A REBOBINANDO ESTÁ DE VOLTA! Depois de um hiato forçado, estamos de volta com um clássico dos anos 90, das histórias do Aranha! Sim, aproveitando a estreia de UM CERTO FILME AÍ cheio de especulações, spoilers e teorias, a Rebobinando relembra Homem-Aranha Anual 3: O Retorno do Sexteto Sinistro!

Homem-aranha agachado em meio às arvores e o piso de terra de uma floresta. Seu uniforme está em preto e vemelho, com um grande contraste.

O Aranha mal sabe quantos problemas o esperam. São seis, na verdade. Seis problemas.

Há um bom tempo já, escrevi uma coluna sobre Homem-Aranha Anual #4 e falei sobre a confusão da publicação das anuais (que gerou coisas engraçadas como uma sendo publicada em maio de um ano e a outra saindo em dezembro do MESMO ano). Além disso, também já falei de Homem-Aranha Anual #1, que continha um arco de histórias que eu adorava, O Rapto de Mary Jane. Passa lá e depois volta aqui. Vai. Eu espero.

Já voltou? Beleza! Então vamos continuar.

O Aranha com certeza ganharia o saudoso troféu cata-piolho da Abril Jovem.

A CHEGADA DO SEXTETO SINISTRO

O Retorno do Sexteto Sinistro é uma história que funciona como um clássico dos anos 90 com cheirinho de biscoito passatempo e chocolate pós-aula. Com a primeira edição do arco de histórias lançada originalmente em Julho de 1990 nos EUA, o compilado com todas as edições de The Amazing Spider-Man #334-339 saiu aqui em terras brasucas em dezembro de 1993. O interessante da trama, além do retorno de uma equipe de supervilões que já nasceu famosa, é que ela também é uma releitura do ataque original dos personagens ao cabeça-de-teia. Claramente inspirada em Spider-man Annual #1, publicada ainda em 1964, é quase difícil de acreditar que a equipe não tenha se reunido uma vez sequer em quase 30 anos de publicação.

Como os anos 1960 eram um pouco mais inocentes, a trama original dessa história girava em torno de um plano do Doutor Octopus de juntar os principais vilões do Aranha para combatê-lo. Para tanto, ele bolou basicamente uma gincana, onde cada bandido sorteou um número para enfrentar o herói na ordem… Mas para incentivá-lo, eles teriam que raptar Betty Brant, a secretária de Johan (e namorada do Peter Parker na época), porque o cabeça-de-teia já havia quase morrido para salvá-la duas vezes antes. Enfim, lógica dos vilões da era de prata, né? Se ele quase morreu para salvar uma mocinha qualquer, obviamente era porque ela era importante para o herói, mas NINGUÉM PAROU PARA PENSAR QUEM ERA O NAMORADO DELA? Tipo, só pra constar, sabe?

– Eu sou o Doutor Octopus e tenho um problema com o Homem-Aranha! / – OOOOI, DOUTOR OOOCTOPUS!

Enfim, Electro e Abutre raptam Betty e, quase como bônus, levam a Tia May junto. Então quer dizer, agora Peter não tinha com recusar, nem mesmo se quisesse terminar seu namoro. Assim, ele enfrenta o Electro, Kraven, Homem-Areia, Mysterio, Abutre e Doutor Octopus nessa ordem para poder salvar as duas. Além disso, a trama secundária gira em torno do drama típico do Aranha em reclamar dos seus poderes e querer levar uma vida normal, fazendo com que ele perdesse os seus poderes temporariamente. Sem nenhuma explicação possível, é quase como se este evento tivesse sido usado como inspiração para o filme Homem-Aranha 2 (2004) em que Peter Parker perde os poderes por causa de estresse. Além disso, o arco Sem Poderes que saiu aqui em Homem-Aranha Anual #4 também é uma variação dessa mesma história, mas com o Camaleão como vilão principal.

Apesar de bobinha, o destaque da Annual #1 fica pela arte de Steve Ditko que espalhou splash pages lindonas de cada uma das batalhas contra os vilões da galeria do herói.

Belíssimas páginas! Mas olha que irado o Octopus lutando contra o Aranha com roupa de mergulho!

O RETORNO DO SEXTETO SINISTRO

Quase 30 anos depois da publicação dessa primeira história, o grupo se reúne de novo, mais uma vez capitaneados pelo dr. Otto Octavius. Escrita por David Michelinie, o arco de histórias se estende por seis edições da revista The Amazing Spider-Man com uma porção de tramas paralelas. Enquanto Octopus passa umas três edições só recrutando seus comparsas, vamos acompanhando Peter Parker tendo crises de ciúmes porque os nova-iorquinos não ligam mais para o Aranha e sim para heróis como o Homem-de-Ferro, ou o Capitão América. Vemos Mary Jane sofrendo ataques e assédios do seu stalker Jonathan Caeser. Vemos Felicia Hardy tentando causar outras crises de ciúme em Peter ao namorar seu amigo Flash Thompson. E finalmente vemos a Tia May enfrentando problemas pessoais com seu amigo/namorado Nathan Lubensky, um velhinho cadeirante que era hóspede em sua pensão.

Parece que é mais um trabalho para o Homem-Aranha!

Finalmente, depois de reunir Electro, Mysterio, Homem-Areia e Abutre, Octopus decide substituir o então falecido Kraven, o Caçador, com o maligno Duende Macabro, em sua versão demoníaca, transformado depois da saga Inferno. Juntos, eles colocam em prática o plano do bom doutor cheio de braços que consiste basicamente em fazer o mundo de refém! Eles aproveitariam o lançamento de um foguete de uma empresa particular para lançar na atmosfera um perigoso veneno que mataria uma quantidade imensa de pessoas. Quando questionado por Mysterio que quis saber se eles mesmos também não iriam morrer, Octavius responde que graças ao elemento fictício burundita (que a equipe já havia roubado), ele seria capaz de sintetizar uma vacina que seria vendida aos governos do mundo por quantias exorbitantes de dinheiro.

QUER DIZER QUE ATÉ OS SUPERVILÕES ACREDITAM NA EFICIÊNCIA DE UMA VACINA, NÉ?

Enfim, em meio a muita porrada e umas splash pages lindonas do Erik Larsen (sendo, a seu modo, uma homenagem ao ataque original do grupo), o Aranha acaba sendo atacado com uma amostra do veneno e… não morre. Quando o restante dos vilões começam a se questionar o porquê, Octopus diz que o plano real não era fazer o mundo de refém com um veneno. Mas que ele havia criado uma cura para o vício em cocaína! E o lançou na atmosfera, fazendo com que qualquer pessoa que usasse a droga tivesse convulsões horríveis, impedindo o consumo. Com isso, ele usaria a tal da burundita para sintetizar uma espécie de “contra-cura”, que ele venderia aos ricaços e bilionários que adoram cheirar um pózinho e estariam dispostos a pagar quantias ainda mais exorbitantes de dinheiro para voltarem a poder consumi-la. Caroio. Esse plano foi de 100 a zero em poucos segundos.

Só amor para o Larsen (mesmo depois do fora que tomei dele no Twitter).

Os integrantes do Sexteto se sentem traídos e Octavius nem dá muita importância. Só diz que é melhor todo mundo dar no pé porque além do Aranha, a polícia estava ocupando o campo de lançamento do foguete. Todos fogem correndo, jurando vingança, mas deixando para outro dia. O Doutor Octopus também foge e os cientistas começam a achar que a ideia talvez seja boa, pelo menos até perceberem que além de acabar com o vício em cocaína, a cura dele acelerava ainda mais a dissolução da camada de ozônio! Ou seja, no fim, Octavius ainda acabaria com a vida toda na Terra, mas sem a opção de vacinar a população contra o câncer de pele causado pelos raios ultravioleta do sol. 

Com isso, o Homem-Aranha parte em busca do vilão para mais um Confronto Final™ e para recuperar a tal da burundita que, convenientemente, também impediria o processo de dissolução da camada de ozônio. De cara, Octavius não acredita no papinho do cabeça-de-teia, mas logo em seguida vê que ele estava dizendo a verdade e deixa que ele leve o elemento para poder salvar o mundo. No fim, com a ajuda do Poderoso Thor, a “cura da cura” é lançada na atmosfera e mais uma vez o dia foi salvo graças ao Homem-Aranha e seus amigos!

Saudades do Aranha hiper-elástico!

Tô LendoPontos Fortes
  • Diversão. História clássica. Divertida. Mas como eu sou fã das traduções do Jotapê Martins adoro as adaptações das piadas do aracnídeo que sempre tem uma localização muito engraçada, bem à brasileira, que combina bastante com o herói.
  • Erik Larsen. Ele tava bem no auge nessa época. Os desenhos não estavam estilizados demais conforme o traço dele é hoje em dia e ele ainda abusava muito da dinâmica do Aranha, que permitia poses cada vez mais desconfortáveis, mas iradas.
  • Sexteto. Essa é a equipe mais original possível dos personagens e eu, particularmente, gosto muito dessa formação. Acho que por serem alguns dos vilões de mais longa data do Aranha, eles possuem uma dinâmica bacana entre si, e com a morte de Kraven em 1988, o Duende Macabro (mesmo não sendo o original), foi uma bela e necessária substituição.
Tô LendoPontos Meh
  • Sexteto. Hoje em dia, o próprio Sexteto Sinistro virou uma espécie de “franquia” com uma tonelada de outros personagens fazendo parte de diversas formações da equipe. Cada desenho animado teve um, cada iteração do Aranha pelas mãos de outros criadores também. Já houve até os “Sessenta Sinistros” (muito embora esse tenha sido uma piada). Mas enfim, a graça da equipe já se diluiu desde o seu primeiro retorno, nessa história, tanto que recentemente o Aranha chegou a enfrentar seis sextetos sinistros ao mesmo tempo!
  • Cortes. Como de praxe, os cortes das edições da Abril Jovem às vezes eram providenciais e às vezes prejudicavam o entendimento geral de algumas tramas.

Porque ele é o protagonista, Duende. Prestenção!

Como comentei antes, foi uma grata surpresa descobrir que o retorno do sexteto foi uma espécie de homenagem do Michelinie e do Larsen à história original. Os dois ainda fariam uma parceria mais bacana e mais doida ainda no não menos excelente A Vingança do Sexteto Sinistro que saiu aqui em Grandes Heróis Marvel #49. Além disso, como a história original de Annual #1 continha uma porrada de participações especiais meio “nada a ver” como o Doutor Estranho passeando em sua forma astral pela rua, ou o Quarteto Fantástico, Thor, Gigante e Vespa, etc. Todos surgem em momentos meio aleatórios e trocam duas linhas de diálogo e vão embora. Mas como em 1964 a ideia era expandir o universo Marvel e indicar outras leituras aos fãs do Aranha, nos anos 1990 essas participações funcionavam como meros easter eggs e uma oportunidade legal de colocar Larsen para se soltar em outros personagens.

Uma participação no mínimo… ESTRANHA. Tanto no original quanto no retorno.

Se você quiser ler a primeira história do Sexteto de Amazing Spider-Man Annual #1, ela foi republicada aqui em diversas revistas:

  • Origens dos Super-Heróis Marvel #3 (1995), da Abril Jovem;
  • Biblioteca Histórica do Homem-Aranha (2008), da Panini;
  • Homem-Aranha: Coleção Histórica Marvel #4 (2013), da Panini
  • Os Heróis Mais Poderosos da Marvel #2 (2014), da Salvat;
  • Coleção Definitiva do Homem-Aranha #16 (2017), da Salvat;
  • O Espetacular Homem-Aranha: Edição Definitiva (2019), da Panini.

Já o arco de The Amazing Spider-Man #334-339, com retorno do Sexteto foi republicado muito recentemente pela Panini em:

  • Homem-Aranha: A Volta do Sexteto Sinistro (2021).

Será que um dia veremos alguma formação do Sexteto Sinistro nos cinemas? Mesmo não sendo a formação clássica? Provavelmente. Entre teorias e especulações, multiversos e variantes, tem muita expectativa sendo gerada para o filme mais recente do Aranha, Sem Volta para Casa. Mas de acordo com os planos da Sony Pictures em expandir o Aranhaverso com filmes de personagens como Venom, Morbius e Kraven, é bem provável que algum dia vejamos os Sessenta Sinistros em algum filme… Será? Hahahah.

Que guerra sinixxxxtra, bróder.

E você? Qual é a sua formação favorita do Sexteto Sinistro? Quais vilões do Aranha você acha que seriam perfeitos em uma equipe?

Homem-Aranha Anual #3: O Retorno do Sexteto Sinistro vale cinco rebobinandos. 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.