Rebobinando #24

O ano era 1996. A casa não era minha, mas a de um amigo com Playstation. O jogo era de aventura. Era uma série de polígonos mágicos que faziam uma heroína que deixou nossos… ahem… corações de 14 anos completamente arrebatados. Ah, e o jogo era muito legal também! Apertem os cintos e vamos dar uma rebobinada em Tomb Raider! Ou como dizíamos na época “Tômbi Ráider”.

Antes de mais nada, sim, eu sei como o histórico da Lara Croft é cercado por machismos encruados na nossa sociedade. E em como as características físicas da personagem foram alguns dos elementos que mais a definiram por muito tempo (lembra do papo sobre os enchimentos da Angelina Jolie para interpretar a personagem?). Isso sem contar com o estigma de Mary Sue que ela carrega.

Mas enfim, pelo menos hoje em dia com as mudanças graduais que vemos tanto no ambiente dos games, quanto dos gamers, Lara é uma personagem forte com uma história bacana e definida por muito mais além do que o tamanho do seu busto.

Só o sutiã da Madonna pra segurar isso aqui.

Dito isso, sigamos em frente.

O primeiro jogo de Lara Croft foi uma coisa de outro mundo quando surgiu em 1996. Por aqui, não lembro a data exata de quando saiu, mas provavelmente só vim a jogá-lo no ano seguinte na casa de amigos. Sempre ficou aquele gostinho de “quero mais” porque nunca tive uma oportunidade real de zerar o jogo por conta própria. Lembrem que o máximo tecnologia que eu tinha em casa era um Sega CD e a gente sabe onde isso deu, né?

Olhando as imagens atualmente, pode não parecer muita coisa, com aquele 3D com cara de DOOM, e seus labirintos ultra-difíceis porque todo canto tinha basicamente a mesmíssima cara. Mas você, jovem nerd™ acostumado com gráficos com muito mais de DEZESSEIS MILHÕES DE CORES, tem que considerar que para a época, um jogão desses em 3D era raridade, e os gráficos eram absurdos de avançados.

Eu sei, coisa de velho. Mas a única coisa que era minimamente comparável, que saiu no mesmo ano, foi Super Mario 64 para o NINTENDO SIXTY-FOOOOOUUURRR!

Se você lembrar da jogabilidade, não era nem lá tão difícil. Com uma câmera em terceira pessoa, você era capaz de olhar para a bunda… err… para as costas da Lara por infinitas horas, mas era fácil se acostumar aos controles e olhar em volta para buscar pistas em outros lugares. Algo que é natural em quase todos os jogos atuais.

Mas eram os quebra-cabeças a parte realmente desafiadora. Muito por conta do motivo queu citei mais acima, do visual “tudo à 90 graus” dos labirintos. O que deixavam todas as paredes muito parecidas (algo que, se você parar para pensar, é justamente o que um labirinto deve ser), e às vezes era impossível distinguir o que era uma passagem e o que era uma parede ao longe.

Pffff! Noção de profundidade é para os FRACOS!

Em matéria de fases, ele era basicamente um jogo de plataforma no melhor estilo dos clássicos Pitfall e afins, mas claro, com muitos outros níveis e perigos literalmente em todos os lados! Malditos morceguinhos!

A história.

Tudo começa no passado com um teste atômico em Los Alamos, no Novo México que liberta algo que parece ser uma pessoa em animação suspensa. Nos dias atuais, encontramos Lara Croft em Calcutá. Ela é abordada por um capanga de uma rica empresária chamada Jacqueline Natla, e acaba sendo contratada para encontrar um artefato chamado Scion, escondido em uma tumba no Peru (hihi).

O jogo verdadeiramente começa aí, explorando quatro fases repletas de lobos, ursos e até dinossauros (!!!). Ao encontrar o primeiro pedaço do Scion, Lara é novamente abordada pelo tal capanga, que tenta roubá-lo. Ao derrotar o cara, ela descobre que Natla enviou um outro explorador para Grécia atrás do segundo pedaço do artefato.

Temos então mais cinco fases, onde Lara enfrenta leões, gorilas e jacarés e o tal explorador chamado Pierre Dupont (porque os exploradores rivais são sempre franceses?). Ao vencê-lo e juntar as duas partes do Scion ela tem uma visão de onde se encontra a terceira e última parte do artefato. No Egito (claaaaro).

Amigo, quando tocava a musiquinha e esse bicho aparecia BATIA UM DESESPERO!

Lá, nossa Lara Aventureira, enfrenta panteras, crocodilos e monstros mutantes por outras três fases. Além de enfrentar novamente e pela última vez, o capanga-mor de Jacqueline Natla. Que por sua vez aparece e toma para si o artefato, ordenando que seus outros capangas matem Lara Croft. E aí o jogo acaba.

Mentira! Era só pra ver se você estava prestando atenção. Ela sobrevive e vai atrás de Natla, numa ilha que é a entrada para famosa Atlântida! Descobrimos então que Jacqueline Natla na verdade é uma dos três regentes da cidade perdida, que foi aprisionada por querer roubar para si o poder dos outros e fazer experiências genéticas! Pelas últimas três fases do jogo, Lara enfrenta mais monstros mutantes além de outros capangas da vilã.

Se você não tiver muito pique para jogar o original, por conta dos gráficos, ou outro motivo qualquer, em 2007 lançaram um remake deste jogo chamado Tomb Raider: Anniversary. Que conta basicamente a mesma história, mas com gráficos e uma jogabilidade mais atual. Mas se ainda assim você achar que os gráficos de MAIS DE DEZ ANOS ATRÁS ainda não convencem, você pode jogar os jogos novos e parar de me perturbar! Com certeza deve ter algumas dessas versões no Steam, ou na PSN, ou algo do tipo. AGORA CAI FORA DO MEU QUINTAL!

Tô LendoPontos Fortes
  • Vanguarda. Mas só por saudosismo mesmo. Mesmo sendo um jogo avançado pra época, em termos de gráficos e história, eu total te entendo se você não estiver afim de jogar de novo.
  • Vanguarda x2. Por conta dele, vários jogos no mesmo modelo saíram depois. E mesmo não sendo exatamente a mesma coisa, eu coloco nessa conta aí 007 Contra Goldeneye, Zelda: Ocarina of Time e talvez, a série Uncharted (que eu amo). Essa última aí ainda bebeu da mesma fonte que nossa arqueóloga inglesa (EU TÔ OLHANDO PRA VOCÊ, HENRY JONES JUNIOR!).
  • Os reboots. Quem disse que todo reboot é ruim? Em 2006 Tomb Raider: Legend foi um baita sucesso e em 2013 o segundo reboot intitulado só Tomb Raider foi um outro sucesso maior ainda, dando origem ao filme mais recente da heroína nos cinemas.
Tô LendoPontos Fracos
  • A Idade. O jogo não envelheceu muito bem. Por diversos aspectos, tanto gamísticos e estilísticos, quanto sociais, sabe? Aquela minha mesma reclamação do início da coluna.
  • Os malditos morceguinhos! Argh. Como eu odiava os morceguinhos!

Infelizmente, não consegui jogar de novo pra escrever essa coluna. Tive que ver uns detonados no youtube para lembrar de alguma coisa. Mas me veio à mente que eu achei algumas partes mega difíceis quando joguei na época, o que me levou a procurar os detonados na finada Ação Games. Lembra da Ação Games? Cara… bons tempos!

Vale pelo menos três rebobinandos! 📼📼📼


“Especial DEBULHADOS”. Isso é que é literatura, meus amigos!

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-03-25T23:46:49+00:00 19 de março de 2018|4 Comentários
  • O jogo foi bem legal, pra época. Não rola jogar hoje em dia. Pegue o reboot de 2013 e a continuação e seja feliz.
    Essa ano, no mais tardar no próximo, deve sair o terceiro.

    Mas o jogo de 96 fez tanto sucesso entre os nerds cheio de espinhas que fizeram uma skin pra PC que a personagem ficava pelada. Povo tinha tempo livre demais…

    • Putz, é mesmo. Era o modo nuderaider. Eu sei pq na minha pesquisa recente eu vi o nome num artigo da… errr… Wikipedia.

  • Jean Carlos

    Passei muita raiva jogando isso ai, e nunca conseguir zerar, lembro que tinha uns códigos pra pegar todas armas e passar de fase, nostalgia pura Kadu.

    • Revendo os detonados no YouTube, e prestando atenção nas cutscenes, fica a maior sensação de estar vendo aquele clipe do Dire Straits, “Money For Nothing”.