Corajosos pioneiros comprometidos com altos ideais de justiça e dedicados a preservar a lei e a ordem através da nova fronteira! Eis as aventuras dos Cavaleiros das Galáxias!”

Era assim que começava um dos desenhos mais irados que eu já vi na infância. Pra mim, era super novo essa idéia de caubóis no espaço, muito embora lá pelos anos 80 ela já não fosse exatamente nova. Exibido diariamente no Xou da Xuxa, eu fazia de tudo para não perder um episódio, mesmo estudando de manhã (nunca entendi essa mania que as emissoras tinham de colocar os programas infantis de manhã!). Exibido por volta de 1987, ele fez até um certo sucesso por aqui, em parte porque sua animação era bem fora do comum pro que existia na época.

Os cavalos com cara de televisão eram muito irados!

Tudo bem que, quando eu era pirralho, eu achava que a animação de He-man era sensacional! Só para rever depois de velho e ficar decepcionado. The Adventures of the Galaxy Rangers teve duas temporadas, totalizando 65 episódios, exibidos entre setembro e dezembro de 1986, originalmente nos EUA. E foi um dos primeiros desenhos com estilo de anime produzidos na América em conjunto com estúdios de animação japonesa.

Lembra como a abertura de Thundercats e Silverhawks tinham uma animação muuuuuuito superior que a do desenho em si? Bom, era quaaaase a mesma coisa, já que no caso de Galaxy Rangers, a animação foi feita mesmo pela TMS Entertainment! Ou seja, a abertura era fenomenal, mas as cenas de ação do desenho também eram! Enquanto que o restante era mais paradão, etc. Este desenho também foi um dos primeiros a conter animação de computação gráfica, em geral quando os personagens conversavam com computadores, ou observavam planos de ação em hologramas e tal…

OLHA SÓ ESSA ANIMAÇÃO!

Pra quem não sabe quem é a TMS Entertainment (antes conhecida como Tokyo Movie Shinsha), eles são apenas um dos estúdios de animação mais antigos do Japão. Responsáveis pelos clássicos Lupin III, AKIRA e o filme do Little Nemo. Além das séries americanas Animaniacs, Batman: TAS, o Ducktales original, o Homem-Aranha dos anos 90 e Ursinhos Gummi. É um baita currículo! Tudo bem que tudo isso veio depois dos nossos queridos Cavaleiros da Galáxia, mas ei! Quem tá reclamando?

A história

Com a introdução mais acima já dá pra ter uma idéia do que o desenho trata, né? Como a maioria das produções de caubóis espaciais, o enredo gira em torno da expansão humana pelo cosmos, colonizando outros planetas. Esse avanço da raça humana acaba refletindo o avanço do povo americano pelo Oeste Selvagem dos Estados Unidos. Onde bravos peregrinos cruzam a nova fronteira em busca de novas oportunidades, mas como o eles vão para um lugar onde o próprio governo ainda não chegou, as leis ficam mais “turvas” e abre-se um espaço para vários foras-da-lei surgirem.

Zozo. Um dos pacíficos alienígenas que ajudavam os Cavaleiros da Galáxia.

Some-se isso ao fato de que os tais pacíficos alienígenas que entraram em contato com a Terra estavam fugindo de um Império Maligno, e você tem a receita para uma história de sucesso. O império em questão era o Império da Coroa, governado com mão-de-ferro pela Rainha da Coroa, a vilã-mor da série. Ela comanda um bando de Lordes Escravos, um grupo de andróides que funcionam roubando a força vital de suas vítimas, através de um “psicocristal”.

O episódio-piloto estabelece bem esse cenário, mostrando o líder da equipe, o Capitão Zachary Foxx visitando um outro planeta junto com sua família e os pacíficos aliens Zozo e Waldo. Lá, eles são atacados pelas forças invasoras da Coroa e Foxx tem sua família capturada, junto com outros humanos. Na fuga, ele tem o lado esquerdo do seu corpo ferido e é levado de volta a Terra para se recuperar. Num salto meio estranho de tempo, voltamos ao Bureau de Assuntos Extra-Terrestres (ou B.E.T.A.) e vemos o comandante da equipe apresentando o “raros indivíduos” que compõem o efetivo dos Rangers. Todos eles possuem um Implante Cerebral Série 5 instalado na cabeça, o que lhes conferem uma ampliação de suas habilidades inatas:

A equipe de raros indivíduos! Shane, Niko, Foxx e Doc, da esquerda para a direita.

  1. Capitão Zachary Foxx, o líder. Possui todo o lado esquerdo do seu corpo substituído por componentes cibogues. Ao acionar sua insígnia ele ganha uma força extraordinária bem como a capacidade de soltar altas rajadas de energia.
  2. Shane “Goose” Gooseman, o revoltadinho. Shane foi criado em laboratório pelo governo para ser um soldado supremo. Durante um ataque todos os outros experimentos ficaram enlouquecidos e fugiram, sendo Goose o único que não foi afetado. Ele se juntou aos rangers para poder capturar “seus irmãos” espalhados pela galáxia. Ao tocar sua insígnia, ele ativa seus poderes metamorfos que lhe conferem força e agilidade ampliadas, além de um “fator de cura”. Além disso ele é a cara do grande revoltadinho da época, Billy Idol (ou do Papito Supla, se você preferir).
  3. Niko, a vidente. Niko possui poderes psíquicos inatos que são ativados por sua insígnia. Ela pode ler mentes, possui telecinese e até pode prever pequenos eventos futuros, além de ser uma arqueologista e artista marcial.
  4. Walter “Doc” Hartford, o doutor. Na verdade, ele não é especificamente médico, mas um mestre em eletrônica e computadores. Ao tocar sua insígnia ele consegue “conversar” com computadores em geral, conseguindo invadir sistemas e burlar a segurança. Tem um computador pessoal que ele carrega que o ajuda nesse trabalho através de uma interface holográfica.

Como qualquer equipe de quatro indivíduos, cada um se identifica com o que acha mais maneiro e, mesmo não entendendo lhufas de computadores até hoje, eu me amarrava no Doc. Achava aquele computadorzinho holográfico dele muuuuito foda.

YEEEE-HAW!

Tenho boas memórias do desenho e, olha só, antes de escrever a coluna de hoje eu consegui ver uns cinco episódios dele no Youtube, com a dublagem original! Aquela com o clássico “versão brasileira Herbert Richers”! Houve um relançamento em box de DVD nos EUA mas isso foi em 2008. E como não sei se existe qualquer maneira de conseguir acessar o desenho de maneira legal por aqui, você pode clicar aqui no link e ser feliz por 65 episódios!

Tô LendoPontos Fortes
  • A história. Bom, eram histórias para o padrão dos anos 80. Mas tratavam de uns temas bacanas e não tinham toda aquela ladainha do He-man ou dos Thundercats ao final de cada episódio. Muita gente vai achar meio paradão até as cenas de ação, mas pelo pouco que revi até agora, parece que as tramas se sustentam bem.
  • A animação. É aquela velha história, né? Na época. Pros padrões de hoje em dia tem muita coisa capenga! Mas digo e repito, não é só a abertura que é fodona, se você tiver paciência de chegar até as cenas de ação, vai se bem bacana. Mesmo que seja rápido.
  • A música. Pode ser só o saudosismo falando, mas valei-me! Como esse tecladinho e essa bateria estourada fazem a minha alegria ao ouvir esse tema de abertura! Impossível não cantarolar “No guts, no glory. No pain, no gain. One for all, all for one! Rangers on the range!”
  • A dublagem. Revendo o desenho, cara. Só tem os figurões da dublagem nesse desenho! Apesar de umas derrapadas na tradução, ainda assim é um aula pra quem quiser ver!
Tô LendoPontos Fracos
  • Acesso. Quer dizer, tirando esse lance do youtube. Não tem muito onde você arranjar o desenho. Se você é desses que curte possuir a mídia física e tals, pode ser que encontre na Amazon, ou outro lugar.
  • Originalidade. Caubóis do Espaço já não era novo na época, e o desenho bebiba de diversas fontes, Star Wars entre elas. Mas se você já viu coisas como Firefly, Cowboy Bebop, Trigun, Cowboys vs Aliens, etc. Pode achar algumas coisas desinteressantes. Os pequenos, mais acostumados com ação frenética podem achar tudo meio chato mesmo.

Bateu saudade. Ainda mais porque eu lembrei do único bonequinho que eu tive dos Galaxy Rangers, que era um do Shane. Você apertava um botãozinho nas suas costas e ele sacava a pistola. Depois vi o mesmo mecanismo num bonequinho do Forge, dos X-men. Heh.

Bonequinhos amarelados que não são os meus… tsc.

Acho que esse é um desenho que super valeria um reboot! Ainda mais depois de assistir Voltron: The Legendary Defender na Netflix, que tem um vibe parecida. Não entendo como isso passou batido por tanta gente na época, ou como as pessoas se esqueceram deste desenho! Pode ser que por não ter passado ad exaustaum como a maioria dos desenhos do SBT, mas ainda assim…

Precisaria rever tudo pra ter certeza da pontuação correta, mas acho que vale pelo menos quatro rebobinandos. 📼📼📼📼


🎵🎵With a rebel yell she cried more, more, moooore! 🎵🎵

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-25T21:57:55+00:00 9 de abril de 2018|17 Comentários