Sim, eu sei. Perdi o hype do assunto na internet, mas de qualquer maneira, nunca é tarde para falar sobre o nazismo. Pelo menos, não deveria, não é? A Rebobinando de vez em quando também é coisa séria e hoje vamos falar de MAUS, a graphic novel de Art Spiegelman!

“Só o trabalho liberta” são os dizeres na porta do campo de concentração…

É muito triste que, hoje em dia, a gente ainda precise frisar que o nazismo e o holocausto foram algumas das piores coisas a acontecerem na história da humanidade. É estranho a gente ter que reclamar ou mesmo tentar ensinar alguém que ainda ache que este tipo de pensamento seja válido e digno de ser discutido como uma ideologia a ser tolerada. Não digo que ela deve ser esquecida ou mesmo varrida para debaixo do tapete como se nunca houvesse existido, caso contrário cairemos no erro de vivenciá-la mais uma vez. Mas quem colocou isso de uma maneira bem melhor que a minha foi o autor e filósofo austro-britânico Karl Popper:

Um paradoxo não tão conhecido [quanto os outros] é o paradoxo da tolerância: Que diz que a tolerância sem limites pode levar ao desaparecimento da tolerância em si. Se não impusermos limites até mesmo aos intolerantes, se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque da intolerância, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância. — Nessa formulação, não insinuo, por exemplo, que devemos suprimir continuamente a expressão de filosofias intolerantes; contanto que possamos contra argumentá-las de maneira racional e mantê-las sob controle através da opinião pública. Portanto, suprimi-las seria deveras imprudente.

Porém devemos nos reservar o direito de suprimi-las, caso seja necessário. Mesmo que seja através da força. Porque é muito provável que os intolerantes não estejam preparados para discutir conosco através do uso de argumentos racionais, mas sim partindo de uma censura de todo e qualquer argumento. É possível que proíbam seus seguidores de dar atenção a argumentos racionais, afirmando que são enganosos, e que os ensinem a usar seus punhos e armas como forma de resposta.

Portanto, devemos reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerarmos os intolerantes. Devemos reivindicar que todos os movimentos que pregam a intolerância estejam à margem da lei. E devemos considerar qualquer incitação à intolerância e à perseguição/repressão como algo criminoso, da mesma maneira que consideramos a incitação ao assassinato, ao sequestro de pessoas, ou à retomada do tráfico de escravos como algo criminoso.

Então, se alguém acredita que a formação de um novo partido nazista deveria ser legalizada, ou se alguém diz que uma pessoa tem todo o direito de ser racista, ou preconceituosa diante de outras etnias, religiões, orientação sexual, etc. Isso é crime! Às vezes eu entendo que pessoas jovens, que não conhecem a história, podem ser cooptadas por pensamentos assim em outros canais de entretenimento e informação na internet. Com essas pessoas vale a pena o ensino, vale a pena discutir, vale a pena dar orientação e mostrar coisas que elas possam ler ou assistir, como o nosso assunto de hoje, MAUS. Ou mesmo filmes como A Lista de Schindler, ou livros como O Diário de Anne Frank. Como eu disse, a intolerância não deve ser tolerada. Mas também não deve ser esquecida.

Obras que não devemos esquecer.

A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE

Minha historia com MAUS é um pouco diferente das coisas que eu comento aqui na coluna. Poderíamos até dizer que a Rebobinando dessa semana seja uma “Rebobinando Falsa”, porque nunca havia lido a graphic novel inteira até há pouquíssimo tempo (li na semana passada, na verdade). Tudo porque, como eu defendi os adolescentes incautos que não sabem história anteriormente, eu mesmo era um adolescente que detestava estudar história. Obviamente não era anti-semita ou racista, mas simplesmente não entendia o contexto histórico da maioria dos acontecimentos ou mesmo o funcionamento das políticas entre os países do mundo, seja em história ou geografia política em geral. Acontece. 

Minha noção histórica é razoavelmente recente, desde mais ou menos a época da faculdade (e lá se vão uns 20 anos). Então até mais ou menos esse “despertar”, eu simplesmente não tinha muita vontade de ler MAUS. Um “gibi” grande, pesado (nos dois sentidos) e ainda em preto-e-branco? Pfff… Me vê um Spawn aí tio, com duas bolas de Gen 13 e uma pitada de X-men, por favor! Pouco me importava que era a única graphic novel a ganhar um Prêmio Pulitzer, minha vontade mesmo era só de ler outras coisas.

Não estava preparado para esse nível de reflexão na adolescência.

Mas aos poucos, fui conhecendo um pouco mais sobre a obra e a curiosidade foi crescendo. Até que, há alguns anos, a encontrei perdida e solitária em uma livraria do Rio de Janeiro, pela metade do preço. Resolvi levar. Ainda assim, demorei muito para lê-la de fato, mas desta vez, não por causa de volume de texto ou de querer me “alienar” com super-heróis, mas por medo mesmo. Por várias vezes folheei o livro e algumas cenas me chocavam bastante e, devo admitir, depois de ficar velho e virar pai, me tornei um cara muito mais emotivo. O choque de algumas páginas era o suficiente para eu pensar “ah, vou ler depois” e guardar de novo na prateleira.

Porém, nas últimas semanas o “vou ler depois” já não servia mais. Peguei a graphic novel, sentei no sofá e comecei a ler. 

Vladek e Anja mal sabiam o que iria acontecer.

E AQUI MEUS PROBLEMAS COMEÇARAM…

Antes de mais nada, MAUS é uma história de pai e filho. Ok, ela fala do holocausto, do nazismo, do sentimento de culpa de sobrevivente, de trauma geracional… Mas acima de isso tudo, é uma história sobre a relação do autor Art Spiegelman e seu pai Vladek Spiegelman

Vladek era um sobrevivente de Auschwitz que migrou para os Estados Unidos e foi morar em Rego Park, um bairro do Queens em NY. Em uma entrevista de 1991 da Entertainment Weekly, Art comenta que: “O livro fala de como eu sou um filho de sobreviventes [do holocausto]. (…) Cresci como uma criança americana e a minha realidade era rock & roll, gibis, boliche e tentar arranjar uma namorada na escola”. E isso fica evidente nas páginas da história, em especial na Parte II. A relação entre os dois é mostrada como sendo muito conturbada, já que o pai é um senhor cheio de manias e traumas, e o filho um jovem cheio de ideias modernas e rancor pela forma como foi criado. Achei até curioso e muito honesto por parte do autor de não colocar a si mesmo como o dono da razão nessa relação, mostrando como tanto ele quanto o pai têm seus motivos para serem como são.

“Seu casaco tava feio, joguei fora!” – Quem nunca, né?

A criação da graphic novel foi uma forma de tentar uma aproximação entre os dois. E foi um processo longo de produção, que levou pouco mais de uma década. Dividido em dois volumes, com seis capítulos cada, ele foi publicado pela primeira vez ainda em 1980 na revista de vanguarda RAW, uma publicação do próprio Art Spiegelman em conjunto com sua esposa, Francoise Mouly. A RAW era uma revista em quadrinhos underground que serviu de marco no movimento dos quadrinhos alternativos dos anos 1980 em NY. Junto com ela, várias outras eram publicadas na época, como a Weirdo de Robert Crumb, ou a Heavy Metal, que também foi a porta de entrada de várias HQs europeias nos Estados Unidos. A revista em si durou praticamente todo o tempo de publicação de MAUS (de 1980 a 1991), sendo lançada anualmente e, em cada uma de suas edições, trazendo um capítulo da história. 

Mas a ideia de MAUS surgiu um pouco antes. Em 1972, Spiegelman recebeu a solicitação de fazer uma história de três páginas e, seguindo a linha de outros autores da época, resolveu tratar de um tema mais pessoal. Assim, ele criou a história de um rato-pai que contava a história do holocausto ao seu rato-filho (que se chamava “Mickey”, hehehe). Foi ali que nasceu o conceito da HQ que ganharia muitos prêmios anos depois e que girou o “piãozinho do inception” na cabeça do autor, fazendo-o perceber que precisava conhecer a fundo da história do seu próprio pai e registrá-la para a posteridade. 

Partes do “MAUS” original, de 1972.

Durante a produção dessa história, Spiegelman entrevistou o seu pai durante quatro dias, além de pesquisar extensivamente relatos de outros sobreviventes, amigos e familiares, desenvolvendo um material amplo que serviria de base para a graphic novel. Anos depois, em 1977, ele finalmente decidiria produzir o seu “grande romance gráfico norte-americano”. Assim, ele agendou novas entrevistas com seu pai em 1978 e chegou até a visitar Auschwitz em 1979. Em 1980, o primeiro capítulo de MAUS era publicado na edição #2 de RAW.

Além da publicação, a revista RAW vinha com livretos de cada capítulo de MAUS também.

MEU PAI SANGRA HISTÓRIA

A história abre já com uma porrada.

Vemos um pequeno Artie brincando com os amigos na rua, quando machuca o joelho e volta chorando para casa. Ao encontrar o pai, ele reclama dizendo que os amigos viram ele se machucar e o deixaram para trás… É quando Vladek olha para o filho e responde:

— Se você trancar todos em um quarto, sem comida, por uma semana… Aí verá quem são seus amigos mesmo.

Quem são nossas verdadeiras amizades?

Não pretendo dar muitos spoilers da trama, caso você não tenha lido ainda. Mas basicamente, os primeiros capítulos contam a história de Vladek, um jovem polonês que conhece Anja, a mãe do autor, filha de uma família rica de judeus da Polônia. A vida dos dois parece bem promissora, até que eles têm o primeiro filho, Richieu, e Anja sofre de depressão pós-parto. Os dois vão passar uns meses na Tchecoslováquia para ela se recuperar e acabam notando os primeiros sinais do nazismo se espalhando pela Europa. Escutam os boatos, as histórias que se espalhavam e começavam a ter medo de uma guerra.

Ao voltar da Tchecoslováquia para a cidadezinha de Sosnowiec em 1939, Vladek é convocado para a guerra contra a Alemanha. Durante a invasão alemã da Polônia, ele acaba sendo capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra e conta como mesmo entre os prisioneiros, os judeus já eram tratados de forma mais dura pelos militares alemães. Ao fim do conflito, parte da Polônia é anexada à Alemanha e Vladek, ao ser libertado, não consegue retornar para sua cidade (que agora estava na parte alemã). 

Ao se passarem por outra etnia, os personagens usam máscaras. Aqui, Vladek se por um polonês não-judeu e usa uma máscara de porco (já que os poloneses eram retratados como porcos).

Eventualmente, ele consegue retornar à sua cidade e ficar com sua família. Porém, já com a ocupação alemã, a população judia passa a ser cada vez mais oprimida. Cada dia surge um decreto diferente, uma lei diferente que aos poucos vai tirando todos os direitos daquela parcela da população. A família de Anja, por ser rica, consegue evitar boa parte da opressão durante algum tempo, mas aos poucos até mesmo eles vão sentindo o peso do nazismo em suas costas. Vladek, porém, não se contenta em sobreviver das sobras da família rica e utilizando seus próprios recursos de comerciante, vai garantindo um pouco mais de conforto para sua família, trabalhando de forma ilegal (de acordo com as leis alemãs, claro). 

Cada capítulo do livro se inicia com uma conversa entre Vladek e Art, que terá continuidade na história sobre o holocausto. E em cada uma dessas partes, vemos como o pai do autor é retratado de uma maneira quase estereotípica do “judeu sovina”… algo que até mesmo Spiegelman reclama na obra. Mas ao acompanhar suas histórias, acabamos por entender o como a falta mais absoluta de recursos durante a guerra, aliadas à opressão que ele sofreu e à sua própria capacidade de se reinventar e se adaptar às condições o ajudaram a sobreviver. Vladek era um homem simples e direto, que teve muita sorte e privilégios, mas também que teve muita capacidade de se manter vivo mesmo nos piores momentos. Não quero fazer aqui o discurso da “falta de força de vontade” porque até mesmo o autor lida com isso na obra. O nazismo foi um horror tão grande, tão demolidor, que massacrou milhões de pessoas independente de suas forças de vontade.

Era muito difícil para qualquer um escapar. Muitas mortes eram usadas como exemplo.

Em determinado momento, ele conta como cada uma das pessoas de sua família foram sumindo, sendo presas, ou simplesmente ficando para trás. Ele comenta como seus sogros, apesar de serem milionários, não conseguiram se salvar. Como seu filho pequeno Richieu foi levado para morar em segurança com uma tia na Hungria, junto com seus primos, mas que após a Alemanha invadir aquele país, a tia se suicidou junto com as crianças para não serem presos. Como dentro do próprio campo de concentração, ele encontrou formas de ser útil ensinando inglês, consertando botas, juntando cigarros para subornar oficiais, fazendo serviços de funilaria… e como todas essas eram funções que ele tinha aprendido um pouco durante a vida antes da guerra.

O primeiro volume se encerra com a ida dele e de sua esposa para o campo de concentração de Auschwitz. Com o subtítulo de “E Aqui Os Meus Problemas Começaram…”, o volume dois da graphic novel relata em detalhes toda a vida de Vladek dentro do campo, realizando os serviços que o ajudaram a sobreviver, em como ele conseguiu manter contato com sua esposa mesmo partes distantes do campo, e até mesmo de como conseguiu ajudá-la a sobreviver.

Os horrores eram muitos e afetou muita gente.

Esse segundo volume é o mais forte e alguns capítulos são muito difíceis de se ler. Chega a ser inacreditável o ponto do horror ao qual o ser humano pode chegar. Em 1991, na entrevista à Entertainment Weekly, Art Spiegelman comenta que sua filha (então com 4 anos) não sabia de nada sobre o holocausto, obviamente. Mas que quando chegasse a hora e sua bolha de inocência rompesse, ela iria acabar descobrindo os aspectos mais crueis do mundo. Só então, ele daria a ela MAUS para ler e entender a história do avô, de sua família e da guerra.

Uma parte interessante do segundo volume, no entanto, é que por ser bastante pesado por retratar a vida em Auschwitz, Spiegelman procura amenizar um pouco da história focando um pouco mais no relacionamento com o seu pai. Há momentos da vida dos dois durante as férias de verão, onde eles tiveram que conviver juntos por alguns dias. Há um momento de metalinguagem belíssimo mostrando a relação do próprio Art com sua obra, sua depressão, seu pai, o suicídio de sua mãe, seu terapeuta e sua esposa. E, claro, com a pressão do sucesso de sua graphic novel alcançando o status de best-seller.

Muitos níveis de metalinguagem. Até o próprio Art usa uma máscara de rato no “mundo real”.

Tô LendoPontos Fortes
  • Reflexão Histórica. É uma história de luta. E é uma história sobre História, sabe? Com “H” maiúsculo. Ainda acho incrível que existam pessoas que neguem a existência do holocausto, mesmo com tanta documentação assim e com relatos pesadíssimos como esse do pai de Art Spiegelman. É algo que nos faz pensar em nosso lugar no mundo e nosso dever em combater este tipo de coisa, até hoje.
  • Linguagem. Assim como as obras de muitos autores da mesma época, MAUS é carregado de um tipo de simbologia que só os quadrinhos conseguem expressar. A palavra “maus” do título significa “camundongos” em alemão e isso carrega todo o significado da obra (curiosamente, no passado eu achava que era uma tradução e que o título original seria “evil”). Ao se utilizar da mais básica forma de representação, o autor coloca os judeus como camundongos e os nazistas como gatos, conhecidos como “inimigos naturais”. E com o uso de um traço simples, mas ao mesmo tempo impactante, acaba evocando nos leitores uma identificação ainda maior.
  • Acessível. Fácil de encontrar e com um preço bastante acessível que vai de R$ 30,00 a R$ 50,00 reais, dependendo da loja.
Tô LendoPontos Meh
  • Pesado. Apesar de tentar balancear os momentos tensos com outros mais leves, a graphic novel inteira tem momentos pesadíssimos. É uma leitura que exige um ânimo do leitor, além de uma boa capacidade de interpretação. O traço de Spiegelman é bem simples com relação aos personagens, mas todos os locais e a ambientação são muito bem detalhados. Há mapas e diagramas do campo de Auschwitz que nos fazem ter uma ideia de como era estar lá… o que é bom para o intuito da obra, mas nos faz sentir muito mal. Se você é o tipo de pessoa que “se entrega” demais na hora de ler, ou ver um filme que trata de assuntos delicados como esse, recomendo cautela.
  • Temas Sensíveis. Além, é claro, de nazimo e anti-semitismo, um tema recorrente é o do suicídio. A mãe de Art se matou nos anos 1960 e não deixou nenhum bilhete, afetando o autor de maneira quase permanente. Essa questão é algo que é tratado na obra continuamente, através da relação do pai com a nova esposa e da busca de Art pelos diários perdidos de sua mãe, que acabam sendo mais um objeto de embate entre ele e Vladek.

Art sem máscaras.

MAUSVolume 1, foi compilado em 1986, nos EUA e lançado pela Pantheon Books. O Volume 2 foi lançado em 1991, depois da conclusão da série na revista RAW. Aqui no Brasil, houve duas publicações diferentes da mesma obra, uma pela Editora Brasiliense, dividindo os volumes com lançamento em 1987 e 1995 respectivamente. A outra foi uma publicação da Cia. das Letras, lançada em 2005, compilando os dois volumes em um só (é esse o que eu tenho). 

Uma curiosidade que descobri enquanto pesquisava sobre a obra, foi que Art Spiegelman tem a mais absoluta certeza de que Steven Spielberg (outro autor descendente de judeus) palgiou sua obra na criação do longa de animação  Fievel: Um Conto Americano que, olha só, conta a história de uma família de ratinhos judeus da Rússia que, em 1885, fogem da revolução russa em direção a NY nos EUA. No caminho eles se separam e Fievel precisa ir em busca de sua família no novo continente, enquanto enfrenta perigos infindáveis. Na época do lançamento do filme, em 1986, Spiegelman correu com a produção do primeiro volume de MAUS para que fosse publicado antes. Curiosamente, em 1991, ele precisou fazer o mesmo e publicar o volume dois antes do lançamento de Fievel Vai Para o Oeste (mesmo que as duas histórias não tivessem nada a ver).

Fievel e MAUS. Qualquer semelhança (muito provavelmente) é só mera coincidência mesmo.

Então, apesar de diversos autores ao longo da história terem representado os judeus como camundongos (até mesmo Franz Kafka já o fez), Spiegelman acredita piamente até hoje que Spielberg roubou sua ideia. Em uma entrevista ele chegou a afirmar que nunca o processou porque “é muito difícil comprovar um roubo sem a arma do crime”. Depois dos lançamentos de ambos os filmes, ele afirmou que eram “duas porcarias cínicas e idiotas”. Spielberg, por outro lado, nunca se pronunciou sobre o caso.

Recentemente, uma escola do Tennessee nos EUA baniu o livro da sua grade curricular, por conter “temas pesados e linguagem ofensiva”, além de diversas representações da suástica. Após ler a minuta da reunião com os membros do conselho da escola, Spiegelman disser ter fica com a impressão de que eles queriam “uma forma mais boazinha de retratar o holocausto”. Ele argumentou que reclamaram de “imagens perturbadoras”, mas quer saber? É uma história perturbadora…! 

Uma das coisas que mais me tocaram foram as fotos dos familiares desaparecidos e do irmão de Anja, tio do autor, também ser um artista, parecido com ele.

No fim, gostei muito de MAUS. Achei tenso e pesado, é verdade. Mas hoje, mais do que nunca, ainda acho que é uma obra extremamente necessária. E você? Já leu? O que achou? Conhece alguma outra obra que trate do holocausto, que valha a pena ser lida, ouvida ou assistida? Dá a dica aí nos comentários.


MAUS: A História de um Sobrevivente vale cinco rebobinandos. 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.