Rebobinando #22 | Esquadrão Suicida

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Que bonito é ver todo mundo comentando o Oscar, né? Os vencedores, as melhores piadas, quem não merecia ter ganhado… Ajuda a gente a esquecer a eterna decepção que é o Universo Cinemático da DC Comics. E aproveitando o fato de que este foi o único outro filme da DC que ganhou um Oscar,  trago de volta afáveis memórias dos idos de 1988, com a estréia da Força Tarefa X nos quadrinhos brasileiros. Popularmente conhecidos como o Esquadrão Suicida!

O Esquadrão foi publicado pela primeira em uma minissérie da DC Comics chamada Legends, de 1986. No Brasil a mini saiu com o nome de Lendas (d’oh) em meados de 1988. A equipe só surgiu mesmo lá para a edição #3, muito embora personagens como Amanda Waller e Rick Flag tenham aparecido nas edições anteriores, arquitetando seus planos. A equipe era inicialmente formada pelos vilões Tigre de Bronze, Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Magia e Arrasa-Quarteirão. Pra constar, a equipe que foi pros cinemas acabou sendo uma mistura de várias outras formações da original, obviamente. A Arlequina nem sonhava em nascer, gente. Relaxa.

Capitão Bumerangue. Eterno babaca. Eternamente sem senso de moda!

Quando saiu por aqui pela Abril, foi como parte do mix da revista Liga da Justiça Internacional entre 1989 e 1993. Que eu já falei aqui (clica no link, clica!) e é uma das coisas mais maravilhosas dos quadrinhos desde sempre e eu guardo no coração essa equipe e nada do que você comente vai me fazer pensar o contrário! 

Mas não dá pra falar de Esquadrão Suicida sem falar dos “criadores”, claro. E sim, entre aspas mesmo. Em um artigo escrito pelo próprio John Ostrander em 2016, ele relata o backstory de como o gibi surgiu. Pra quem tem preguiça de ler em inglês, ele conta como a idéia surgiu de um editor da DC na época, Robert Greenberger. “Se você quer escrever algo pra gente, por que não o Esquadrão Suicida?”, sugeriu. A equipe tinha surgido anteriormente em um gibi de 1959, onde a tal equipe lutava na Segunda Guerra. E Ostrander rebateu com uma pergunta muito válida:

“Esquadrão Suicida? Que nome idiota! Quem em sã consciência entraria prum grupo com SUICIDA no nome?”.

A resposta veio imediatamente depois, óbvio. Bandidos, vilões, supercriminosos, pessoas que não teriam outra escolha a não ser aceitar uma proposta dessas. O resto é história.

O Pistoleiro que não tem nada a ver com o Will Smith e a Magia que não tem nada a ver com a Cara Delavigne.

O bom do Esquadrão na verdade era o fato de que o gibi era escrito por duas pessoas. John Ostrander e sua esposa Kim Yale. O trabalho em conjunto era muito bem complementado onde cada um escrevia sua parte e depois revisava a parte do outro. Sem contar que as idéias eram sempre mais “pé-no-chão” o possível (considerando que era um gibi de super-vilões). Ostrander sempre buscou problemas reais para colocar nas histórias, envolvendo a política da época, ataques terroristas, e outras coisas que, lembrem-se, em 1986 ainda não eram tão comuns. (NÃO É MESMO, ESPECIAL DO 11/SETEMBRO DO HOMEM-ARANHA?) Kim Yale era o outro lado que ajudou a equipe de vilões a ser uma das mais diversas na época, bem antes da gente começar a falar em diversidade nos quadrinhos.

No fim, os dois foram os principais responsáveis pela ressuscitação de vários personagens de segunda e terceira categorias da DC Comics. Tudo por que nenhum editor se importava o suficiente com eles, ou porque estavam ocupados demais com o pós-Crise. Foi assim que o Pistoleiro ganhou um imenso backstory. Que o Capitão Bumerangue ficou conhecido como o maníaco babaca que é hoje em dia. E foi assim que, pasmem, Barbara Gordon virou a Oráculo! Depois de Piada Mortal, a DC colocou a Batgirl na geladeira e foram Ostrander e Yale que tiraram ela do limbo pra usá-la em suas histórias.

Bárbara Gordon superando traumas muito melhor que na capa do Rafael Albuquerque.

Em suma, o Esquadrão Suicida “original” (afinal de contas o que é original de verdade hoje em dia?) deixou muitas saudades.

Tô LendoPontos Fortes
  • Amanda Waller. The Wall. Sério, toda e qualquer história da DC só teve a ganhar com a introdução dessa personagem nos quadrinhos. Não consigo sequer imaginar como seriam as séries animadas da Liga da Justiça e do Batman, sem a presença de Amanda Waller, por exemplo. E aquela cena inesquecível dela enfiando o dedo na cara do Batman?
  • Personagens dispensáveis. Não no mau sentido, péra. Antes mesmo dos Expendables do Stallone e da “imprevisibilidade” de Game of Thrones, o fato de usarem personagens que ninguém queria, dava uma liberdade aos criadores de eliminar quem quisessem em suas histórias. A cada edição, ninguém sabia quem voltaria vivo pra seguinte.
Tô LendoPontos Fracos
  • Cópias. Reza a lenda que tudo que a DC faz, a Marvel copia e faz melhor (pergunta pro Caruso). Só que neste caso o que a Marvel fez de mais parecido foram os Thunderbolts e… bem… a gente não fala dos Thunderbolts.
  • O filme. Desculpa, gente, mas o filme foi uma bosta. Tem Oscar, mas foi uma bosta. #polêmica #mamilos #marvete

Queria muito que a Panini lançasse um encadernado com as histórias do Esquadrão Suicida desta época. Seria uma boa ler tudo de novo sem os cortes ou as “adaptações” que a Abril Jovem normalmente fazia pra caber tudo no formatinho. Por enquanto, acho que só importando via Amazon e lendo em inglês. Se você tem condições, acho que super vale a pena. Tem as edições mais novas também, com uma equipe mais parecida com a do, ahem,”filme” que eu, honestamente, como burro elho que sou, não faço a menor ideia se presta ou não.

De qualquer maneira, a equipe original merece pelo menos umas três rebobinandos e meio,vai? 📼/2📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-25T22:00:45+00:00 5 de março de 2018|16 Comentários